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Se não têm pão, que comam brioches...ou mangas.

por naomedeemouvidos, em 12.04.19

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Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina.

 

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publicado às 20:07

Deus, Pátria e Bolsonaro.

por naomedeemouvidos, em 26.02.19

    Há uns meses, foi notícia a deputada brasileira Ana Caroline Campagnolo. Motivo? O apelo que fez, publicamente, para que os alunos filmassem as aulas de professores que revelassem discursos "político-partidários ou ideológicos", uma forma pouco velada de dizer denunciem todos os professores que ousem criticar esse messias, literalmente, dos tempos modernos, Jair Bolsonaro, o santo presidente do Brasil. "Na semana do dia 29 de outubro, muitos professores doutrinadores estarão inconformados e revoltados. Muitos não conseguirão disfarçar sua ira", assim rezava a deputada, logo a seguir à eleição do seu amado presidente. Daí até a desembaraçada menina abrir um denunciário online, para acolher os danosos, e danados, pecados desses reles doutrinadores, pouco éticos e incompetentes, foi um clique no sítio habitual. Aliás, “é só comportar direitinho que não precisa ter medo, cidadão” (não sei se será só a mim que isto causa calafrios...). Caso contrário, já sabe. E salvaguarda-se, como não?, a identidade do arrojado e casto denunciante.

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aqui

       Entretanto, a Justiça terá determinado a remoção da publicação do apelo na página de Facebook da senhora deputada do PSL, e a intrépida defensora da liberdade dos desde que mui adequados costumes até chegou a ver as suas contas reprovadas

 

    Ora, suponho que para garantir que o cidadão continue a portar-se direitinho, o Governo braileiro pretende, agora, pôr os alunos, nas escolas, a cantar o hino e a ler uma espécie de oração que termina com o todo-poderoso, conspícuo, mais-que-conhecido slogan “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”. Afinal, é de pequenino que se torce o pepino. Não se dirá assim, por lá – não faço ideia – mas, sendo o objectivo exterminar problemas, ou professores incómodos, também não deve fazer grande diferença. E, porque um país grande em qualquer parte da América há-de ser, por força, um país em perfeita sintonia, também se aconselha que o acto solene – ou, pelo menos, parte dele – seja filmado por um representante da escola e o vídeo enviado, com os dados da escola. Aleluia. Qualquer rasgo de semelhança com alguma suposta ditadura é pura maledicência de gente desordeira, impura e completamente ignorante.

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publicado às 14:30

O (novo) Reino de Deus.

por naomedeemouvidos, em 02.01.19

    De repente, o Brasil transformou-se numa espécie de gigantesco templo dessa seita que dá pelo nome de Igreja Universal do Reino de Deus, onde digníssimos pastores andam de jacto privado, instrumento maravilhoso para a evangelização do mundo, pois até Jesus Cristo não andaria hoje montado no burro, se estivesse fisicamente na Terra. É capaz.

    Seja como for, o santíssimo, devotíssimo e duas vezes messiânico Bolsonaro, esse proclamado e aclamado mito, tomou, finalmente, posse como 38º Presidente do Brasil. Ontem, juntamente com a amantíssima mulher, desfilou num descapotável, sob a graça de Nosso Senhor, ela de Grace Kelly, ele igual a si próprio, logo, medonho, sem alfaiate que lhe valha, porque é uma fealdade também superlativa que brota de dentro e jorra, putrefacta e incontida, conspurcando tudo em seu redor. Bolsonaro é a voz do povo brasileiro, que lhe deu 58 milhões de votos para a defesa dos valores da pátria e para “restabelecer os padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”. O de alguns, pelo menos. “Bíblia, Boi e Bala”, a nova Santíssima Trindade, em nome da qual Jair baptizou o novo Brasil, resgatado do Inferno, da corrupção e, principalmente, das malhas do PT. Os fiéis exultam, os impuros definham, como merecem.

 

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    Um pouco mais acima, ainda assim, abaixo de Deus, outro patriótico Salvador elogia o discurso. Pelo menos dois homens valentes e corajosos empenhados em construir, cada um, uma nação à sua imagem e semelhança, “sem discriminação ou divisão”, o primeiro, despedindo e insultando todos os que se lhe opõem, o outro, provavelmente, disparando as armas que simula empunhar, pelo menos, até que a evocação da “Ordem e o Progresso” legitime, de vez, o direito à legítima defesa por parte do “cidadão de bem”. E não há cidadão de bem que não apoie Bolsonaro, que foi eleito com a “campanha mais barata da história”. Imagino que, se houver dúvidas, ou dívidas, os acertos de contas ficarão a cargo da nova primeira-dama, não fosse o novo presidente um homem irrepreensivelmente impoluto, que não tem tempo de sair e, sobretudo, não quer esconder nada, não é essa a intenção.

    Abraham Lincoln disse, um dia, que quase todos os homens são capazes de suportar a adversidade, mas, que se alguém quiser testar o carácter de um homem, deve dar-lhe poder. Pois, chegou o tempo de testar, não o carácter de um homem, mas o de nações inteiras. E a resistência de um regime que deixou de ser o melhor, senão para todos, para muitos. Demasiados.

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publicado às 17:47

Vou continuar a indignar-me, posso?

por naomedeemouvidos, em 04.11.18

    Se me é permitido, vou continuar a indignar-me. Violentamente e todos os dias, se for preciso. Recuso associar-me à normalização do mal e à banalização do absurdo. Um fascista é um fascista, é um fascista. Quem partilha dos valores do fascismo, não se esconda em subterfúgios. Quem não quer viver a democracia em pleno, não pretenda instigar a sua intermitência, descontinuando-a quando convém. Porque, talvez, nunca convenha a todos concomitantemente.

    Os EUA estão em campanha. Na próxima terça-feira há eleições intercalares. Ao seu estilo, Donald Trump continua a agitar as massas mentindo, mentindo e mentindo e alternando discursos consoante os ventos, naquela linguagem básica e paternalista que continua a colher: vem aí uma caravana cheia de malfeitores, criminosos em série, apostados em tomar a América de assalto. Se nos atirarem pedras, lembremo-nos que os nossos soldados têm espingardas, portanto, que considerem usá-las. Não nos esqueçamos que à frente da caravana vêm homens fortes e maus, muito maus. Não interessa que tragam milhares de quilómetros nos pés e venham esmagados pelo cansaço, porque trazem um ror de más intenções na alma. Querem os nossos empregos, na melhor das hipóteses. Na pior, vêm violar as nossas mulheres e matar os nossos filhos. Matar só está permitido aos bons. E, não nos esqueçamos, “grab them by the pussy” também não está al alcance de qualquer um; só dos que têm dinheiro e poder. Pior do que um criminoso rico, só um criminoso pobre, fedorento e estrangeiro.

    Como habitualmente, Donald Trump já veio desmentir-se a si próprio. Afinal, não vamos disparar sobre os migrantes. Vamos só prendê-los pelo tempo que for preciso. A mentira, num democrata, é inadmissível. Num populista, num nacionalista ou num fascista é um meio válido para atingir um fim. A corrupção, num democrata, é vício nojento que urge exterminar, qualquer que seja o meio. Num populista, é expedito; é competência e desembaraço.

    As migrações em massa e descontroladas são um problema sério, efectivamente. Nenhum país tem capacidade de acolher todos, socorrer todos, atender a todos. Mas, acredito que os mecanismos para fazer face a este e outros problemas devem ser encontrados dentro das normas democráticas. Há quem ache que não. Há quem acredite que, o que importa, é ter a economia a crescer e viver sem incómodos e sem sobressaltos. Se, para isso, for necessário suspender ou, mesmo, eliminar a democracia, seja. Tudo em nome da segurança. Ou será só em nome do conforto pessoal? E, é mau, querermos paz para os justos e justiça para os criminosos? É mau ansiar por bons empregos, bons ordenados e uma vida confortável e próspera, principalmente, quando pagamos os nossos impostos? Claro que não! Como é evidente, essa não é a questão. Mas, o mundo não é perfeito e não é o nosso quintal. A não ser que passemos todos a defensores da justiça por mãos próprias e pela supressão, quem sabe, pelas armas, de todos os que perturbam o nosso sossego como mosquitos, viver em sociedade dá trabalho e, muitas, muitas vezes, traz chatices.

    Voltemos ao Brasil e a Bolsonaro (sim, também há Maduro e outros que tais; infelizmente, o mundo está cheio de gente que só olha para o seu umbigo e que só quer o poder a qualquer preço, subjugando tudo e todos à sua tirania). Fiquemos só pelos bens intencionados; pelos que acreditam que ele não é tão mau como parece e que Sérgio Moro – o mesmo que jurava a pés juntos que jamais entraria para a política – está apenas interessado em ajudar o Brasil a preservar a democracia. O que vai acontecer quando, cada brasileiro de bem se sentir legitimado para matar um ladrão, um violador, um assassino? O que vai acontecer quando um polícia brasileiro se sentir impune, democraticamente, para matar um (mesmo não alegadamente) criminoso? Quanto tempo precisaremos de esperar para assistir à instituição da vingança em vez da aplicação da justiça? E, quanto tempo até passarmos, cada um de nós, a ser o alvo?

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publicado às 13:31

Web Summit, Olé, Olé!

por naomedeemouvidos, em 30.10.18

    Marcelo Rebelo de Sousa dormiu pouco, como sempre, e teve uma espécie de epifania: e se eu me recandidatar à presidência da República como efeito colateral daquela doideira do Paddy de manter a Web Summit por cá mais uma década? Ou, se calhar, não…mas, talvez.

  Entretanto, a determinada, quase agressiva, defensora acérrima de minorias e super-feminista deputada Isabel Moreira resolveu ocupar o seu tempo no Parlamento pintando as unhas, actividade muito mais estimulante do que ouvir atentamente o que havia para dizer sobre a discussão do orçamento de Estado. Parece que a menina foi apanhada por um fotógrafo da Reuters, para minha vergonha. A da Isabel, não sei por onde andará.

   Também se descobriu que o Bruno insultou e praguejou mais do já sabíamos e, palpita-me, isso vai dar para mais algumas longas e duradouras sessões de debates televisivos. A não ser que o tema seja substituído por aquela conversa telefónica em que, suposta e alegadamente, sempre!, o Filipe aceita transferir o Rui para outro clube, por intermédio do César. Qualquer um dos assuntos é de suma importância para a sobrevivência do país, pelo que, não sei em qual aposte.

   Na Alemanha, Angela Merkel despediu-se. A CDU vai somando derrotas enquanto a Alternativa para a Alemanha vai crescendo e engordando. A Alemanha aguentar-se-á. E a Europa?

  No Brasil do Messias Bolsonaro uma menina posa para a fotografia empunhando, artisticamente, uma arma maior do que ela. De momento, a arma é fake. Será a intenção genuína? Infelizmente, estaremos cá para ver. Nos meus pesadelos, o entusiamo histérico dos bolsominions resvala para a demência extrema e a continência ao capitão estica-se, aos poucos e de mansinho, para a saudação nazi; em vez de um monstruoso heil hitler, um animado e carioca “aí, Bolsonaro!”

  Hoje, haveria muito mais, mas não me apetece. Faço como a Isabel. Vou ali restaurar-me; tem é que ser fora do expediente, que isto, como diz o ditado, cada um tem aquilo que merece…

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publicado às 10:15

No Brasil, ganhou um mito.

por naomedeemouvidos, em 29.10.18

    Primeiro a Bíblia, depois a Constituição. Dos quatro livros que Bolsonaro tinha em cima da sua mesa, no seu primeiro discurso de vitória, a partir de sua casa e através das redes sociais, a Bíblia mereceu o primeiro lugar. “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, haveria de repetir e reforçar.

    Bolsonaro presidente falou de respeito pela Constituição brasileira, pela democracia e pela liberdade. Bolsonaro candidato tinha falado, com saudade, da ditadura militar, das virtudes da tortura e da obediência que as minorias devem às maiorias, entre outras coisas.  Entre os que apoiaram o capitão e que rejubilam, agora, com a eleição do mito, há, creio, dois tipos de gente: os que querem, realmente, sangue, e anseiam pela exterminação implacável de todos os vícios e os que, a coberto de um enorme desespero e impotência, viram no Messias o único caminho para reverter a situação dramática em que o Brasil mergulhou. Para estes, do que Bolsonaro diz, nem tudo se escreve e, por isso, desvalorizam o discurso mais extremo de hostilização dos negros, dos homossexuais, dos pobres e das mulheres.

    Bolsonaro saiu à rua, mais ou menos, para agradecer a Deus e aos brasileiros a sua eleição. Deram-se as mãos e rezaram. Afinal, “essa é uma missão de Deus”. Bolsonaro lê o discurso de vitória.  “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. E a exultação da verdade arranca um ámen da boca da recém primeira dama, mesmo ali ao lado, com os olhos postos no marido e no céu. Deus é mesmo brasileiro e voltou a descer à Terra pela mão de Jair Messias Bolsonaro.

    O novo presidente do Brasil foi eleito pelos seus pares. Apesar de tudo, não me parece que seja uma vitória baseada, apenas, em notícias falsas. É preciso fazer uma reflexão mais profunda. A confiança das pessoas nas instituições democráticas está profundamente abalada e é impossível continuar a olhar para o lado, chamando de ignorantes, ditadores e fascistas todos os que procuram alternativas radicais.

    O Brasil elegeu um mito. E, agora? Agora, esperemos pelo melhor e façamos todos um exame de consciência.

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publicado às 09:55

A ilegalidade de ser humano.

por naomedeemouvidos, em 16.10.18

       Na Hungria de Vickor Orbán, ser sem-abrigo é ilegal (não é só, eu sei). Assim, e no “interesse da sociedade”, a polícia húngara está, desde esta segunda-feira, autorizada a retirar dos espaços públicos quem não tem onde dormir. Teoricamente, estes seres ilegais devem ser encaminhados para abrigos. Se se recusarem a fazê-lo, três vezes em 90 dias, a polícia pode detê-los e destruir os seus pertences. Os cidadãos, os legais, obviamente, devem ter o direito de usufruir dos espaços públicos sem constrangimentos.

      Na América de Trump, (pelo menos) uma menina, hondurenha, de dois anos testemunhou sozinha, no “Tribunal Federal de Imigração nº 14” dos EUA. Na fronteira, foi separada da avó que tentava entrar ilegalmente nesse país tão grande outra vez. Na esclarecidíssima e iluminada opinião de Trump e de muitos dos seus apoiantes, se as famílias tiverem medo de serem separadas das suas crianças, não se atreverão, sequer, a tentar entrar. De resto, na América, por exemplo, está tudo a correr muito bem. A economia está a crescer a um bom ritmo e a administração Trump fez mais pelo país, nos últimos dois anos, do que praticamente todas as outras administrações anteriores, pese embora o facto de Melania ainda ser a maior vítima de bullying do mundo, e não sei qual das duas “constatações” tem mais piada, porque, convenhamos, o humor também faz falta, embora, parece que em alguns países é tão ilegal como algumas pessoas, mas adiante.

        Os brasileiros vão eleger Bolsonaro porque já não suportam o PT e a sua corrupção. Afinal, sempre é melhor um F-A-S-C-I-S-T-A para arrumar a casa e eliminar os corruptos, do que outro democrata possivelmente viciado. Nem sequer faz falta vir o diabo escolher. Até porque os moderados e democratabilíssimos checs-and-balances que o Brasil não tem irão acabar por refrear os piores instintos do capitão Jair, tal como os que, sim, existem (ou existiam) nos EUA (não!) serão suficientes para impedir nova eleição de Trump, em 2020; não esquecer que, com jeitinho, o homem ainda acaba prémio Nobel da Paz.

          Enfim, os problemas são o que são e, pelos vistos, a democracia deixou de servir como solução. Churchill estaria certo se não tivesse (ab)usado da chalaça: na actualidade, parece não haver pior forma de governo.

        Eu, como cidadã do mais impoluto e legal que há, penso até se não seria melhor voltarmos todos ao olho-por-olho-dente-por-dente: cortar a mão ao ladrão, apedrejar os adúlteros, castrar os violadores, enfim, garantir o descanso imaculado e sem sobressaltos das sociedades limpas e pagadoras de impostos…isso é que era!

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publicado às 11:08

Desacordos Ortográficos, the never ending story

por naomedeemouvidos, em 27.07.17

Sou assumidamente, e apesar da minha profissão (felizmente, não sou professora de português…) contra este “acordo ortográfico”, que de acordo tem muito pouco, como é gritantemente evidente. Já vi e revi todos os argumentos a favor da “evolução” da língua, porque, antigamente, “farmácia” também se escrevia com “ph”, blá, blá, blá. Até já vi (ou melhor, li) alguém defender que agora temos, finalmente e como consequência do dito acordo, dois vocabulários actualizados que “não nos envergonham” na “comparação com o Brasil”! Confesso que fiquei pasmada com este, mas deve ser ignorância minha, com certeza, já que a minha falta de vergonha, pelos vistos, nunca me fez sentir complexada em relação ao Brasil, muito menos no que se refere à língua portuguesa. Sou mesmo parva!

Nem de propósito, acabo de ler, no jornal Público, um artigo interessantíssimo de Nuno Pacheco. O jornalista reuniu algumas palavras (daqueles conjuntos mais problemáticos, das chamadas consoantes mudas mas, pelos vistos, nem tanto…) e fez o seguinte (e imagino até que penoso) exercício: comparou a escrita daquelas palavras no Brasil e em Portugal, após a aplicação do AO. Resultado? Os brasileiros continuam a ter um serviço de recepção, mas nós passámos a rececionar. Os brasileiros ainda se deleitam a conceptualizar, mas nós optámos por uma insípida conceção, apesar de permanecermos unidos pela conceptibilidade. No Brasil, ainda se fazem estrondosas rupturas, mas em Portugal a mesma ruptilidade, empurrou-nos para uma mais suave e menos(?) conflituosa rutura. Em Portugal e no Brasil, a facticidade do acordo não deixou que os brasileiros dispensassem o fato, mas deixou aos portugueses, ainda assim, a possibilidade de escolher o facto…  

Como se vê, agora que escrevemos todos da mesma maneira, já não precisamos de nos sentir envergonhados...

No seu artigo, Nuno Pacheco incita-nos ainda a procurar mais exemplos, que diz poderem multiplicar-se à exaustão. Ainda não o fiz, com receio de que este tema me deprima ainda mais.

Vergonha, vergonha, tenho eu actualmente pelo que fizemos à nossa língua. Ninguém parece entender-se bem quanto às novas grafias e basta prestar atenção aos rodapés das notícias ou às legendas dos filmes que passam na televisão para sermos acometidos de um ataque de nervos…

PS: link do artigo do Nuno Pacheco

https://www.publico.pt/2017/07/27/culturaipsilon/noticia/danca-com-letras-nas-modas-de-ca-e-la-1780259

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publicado às 13:21



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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