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Sua Alteza Real, D. António Costa.

por naomedeemouvidos, em 26.03.19

São já bastantes as piadas com as nomeações familiares para o Governo de maioria socialista. Da lista de convidados para a festa de aniversário, ao novo slogan "jobs for the family", passando por uma espécie de ordem de sucessão monárquica. A questão podia, de facto, ter graça, mas estende-se para lá da anedota e espanta-me o despudorado à-vontade com que tudo se passa, mesmo debaixo dos nossos eternamente mansos narizes. Fosse o Governo da República uma dessas coisas a que chamam SAD, ou lá o que é, de um (não exactamente) qualquer clube de futebol e o caso já tinha levantado coloridas ondas de indignação em tudo quanto é social, com elevado destaque para as redes.

 

António Costa goza de tempos admiráveis. Com uma oposição política praticamente inexistente (Rui Rio, o que te aconteceu, homem, o que te fizeram??) e senhor dos ímpetos acusadores do PCP e do BE – que manipula com desmesurada arte e o triplo da arrogância – subiu ao paraíso. De manto e coroa. Pode pôr e dispor sem azias.

 

Catarina Martins, que, noutros tempos, se atiraria, seguramente, de cabeça à menor suspeita de tentativa de nepotismo subjacente à prática que parece ter inundado o Parlamento do Costa, Familiares e Amigos, Lda, veio, cândida e casta, de mansinho, pedir alguma reflexão aos responsáveis socialistas. Comove-me sempre o tratamento cordato entre opositores políticos. Só não sabia que, por cá, podiam emergir de forma tão natural e espontânea, quando menos se espera.

 

Carlos César – como não?! – ficou surpreendido com o teor de tais acusações. Aproveitou para lembrar a dona Catarina que, na sua bancada, também há quem sofra do mesmo mal, a abundância de relações familiares. Que não chega bem a ser um mal, evidentemente. Carlos César acha bastante normal, natural, que "em determinadas famílias onde essa vocação e essa proximidade se multiplicam, as pessoas tenham um empenhamento cívico similar". E Carlos César é bastante empenhado, a nação já o sabe há muito. O empenho vai ao ponto de se duplicar, coitado, em viagens entre a ilha e o continente, para cumprir de forma exemplar a sua tremenda vocação. O país fica a dever-lhe muito, portanto, pelo sim, pelo não, o melhor é cobrar subsídios e ajudas de custo. Em duplicado.

 

Entretanto, parece haver mais um nascimento na família socialista, altamente empenhada e vocacionada. Li, mas fiquei um pouco ourada (para quem não sabe, é equivalente a zonza, ou tonta, e diz-se no meu maravilhoso Porto; não sei porquê, pareceu-me apropriado).

 

Disse o novíssimo ministro Pedro Nuno Santos que as pessoas – ou, pelo menos, a sua “gira, divertida e inteligente” mulher, por exemplo – não devem ser menorizadas no seu percurso profissional em virtude dos seus graus de parentesco. É um facto. Com tanta a gente a não ser menorizada ultimamente, Portugal ainda se arrisca a ser grande outra vez. Nem a Real Academia de La Historia, mais o jornaleco ABC, se atreverão a voltar a abocanhar, com ganância, os nossos feitos passados. Com traições ou sem elas.

publicado às 18:27

Inadvertências.

por naomedeemouvidos, em 07.12.18

    Inadvertidamente, algumas deputadas validaram as presenças de outros colegas deputados. Desconhece-se se o género, aqui, é importante; se no Parlamento, os inadvertidos serão todos femininos e os fantasmas masculinos ou é ao contrário. Ou nenhuma das duas. Os anjos, sabemos que não têm sexo, mas, quanto ao género, há imensas dúvidas e não consta que o Parlamento tenha anjos. Nem virgens, em nenhum dos géneros, que, sobre isso, já fomos contundentemente esclarecidos. Adiante.

    Absolutamente seguro de que não terá cometido, nunca, qualquer inadvertência, mesmo não sendo virgem, eventualmente, Carlos César garantiu que, no PS, não há lugar para deputados fraudulentos. Até para praticar fraude, é preciso arte. Em não se sendo competente artífice, pode sempre ter-se a sorte de nascer nas ilhas. Mas, uma vez mais, não está ao alcance de todos. No PS, não há espaço para deputados fraudulentos. O facto de se receber subsídios por viagens de avião que não se fizeram parece que não é bem fraude. Podia ser eticamente reprovável, mas não inadvertidamente, não sejamos deselegantes.

    Não sei se porque pintam as unhas, aproveitam para pôr o sono em dia, ou para discutir as últimas do futebol, muitos são os deputados e deputadas distraídos durante os trabalhos parlamentares. De modo que, inadvertidamente a deputada que carregou no botãozinho por Feliciano Duarte, também já o fez "muitas vezes por vários outros colegas". Inadvertidamente, aposto. E, aparentemente, não é exclusivo da bancada do PSD, "que atire a primeira pedra quem não sabe que isto acontece". Vejam lá, não vão, inadveridamente, acertar nas virgens. Entretanto, a mesma deputada que, inadvertidamente, claro está, validou ausentes presenças de Feliciano Duarte no Parlamento faz parte do Conselho de Jurisdição do PSD, que tem a responsabilidade de analisar estes casos. Portanto, em princípio, manter-se-ão as virgens e não deverá haver arremesso de pedras. Ou ao contrário, e teremos uma hecatombe inadvertidamente anunciada.

    Mas, desengane-se quem pensa que só por cá há desatentos crónicos. Em terras de sua majestade, Boris Johnson admitiu não ter declarado em devido tempo uns milhares de libras de rendimentos com livros e artigos em jornais. Pediu desculpa e explicou que o fez inadvertidamente. Nove vezes ao longo dos últimos 12 meses…mas, por lá, parece que também já houve quem jogasse "candy crush" enquanto se discutiam problemas do reino, por isso...dizem que o jogo é viciante.

    É evidente que, mesmo no que a inadvertências diz respeito, não somos todos iguais (suponho que o mesmo se passe com o irrevogável). Aqui há uns anos, tranquilamente, fui de férias e, inadvertidamente, esqueci-me de entregar a tempo a minha declaração periódica de IVA. Prontamente mo lembraram. Com uma multa de quase 200 euros que, infelizmente, lá tive que pagar…

publicado às 09:18



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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