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Simbioses.

por naomedeemouvidos, em 18.07.19

Marcelo vai sentir saudades da actual composição do Parlamento e, seguramente, o actual Parlamento sentirá saudades do Presidente da República. Deste, pelo menos. É capaz de se tratar de um caso de simbiose mais-que-perfeita porque competentemente, brilhantemente, recíproca, coisa que nem sempre acontecerá no restante mundo animal, onde, segundo julgo saber (o que é sempre um perigo), os dois bichos poderão não desfrutar da coisa com o mesmo prazer. Pode dar-se o caso, também, de não serem ambos bichos, não necessariamente, o que, para o caso, continuará sem interesse nenhum.

É possível que as saudades do Presidente não cheguem, no entanto, para matar ou morrer. As eleições já estão à porta, o povo já está a banhos, os de ética, lavou-os o rio, e Cristas, aparentemente, precisa de ajuda até para mudar de penteado. Em caso de necessidade, António Costa já mostrou que é capaz de comer até o pan que o diabo, que não veio, não precisou de amansar ainda, de modo que, se Marcelo quiser, a próxima legislatura poderá voltar a ser uma bela história da carochinha. Inédita, romântica, eventualmente trôpega, mas já estávamos - e estamos - habituados e assim continuaremos. Somos os melhores.

 

Entretanto, foi ontem aprovado por unanimidade o relatório final da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Não será exactamente este, mas, não encontrei a versão actualizada.

Entre as conclusões a que parecem ter chegado os deputados estão o falhanço da supervisão por parte do Banco de Portugal, a imprudência na gestão na CGD, a existência de um grupo de poder que reproduziu um padrão de encobrimento mútuo e, claro, papel relevante da crise financeira internacional. É sempre um alívio poder contar com boas causas, incontornáveis, úteis e adequadas, capazes de salvar a salvar a face bonacheirona e abonada das nossas elites da banca, da alta finança e da política.

Deus criou o mundo, e nós encarregamo-nos de criar o resto.

publicado às 19:28

Portugal numa metáfora (pode ser numa pirâmide).

por naomedeemouvidos, em 17.07.19

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Começa assim: “Clayton Morris era apresentador da Fox News e é suspeito de montar um esquema semelhante ao da Dona Branca. Acossado com dezenas de queixas em tribunal, refugiou-se em Portugal”. E até rima.

Se for o caso, parece bastante apropriado, tendo em conta que, nos EUA, Bernard Madoff cumpre uma pena de 150 anos pela maior burla do género, viu um dos filhos suicidar-se vergado pela infâmia e o outro morrer de cancro acusando o pai de ser o responsável pela degradação do seu estado de saúde.

Portugal será o melhor país do mundo também para impedir maçadas do género. Acabo de ouvir, e ler, que, afinal, parece não haver indícios que possam configurar eventual gestão danosa no que diz respeito aos problemas (haveremos de encontrar uma palavra melhor) de gestão e créditos que geraram as perdas ruidosas de que se fala na Caixa Geral de Depósitos.

Não só a culpa tem o hábito de morrer solteira, como as más contas parecem casar bem com a crise financeira internacional. Há coincidências de que nem o diabo se lembra.

Ainda chegaremos a potência mundial no alojamento local de gente elegante, brilhante e instruída, sem tempo nem paciência para as minudências dos tribunais. É certo que temos, dizem, um problema de invejas incontidas, de tempos a tempos, contra gente com imenso sucesso e botões de punho, mas parece não fazer grandes estragos.

Se Clayton Morris prolongar a estadia, talvez se livre, pelo menos, das suspeitas. Imprudente, sim, danoso, nunca.

publicado às 21:03

"Dormindo com o inimigo"

por naomedeemouvidos, em 07.03.19

violência doméstica3.PNG

 

Ana Paula Fidalgo foi morta ontem, em Vieira do Minho, pelo marido, que acabou por se entregar à polícia.

 

A cabeça de uma mulher decapitada deu à costa, hoje, em Leça da Palmeira.

 

O ano de 2019 começou com um número alarmante e vergonhoso de mulheres assassinadas pelos companheiros, indivíduos a quem – por falta de termo alternativo adequado e para não recorrer ao insulto – se chama homens, mas, que jamais o poderiam ser, como é evidente, já que os homens dignos dessa designação não espancam mulheres, muito menos, até à morte. Aqueles são assassinos que, por acaso, nasceram do sexo masculino.

 

O horror já quase não choca. É só mais um caso. Atrás de outro. Por isso, quando ouço gente inteligente insurgir-se contra a onda de contestação (e gozo; merecido, lamento) que se levantou contra o juiz Neto de Moura, dá-me volta ao estômago. Não falo das mensagens de ódio instantâneo que transbordam, verdes de asco, nas redes socias sempre que a turba de indignados-porque-sim se manifesta e que não merecem, sequer, o tempo que se perde a olhar para lá. Falo dos argumentos que se esgrimem em defesa da suposta liberdade dos juízes para aplicarem a lei e que não pode andar a reboque da pressão mediática e social, sob pena de, perniciosamente, tirar à justiça o que é da justiça.

 

Pois, com certeza, que a aplicação da justiça não pode ficar refém da opinião pública ou dos indignados-mor da pátria. Mas, penso que, no caso do juiz Neto de Moura, o risco que se corre não é o do atentado à liberdade de aplicação da lei. É o de não ser admissível que uma fundamentação jurídica, plasmada num acórdão que se pretende, precisamente, livre e soberano, se faça à custa do preconceito retrógrado e pessoal do juiz que a redige. Quem falha na sua independência é o juiz que escreve, sem sobressalto e em pleno uso das suas (in)competências profissionais, considerações arcaicas e levianas, como, por exemplo, que as mulheres adúlteras carecem de probidade moral. Isso dirão(?) alguns padres e, eventualmente, aquela senhora do CDS que gosta de receber bem e não se importa de ganhar menos do que o marido, mais a juíza Maria Luísa Arantes, que estava ao lado de Neto de Moura apenas para assinar de cruz, mais ou menos como Carlos Costa nos Conselhos de Crédito da CGD: era só para assegurar o quórum. Serão coisas totalmente diferentes, mas, o diabo, como se sabe, está nos detalhes.

 

Agora que o juiz Neto de Moura vai deixar de julgar casos de violência doméstica não se pense que o problema deixou de existir. Continua a haver acórdãos aberrantes. Como aquele em que um crime de violação é desvalorizado com base em considerações sobre a “sedução mútua”, apesar de, no momento do acto abjecto, a vítima estar quase inconsciente.

 

Amanhã é Dia da Mulher. E os senhores juízes e as senhoras juízas promovem um workshop de maquilhagem. Se alguém ousar oferecer-me flores, é capaz de levar com elas na cabeça.

publicado às 19:07

A caixa que os pariu.

por naomedeemouvidos, em 26.01.19

   Quem não tem cão caça com gato. E quem vive num país pequeno arranja uma caixinha jeitosa, com dinheiro a rodos para distribuir entre os amigos e os amigos dos amigos, comendadores, amigos dos comendadores, gestores competentíssimos traídos por fracas e selectivas memórias, advogados de grandes sociedades que se servem, avidamente, das leis que criam com o único e pérfido propósito de confundir, uma manta esburacada, intencionalmente rota e mutilada para posterior usufruto de agulhas próprias, onde remendos e restauros se hão-de pagar a preço de ouro, deixando a nação subjugada, de joelhos, a alguns donos daquilo tudo.

    A caixa, no entanto, não é para todos. Ou, pelo menos, não da mesma maneira. Uns têm dívidas, outros imparidades. Uns devem possuir mais do que aquilo que pedem à banca, outros possuem a arte de extorquir milhões para financiar empreitadas de reconhecido luxo das quais sugarão o tão cobiçado lucro, se o houver, declinando, com arrogância e nojo, os prejuízos, essa peçonha viscosa e de menor casta, a distribuir pelos contribuintes, alguns, os mais incautos, alheios ao mundo da alta finança, do esbulho chique e sobranceiro, onde a reconhecida competência mais não é do que um embuste, porque levada ao colo, sem esforço próprio, a saque, colada a grupos de autênticos mafiosos, a coberto de um sabujo sistema de interesses articulados para que nunca alguém com poder vá parar à cadeia, como tão bem disse um conhecido advogado num também conhecido programa de televisão, não vai assim muito tempo. Deve ser por isso que alguns se dizem injustiçados, pobres coitados, vítimas de cabalas, perseguições e chantagens mesquinhas. Afinal, fiaram-se na teia que os ampararia a todos; na aranha que a urdia com astúcia e paciência. Mas, às vezes, o abuso torna-se abjecto, pelo que, urge disfarçar o descaramento e é aí que rolam as cabeças de pífios peões iludidos, os que apenas comiam das migalhas, sem engenho ou audácia para chegar ao topo, todos engordam do pote, mas, a alguns, apenas está permitido raspar as bordas e lamber os dedos.

    Aos poderosos não se diz não. Faz-se o que for preciso. E assim se permitiu que a Caixa-Geral de Depósitos, um banco do Estado, servisse, antes, de banco privado, uma fonte de recursos que parecia inesgotável para um grupo de privilegiados, entre os que dela se serviam à vontade e sem-vergonha e os que tinham o dever de regular sem nada ver até ser impossível continuar a olhar para o lado.

    O relatório da auditoria à CGD, de que se tem falado nos últimos dias, devia encher horas e horas de programas de televisão, de análise, em análise, em análise, como sabemos fazer tão bem com as importantíssimas questões do futebol, onde cada falta, cada toque, cada erro de arbitragem, cada espirro inconsequente, dá para sessões intermináveis, de debate e discussão, de repetição em repetição, ad nauseam, como se não houvesse nada de mais interesse para o país. Que miseráveis somos!

    Entretanto, há 17 gestores referidos na auditoria à CGD que continuam ligados à banca. São gestores de topo, competentíssimos portanto, presume-se, que foram responsáveis por decisões de concessão de créditos que originaram perdas, para a CGD, de perto de três mil milhões de euros. Nada que os contribuintes portugueses não possam pagar. Afinal, como se sabe, vivemos acima das nossas possibilidades há muitíssimo tempo.

 

    O jornal Expresso dá conta de que foi a CGD que denunciou José Sócrates à Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária em Abril de 2013. A denúncia refere a existência de um possível esquema de transferências de dinheiro desse grande e abnegado amigo, Carlos Santos Silva, para José Sócrates, por intermédio de uma conta da mãe deste; uma “conta de passagem”. Vale a pena ler. E é só mais um pormenor.

   Na verdade, vale a pena ler tudo o que se refere a este caso, ao verdadeiro assalto à CGD, que já nos obrigou - a todos os que pagamos impostos à custa do nosso trabalho - a injectar, como se diz, milhões e milhões de euros para evitar a ruína. 

 

P.S. Se não souberem por onde começar, a ler, leiam o "Quem Meteu a Mão na Caixa", de Helan Garrido.

publicado às 20:40

O crime não compensa?

por naomedeemouvidos, em 27.09.17

Esta é uma notícia que vale mesmo a pena ler. Para rir ou para chorar, fica ao critério de cada um. Dizem que o crime não compensa, mas eu acho que é como não acreditar em bruxas... "pero que las hay, las hay"!

https://www.publico.pt/2017/09/27/sociedade/noticia/licenca-parental-salva-funcionario-que-desviou-milhares-de-ser-despedido-1786797?page=/&pos=2&b=latest_news_a

publicado às 09:02



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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