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Crescer.

por naomedeemouvidos, em 13.05.19

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Pela primeira vez, o meu filho saiu sozinho; melhor dizendo, com um amigo. Cheios de recomendações, com o tempo cronometrado ao segundo, ao milissegundo, o percurso estudado sem desvios, a bateria do telemóvel carregada, chamadas a cada meia hora, três contactos programados, sem falhas, sem atrasos. Sobretudo, sem remorsos. Tem doze anos. Caramba, doze anos! Muitos dos seus amigos já voltam para casa sozinhos, depois de um dia de escola. Com dez anos, eu já caminhava, sozinha, quase cinco quilómetros por dia, de segunda a sexta-feira, para ir à escola. Não havia telemóveis. O meu pai fez comigo o caminho, uma primeira vez, num fim-de-semana qualquer de um final de Setembro perdido, algures, no tempo. Tanto tempo. Era preciso relembrar tudo, não haveria como fazer chegar outras advertências, sossegar a inquietação da minha mãe antes da hora de voltar, novamente, a casa, no primeiro dia e nos seguintes, até a arrogância irremediável da rotina suavizar a cisma. Não havia outro remédio.

 

Antes dele, tinha mil teorias sobre como educar, implacavelmente, impecavelmente, sem falhas, sem hesitações. Esmagadas (quase) todas as certezas, vamo-nos esforçando por não errar demasiado.

 

Chegaram na hora marcada. Comeram gelado. Vinham orgulhosos e felizes. Sobretudo, felizes.

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publicado às 08:30

Mercados de Alma.

por naomedeemouvidos, em 12.05.19

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Como habitualmente, o mercado fervilha de gente, de cores, de cheiros. As vozes misturam-se numa azáfama dinâmica e exuberante, fregueses e mercadores em perfeita harmonia, cada um fazendo-se valer de verbo próprio e escorreito, mais pelo prazer do jeito de regateio ensaiado do que por qualquer outra coisa. Ainda assim, às vezes o cliente agrada e convence, uma batota fugaz e consentida que ninguém leva demasiado a sério. Afinal, há, maioritariamente, clientes habituais. Os turistas não vêm, propriamente, comprar. Vêm misturar-se com as gentes, fazer parte da amálgama calorosa que anima o comércio da vila, pasmar com a arte da peixeira que amanha o pescado com esmerada alegria, como quem prepara um filho para a primeira comunhão.

 

Há algo naquele burburinho de vozes que vibram e se agitam como o restolhar das pregas de um longo vestido, naquele emaranhado colorido de odores, que atiça em mim uma memória sempre viva dos mercados de Marrocos, com a sua audaciosa mescla de tons, ora vibrantes, ora suaves, sempre inquietos. Irrequietos.

 

O ar torna-se ligeiramente mais quente, como se previa, antecipando a chegada do Verão. Daí a pouco, hei-de cruzar-me num acaso, por acaso, com um condutor de Casablanca a quem o sistema de navegação pregou uma inusitada partida, e uma onda imensa de saudade tomará conta do resto de mim, enquanto me esforço por conter as lágrimas que soltarei, em silêncio, apenas quando ficar sozinha.

 

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publicado às 17:00

Caminhos cruzados.

por naomedeemouvidos, em 22.04.19

   

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    O cego vai batendo com a bengala nas pedras que dão forma à calçada bordada no passeio estreito e iluminado pelo radioso sol primaveril. Parece um pouco aflito, confundido, procurando algo que não se acha ali, mas devia, e, nessa ligeira angústia, roda sobre si próprio, ora à esquerda, ora à direita, sem nunca se distanciar demasiado daquele ruído metálico que a calçada devolve.

  Do outro lado da rua, um homem atenta no desassossego urgente do cego. Encaminha-se para ele.

     -Precisa de alguma coisa?

    -Estou à procura da lavandaria, mas, parece-me que não é por aqui… - a bengala batucando, ágil e certeira, no chão e no rebordo do passeio, soltando notas, compondo sílabas desencontradas.

    -Há aqui uma lavandaria, um pouco mais à frente, eu levo-o até lá – e pega-lhe no braço, suavemente, orientando-o no caminho adiante.

   Não chegam a meia-dúzia de passos. O cego sobressalta-se, olhando em frente, atento ao diálogo que arranca do chão a golpes firmes, experimentados. Estaca, teimoso, no passeio, “não, não é por aqui”, enquanto o homem insiste, “está logo ali, a lavandaria, já lhe vejo a porta de entrada”. Mas, o cego não vacila, não duvida, “não é por aqui”, e logo volta atrás, arredio e decidido.

  -Ó amigo, tenha calma. Eu levo-o aonde o senhor precisar de ir. Diga-me, exactamente, que lavandaria é essa, porque, aqui, não conheço outra além desta…

     E o cego explicou, apaziguado, confiando no seu instinto e na bondade do homem.

    -Eu saio do autocarro, viro à direita, caminho uns poucos de metros à minha frente, viro, novamente, à direita e encontro logo a lavandaria…há dois degraus à entrada…

   Então, os dois homens voltam atrás, juntos. Retomam o caminho a partir da paragem do autocarro e vão seguindo a memória do cego. A bengala vai à frente, matraqueando, marcando o passo, astuta e ligeira, materializando acordes que apenas o cego pode ler e decifrar.

   -Ah, parece-me que, agora, sim, já vou no caminho certo – alegra-se o cego, estugando o passo. O homem segue-o, expedito, suspendo daquela melodia, a que não é totalmente surdo, mas que nunca chega a compreender.

    Só mais uns passos, à esquina direita da rua, e, lá está ela, “sim, agora vou bem!”, a lavandaria com os seus dois degraus à entrada. De fora, não se percebe que há uma lavandaria no interior, porque a loja tem várias secções. O cego conhece-a bem, o homem nunca antes havia reparado nela.

    -Obrigado!

  -Ora essa…boa tarde! – e o homem volta à sua rotina, uma admiração alegre e prazenteira estampada no rosto.

 

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publicado às 15:31

Espelhos de alma.

por naomedeemouvidos, em 08.03.19

Passo por ela todos os dias. Ela não chega bem a passar por mim. Porque me atravessa a alma em desalinho. Arrasta-me suspensa dos seus olhos negros e profundos que apenas vislumbro por entre a máscara de trapos que compõem o horrendo e espesso niquab. Apesar das correntes que a trazem agrilhoada, nesse dia como noutro dia qualquer, move-se com elegância. As mãos, cobertas pelas luvas pretas, opacas e decentes, como convém, parecem pequenas e graciosas. Vai deslizando os pés, suavemente, estrangulados nuns sapatos pretos, de biqueira arredondada, emergindo a lufadas curtas e rápidas, como um náufrago aspirando, sofregamente, os farrapos azedos do ar que ainda o mantém vivo. Pode caminhar na rua sozinha, sem a companhia decente de um homem, por isso, fatalmente encarcerada, sente-se livre. O mais livre que lhe permite a sua condição. Foi abençoada. Casou bem. De momento, o marido está em viagem de lua-de-mel com a segunda esposa. Ela autorizou. A primeira esposa goza desse privilégio. O de autorizar segundas esposas. Ou terceiras. A quarta, eventualmente. Todas devem viver com o mesmo imposto, abominável, conforto.

 

É estranho que não tenha filhos. Mas, talvez ainda não seja a hora. Não imagino a sua idade. Os olhos negros nem sempre me permitem a ousadia de os suster nos meus. Sou estrangeira e impura, não conversamos, jamais poderíamos ser amigas. E, no entanto, há algo, naquele silêncio que nos une, uma vez a cada semana, quando nos cruzamos, fugazmente, na rua, uma quietude imensa, avassaladora, que me arrelia e me inunda de contradições. Emociono-me, pasmo, rio, deslumbro-me. Nunca sinto pena, no entanto, não sei se deveria.

 

Não. Não somos amigas. Como poderíamos, sendo tão diferentes? Se nunca, sequer, a vi, inteira, pouco mais que uma sombra. E ninguém faz amizades futilmente, que disparate, com alguém que não conhece, com quem nunca trocou uma única palavra, apenas olhares breves, silêncios incontidos, em rebuliço, suspensos de um entendimento para lá do aceitável, dadas as circunstâncias. Acabarei por mudar-me e deixarei de me cruzar com a sua alma quase muda, vertida nos olhos profundos que me atormentam.

 

Por vezes, encontro-a noutros olhos, noutras almas, noutras amizades igualmente improváveis. E, muitas vezes, volto, imprudentemente, a emocionar-me.

 

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publicado às 13:39

Entre as sombras.

por naomedeemouvidos, em 01.03.19

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Subo a avenida do bairro chique e limpo alheio ao caos que fervilha no outro canto da cidade. Há um leve cheiro a jasmim, sem dor, nem nódoa, e vou olhando os edifícios elegantes e esterilizados, do outro lado da rua, perdida por detrás da lente da minha câmara. Os outros seguem mais à frente; os miúdos riem e falam de coisas que apenas adivinho, à distância. As árvores balançam, com graça, os ramos esguios, enquanto desenham suaves sombras tombadas no chão que, nada mais ajeitar-se o vento, de mansinho, escoam céleres pelos sumidouros rendilhados e brilhantes, em permanente galanteio.

 

Demoro um pouco a perceber que o homem se dirige a mim, especificamente. Energicamente. Nem o vi chegar. Parece um segurança, fardado, moreno, levanta a mão – não se atreve a tocar-me – e ordena-me que pare, sem que eu tenha chegado a entender uma única palavra. Percebo, intuitivamente, que fiz algo que não devia, mas, não falo a sua língua e, ele, nenhuma outra além dessa.

Uma foto. Percebo que aponta para a minha máquina fotográfica e mantém-me refém de uma suposta autoridade que me confunde. Continua no meu caminho, impassível, e sinto o calor apertar-me mais. Os outros, lá adiante, parecem distraídos. Não tarda, escapam-se, à esquina da rua, e deixarei de os ver. Amaldiçoo-me por me ter deixado ficar tão para trás, eu e os meus malditos instantes. Irrepetíveis, urgentes, inadiáveis.

 

Encaro o homem na minha frente. Estou segura, agora, de que se trata de um problema com alguma ou algumas das minhas fotografias. Mostro o écran da máquina e pergunto se devo apagar alguma coisa – não desconfio, sequer, o quê –, imaginando que me faço entender de algum modo. Segura na mão um walkie-talkie algo obsoleto que aproxima do rosto enquanto olha para mim. Percebo que fala com alguém e é evidente que aguarda instruções. A esquina está cada vez mais próxima, mas, não quero chamar, com receio de elevar demasiado a voz e acabar por denunciar a aflição tonta que me agonia. O riso das crianças chega-me já encolhido, pálido, e o calor ameaça confundir-me irremediavelmente.

 

Perco-me por momentos, entre as sombras e os cantos do tempo, até o homem começar a chamar-me, uma cacofonia insistente e confusa. Acaba por tocar-me no braço, à altura do cotovelo, leve, mais suavemente do que sugere o enorme chinfrim em que pretende que eu o entenda. Mas compreendo que posso ir, afinal, não há problema. E, que houvesse, não cheguei a entender que seria. Num devaneio algo infantil, desejo, intimamente, poder falar e entender todas as línguas do mundo.

 

Acabam de chegar à esquina quando se voltam, finalmente, para trás. Mas, já está tudo bem. Volto a escutar as gargalhadas, agora, cristalinas, inocentes e alegres como antes.

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publicado às 22:41

À esquina da memória.

por naomedeemouvidos, em 18.02.19

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(imagem própria)

 

O tempo não volta para trás. Mas, podemos sempre evocá-lo, sem pressa, como um suave sussurro soprado ao ouvido.

 

 

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publicado às 08:00

A arrogância da vida.

por naomedeemouvidos, em 17.02.19

E, às vezes, nem mesmo o vento se ouve passar.

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(imagens próprias)

 

 

 

 

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publicado às 18:27

A Gaffe ao meu ouvido.

por naomedeemouvidos, em 20.01.19

    Não recordo bem a data em que iniciei este blog. É-me completamente indiferente. Não gosto de dias de…uma ou outra vez esquecemo-los, por algum motivo estéril, e, sem querer, ofendemos alguém que nos é muito querido. Os meus mais queridos já me conhecem e perdoam-me.

    Creio que tem cerca de dois anos. O blog. Sem eu perceber bem como, esta estupenda rapariga passou por cá. Talvez a caminho das suas avenidas, cheia de graça e elegância, num doce balanço, astuta, crítica, inteligente, indomável. Seguramente, generosa. Imagino-a também generosa. Daquela generosidade que aquece sem estalar, como um suave sol de Inverno. Dizem que os ruivos, as ruivas, são raros e, por isso, especiais. É o que dizem.

    Deu-se o caso, o assombroso acaso, de nos cruzarmos virtualmente; e eu, que não acredito em coisa nenhuma que mereça a pena à primeira vista, sucumbi sem nada ver, por castigo ou por virtude, enxergando, afinal, mais do que esperava, sem saber como retribuir o carinho a que, talvez por tonta e démodé teimosia, por pudor desmesurado, não ouso chamar amizade. Afinal, no meu tempo, não era assim. Hei-de vir a cumprir penitência.

    À Gaffe, mais as suas admiráveis avenidas, o meu enorme obrigada. Por ter vestido com primor e mestria este pequeno espaço que, acabei por perceber, apavorada, não é meu somente. Agradeço-lhe pelo tempo, pela paciência…pelo atrevimento. Obrigada, querida Gaffe!

 

    Estou absolutamente certa de que todos os que por aqui se perdem, incautos, honrando-me com a sua passagem e presença, ficarão tão pasmados quanto eu, neste momento. A todos esses, a todos vós, agradeço também o desassombro.

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publicado às 19:35

Desassossegos.

por naomedeemouvidos, em 11.01.19

    Tornaram-se amigas à primeira vista. Tinham em comum uma alegria despreocupada e o riso fácil, e a empatia foi imediata. A espanhola era dez anos mais velha, mas não se notava, era magra, elegante e jovial, aquele tipo de mulher afortunada a quem até o trapo mais deslavado fica bem.

    Naquele dia, combinaram encontrar-se no café habitual. Quando chegou, a amiga já lá estava. Pediu um chocolate quente, espesso, e um mil-folhas, que, agora já sabia, não se dizia assim, em espanhol. A primeira vez, precisou de esperar que a amiga controlasse o ataque de riso, até ser capaz de lho explicar. Depois, tinham rebentado as duas em novas gargalhadas, até as mulheres de hidjab, da mesa ao lado, serem obrigadas a tapar ainda mais a cara, para esconderem e sufocarem as suas. Mas nunca mais se enganara.

    Desceram a rua até à medina, para as compras do dia. Saudaram o porteiro do hotel, onde a espanhola vivera mais de seis meses, logo após a chegada.

    Não havia, como agora, grandes supermercados e centros comercias cosmopolitas e arejados, pelo que, as compras, faziam-nas no mercado tradicional.

    Mergulharam nas entranhas fervilhantes de cores e sons que, como sempre, animavam as manhãs da velha medina. Comparam alhos, fruta, azeitonas e ovos e encaminharam-se para a parte do mercado do peixe. Pelo caminho, encontraram-se com as habituais crianças, minúsculas, pés desnudados, sujos, enfiados nos miseráveis e disformes chinelos, apesar das baixas temperaturas de Inverno. Como sempre, os miúdos ofereceram ajuda para transportar os sacos de compras a troco de algumas moedas. Como sempre, recusaram – como poderiam aceitar, os sacos maiores que os meninos que pertenciam à escola e aos pátios dos recreios, não ali. Em vez disso, como tantas vezes, comparam-lhes pão, grande, redondo e espalmado, a cheirar a fresco e a forno a lenha. Passava o aguador, e ofereceram-lhes, também, sumo de laranja fresca. Os miúdos já as conheciam.

    Começavam a aproximar-se do mercado de peixe quando se aperceberam da quebra na rotina habitual. Havia pouca gente e as bancas estavam praticamente vazias. Não viram o Mustafa, que amanhava o pescado como ninguém, o prazer e a alegria do ofício vertidos num saber ardiloso que emprestava ao produto final um sabor único e imaculado.

    Nenhuma da duas falava árabe, mas faziam-se entender entre o espanhol e o francês. Uma jovem mulher, com o traje característico das gentes das cadeias montanhosas do Arife, estava sentada num degrau de escada e, na sua frente, uma paleta de cores vibrantes, rabanetes, aipo, laranjas, molhos de salsa fresca. Nem sempre, as verduras, as frutas e os legumes tinham aquela vivacidade. Aqueles, pareciam ter-se deixado encantar pelo arrojado vigor da vendedeira. Mas, não havia peixe, naquele dia. A mulher explicou que tinha havido tormenta, os pescadores não puderam sair e, por isso, as bancas estavam vazias. Mustafa também não tinha vindo, pelo mesmo motivo, nada de cuidado.

    Estavam quase a voltar para trás, quando deram pela súbita agitação. Várias pessoas começaram a correr para junto das bancas, num corrupio, em atropelos, uma cacofonia de sons estridentes entendíveis por todos, menos por elas. Na entrada oposta àquela a que se encontravam, ainda, surgiu um homem alto, transportando um enorme saco preto. Mesmo sem entender quase nada, perceberam que o homem trazia, no saco, algo que interessava a muitos dos que acudiam ao seu encalço. O homem gritava, via-se que chamava os outros a quem, provavelmente, já anunciara, na azáfama, o motivo de reboliço. Foi só quando ele se aproximou de uma das bancas vazias e despejou o conteúdo do saco que, as duas puderam, enfim, desvendar a macabra encomenda. Dezenas de dentaduras jaziam, tão esgotadas como os seus defuntos, na pedra onde, não muitas horas antes, os linguados e as lagostas estrebuchavam em represálias inconsequentes às mãos dos homens do mar. Olharam uma para a outra, sem conseguir articular palavra. Mas, mesmo no silêncio, entenderam-se, num alívio tão fugaz, quanto malogrado: pelo menos, não era na banca do Mustafa…

    Mais tarde, acabariam por rir do absurdo, resgatando a história das suas lembranças, pasmando com a dimensão da pobreza, invocando-a, muitas vezes, pela necessidade que ambas tinham de assegurar-se de que não havia sido, apenas, um breve delírio.

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publicado às 13:56

Outros desejos para 2019.

por naomedeemouvidos, em 29.12.18

    A agência da CGD não está muito cheia, mas, o tempo escorre lento e as senhas, nos modernos e elegantes écrans, arrastam-se ao ritmo dos funcionários que sobram e sobrevivem às horas de serviço. O ano está prestes a terminar e ninguém tem pressa, excepto os que exasperam e desesperam no compasso de espera.

    Alheias às angústias dos crescidos, duas meninas brincam com as mãos, desfiando uma daquelas lengalengas que acompanham com palmas. Uma é negra, muito negra, e a outra é branca, muito branca, tão branca como a bandeira da Polónia, mas, as duas são amigas, brincam, riem e não se vêem diferentes, nessa diferença nojenta e absurda que nos humilha a todos, não só àquele que é diferente.

    Enquanto observo as duas meninas penso nos meus desejos para 2019 e, de repente, todos me parecem fúteis e vazios, indecentes, quase. Naquele momento, desejo apenas que aquelas duas crianças nunca deixem de ser amigas e nunca deixem de se ver assim, sem cor, sem medo, sem ódio. Desejo que possamos, não só, sobreviver aos Trumps, Bolsanaros e seus congéneres, mas remetê-los ao buraco imundo de onde nunca deviam ter saído, rastejando como vermes que são, miseráveis e abjectos. Não rezo. Se rezasse, seria para que este meu desejo se realizasse.

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publicado às 12:40



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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