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Porto de abrigo.

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

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O Porto destes dias não é o mesmo Porto da minha infância e juventude. Ou, não é exactamente o mesmo. Tive um professor na faculdade que insistia em lembrar-nos que todo o progresso tem um custo e esse custo, por vezes, é elevado. Não sei, ainda, avaliar o que o progresso baseado num turismo de massas e alojamento local epidémico irá custar à cidade do Porto. Imagino que o mesmo que já custou a outras tantas cidades, a outros locais, cá dentro e lá fora, onde já pouco sobra da genuinidade e genialidade da gente, do povo que dá cor, vida e alma ao ar que se respira, às pedras que murmuram histórias, às ruas que nos embalam em abraços sentidos. 

 

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Mas, vim encher-me de mimos, rodear-me de outros imensos afectos. Ainda pude, ainda posso. Deixei cá parte de mim. A minha irmã, o meu sobrinho. Os meus pais. Sempre eles, são um pilar robusto, inamovível, que resiste a todas as intempéries. E o meu pai conhece o Porto como poucos. Posso perder-me e encontrar-me em todas as ruelas, as mais escondidas, as mais improváveis, as mais autênticas, onde os mais velhos ainda me chamam menina. No Porto, é possível ser menina toda a vida.

 

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Apesar das obras em série, da proliferação de gruas e da emergência de hotéis a cada esquina, claro que a cidade ganhou com o turismo, nunca se perde tudo. Há zonas, outrora votadas ao abandono, que renasceram, dinamizaram-se e oferecem, agora, mais do que quadros sujos e deprimentes. Em contrapartida, o trânsito parece mais desordenado, caótico, com hordas de turistas, maioritariamente, nacionais e estrangeiros, a cruzar as ruas, em bando, sem qualquer respeito pelos sinais luminosos ou outros, toureando a sorte para desespero de quem conduz.

 

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Em cada canto, a cidade fervilha carregada de memórias que imagino diferentes das das páginas da poetisa, de memórias seguramente diferentes das minhas e, no entanto, há cores e cheiros que perduram, um casario que ainda encanta, que ainda resiste, que vive para além dos contos.

Há a cidade do rio, de onde se mira Vila Nova de Gaia e a Serra do Pilar, em frente ao velho casario que se estende até ao mar, da calçada da Ribeira, o Porto de encantos,  de luzes e sombras, o Porto que desperta e atormenta os nossos sentidos.

 

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Ainda persiste, todavia, um Porto de outrora, o do tempo que se perde ganhando, entre amigos, o Porto que se pega à pele, o que se bebe, o que alucina.

 

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E, depois, há o Porto do património religioso, imperdível, insubstituível, o que arrebata e apazigua, o que exalta e silencia.

 

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O turismo é bem e mal, é anjo e demónio, é salvador e é voraz, cobra o seu preço, impõe as suas regras. Que bom seria se não nos deslumbrássemos para lá da conta que venha a valer a pena pagar.

 

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publicado às 19:17

Bem-nascido, mal-nascido.

por naomedeemouvidos, em 28.06.19

Das varandas brancas, em cascata, empoleiradas sobre o imenso penhasco que se ergue da Kasbah numa vertigem insolente costumava avistar Espanha, nos fins-de-tarde quentes de Verão. As árvores generosas emprestavam a sombra que corria zelosa, à cabra-cega, ao sabor do vento num sussurro esgalhado, afastando o calor com aprumo, enquanto se serviam chãs de hortelã e menta borrifando espessos perfumes fumegantes, como padres aspergindo incensos em missas de semana santa, os toscos copos de vidro já baço fazendo as vezes dos sagrados turíbulos.

 

Cada mesa conta uma história diferente, sonha um sonho diferente. Eu pasmo com a imensidão do mar que se me oferece, ali mesmo, onde o Mediterrâneo se funde, rosnando, com o Oceano Atlântico, um hálito bruto a maresia, confundindo com implacável astúcia os sentidos mais incautos. Se os mares se amansam em carícias consentidas como dois amantes saciados, a vista alcança a costa de Tarifa, para onde rumam, todos os dias, as ilusões daqueles a quem a sorte não autorizou a travessia do estreito à boleia dos ferries de pontualidade duvidosa, mas velozes e livres como o ar que se respira.

Os rapazes, desocupados, fumam cigarros comprados avulso, um por cada duas bocas ávidas de vícios urgentes, de consolação miserável, os olhos repousando, por momentos, das esperanças sôfregas e desdenhosas de resignações acertadas. Alguns, nessa mesma noite, hão-de atrever-se, enfim, a afrontar a sorte que os desprezou, a renegar o vazio que os consome como as larvas, outrora, os corpos mortos que, em tempos, habitaram as tumbas fenícias, agora vazias como eles, por que passaram no caminho até ali, poiso improvável de escritores, pintores e poetas, também eles enjeitados à sua maneira, reféns de infortúnios menos mundanos.

 

Há uma sala interior, alcatifada, que vislumbro de soslaio sempre que subo e desço os degraus escarpados, e onde, dizem, uma conhecida e ainda viva rock star tinha por hábito abandonar-se aos vapores caprichosos dos cachimbos de haxixe, enquanto admirava a costa, em frente, emoldurada em amplas janelas vivas, tentadora como uma Mona Lisa suspensa das paredes do Louvre.

Não se vê um móvel. Os únicos adereços são os soberbos cachimbos de água de cores berrantes e mangueiras desmaiadas em desalinho, aguardando a vez, e homens sem idade nem alento ruminando o estupor a fogo lento em baforadas longas e redentoras.

 

Cerca de quinze quilómetros em linha recta separam dois acasos, duas sortes, dois destinos. Atrás das janelas despidas de vidros, à mercê do ópio e do ócio, muitos blasfemam em surdina contra um deus que os largou, num embuste velhaco, do lado errado do mar.

 

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publicado às 23:15

Luas.

por naomedeemouvidos, em 23.06.19

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A lua de Miguel Claro. Aqui e aqui.

 

Por vezes, a minha. Cheia, imensa, perdida no silêncio em que, tantas outras vezes, me encontro. Onde posso ser só eu, onde me basto sem reservas, nem pecado. É nessa tranquildade desassossegada que aprendo a (re)conhecer-me. Consciente dos meus nadas, descubro a irremediável presença do outro. Não para oferecer, sempre, a outra face, como se não houvesse gente que me cause repulsa, mas, sobretudo, para que não se me obscureça, nunca, a face que realmente importa.

 

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publicado às 17:45

Crescer.

por naomedeemouvidos, em 13.05.19

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Pela primeira vez, o meu filho saiu sozinho; melhor dizendo, com um amigo. Cheios de recomendações, com o tempo cronometrado ao segundo, ao milissegundo, o percurso estudado sem desvios, a bateria do telemóvel carregada, chamadas a cada meia hora, três contactos programados, sem falhas, sem atrasos. Sobretudo, sem remorsos. Tem doze anos. Caramba, doze anos! Muitos dos seus amigos já voltam para casa sozinhos, depois de um dia de escola. Com dez anos, eu já caminhava, sozinha, quase cinco quilómetros por dia, de segunda a sexta-feira, para ir à escola. Não havia telemóveis. O meu pai fez comigo o caminho, uma primeira vez, num fim-de-semana qualquer de um final de Setembro perdido, algures, no tempo. Tanto tempo. Era preciso relembrar tudo, não haveria como fazer chegar outras advertências, sossegar a inquietação da minha mãe antes da hora de voltar, novamente, a casa, no primeiro dia e nos seguintes, até a arrogância irremediável da rotina suavizar a cisma. Não havia outro remédio.

 

Antes dele, tinha mil teorias sobre como educar, implacavelmente, impecavelmente, sem falhas, sem hesitações. Esmagadas (quase) todas as certezas, vamo-nos esforçando por não errar demasiado.

 

Chegaram na hora marcada. Comeram gelado. Vinham orgulhosos e felizes. Sobretudo, felizes.

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publicado às 08:30

Mercados de Alma.

por naomedeemouvidos, em 12.05.19

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Como habitualmente, o mercado fervilha de gente, de cores, de cheiros. As vozes misturam-se numa azáfama dinâmica e exuberante, fregueses e mercadores em perfeita harmonia, cada um fazendo-se valer de verbo próprio e escorreito, mais pelo prazer do jeito de regateio ensaiado do que por qualquer outra coisa. Ainda assim, às vezes o cliente agrada e convence, uma batota fugaz e consentida que ninguém leva demasiado a sério. Afinal, há, maioritariamente, clientes habituais. Os turistas não vêm, propriamente, comprar. Vêm misturar-se com as gentes, fazer parte da amálgama calorosa que anima o comércio da vila, pasmar com a arte da peixeira que amanha o pescado com esmerada alegria, como quem prepara um filho para a primeira comunhão.

 

Há algo naquele burburinho de vozes que vibram e se agitam como o restolhar das pregas de um longo vestido, naquele emaranhado colorido de odores, que atiça em mim uma memória sempre viva dos mercados de Marrocos, com a sua audaciosa mescla de tons, ora vibrantes, ora suaves, sempre inquietos. Irrequietos.

 

O ar torna-se ligeiramente mais quente, como se previa, antecipando a chegada do Verão. Daí a pouco, hei-de cruzar-me num acaso, por acaso, com um condutor de Casablanca a quem o sistema de navegação pregou uma inusitada partida, e uma onda imensa de saudade tomará conta do resto de mim, enquanto me esforço por conter as lágrimas que soltarei, em silêncio, apenas quando ficar sozinha.

 

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publicado às 17:00

Caminhos cruzados.

por naomedeemouvidos, em 22.04.19

   

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    O cego vai batendo com a bengala nas pedras que dão forma à calçada bordada no passeio estreito e iluminado pelo radioso sol primaveril. Parece um pouco aflito, confundido, procurando algo que não se acha ali, mas devia, e, nessa ligeira angústia, roda sobre si próprio, ora à esquerda, ora à direita, sem nunca se distanciar demasiado daquele ruído metálico que a calçada devolve.

  Do outro lado da rua, um homem atenta no desassossego urgente do cego. Encaminha-se para ele.

     -Precisa de alguma coisa?

    -Estou à procura da lavandaria, mas, parece-me que não é por aqui… - a bengala batucando, ágil e certeira, no chão e no rebordo do passeio, soltando notas, compondo sílabas desencontradas.

    -Há aqui uma lavandaria, um pouco mais à frente, eu levo-o até lá – e pega-lhe no braço, suavemente, orientando-o no caminho adiante.

   Não chegam a meia-dúzia de passos. O cego sobressalta-se, olhando em frente, atento ao diálogo que arranca do chão a golpes firmes, experimentados. Estaca, teimoso, no passeio, “não, não é por aqui”, enquanto o homem insiste, “está logo ali, a lavandaria, já lhe vejo a porta de entrada”. Mas, o cego não vacila, não duvida, “não é por aqui”, e logo volta atrás, arredio e decidido.

  -Ó amigo, tenha calma. Eu levo-o aonde o senhor precisar de ir. Diga-me, exactamente, que lavandaria é essa, porque, aqui, não conheço outra além desta…

     E o cego explicou, apaziguado, confiando no seu instinto e na bondade do homem.

    -Eu saio do autocarro, viro à direita, caminho uns poucos de metros à minha frente, viro, novamente, à direita e encontro logo a lavandaria…há dois degraus à entrada…

   Então, os dois homens voltam atrás, juntos. Retomam o caminho a partir da paragem do autocarro e vão seguindo a memória do cego. A bengala vai à frente, matraqueando, marcando o passo, astuta e ligeira, materializando acordes que apenas o cego pode ler e decifrar.

   -Ah, parece-me que, agora, sim, já vou no caminho certo – alegra-se o cego, estugando o passo. O homem segue-o, expedito, suspendo daquela melodia, a que não é totalmente surdo, mas que nunca chega a compreender.

    Só mais uns passos, à esquina direita da rua, e, lá está ela, “sim, agora vou bem!”, a lavandaria com os seus dois degraus à entrada. De fora, não se percebe que há uma lavandaria no interior, porque a loja tem várias secções. O cego conhece-a bem, o homem nunca antes havia reparado nela.

    -Obrigado!

  -Ora essa…boa tarde! – e o homem volta à sua rotina, uma admiração alegre e prazenteira estampada no rosto.

 

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publicado às 15:31

Espelhos de alma.

por naomedeemouvidos, em 08.03.19

Passo por ela todos os dias. Ela não chega bem a passar por mim. Porque me atravessa a alma em desalinho. Arrasta-me suspensa dos seus olhos negros e profundos que apenas vislumbro por entre a máscara de trapos que compõem o horrendo e espesso niquab. Apesar das correntes que a trazem agrilhoada, nesse dia como noutro dia qualquer, move-se com elegância. As mãos, cobertas pelas luvas pretas, opacas e decentes, como convém, parecem pequenas e graciosas. Vai deslizando os pés, suavemente, estrangulados nuns sapatos pretos, de biqueira arredondada, emergindo a lufadas curtas e rápidas, como um náufrago aspirando, sofregamente, os farrapos azedos do ar que ainda o mantém vivo. Pode caminhar na rua sozinha, sem a companhia decente de um homem, por isso, fatalmente encarcerada, sente-se livre. O mais livre que lhe permite a sua condição. Foi abençoada. Casou bem. De momento, o marido está em viagem de lua-de-mel com a segunda esposa. Ela autorizou. A primeira esposa goza desse privilégio. O de autorizar segundas esposas. Ou terceiras. A quarta, eventualmente. Todas devem viver com o mesmo imposto, abominável, conforto.

 

É estranho que não tenha filhos. Mas, talvez ainda não seja a hora. Não imagino a sua idade. Os olhos negros nem sempre me permitem a ousadia de os suster nos meus. Sou estrangeira e impura, não conversamos, jamais poderíamos ser amigas. E, no entanto, há algo, naquele silêncio que nos une, uma vez a cada semana, quando nos cruzamos, fugazmente, na rua, uma quietude imensa, avassaladora, que me arrelia e me inunda de contradições. Emociono-me, pasmo, rio, deslumbro-me. Nunca sinto pena, no entanto, não sei se deveria.

 

Não. Não somos amigas. Como poderíamos, sendo tão diferentes? Se nunca, sequer, a vi, inteira, pouco mais que uma sombra. E ninguém faz amizades futilmente, que disparate, com alguém que não conhece, com quem nunca trocou uma única palavra, apenas olhares breves, silêncios incontidos, em rebuliço, suspensos de um entendimento para lá do aceitável, dadas as circunstâncias. Acabarei por mudar-me e deixarei de me cruzar com a sua alma quase muda, vertida nos olhos profundos que me atormentam.

 

Por vezes, encontro-a noutros olhos, noutras almas, noutras amizades igualmente improváveis. E, muitas vezes, volto, imprudentemente, a emocionar-me.

 

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publicado às 13:39

Entre as sombras.

por naomedeemouvidos, em 01.03.19

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Subo a avenida do bairro chique e limpo alheio ao caos que fervilha no outro canto da cidade. Há um leve cheiro a jasmim, sem dor, nem nódoa, e vou olhando os edifícios elegantes e esterilizados, do outro lado da rua, perdida por detrás da lente da minha câmara. Os outros seguem mais à frente; os miúdos riem e falam de coisas que apenas adivinho, à distância. As árvores balançam, com graça, os ramos esguios, enquanto desenham suaves sombras tombadas no chão que, nada mais ajeitar-se o vento, de mansinho, escoam céleres pelos sumidouros rendilhados e brilhantes, em permanente galanteio.

 

Demoro um pouco a perceber que o homem se dirige a mim, especificamente. Energicamente. Nem o vi chegar. Parece um segurança, fardado, moreno, levanta a mão – não se atreve a tocar-me – e ordena-me que pare, sem que eu tenha chegado a entender uma única palavra. Percebo, intuitivamente, que fiz algo que não devia, mas, não falo a sua língua e, ele, nenhuma outra além dessa.

Uma foto. Percebo que aponta para a minha máquina fotográfica e mantém-me refém de uma suposta autoridade que me confunde. Continua no meu caminho, impassível, e sinto o calor apertar-me mais. Os outros, lá adiante, parecem distraídos. Não tarda, escapam-se, à esquina da rua, e deixarei de os ver. Amaldiçoo-me por me ter deixado ficar tão para trás, eu e os meus malditos instantes. Irrepetíveis, urgentes, inadiáveis.

 

Encaro o homem na minha frente. Estou segura, agora, de que se trata de um problema com alguma ou algumas das minhas fotografias. Mostro o écran da máquina e pergunto se devo apagar alguma coisa – não desconfio, sequer, o quê –, imaginando que me faço entender de algum modo. Segura na mão um walkie-talkie algo obsoleto que aproxima do rosto enquanto olha para mim. Percebo que fala com alguém e é evidente que aguarda instruções. A esquina está cada vez mais próxima, mas, não quero chamar, com receio de elevar demasiado a voz e acabar por denunciar a aflição tonta que me agonia. O riso das crianças chega-me já encolhido, pálido, e o calor ameaça confundir-me irremediavelmente.

 

Perco-me por momentos, entre as sombras e os cantos do tempo, até o homem começar a chamar-me, uma cacofonia insistente e confusa. Acaba por tocar-me no braço, à altura do cotovelo, leve, mais suavemente do que sugere o enorme chinfrim em que pretende que eu o entenda. Mas compreendo que posso ir, afinal, não há problema. E, que houvesse, não cheguei a entender que seria. Num devaneio algo infantil, desejo, intimamente, poder falar e entender todas as línguas do mundo.

 

Acabam de chegar à esquina quando se voltam, finalmente, para trás. Mas, já está tudo bem. Volto a escutar as gargalhadas, agora, cristalinas, inocentes e alegres como antes.

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publicado às 22:41

À esquina da memória.

por naomedeemouvidos, em 18.02.19

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(imagem própria)

 

O tempo não volta para trás. Mas, podemos sempre evocá-lo, sem pressa, como um suave sussurro soprado ao ouvido.

 

 

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publicado às 08:00

A arrogância da vida.

por naomedeemouvidos, em 17.02.19

E, às vezes, nem mesmo o vento se ouve passar.

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(imagens próprias)

 

 

 

 

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publicado às 18:27



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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