Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O meu feminismo é melhor do que o teu.

por naomedeemouvidos, em 10.10.18

       “Sei porém que este tipo de mulher não me representa em momento algum, nem pode representar nenhuma mulher agredida. Aliás é o tipo de mulher que eu gostaria de nunca me cruzar na vida, jamais por exemplo andarei lado a lado numa manifestação de luta pela igualdade ao lado destas tipas.”

        “Agora ver uma mulher que recebeu mais de 300 mil dólares de um homem para ficar calada e ficou, demonstra o esgoto moral que o Metoo é. Uma acusação de violação entre um casal que se relacionou está na capa de jornais mas uma mulher receber 300 mil dólares de um homem para não falar em público da relação e aceitar não é manchete, é normalíssimo...”

         “Nunca recebi um euro de um homem para não falar sobre as minhas relações porque jamais falaria sobre os homens com quem me relacionei. As minhas familiares, amigas, colegas idem, nunca passei sequer perto de uma mulher ou um acordo deste tipo.”

       Estas frases preciosas – e outras mais, igualmente elegantes e articuladas – foram escritas pela "historiadora, investigadora e professora universitária", Raquel Varela. A mesma "historiadora e especialista em conflitos sociais" que, aqui há uns anos, no programa Prós e Contras, não soube o que responder a um miúdo de 15 ou 16 anos que vendia T-shirts e pagava o salário mínimo às costureiras. As “mulheres deste tipo” não sei bem quem são; o meu leque de amizades e familiares é mais variado e menos impoluto. Mas, no caso, Varela referia-se ao tipo de mulher que ameaça a reputação de Cristiano Ronaldo.

        Há mulheres tão puras e virtuosas que não se misturam com a escória. A violência sexual pode, asseguram-nos, acontecer a qualquer mulher, mas…umas põem-se mais a jeito do que outras. A violação é um crime hediondo, mas há tipas que estão mesmo a pedi-las. E, evidentemente, mulher séria, como elas, jamais venderia a dignidade, porque, se vendesse, perderia automaticamente, o direito a queixar-se. Então, não sabemos todos, como se comporta uma verdadeira vítima de violação? Deve ser formidável ser dotado de tanta sapiência e rectidão! E cansativo, também.

          Do alto das suas cátedras amarelecidas e podres, muitos estudam o povo, mas não lhe pertencem. Limitam-se a debitar sentenças ocas embaladas numa presunção de intelectualidade, mas sem se misturarem muito, porque o Povo é interessante como objecto de estudo, em abstracto; mas o povo, esse que vive, ri e chora, é peganhento, cheira mal e é pouco educado.  Talvez por isso, Raquel Varela tenha também, em tempos, abominado o tipo de “fato de alfaiate de segunda, morador suburbano” de Pedro Passos Coelho.

         O feminismo de Raquel Varela é polido e erudito. O meu é mais do tipo, nem todos os homens são violadores em potência, nem todas as mulheres são santas. Mas, isso não se mede pela profissão, fama ou estatuto social. E, tal como muitos portugueses, espero que Cristiano Ronaldo esteja inocente ou que seja exemplarmente punido, se for culpado, independentemente do tipo da tipa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:22

"Estava disponível para"...ser violada?

por naomedeemouvidos, em 04.10.18

      Nos meus tempos de adolescente, quando comecei a sair à noite, os meus pais davam-me conselhos, como faz a maioria dos pais. Nunca eram proibições porque quem percebe qualquer coisa de miúdos e adolescentes sabe que não vale a pena proibir o que quer que seja. Mesmo os mais sensatos, inteligentes, ponderados, introvertidos e “santos” têm, em algum momento, um deslize só porque sim, porque nunca fazer um disparate também é estúpido e, além disso, cansa.

     Nessas saídas nocturnas, também não me era imposta uma hora para chegar a casa. Mas não me era permitido sair todos os fins-de-semana e, enquanto não tive carta de condução, quem me ia buscar a casa tinha que estacionar o carro e subir, temos pena. E, quem me ia buscar, também era responsável por me trazer, mas, eu sabia que se alguma coisa corresse menos bem, ou muito mal, podia ligar ao meu pai para me ir buscar, fosse onde fosse e a que horas fosse. Mesmo que fosse uma amiga, e não eu, a precisar de ajuda, podia contar com o meu pai e com a minha mãe. Foi sempre assim e acho que só nos últimos anos, já na idade adulta e sendo também mãe tenho plena consciência desta sabedoria dos meus pais, já há tantos anos, primeiro comigo e, depois, com a minha irmã.

     Entre os conselhos que, nomeadamente, o meu pai me dava estavam o “nunca largues o teu copo”, “nunca aceites bebidas de ninguém”, “prefiro que não fumes, mas, se fumares, eu compro-te os cigarros”, “não vás à casa de banho sozinha” e outras coisas aparentemente tão básicas e, no entanto, tão avisadas e actuais. Nunca, no entanto, me disse o meu pai não vistas essa mini-saia, não uses salto alto, não pintes os lábios de vermelho. E também nunca me disse se fores sedutora com um homem, se aceitares ficar sozinha com ele e te rires coquetemente dos seus disparates, prepara-te, minha filha, porque estás mesmo a pedi-las e se, por acaso, ele te violar, azar, não o tivesses provocado. Mas, lá está, isto era o meu pai que é e sempre foi um homem inteligente, sério e digno, qualidades que parecem cada vez mais raras nos dias de hoje.

     Entre os comentários que mais me enojam na desculpabilização de um abusador sexual estão, exactamente, aqueles que estabelecem uma tosca, arbitrária e asquerosa relação de causa-efeito entre o que a vítima veste, diz ou faz e o consequente (?) abuso ou mesmo violação. O circo do momento é defesa incondicional e acéfala de Cristiano Ronaldo, o mítico e inatingível CR7, o atleta de outro planeta, o melhor embaixador do Portugal da moda e a quem, supõe-se pelos comentários de alguns imberbes, as mulheres deviam pagar pelo usufruto da sua magnânima presença e, não, queixar-se de supostas violações. E, é verdade, Cristiano Ronaldo é um atleta fora de série, nada disso está em causa.

     Eu não sei – e, parece-me que, ninguém a não ser os próprios – se Cristiano Ronaldo violou ou não Kathryn Mayorga. Mas tenho o mínimo de inteligência para suspeitar, pelo que li no extenso artigo da revista alemã Der Spiegel, que, se a “história é estranha” ou “está mal contada” é mais pelo lado de Ronaldo. A Der Spiegel é uma revista séria e afirma estar na posse de documentos válidos e comprometedores para o atleta, entre outras coisas, que só não sabe quem não quer saber, porque estar informado e tirar conclusões pela sua própria cabeça está fora de moda. É melhor consultar o facebuque e ler caixas de comentários nos jornais que ainda o permitem. É mais fácil, relativamente barato e dá milhões…de likes.

     Por outro lado, sabemos que, infelizmente, a justiça não é, de facto, igual para todos; quanto mais não seja, porque só alguns tem capacidade financeira para pagar os honorários quase obscenos dos advogados mais expeditos e ardilosos. Por isso, não é provável que uma mulher desconhecida, com um passado que não é propriamente o de uma freira casta, abnegada e isenta de calores pecaminosos, se atrevesse a acusar um semi-Deus do desporto, adorado e idolatrado, só à procura de fama e de dinheiro. Vamos lá fazer um esforço por não insultar a inteligência de quem tem mais do que dois neurónios e os usa, pasme-se!, para reflectir e duvidar.

    E, quando é uma mulher a tecer comentários machistas e a atacar outra mulher, sem conhecimento de causa, num crime hediondo como é o da violação, só me ocorre desejar (apesar de não ser muito católica) que Madeleine K. Albright esteja certa e que o Inferno tenha, realmente, um lugar especial para as mulheres que não ajudam outras mulheres.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:11

Ronaldo. Cristiano Ronaldo

por naomedeemouvidos, em 05.04.18

The man is not human… É um dos comentários que li na sequência daquele que poderá ser (dizem os entendidos) o melhor golo da carreira de Cristiano Ronaldo.

Não sou fã de futebol. Muito menos, dos seus protagonistas onde cabe um pouco de tudo o que de pior se pode encontrar na sociedade reles: má-criação, agressividade desmedida e, às vezes, criminosa, violência verbal ao nível dos piores arruaceiros, falta de seriedade e de profissionalismo e um nível de intelecto comparável aos twittes desse fenómeno americano que dá pelo nome de Donald Trump. Mas, mesmo para quem não sabe sequer nomear os principais jogadores do seu clube (como é o meu triste e embaraçoso caso), é impossível não reconhecer a qualidade de um profissional como Cristiano Ronaldo. O trabalho compensa e Cristiano Ronaldo é o exemplo, vivo e a cores, dessa máxima que muitos tendem a desprezar. O trabalho compensa, como compensam a dedicação, o sacrifício e a vontade, essa força motriz mais poderosa que o vapor, a electricidade e a energia atómica, segundo esse outro notável, Albert Einstein.

Cristiano Ronaldo é a magnífica encarnação da sua própria força de vontade. Não é apenas o esforço físico, as horas penosas de treino suado e sofrido, a dedicação a uma carreira que será, seguramente, a sua primeira paixão. É a sua colossal vontade. Uma vontade soberba, arrogante, de querer sempre mais, de provar sempre mais, de calar bocas, de mostrar que é capaz, que é o melhor entre os melhores. Essa vontade teimosa e pedante que dá ao not human Cristiano Ronaldo a assombrosa capacidade de transformar as críticas em sucessos, o desdém em triunfos, a inveja em êxitos atrás de êxitos, os insultos em aclamação, batendo recorde atrás de recorde. Não está, de facto, ao alcance de todos.

Ontem, Cristiano Ronaldo fez mais do que protagonizar um golo magnífico: materializou, num breve instante, todas as qualidades que fazem dele um profissional e atleta fora de série. Em poucos segundos, usou e abusou das leis da Física, espantou e encantou, desfilou técnica, destilou elegância e exibiu uma eficiência majestosa, letal e implacável. Mas, fez mais ainda. Soube ser humilde, virtude que nem sempre lhe assiste. Soube agradecer a admiração de todos os que se lhe renderam e, ao lado de Gianluigi Buffon, mostrou o que, afinal, devia ser o futebol: competição sim, mas com graça, desportivismo, excelência e aquele respeito pelo adversário de que só os melhores são capazes. A grandiosidade (também) está nos pequenos gestos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:36

Ronaldo, futebóis, brilhos e os mosquitos...

por naomedeemouvidos, em 02.08.17

Começo por dizer que, normalmente, não perco tempo com futebol. Acho obsceno o dinheiro que se move nessa espécie de submundo, a alienação dos adeptos, a violência, a falta de desportivismo, enfim, a quase total ausência de razão. No entanto, raramente, muito raramente, vibro com a alegria que o futebol também pode trazer, de facto, como aconteceu com a nossa vitória no último europeu de futebol. E, muito menos raramente, admiro quem se dedica a 110% à profissão que escolheu, seja ele um cantoneiro ou um desportista de topo, porque acredito que se nos pagam para desempenhar uma determinada tarefa devemos desempenhá-la com brio.

Dito isto, tenho uma enorme admiração pelo que Cristiano Ronaldo representa como profissional. A dedicação, a competência, o esforço físico, o espírito de sacrifício, o querer sempre mais e melhor são características que o distinguem, com diferença, da maioria dos colegas de profissão, independentemente de o apreciarmos como pessoa. Cristiano Ronaldo é um atleta fora de série e na base desse fenómeno está, sem dúvida, ele próprio, a sua teimosia, a sua resiliência e a sua vontade, essa que, como dizia Einstein, é mais forte do que o vapor, a electricidade e a energia atómica! Se não fosse a vontade de Cristiano Ronaldo, ele não teria chegado onde chegou, não haverá sobre isso a mínima dúvida. O que conseguiu não está, de facto, ao alcance de qualquer um. E por isso, por ter atingido o que muitos nem sonham, fica-lhe mal a arrogância descabida de achar que é pelo seu nome ou pelo seu “brilho” que deve prestar constas, quando essas contas lhe são exigidas por quem de direito.

Convenhamos, porque não somos todos parvos, que todos sabemos a parafernália de esquemas que pululam de forma mais ou menos regular, mais ou menos lícita ou mais ou menos amoral, para que alguns possam pagar menos impostos. Alguns, evidentemente, porque tais esquemas também só estão ao alcance de alguns, neste caso, não tanto pela mão do prestígio ou da glória. O que não sabemos, efectivamente, é em qual dos esquemas é que Cristiano Ronaldo estará envolvido. Pode ser um esquema perfeitamente legal; mas o senhor, por mais notável e heroico que seja, não está acima de suspeita e, desde logo, não está acima da lei. Vir dizer que é pelo seu “brilho” que o perseguem e, portanto, pela “inveja” que se tem aos “ricos”, já não pega, a não ser aos lorpas. Como muito bem já disse noutras ocasiões, quem não deve não teme. Se Cristiano não deve, que se cale, que se mantenha firme na sua defesa, mas não se arme em Deus, nem se julgue acima dos “reles mortais”, embora, a bem da verdade, seja fácil embriagar-se nessa fama que o carrega ao colo: basta ver o circo que se montou à porta do tribunal em Madrid para ouvir o craque que nem se dignou a aparecer…

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:04



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe


Arquivo



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.