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"Um país, Dois sistemas".

por naomedeemouvidos, em 30.08.19

Hong Kong.PNG

 

"O que se passa em Hong Kong"? Era o que eu pretendia colocar em título, até perceber que, obviamente, outros mais competentes já o tinham feito. É a pergunta inevitável, evidente, face à escalada de acontecimentos naquele território.

As últimas notícias dão conta de que, em Hong Kong, a polícia prendeu “três figuras-chave dos movimentos pró-democracia”. O que começou com protestos contra a aprovação de uma lei que viria a possibilitar a extradição para a “China continental” – e aí serem julgados – “suspeitos de qualquer crime”, transformou-se num movimento com uma agenda mais urgente, que, segundo leio, sustenta cinco exigências claras: "a retirada da lei da extradição", uma vez que tal lei, devido à dimensão dos protestos, foi apenas suspensa; "que o governo de Hong Kong se retracte de ter descrito as manifestações como um “motim”; que sejam retiradas as acusações contra os manifestantes; que seja lançada uma investigação sobre o uso de força durante os protestos; e o “sufrágio universal”, que permita aos eleitores de Hong Kong eleger directamente os seus líderes, ao contrário do processo actual, que implica o envolvimento de Pequim."

A resposta que a polícia tem dado às manifestações, os actos de vandalismo por parte de alguns manifestantes, o ataque numa estação de comboio, as manifestações junto ao aeroporto, a entoação provocatória de “Do you hear the people sing?”, a não demissão da chefe do executivo de Hong Kong e o apoio do Governo de Pequim à sua manutenção no cargo aliado à ameaça do recurso à força militar como estratégia de repor a ordem a pedido expresso de Carrie Lam, o receio de que os dois sistemas se fundam - ou não, de acordo com o lado adequado da luta - num (naquele, em particular) só país têm agigantado o conflito entre as partes, que culminou, então, com a prisão dos rostos mais visíveis do movimento. Resta saber como vai acabar. Da China, de Pequim, talvez seja fácil imaginar qual seja exactamente a pretensão.

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publicado às 11:00

Inimigos Bestiais.

por naomedeemouvidos, em 28.08.19

“Tact is the art of making a point without making an enemy.”

Como acontece frequentemente com diversas citações, a frase vastamente atribuída a Isaac Newton é capaz de não ser dele. Será um outro Newton, eventualmente, uma outra frase com sentido idêntico. Para o caso, não interessa nada. O tacto, a diplomacia tornaram-se conceitos obsoletos. O que se espera, agora, de gente com capacidade de liderança e competências políticas em geral e presidenciais em particular é que seja capaz de dizer o que pensa, sem rodeios, sem hipocrisias travestidas de tactos chatos e falinhas mansas. Deixem Trump ser Trump, Bolsonaro ser Bolsonaro, e por aí afora. Foram escolhidos democraticamente e a democracia ainda é o melhor regime do mundo, não é? Não se pode suspender a democracia, mas poder-se-á suspender um parlamento. É capaz de não ser grave.

Há tanta coisa a acontecer que me falta a racionalidade necessária para acompanhar. Acabei de chegar de férias e já não tenho idade para mudanças de ares súbitas. Vinha falar da Amazónia, da sensibilidade de Bolsonaro e do seu enorme sentido de estado, de insultos escabrosos e pedidos de desculpa, mas, pensando melhor, vou repousar mais um pouco…porque, apesar de tudo, eu mereço.

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publicado às 10:54

Nulidades.

por naomedeemouvidos, em 28.01.19

Hoje, seguramente, inicia-se o princípio de um fim. Fim de quê, é o que falta saber. Sendo o momento, não de rebater provas, mas de requerer nulidades, tremo só de pensar no tormento que se avizinha e, pior, nas suas consequências.

Lá diz o ditado: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Neste caso, pelo menos, que o arrevesso não nos tolha a democracia e a justiça. Gostava muito que a justiça se fizesse de provas e não de embustes. Se eu fosse injustamente acusada de alguma coisa, preferia que a minha absolvição não resultasse de um ardil, mesmo que muito legal. A ver vamos...

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publicado às 11:28

IRAs (des)necessárias.

por naomedeemouvidos, em 19.11.18

“ 21Tomando a palavra, o governador inquiriu: «Qual dos dois quereis que vos solte?» Eles responderam: «Barrabás!» 22Pilatos disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, de Jesus chamado Cristo?» Todos responderam: «Seja crucificado!» 23Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles cada vez gritavam mais: «Seja crucificado!»

 

24Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue. Isso é convosco.»”

 

    O IRA (para que conste, qualquer semelhança com o “Irish Republican Army” é capaz de não ser apenas uma malévola coincidência…) dedica-se a resgatar animais em perigo e/ou em sofrimento profundo. E, até aqui, nada a apontar. A coisa começa a ficar um pouco obscura quando começamos a dar-nos conta do (por exemplo, aqui) método: parece que actuam à margem da lei (aka, ilegalmente) encapuzados, pelos menos dois são mamutes com mais de 100 kg, alguns são polícias, e estão prontos para tudo, inclusive, para partilhar na internet o nome e outros dados pessoais dos prevaricadores. Afinal, este IRA, tal como o outro, parece-me, “não existe para paninhos quentes”; quem não gosta não come, o que, em linguagem virtual, passou à versão quem não gosta que tire o like lá da página.

      Há quem ache isto, não só generoso e nobre, como necessário, já que, as autoridades, pasme-se!, têm que cumprir a lei e não podem entrar em casa das pessoas sem mandato. Urge fazer-se justiça e essa urgência impõe-se às regras do jogo democrático, que nos tem reféns, esgotados e impotentes.

     Os fins justificam os meios, quando os meios nos são caros, é disso que se trata? Porque, nesse caso, podemos formar e armar de meios pouco lícitos todos os grupos que garantam a nossa própria justiça social. É so escolher, e até podemos organizar catálogos. Primeiro, dos violadores aos pedófilos, dos vulgares ladrões aos elegantes assaltantes de bancos, até chegarmos à caça de todos os que, por azar, estavam no local errado à hora errada. Podemos passar a usar um dístico na lapela que nos identifique (espera…) como os bons e que podemos ir mudando ao sabor das novas políticas, de forma a pertencermos sempre ao rebanho certo e, assim, evitarmos confusões e conflitos violentos. Ou podíamos devolver o Pelourinho às nossas belas praças pejadas de turistas (alguns, seguramente, apreciariam), não na forma de monumento histórico, mas, resgatando-o dessa mesma História para cumprir, novamente o seu  sublime e justo papel. Suspendemos a democracia durante um breve período de tempo, até eliminar todos os pecaminosos vícios dos outros e, quando pusermos ordem na casa, corremos com os justiceiros, reavemos a mesma liberdade que sacrificámos em nome de um bem maior e recuperamos a dignidade hipotecada. Não é assim que se matam, depois de usados, os Bolsonaros?

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publicado às 11:44

A implosão das democracias_2

por naomedeemouvidos, em 08.10.18

            Uma amiga que estimo e que não tenho por fascista, nem sequer por radical, confessou-me o seu voto em Bolsonaro. “O Brasil precisa de uma ditadura”, respondeu perante o meu ar de espanto. E continuou, “o criminoso, no Brasil, já não é um criminoso comum, a vida não vale nada, as ruas estão tomadas pelo crime, é impossível ter uma vida normal, criar os filhos, viver com tranquilidade. Eu não concordo com tudo o que Bolsonaro diz, mas é preciso alguém que contenha a escalada de violência”.

            Uma coisa é um fascista defender Bolsonaro. Outra coisa, bem diferente e que tem, obrigatoriamente, de nos pôr a pensar a todos é uma pessoa comum, pacífica, educada, vivendo em função de valores democráticos, considerar que um homem como Bolsonaro pode ser uma solução para o Brasil. Como Donald Trump, para os EUA, e Viktor Orbán, para a Hungria, embora estes não estejam ao nível de Bolsonaro. Ainda?

            Vale a pena lembrar que Bolsonaro preferia ter um filho morto do que homossexual; que afirmou que o voto, no Brasil, não mudará nada, só “uma guerra civil, fazendo o trabalho que o regime militar não fez”; que vai “bater” se “vir dois homens se beijando na rua”;  que não viola mulheres feias, porque elas não merecem; que o “erro da ditadura foi torturar e não matar”; que os seus filhos foram “muito bem educados” e, portanto, “não correm o risco” de se relacionarem com mulheres negras ou com homossexuais e ele, Bolsonaro, não discute “promiscuidade com quem quer que seja”. Ao quinto filho, Bolsonaro deu “uma fraquejada e veio mulher” e as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque engravidam; os índios, ou, alguns deles, deviam “comer capim” para “manter as origens” e os pobres devem ser “esterilizados” como forma de combater a criminalidade e a miséria.

            Admitindo que há muitos que votam em Bolsonaro e não partilham destes juízos, como explicar, de facto, a decisão de correr o risco de apoiar um homem como este?

            Há quase dois anos, os EUA elegiam Donald Trump como o seu 45º presidente. Poucas semanas, poucos dias!, antes daquele 8 de Novembro de 2016, a grande maioria dos analistas e comentadores políticos, de vários quadrantes e nacionalidades asseguravam que Trump não seria eleito. Era impensável e impossível. E, no entanto, nem mesmo qualquer um dos típicos escândalos – sexuais, financeiros, de interferência política – que já fizeram cair outros candidatos presidenciais e abalaram reputações chegou para abanar Trump, antes ou depois da sua eleição. As instituições que, afiançavam-nos, iriam contrabalançar o poder do presidente dos EUA, eram o garante inabalável do normal funcionamento das instituições democráticas americanas. As convicções informadas, esclarecidas, eruditas, experientes, vão caindo como peças de um dominó populista, demagogo e demoníaco, sem escrúpulos, porque as pessoas estão cansadas, incrédulas e assustadas. E desesperadas!

           A imposição de um “politicamento correcto” que nos tornou refém das palavras e minou os debates políticos e sociais; os movimentos activistas que querem promover uma igualdade que apenas oprime diferentes formas de pensar; a exaltação dos direitos das minorias como formas veladas de reeducação em massa das sociedades, confundido a obrigação do respeito pelo outro com a negação da identidade do próprio; a visão romântica e simplista de que todos os problemas sociais são possíveis de resolver com solidariedade e “aceitação”, e a soberania ignorante e descontrolada do logro sofisticado – ou apenas popular – instigado pelas redes sociais, esmagou a verdade, a vontade, a cultura, a civilidade e, pior, a capacidade de reagir e contrariar.

           Os políticos sem escrúpulos crescem, estão bem e começam a recomendar-se porque a verdade deixou de ser importante, a justiça deixou de ser cega e os factos passaram a ser, não só alternativos, como moldáveis à vontade de cada um.

                O Brasil não sobreviverá a Bolsonaro e eu temo que a Europa sucumba à onda de "segurança" promovida pelo medo.

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publicado às 11:28

A "democracia" e a "autodeterminação dos povos".

por naomedeemouvidos, em 30.09.17

Arrependo-me profundamente de sempre ter “detestado” a disciplina de História, enquanto fui obrigada a tê-la. Era aluna “de ciências” e, das disciplinas “de letras” só gostava de Português. Hoje, e de há alguns anos a esta parte, reconheço a enorme importância da História. E envergonho-me de não saber mais. Se todos soubéssemos alguma coisa de História, talvez não disséssemos tanto disparate, no calor do momento, guiados por construções românticas, incendiando paixões, e embalados pelos “direitos” individuais, que, de tão individuais, têm vindo a ludibriar-nos. Com a cumplicidade, perigosa, de quem era suposto investigar, analisar, racionalizar e informar.

O “direito” do momento é o da “autodeterminação dos povos”. As palavras têm, de facto, um grande poder. É preciso reflectir muito, sempre, e ver um passo à frente para lidar, a seguir, com todas as implicações e consequências dessas palavras. É um exercício esgotante. É mais fácil disparar ao sabor do momento, consoante as modas, acarinhando os “oprimidos” e surfando a, já enfadonha, onda do não menos enfadonho politicamente correcto. Foi assim que se chegou a uma espécie de seguidismo acrítico e acéfalo dos movimentos de “defesa” do que quer que seja, desde que seja moda.

O “povo” catalão quer ser independente do “Estado Espanhol”. E muitos apoiam, pelo menos, o “direito” ao referendo popular, com base no tal outro direito, o da “autodeterminação dos povos”.

Não sei se o cidadão comum, como eu, entenderá toda a dimensão do problema e das consequências do que quer que venha a acontecer amanhã. O que é o direito à “autodeterminação dos povos”?

Parece que o direito à “autodeterminação dos povos”, tal como o conhecemos, aplica-se a territórios que foram ocupados na sequência de uma invasão. A Catalunha foi invadida por Espanha? Os românticos acham que sim. Afinal, foi por um casamento, nada democrático, não sei se romântico, algures no século XV, que a Catalunha passou a fazer parte de “Espanha”.

Parece que também se aplica, o direito à “autodeterminação dos povos”, a territórios onde haja, de forma generalizada, discriminação e falta de liberdade e respeito pelos direitos humanos. A Espanha não é uma democracia? Para os defensores da independência da Catalunha, aparentemente, não. Afinal, o “Estado Espanhol” não respeita a vontade do “povo” Catalão de ser independente. E, os catalães, quererão mesmo ser “independentes” de Espanha, no sentido de se tornarem, de facto, um novo país? Ou esta é apenas uma vontade de grupos, mais ou menos, organizados de independentistas que propor-se-ão fazer tantos referendos ou consultas quantos os necessários para que, finalmente, vença essa sua vontade?

E o papel da imprensa e dos jornalistas, nomeadamente, dos portugueses na sua missão de (des)informar? É intencional, ignorante ou leviano apor o “Estado Espanhol” à “Catalunha”, na narrativa (tantas vezes, inflamada) do conflito, sempre que pretendem mostrar as diferenças de posições? Alguns jornalistas portugueses parecem embevecidos pelo “amor” que os catalães têm pelos portugueses. Afinal, gostam mais de nós do que dos “espanhóis”, não é? E nós retribuímos; afinal, de “Espanha”, nem bons ventos, nem bons casamentos…

Democraticamente, juridicamente, constitucionalmente, o “Estado Espanhol” compreende a região da Catalunha. Os catalães são espanhóis. A democracia tem regras que não se suspendem quando dá jeito. E eu gosto de viver em democracia. Afinal, é “o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros”.

 

 

(uma espécie de adenda)

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publicado às 12:03



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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