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Madeleine Albright disse, um dia, que “há um lugar especial no Inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres”. Na altura, referia-se à selva que podia imperar no local de trabalho, onde, para sobreviver num mundo de homens, as mulheres estabeleciam entre si mais laços de rivalidade do que de entreajuda. Não falava propriamente da violência bruta, predominantemente física, de alguns homens sobre algumas - demasiadas - mulheres. Ainda assim, desejo que haja, também, um lugar especial para esses homens (nunca são realmente homens) que fazem das mulheres o seu saco de pancada, onde descarregam todas as suas frustrações e traumas, porque só os velhacos mais repugnantemente cobardes podem sentir qualquer espécie de poder ou prazer na subjugação física e psicológica de outro alguém sobre quem se sentem superiores. Não é amor. Nunca é amor. É sempre abuso, raiva, ódio e, demasiadas vezes, sensação de impunidade.

 

Os números continuam a ser obscenos: no mundo, uma em cada três mulheres sofre violência sexual ou física. Cerca de 38% das mulheres assassinadas são-no às mãos dos maridos ou namorados. Em Portugal, só este ano, morreram trinta e duas pessoas em contexto de violência doméstica; vinte e três eram mulheres. Umas foram baleadas, outras espancadas, esfaqueadas, estranguladas. Por ciúme ou por amor. Esse amor egoísta e corrompido que serve apenas e sempre o mesmo monstro e que nada tem, nada!, desse sentimento avassalador que, no limite, leva alguém a dar a vida pelo outro, não a tirá-la da forma mais selvagem. Como a menina de dois anos asfixiada pelo próprio pai. Ou os oito homens igualmente vítimas destes carrascos poderosos, no que o poder tem de mais asqueroso e fanfarrão.

Não gosto particularmente de “dias de”. Que bom que pudéssemos eliminar este de vez.

 

publicado às 10:14


“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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