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"Fuzilem-nos."

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

Fuzilem-nos.PNG

“ - Quando temos 15 000 pessoas a entrar, e temos centenas e centenas, e temos dois ou três agentes de controlo de fronteira, bravos e magníficos. E, não esquecer que não os deixamos, e não podemos deixá-los, usar armas. Não podemos. Outros países fazem-no, nós não podemos. Eu nunca faria isso. Mas, como paramos esta gente?

- Fuzilem-nos!

- Só em Panhandle se sai impune com uma afirmação dessas.”

 

Parece que, ali, a coisa tem graça e merece aplausos.

Entretanto, não sei se já contabilizaram quantos mexicanos foram abatidos a tiro nos dois últimos massacres nos EUA. Quase 30 mortos em 13 horas, numa carnificina instigada pelo ódio que não é de hoje, é certo, mas que, hoje, volta a ter espaço tolerado e tolerável, assente em slogans promovidos pelo mais alto (ir)responsável da nação americana: “lock her up!”, “build that wall!”, “send her back”. Porque não "shoot them!", são só palavras, certo?

 

É absurdo fingir que não há um problema sério com as migrações em massa. Não sei bem como se resolve, mas, preferia que não fosse à custa de nos tornarmos exterminadores em série, escarnecendo de quem foge da miséria ou da guerra, como se a vida fosse coisa que pudéssemos eliminar como as ervas daninhas que empestam a harmonia bela e tranquila do nosso exuberante jardim.

 

Trump nunca usaria armas para impedir os criminosos e violadores mexicanos de entrar nos EUA. Não precisa. Tem quem o faça por ele. Basta pedir. Ou melhor, basta sugerir.

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publicado às 09:36

"Agarrem-me, ou não respondo por mim!"

por naomedeemouvidos, em 23.07.19

Trump e Imran Khan.PNG

“Se quiséssemos travar uma guerra no Afeganistão e ganhá-la, eu poderia ganhar essa guerra numa semana. Simplesmente, não quero matar 10 milhões de pessoas.

Tenho planos para o Afeganistão que, se eu quisesse ganhar essa guerra, o Afeganistão seria varrido da face da Terra. Poderia ser feito. Estaria acabado em – literalmente – dez dias. E eu não quero fazer isso. Eu não quero ir por aí”.

Mais coisa, menos coisa...e mais qualquer coisa.

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publicado às 10:57

Mandem-no embora.

por naomedeemouvidos, em 19.07.19

Donald Trump é um energúmeno. Inaugurou a forma mais nojenta de fazer política nos tempos modernos, com a insuportável complacência de uma massa de gente acéfala e igualmente desprezível, a começar pelos republicanos que permanecem, maioritariamente, em silêncio perante a escalada de violência do homem que escolheram para os representar.

Em equipa que ganha não se mexe e, no momento, ganha o homem que normalizou, no ocidental mundo evoluído, o insulto pessoal como forma sobranceira e eficaz de estar na política. Os ditadores mais miseráveis, passados e presentes, estariam, estarão orgulhosos, invejosos, enquanto os futuros vêem o caminho livre para replicar, sem limites ou fingidos pudores, a receita poderosa. Estranha-se, entranha-se, aceita-se, promove-se até já não ser necessário impor: a multidão sedenta, cordeira, fará o resto. "Eu tentei parar, comecei a falar muito depressa, eu condeno, mas o cântico era muito forte, senti-me um bocadinho mal com isso, mas comecei a falar muito depressa, eu não disse isso, eles é que disseram, eu não concordo, não, se se ouvir com atenção não vai achar isso; já agora, por que é que lhe deram o Nobel?, incrível!"

Já não é só ridículo. É abjecto. É perigoso.

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publicado às 09:50

Já(?) vimos o mundo depois de Trump.

por naomedeemouvidos, em 16.07.19

“Toda a propaganda deve ser popular e adequar-se ao nível de compreensão do menos inteligente dos seus destinatários.”

Trump.PNG

Suponho que apenas a amizade (na falta de melhor, chamo-lhe assim, mas, não estou plenamente convencida) que Donald Trump nutre por Benjamin Netanyahu o impeça de se declarar incondicionalmente arrebatado pela diabólica mente de Adolf Hitler. Se o implacável, tresloucado, ditador se tivesse ficado pela perseguição, tortura e assassínio de outros que não judeus (lamento não ser capaz de escrever isto de forma menos violenta), é possível que o actual presidente dos EUA já se tivesse atrevido a manifestar alguma (doentia) admiração por alguém que também quis tornar a sua nação grande outra vez. Também é possível que a minha teoria seja absurda; excepto que há gente capaz de exaltar os meus piores juízos sobre o próximo. E o que sobrará da América, se Donald Trump voltar a ser eleito?

Ninguém que valorize viver em democracia deixará de se preocupar com a escalada de delírio escarninho do homem que tomou as rédeas daquilo a que ainda chamamos "Estados Unidos da América". Num momento de inspiração que os mais pessimistas consideram premonitória, Margaret Atwood chamou-lhe Gileade, e, palpita-me, Trump adoraria chamar-lhe outra coisa qualquer, desde que à sua sobranceira imagem e imaculada semelhança.

Recordo que, no início, Donald Trump foi (ingenuamente, aprendemos da pior maneira) ridicularizado. Era, ainda, candidato, e servia de alguma diversão, arlequim de cores berrantes e disposição carnavalesca. Claro que, jamais um perfeito imbecil, de vocabulário penosamente limitado até para básicas conversas de balneário, rude, mal-educado, com todas as características do chico-esperto à americana e o nível de etiqueta de um arruaceiro vulgar poderia chegar a presidente de um país como os EUA. Não era? Pois, não foi. E, daí, partiu-se para o melhor é deixar a besta mais ou menos à solta, confiando no sacrossanto redentor sistema de checks and balances, esperando que tudo acabasse menos mal, não obstante correr pessimamente. Nada de impugnações. Afinal, pior era, ainda assim, possível. A não ser, claro, que o pior fosse Donald Trump, himself.

E, assim, o insulto passou a retória banal, tolerável, estratégica. A não ser, evidentemente, quando vem dos seus opositores. A esses está vedada a ousadia de recorrer à linguagem vergonhosa, terrível e desprezível com que Trump se diverte a enxovalhar todos os que se atrevem a tecer críticas ao seu modo de actuação. Ele, e ele apenas!, pode chamar, impunemente e com deleitosa gala, estúpido, maluco, inepto, e mais um pomposo leque de outros e piores impropérios sem que a magnífica corte de adeptos que o apoia e bajula sinta o mais pequeno sobressalto. Quem não estiver bem, que volte para o seu miserável e criminoso país. De preferência, calado, outra ordem que Trump adora distribuir a torto e a eito, como quem repreende criancinhas mal-comportadas no recreio da escola. O dividir para reinar deu lugar à técnica do bullying como estratégia - aparentemente, perigosamente, imbatível e inquestionável - política, interna e externa.

 

Adolf Hitler também disse que, quando se inicia e desencadeia uma guerra, o que importa não é estar certo, mas alcançar a vitória. Resta saber que mundo sobreviverá a outra vitória de Donald Trump.

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publicado às 17:43

Step by Step

por naomedeemouvidos, em 02.07.19

“Os hispânicos adoram o que estou a fazer. Porque, em primeiro lugar, eles não querem perder o emprego, eles não querem sofrer uma redução de salários e, muito importante, o mais importante, eles não querem ter crime. Eles compreendem. Quem melhor entende a fronteira são os hispânicos. Entendem-na melhor do que ninguém. E não querem ter de sofrer crimes, nem sofrer uma redução de salários. Não querem perder os seus empregos. Foi por isso que os meus resultados nas sondagens subiram entre os hispânicos, porque eles são quem realmente compreende melhor a fronteira.”

 

Eu não gosto de Donald Trump. Não chego a odiá-lo porque, para mim, as palavras realmente importam e, se, por um lado, prefiro não invocá-las em vão, por outro, o homem não merece tal afeição. Já odeio partir uma unha, riscar o salto alto à primeira utilização, que se me acabe o fond de teint sem que eu tenha dado por isso e, last but not least, odeio aquele chove e não molha que me deixa o cabelo pior do que o do Rui Pinto, com a diferença de que eu sou loira. E muito mais gira. De modo que, a César o que é de César, e os ódios às causas que os merecem.

Se não chego a odiar Trump, desprezo tudo o que ele representa. Ainda não superei o trauma de vê-lo como Presidente dos Estados Unidos da América. Vá lá saber-se porquê. Fui uma única vez aos EUA, a Miami (olha, por acaso, quase que odiei…), ainda não visitei a cidade que nunca dorme (imperdoável) e não tenho particular apreço pelo que alguns chamam de sonho americano. Provavelmente, porque pertenço àquele grupo de pessoas que nunca se lembra do que sonha. Enquanto estou a dormir, entenda-se. Sou, no entanto, casada (há mais de duas décadas, valham-me todos os deuses!) com um grande admirador daquele país, e, talvez por isso, me deixe contagiar um pouco; será uma razão tão válida como outra qualquer.

 

Mas, Donald Trump acabou de dar um pequeno passo e subiu o degrau, o simbólico paralelo 38 que separa a Coreia do Sul da Coreia do Norte. Foi tudo tão rápido, que nem deu para perceber bem a dimensão do gesto, então e se tu me convidasses para dar um saltinho lá à tua terra?; ´bora lá tratar disso, não tenho chás, nem aerossóis, mas, de momento, não prevejo envenenar ninguém; também não gosto muito de cães...; não te preocupes, dei-lhes comida há pouco tempo; great!.

Indiscutivelmente, é melhor para o mundo que Trump seja amigo de Kim Jong-un, em vez de lhe chamar louco e ameaçá-lo com a destruição total e nunca vista. O problema com Trump…é o próprio Trump. Nunca se sabe bem o que vai naquela cabeça laranja-louro, a não ser, a imensa paixão por si próprio, e, tal como Narciso, parece ainda não ter encontrado pátria - no caso; donzela,  já tem a agridoce Melania - à altura do seu amor. O povo americano ainda resiste, apesar de tudo, a esse desejo de grandeza alucinada, e, talvez, só talvez, a admiração de Trump por Kim venha dessa ambição tenebrosa, tentadora, de ter um país inteiro à sua mercê. De momento, contentar-se-á com um 4 de Julho de militar pompa e patriótica circunstância. É possível que o resto venha depois. 2020 está mesmo ao virar da esquina histórica que servirá para mostrar ao mundo se melhor é impossível; ou, se já tudo é possível, como acusar uma mulher da morte do seu próprio feto depois de ter sido baleada. É uma nova versão do pôr-se a jeito, uma vez que, Marshae Jones é acusada de provocar a altercação que provocou o disparo que lhe matou o bebé no ventre de cinco meses e, no Alabama, a lei que confere “personalidade” ao feto manda que se trate a mulher como uma mãe imprudente.

Menos mal que Donald Trump já pediu a Putin para que não se intrometa nas próximas eleições americanas. Um homem com visão, aquele Trump. Sempre à frente do seu tempo. E do meu deplorável entendimento.

 

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publicado às 12:40

Madressilva, e outros impropérios.

por naomedeemouvidos, em 25.06.19

Por vezes, também penso “como é que pagam a este tipo para escrever sobre rabanetes?”. Mas, no meu caso, é por pura inveja. Adorava que me pagassem por escrever sobre qualquer coisa, eventualmente, sobre rabanetes. Além disso, foi assim que, entre outras coisas, descobri dois ou três bons restaurantes, perto de onde vivo. O que também é absurdo de dizer, eu sei. Como se ler Miguel Esteves Cardoso fossem rabanetes, que, por acaso, nem foi o que comi.

A desvantagem de não frequentar redes sociais – com excepção deste singelo blogue e alguns apensos igualmente indignos – é que chego mais tarde às apoplexias higiénicas e colectivas da praxe. Li a entrevista no passado Domingo, mas, só ontem ao fim do dia – um delay absolutamente parolo e imperdoável – é que dei conta dos achaques com a indecorosa arrogância do Miguel Esteves Cardoso. O próprio assume-se como alguém “extremamente inteligente”, com “grande sentido de humor” e que escreve “muito bem”, e, toda a gente sabe, esse é o tipo de atrevimento que não se tolera, a não ser, aos imbecis. Às vezes – só às vezes – aos génios e, aparentemente, não é o caso. Imagino que quem cuspiu as entranhas ao ler o título, não se tenha dado ao trabalho de ler o resto.

Só para que conste, não adoro Miguel Esteves Cardoso. Pode ser um louco, pode ser um génio. Não aprecio em demasia. Seja como for, gostei de o ouvir. Mais do que de ler as crónicas do Público. E precisava de escrever qualquer coisa. Miguel Esteves Cardoso escreve sobre política quando lhe faltam temas. A mim - a quem falta a genialidade necessária para distinguir lucidamente os loucos dos outros, partindo do princípio de que se pode - sobram-me temas, quando me falta o tempo. Os últimos dias foram férteis. Em temas. Cumpriram-se dois anos sobre a tragédia de Pedrogão Grande e não aprendemos nada. Um senhor comendador mostrou-se incrédulo com a falta de memória do um senhor Constâncio e, nos entretantos, o primeiro prepara-se para abrir mais um museu, enquanto o segundo ameaça processar quem atenta contra a sua honra (acho que houve desenvolvimentos, mas ainda não pude ler). Trump também ameaçou, no caso, o Irão com um ataque correctivo, antes de se compadecer com a centena e meia de mortos, mais dano colateral, menos dano colateral, mais faz-de-conta, menos faz-de-conta. Rui Tavares acha que Donald Trump se define pela cobardia, eu acho que o homem exorta definições que talvez não caibam neste espaço.

Noutro continente, num momento “E se fosse consigo” da vida real, uma sala cheia de gente elegante assistiu, sem sobressalto, ao selvagem ataque por um dos seus pares (que delícia de expressão) a uma activista da Greenpeace. O Secretário de Estado Mark Field foi suspenso, mas, parece que ainda será necessário proceder a averiguações. Terá reagido instintivamente, com receio de que a mulher estivesse armada. Eu percebo. Uma mulher afoita, reivindicativa, enfiada num provocante vestido vermelho pode ser uma arma perigosíssima. Valham-nos homens impecáveis e com o sangue frio que falta ao resto da humanidade.

Entretanto, Boris Johnson começou a perder popularidade na sequência de uma nada elegante altercação com a namorada. O homem que quase todos garantem que será o próximo primeiro-ministro de um reino que ameaça desunir-se, que muitos garantem ser a versão very british de Donald Trump e que até já ensaiou uma ausência em debates televisivos – por azar, não está ao alcance de todos os modelos – acabou por dar uma entrevista à BBC, onde voltou a assegurar que o Reino Unido deixará a União Europeia a 31 de Outubro. Brexit means Brexit, como dizia a senhora que o dito se prepara para substituir. Se houver problemas com as fronteiras, o mais-ou-menos amigo Trump pode ter uma solução. Se não, Boris e Donald poderão sempre inaugurar uma nova era hair stylists por esse mundo fora. Quem disse que só a Coreia do Norte tem direito a assertivos líderes capilares?

Por falar em entrevistas, por cá, foi Mário Centeno a garantir que, entre outras coisas, o SNS está melhor agora do que 2015. Às vezes, tenho a sensação que há dois portugais. Adiante. O importante é que temos um excedente orçamental de 0,4%. É possível que venhamos a assistir ao colapso dos serviços públicos, mas, talvez continue a não faltar dinheiro para acudir à banca, em sendo caso disso. Nunca se sabe. O que se sabe é que quem supervisiona, supervisiona pouco e que a mais não é obrigado, nem pode, mesmo que quisesse. Também não será o caso.

 

Ramalho Eanes falou da corrupção como "uma epidemia que grassa pela sociedade portuguesa", o que é uma profunda e leviana inverdade, como se sabe. O ex-Presidente da República deve ter andado distraído; não se apercebeu de que chegou, até, a ser necessário ponderar a eliminação do pernicioso vocábulo do tal relatório da OCDE. Isso, e o Álvaro Santos Pereira.

Se não estou em erro, em Outubro próximo teremos eleições legislativas. E o país está tão bem, que, ao que parece, nem faz falta oposição...

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publicado às 16:33

Não que se tenha falado muito, até agora. Mas, hoje, por tradição – que já não é o que era – é dia de reflexão. Não se pode fazer propaganda política – pelo menos, na forma clássica da coisa, já que, nas redes sociais, todos podemos muito do que quisermos – nem apelar ao voto. Nem candidamente, nem sofregamente. Para compensar, teremos sempre outra coisa. Como, por exemplo, a América de Trump.

E, entre essas outras coisas, que o homem não pára, o presidente dos EUA declarou guerra à China. Mais ou menos. Não foi bem guerra, não foi bem à China. Donald Trump, no seu estilo único, que nunca desaponta (mais…) acusa a Huawei de ser uma coisa muito perigosa; olha-se pare eles, o que fizeram do ponto de vista da segurança, do ponto de vista militar, e aquilo é muito perigoso. Mais ou menos isto. Não é que seja muito importante o que diz, ou como o diz, Donald Trump. Sim, é o presidente dos EUA; para o bem e para o mal, impõe-se que o escutemos. Mas, as suas convicções oscilam ao sabor de…qualquer coisa que lhe passe pela cabeça, naquele exacto momento, vá lá saber-se o quê. Mas, imagina-se. A economia, estúpido; o seu narcisismo crónico e enjoativo; a fanfarronice pífia e o bullying descarado sobre tudo e todos os que ousem não lhe prestar a devida vassalagem.

 

Adiante. A embirração é contra uma empresa chinesa e não contra a China. Dizem os entendidos, é a mesma coisa. Na China, tudo passa (ou não) pela chancela do regime. E, à primeira vista, as preocupações de Trump são puras; genuínas e arrojadas. Não é por um mentiroso convicto e descarado ser um mentiroso convicto e descarado que devemos duvidar das suas intenções quando parecem, não apenas justas, mas credíveis. Mas, a economia...não é preciso ser estúpido para perceber a quanto obrigam os bons negócios. Aqueles da China - com a China ou não, pode ser com príncipes sem princípios, mas com fins e imensos meios, millions and millions de meios - não devem compadecer-se com atropelos de somenos. Afinal, se pudermos chegar a algum entendimento comercial, vantajoso para ambas as partes, talvez se possa remediar qualquer incómodo. Em segurança. Sempre em convenientíssima segurança. 

De modo que, bastaram quatro ou cinco dias (uma quase eternidade, no caso) para que se suavizasse a enorme preocupação de Trump com a mui perigosa Huawei, embalado e animado que estará com acordos comerciais emergentes e proveitosos.

 

Entretanto, o homem que, permanentemente, se queixa da má imprensa, dos terríveis jornalistas, classificando de fake qualquer notícia contrária ao seu humor, o chefe de Estado que adoraria acabar com todos os programas de entretenimento que o parodiam, e às suas políticas, esse presidente tão transparente que recusa, ao Congresso, a consulta da sua declaração de rendimentos (e tão brilhante que soube usar as leis do seu grande país para sobreviver à crise, acumulando, ainda assim, prejuízos milionários), esse profundíssimo poço de virtudes que desceu dos céus no seu avião particular para salvar a América de todos os seus inimigos, ajudou a divulgar um vídeo convenientemente manipulado pelos seus próprios apoiantes com o intuito de ridicularizar Nancy Pelosi. O vídeo foi editado de forma a abrandar  um discurso da líder da Câmara dos Representantes, dando a impressão que Pelosi não estava no seu estado normal; embriagada, eventualmente. A farsa era fácil de desmontar, mas, o que é que isso importa? Trump cavalgou o show  bem ensaiado da “crazy Nancy”, o YouTube eliminou o vídeo, o Twitter mantém-no sem emitir comentários e o Facebook mantém-no, também, a bem de uma coisa que alguns chamam de liberdade de expressão.

 

E, assim (não) se faz boa política.

 

 

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publicado às 20:19

É bastante cómico, de facto.

por naomedeemouvidos, em 19.03.19

SNAlive.PNG

 

 

Donald Trump quer que se investigue os programas de humor que passam nas estações televisivas americanas. É um exagero, eu sei. Não serão toooodos os programanas, de toooodas as estações. Na realidade, creio que só pretenderia, se pudesse, acabar com o "Saturday Night Live"...vá lá saber-se porquê. O presidente sabe. Acha que aquilo não tem piada, nem talento, e ataca apenas uma pessoa, ele próprio, e sem mencionar o outro lado. Deve ter confundido os programas. Tornar a América grande outra vez é bastante extenuante, compreende-se. Além disso, pelo que tenho visto, o outro lado é bastante mencionado...apenas não da maneira que Trump gostaria.

 

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publicado às 13:47

Quanto tempo pode resistir um "shutdown"?

por naomedeemouvidos, em 17.01.19

    O Reino Unido anda às voltas com um Brexit que já poucos parecem querer e os EUA resistem, obstinadamente travados por um muro que Trump deseja como nenhum outro, pese embora alguns o tenham intentado antes.

 

Shutdown.PNG

aqui

 

    A América continua sequestrada pela ausência de acordo entre democratas e republicanos (ou só entre democratas e Donald Trump) sobre quem constrói o quê e quem paga a conta antes, para ser apresentada aos mexicanos depois. O impasse mantém-se há 27 dias, a maioria dos americanos culpa o Presidente pelo shutdown, há milhares de funcionários federais a trabalhar sem remuneração e os conselheiros de Trump andam a avisá-lo acerca dos efeitos negativos que o apagão começa a ter na economia do país.  Nada que Donald Trump não aguente. Pode sempre despedir os conselheiros que não o aconselhem como ele gostaria (a seguir, pode insultá-los, no Twitter, para aliviar o stress), dispensar os funcionários públicos e continuar a mandar vir pizzas e hambúrgueres do McDonald’s e, quanto à economia, bom, o homem percebe imenso de negócios, construiu um império dos diabos, está habituado a agarrar o que quer por onde lhe dá mais jeito e gozo, há-de ter a competência e a teimosia necessárias e suficientes para dar a volta ao assunto.

    Parece, no entanto, que, nos bastidores, o Presidente anda um pouco enfadado. Irritado. Não percebe porque não se consegue chegar a um acordo. Talvez, porque o que Trump procura não é bem um acordo, é um acto de resignada vassalagem, eu quero, eu posso, eu mando, quem tem juízo obedece, os loucos que não atrapalhem. Afinal, quando Trump tiver terminado o seu muito higiénico e muito eficaz muro, acabar-se-ão todas as peçonhas, a América será grande outra vez e o povo americano, rendido à magnificência e visão do todo poderoso, não voltará a recordar estes dias de infortúnio; lembrará, sim, a intensa e ufana luta do melhor presidente das últimas décadas, empenhado em proteger a nação dessa horda de criminosos que são todos os emigrantes, com excepção da impecável e elegantíssima Melania, que faz decorações de Natal como ninguém, God Bless America (e, de passagem, o Brasil, que o senhor é omnipresente).

    Entretanto, num esforço hercúleo, e heroico, a bem do país como só ele é capaz, Donald Trump deu descanso ao Twitter presidencial durante grande parte da tarde de ontem, preservando o bom humor para a reunião com alguns democratas moderados – parece que eram sete –; aos radicais já tinha chamado partido do crime e das fronteiras abertas, nada preocupados com a crise humanitária na fronteira do sul. Ora, todos sabemos como Trump e os seus aliados se preocupam. Tanto, que usam um gás natural para repelir os intrusos. Tão natural que se pode comer com nachos, como é que ninguém se tinha lembrado disso antes.

    Se não for a bem, há-de ser a mal. E a contra-gosto. Até lá, bye-bye. Homem que é presidente não tem tempo a perder.

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publicado às 23:34

O que fazer com os migrantes?

por naomedeemouvidos, em 09.01.19

    Acreditar que Donald Trump está preocupado com uma crise humanitária, é o mesmo que acreditar no Pai Natal, e eu já tenho mais de 7 anos. Apesar do tom quase cordato com que manifestou a sua inquietação, o que Trump quer, já toda a gente sabe, como diria alguém, era escusado a Sala Oval, o outfit e as fotos de família.

   O que fazer, realmente, com os milhares de pessoas, entre elas, crianças, que fogem dos seus países em busca de algo mais do que sobreviver? Não podemos acudir a todos, socorrer todos, ajudar a todos. Mas, são pessoas. Como nós. Era tão simples, se fossem diferentes de nós. Piores do que nós. Bastava construir um muro, escorraçá-los como aos cães vadios, devolvê-los à sua pátria, reduzi-los à sua miséria, como bem mereciam. Se não fossem como nós. E, aí, acabava-se com a delinquência, com o crime, com o tráfico de drogas, com as doenças, enfim, com todos os males que trazem os que não são iguais a nós. Seríamos, finalmente, felizes para sempre. Grandes, outra vez. Basta acreditar...

 

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aqui

 

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publicado às 11:41



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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