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“Tal como já afirmei antes, e quero apenas reiterar, se a Turquia fizer algo que eu, na minha grande e inigualável sabedoria, considerar fora dos limites, irei destruir totalmente e obliterar a economia da Turquia (já o fiz antes!)”, palavra do senhor, possuído que está por um complexo de Deus que encarnou no seio, cabeça, tronco e membros de presidentes megalómanos que subiram à presidência dos seus países por obra e graça de uma democracia útil, mas, que se torna pestilenta e descartável assim que as criaturas, perdão, os deuses, se instalam na cadeira do poder.

 

Parece que a inigualável sabedoria de Trump começa a enervar alguns senadores republicanos. Resta saber até que ponto. Até que ponto se pode continuar - sem vendar a alma ao diabo - a normalizar, aceitar e apoiar essa sua outra qualidade inigualável (agora, sim): a demência narcisista e oportunista, que ameaça varrer tudo à sua passagem.

 

(adenda)

publicado às 13:27

Das condutas democratas. E democráticas.

por naomedeemouvidos, em 03.10.19

Mike Pompeo acusou os Democratas de manobras de intimidação, de bullying, e de tratar de forma imprópria profissionais distintos. Em causa, na causa do senhor secretário de Estado, estarão procedimentos desencadeados pelo Partido Democrata relativamente ao processo em curso da possível(?) destituição de Donald Trump, nomeadamente, a intimação interposta pelos Democratas a cinco funcionários do Departamento de Estado. Mike Pompeo indignou-se com o atrevimento e quis deixar claro que não irá tolerar tais tácticas

Eu percebo. Deve ser assaz perturbador, ultrajante, para alguém habituado a lidar com a elevada classe e a diplomacia irrepreensível do homem que ocupa, actualmente, o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, ver-se envolvido em tais artifícios malévolos, presumivelmente, indecentemente, atentatórios da honra e da dignidade de terceiros; de cinco que sejam.

Por solidariedade com tal demonstração de lealdade e dever de honra, fui rever as últimas intervenções desse estadista soberbo que tanto orgulho merece a Mike Pompeo. Aqui ficam para a posteridade, que é como quem diz, até ao próximo desabafo do senhor presidente (é possível que já tenha tido lugar no sítio habitual e eu nem reparei).

A propósito da denúncia do teor da chamada telefónica com o presidente da Ucrânia:

“Quero saber quem foi; quem foi a pessoa que passou a informação ao denunciante? Porque está bastante próximo de um espião. Sabem o que costumávamos fazer, nos velhos tempos, quando éramos espertos? Certo? Os espiões e a traição, costumávamos tratar disso de forma um pouco diferente do que fazemos agora.”

(“I want to know who’s the person, who’s the person who gave the whistleblower the information? Because that’s close to a spy. You know what we used to do in the old days when we were smart? Right? The spies and treason, we used to handle it a little differently than we do now.”)

Disciplinando um jornalista fake e corrupto, como o são, aliás, todos os que ousam perguntar a Trump o que Trump não quer ouvir, menos ainda, responder. Também há very fine people entre os jornalistas, claro, great reporters, mas, esses, em concreto, são os que dão a Trump o que Trump quer. Não era, decididamente, o caso:

“Está a falar comigo? Não me ouviu? Faça uma pergunta ao presidente da Finlândia! Está aqui o presidente da Finlândia, faça-lhe uma pergunta! Não me ouviu! Faça-lhe uma pergunta, a este senhor! Não seja indelicado!”. Mais ou menos isto, mas, fica aqui o original. Vale sempre a pena.

 

 

Magnífico. Deve ser magnífico trabalhar com alguém, para alguém, com tamanho sentido de Estado.

 

À laia de post scriptum, em honra (já que de honra se fala) dos mais distraídos que, pontualmente, tropeçam com estrondo neste blogue: eu não odeio Donald Trump, que a criatura não me merece tanto. Desprezo, frequentemente com esmerado zelo e algum nojo – mea culpa, vou ali esbofetear-me e já volto –, tudo o que Donald Trump representa. Acredito que a sua eleição, mesmo que democraticamente (eventualmente), abriu um caminho sombrio; um livre-trânsito perverso para que se soltassem, de novo, sem pudor nem receio, várias fúrias andrajosas, até aí adormecidas, ou, pelo menos, estancadas por normas de civilidade e cidadania que muito prezo. Ao contrário, há uma escalada de confronto demente e perigoso que Trump e o seu dedicado séquito atiçam com insaciável gula e calculada cobiça.

Em prol, porém, do presidente dos EUA, importa dizer que a criatura não está sozinha nas minhas preces. Também rezo – às vezes rosno – com ardor idêntico, pelo Messias Bolsonaro, e por outros anjos de bondade gêmea que por aí proliferam. Para que não mais possam voltar a ocupar cargos que não merecem. Nem democraticamente.

publicado às 22:21

Juízos Destituídos.

por naomedeemouvidos, em 26.09.19

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Ontem, num jornal da noite, um especialista em política norte-americana dizia que, na sua opinião, o que Donald Trump fez não é caso para tanto, leia-se, a mais recente voluntariedade do senhor, o telefonema em que pede ao presidente da Ucrânia para investigar Joe Biden não é motivo para que os Democratas venham pedir a destituição do presidente dos EUA. Na sua análise ao caso, o especialista defendeu que o comportamento de Donald Trump pode ser pouco ético, embaraçoso, mas, não é nada que qualquer um de nós não faça quase todos os dias, que é, procurando um amigo que nos deve um favor, recordar-lho, lançando a pista “vê lá se fazes isto por mim”. Bastante próximo disto. Pasmei.

 

É possível, no entanto, que Donald Trump ainda venha a ganhar com o caso do "telefonema perfeito", na versão do próprio. Afinal, o homem tem o dom de não sair beliscado de nenhum dos actos de arruaça que comete ao serviço de si mesmo, ao serviço de uma nação que usurpou para proveito próprio. O presidente da maior democracia do mundo comporta-se como um autêntico mafioso, um arruaceiro com tiques de novo-rico, de insulto solto e brejeiro, e, aparentemente, há muito quem aprecie o estilo. Admiram-lhe a audácia, a autenticidade que ele forja dia-a-dia, tuite-a-tuite, desdizendo-se a cada instante, alternando factos, bajulando outros líderes prepotentes, enquanto se entretém a adular-se como um narciso, a rasgar acordos entre os aliados, a insultar quem ousa contraria-lo e a promover o ódio a todos os que lhe são estranhos. A indecência passou a ser a norma, e passou a ser ditada directamente da Sala Oval, com a bênção dos Republicanos que se venderam à grandiosidade (pífia), não da América, mas de um marialva cujo sonho maior deve ser substituir a Casa Branca por uma Trump Tower estilizada e a Estátua da Liberdade pelo seu orgulhoso e gorduroso busto.

 

O bom senso diria que Donald Trump deve cair como se ergueu: pelo poder do voto democrático; não fosse o bom senso ter deixado de servir.

Foram muitos os que, a recuperar do espanto da eleição de Donald Trump, ainda acreditaram que haveria uma mudança no seu comportamento, seria uma questão de tempo, a dignidade própria do cargo esmagaria a miséria do homem. Se tal, porém, não viesse a verificar-se, como não veio, Trump esbarraria na sua própria desgraça; e a ideia de impeachment pairou sempre como uma ameaça prestes a devolver a ordem à política americana. Mas, depressa se percebeu que a tentativa de destituição poderia servir para alimentar a besta, em vez de a exterminar, convertendo o presidente dos EUA numa espécie de um justiceiro destemido, um renegado adorado pelo povo e perseguido pelos seus, supostamente, viscerais inimigos. Esperou-se. Desvalorizou-se a bazófia e a incapacidade. Até agora.

É capaz de ser perigoso dar-lhe (mais) palco para se lamentar, evocar uma “caça às bruxas”, queixar-se de “presidencial harassment”. Mas, talvez não seja possível continuar de escândalo em escândalo, de infâmia em infâmia, fingindo que Donald Trump pode ser presidente de um país como os EUA sem, com isso, pagar-se (não só a América) um preço demasiado elevado.

Não, ao presidente de um país democrático não está permitido cobrar favores a presidentes de outro país, democrático ou não, para investigar adversários políticos, por muito incómodos. Mas, isso, talvez fosse noutros tempos.

publicado às 11:32

Mapas e outros empecilhos.

por naomedeemouvidos, em 11.09.19

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Recomecei o trabalho e começa a faltar-me o tempo para seguir a avidez da actualidade desordeira que teima em afrontar-nos, defraudar-nos na razão e no juízo, podem não ser bem a mesma coisa.

Mas, lá li - entre outras meias coisas - que Benjamin Netanyahu anunciou a intenção de "de aplicar, num futuro governo, a soberania de Israel sobre o Vale do Jordão e a parte norte do Mar Morto" e, pelo caminho, “anexar todos os colonatos judeus na Cisjordânia”. Com o aval do presidente Donald Trump para um (diz-que-é)plano de paz entre israelitas e palestinianos, Benjamin Netanyahu apela aos eleitores para que lhe "dêem o poder de definir as fronteiras de Israel".

Netanyahu parece apostado em seguir a linha do presidente dos EUA. Talvez aquela que Trump, ou alguém por ele, acrescentou ao gráfico oficial dos serviços de meteorologia americanos para garantir que o Alabama seria atingido pela fúria devastadora do Dorian, ou não o tivesse ele, Mr. President, prometido no Twitter.

De modo que, se o tal "acordo do século" vier a falhar de vez, o Benjamin de Donald Trump pode usar a mesma estratégia. É fácil. Basta um marcador preto. Compromete. Se alguém resmungar, o presidente, perdão, o primeiro-ministro, ou outro alguém por ambos, envia uma directiva interna ou externa, avisando que, o melhor, é não darem opiniões sobre assuntos que conhecem.

publicado às 09:35

"Fuzilem-nos."

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

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“ - Quando temos 15 000 pessoas a entrar, e temos centenas e centenas, e temos dois ou três agentes de controlo de fronteira, bravos e magníficos. E, não esquecer que não os deixamos, e não podemos deixá-los, usar armas. Não podemos. Outros países fazem-no, nós não podemos. Eu nunca faria isso. Mas, como paramos esta gente?

- Fuzilem-nos!

- Só em Panhandle se sai impune com uma afirmação dessas.”

 

Parece que, ali, a coisa tem graça e merece aplausos.

Entretanto, não sei se já contabilizaram quantos mexicanos foram abatidos a tiro nos dois últimos massacres nos EUA. Quase 30 mortos em 13 horas, numa carnificina instigada pelo ódio que não é de hoje, é certo, mas que, hoje, volta a ter espaço tolerado e tolerável, assente em slogans promovidos pelo mais alto (ir)responsável da nação americana: “lock her up!”, “build that wall!”, “send her back”. Porque não "shoot them!", são só palavras, certo?

 

É absurdo fingir que não há um problema sério com as migrações em massa. Não sei bem como se resolve, mas, preferia que não fosse à custa de nos tornarmos exterminadores em série, escarnecendo de quem foge da miséria ou da guerra, como se a vida fosse coisa que pudéssemos eliminar como as ervas daninhas que empestam a harmonia bela e tranquila do nosso exuberante jardim.

 

Trump nunca usaria armas para impedir os criminosos e violadores mexicanos de entrar nos EUA. Não precisa. Tem quem o faça por ele. Basta pedir. Ou melhor, basta sugerir.

publicado às 09:36

"Agarrem-me, ou não respondo por mim!"

por naomedeemouvidos, em 23.07.19

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“Se quiséssemos travar uma guerra no Afeganistão e ganhá-la, eu poderia ganhar essa guerra numa semana. Simplesmente, não quero matar 10 milhões de pessoas.

Tenho planos para o Afeganistão que, se eu quisesse ganhar essa guerra, o Afeganistão seria varrido da face da Terra. Poderia ser feito. Estaria acabado em – literalmente – dez dias. E eu não quero fazer isso. Eu não quero ir por aí”.

Mais coisa, menos coisa...e mais qualquer coisa.

publicado às 10:57

Mandem-no embora.

por naomedeemouvidos, em 19.07.19

Donald Trump é um energúmeno. Inaugurou a forma mais nojenta de fazer política nos tempos modernos, com a insuportável complacência de uma massa de gente acéfala e igualmente desprezível, a começar pelos republicanos que permanecem, maioritariamente, em silêncio perante a escalada de violência do homem que escolheram para os representar.

Em equipa que ganha não se mexe e, no momento, ganha o homem que normalizou, no ocidental mundo evoluído, o insulto pessoal como forma sobranceira e eficaz de estar na política. Os ditadores mais miseráveis, passados e presentes, estariam, estarão orgulhosos, invejosos, enquanto os futuros vêem o caminho livre para replicar, sem limites ou fingidos pudores, a receita poderosa. Estranha-se, entranha-se, aceita-se, promove-se até já não ser necessário impor: a multidão sedenta, cordeira, fará o resto. "Eu tentei parar, comecei a falar muito depressa, eu condeno, mas o cântico era muito forte, senti-me um bocadinho mal com isso, mas comecei a falar muito depressa, eu não disse isso, eles é que disseram, eu não concordo, não, se se ouvir com atenção não vai achar isso; já agora, por que é que lhe deram o Nobel?, incrível!"

Já não é só ridículo. É abjecto. É perigoso.

publicado às 09:50

Já(?) vimos o mundo depois de Trump.

por naomedeemouvidos, em 16.07.19

“Toda a propaganda deve ser popular e adequar-se ao nível de compreensão do menos inteligente dos seus destinatários.”

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Suponho que apenas a amizade (na falta de melhor, chamo-lhe assim, mas, não estou plenamente convencida) que Donald Trump nutre por Benjamin Netanyahu o impeça de se declarar incondicionalmente arrebatado pela diabólica mente de Adolf Hitler. Se o implacável, tresloucado, ditador se tivesse ficado pela perseguição, tortura e assassínio de outros que não judeus (lamento não ser capaz de escrever isto de forma menos violenta), é possível que o actual presidente dos EUA já se tivesse atrevido a manifestar alguma (doentia) admiração por alguém que também quis tornar a sua nação grande outra vez. Também é possível que a minha teoria seja absurda; excepto que há gente capaz de exaltar os meus piores juízos sobre o próximo. E o que sobrará da América, se Donald Trump voltar a ser eleito?

Ninguém que valorize viver em democracia deixará de se preocupar com a escalada de delírio escarninho do homem que tomou as rédeas daquilo a que ainda chamamos "Estados Unidos da América". Num momento de inspiração que os mais pessimistas consideram premonitória, Margaret Atwood chamou-lhe Gileade, e, palpita-me, Trump adoraria chamar-lhe outra coisa qualquer, desde que à sua sobranceira imagem e imaculada semelhança.

Recordo que, no início, Donald Trump foi (ingenuamente, aprendemos da pior maneira) ridicularizado. Era, ainda, candidato, e servia de alguma diversão, arlequim de cores berrantes e disposição carnavalesca. Claro que, jamais um perfeito imbecil, de vocabulário penosamente limitado até para básicas conversas de balneário, rude, mal-educado, com todas as características do chico-esperto à americana e o nível de etiqueta de um arruaceiro vulgar poderia chegar a presidente de um país como os EUA. Não era? Pois, não foi. E, daí, partiu-se para o melhor é deixar a besta mais ou menos à solta, confiando no sacrossanto redentor sistema de checks and balances, esperando que tudo acabasse menos mal, não obstante correr pessimamente. Nada de impugnações. Afinal, pior era, ainda assim, possível. A não ser, claro, que o pior fosse Donald Trump, himself.

E, assim, o insulto passou a retória banal, tolerável, estratégica. A não ser, evidentemente, quando vem dos seus opositores. A esses está vedada a ousadia de recorrer à linguagem vergonhosa, terrível e desprezível com que Trump se diverte a enxovalhar todos os que se atrevem a tecer críticas ao seu modo de actuação. Ele, e ele apenas!, pode chamar, impunemente e com deleitosa gala, estúpido, maluco, inepto, e mais um pomposo leque de outros e piores impropérios sem que a magnífica corte de adeptos que o apoia e bajula sinta o mais pequeno sobressalto. Quem não estiver bem, que volte para o seu miserável e criminoso país. De preferência, calado, outra ordem que Trump adora distribuir a torto e a eito, como quem repreende criancinhas mal-comportadas no recreio da escola. O dividir para reinar deu lugar à técnica do bullying como estratégia - aparentemente, perigosamente, imbatível e inquestionável - política, interna e externa.

 

Adolf Hitler também disse que, quando se inicia e desencadeia uma guerra, o que importa não é estar certo, mas alcançar a vitória. Resta saber que mundo sobreviverá a outra vitória de Donald Trump.

publicado às 17:43

Step by Step

por naomedeemouvidos, em 02.07.19

“Os hispânicos adoram o que estou a fazer. Porque, em primeiro lugar, eles não querem perder o emprego, eles não querem sofrer uma redução de salários e, muito importante, o mais importante, eles não querem ter crime. Eles compreendem. Quem melhor entende a fronteira são os hispânicos. Entendem-na melhor do que ninguém. E não querem ter de sofrer crimes, nem sofrer uma redução de salários. Não querem perder os seus empregos. Foi por isso que os meus resultados nas sondagens subiram entre os hispânicos, porque eles são quem realmente compreende melhor a fronteira.”

 

Eu não gosto de Donald Trump. Não chego a odiá-lo porque, para mim, as palavras realmente importam e, se, por um lado, prefiro não invocá-las em vão, por outro, o homem não merece tal afeição. Já odeio partir uma unha, riscar o salto alto à primeira utilização, que se me acabe o fond de teint sem que eu tenha dado por isso e, last but not least, odeio aquele chove e não molha que me deixa o cabelo pior do que o do Rui Pinto, com a diferença de que eu sou loira. E muito mais gira. De modo que, a César o que é de César, e os ódios às causas que os merecem.

Se não chego a odiar Trump, desprezo tudo o que ele representa. Ainda não superei o trauma de vê-lo como Presidente dos Estados Unidos da América. Vá lá saber-se porquê. Fui uma única vez aos EUA, a Miami (olha, por acaso, quase que odiei…), ainda não visitei a cidade que nunca dorme (imperdoável) e não tenho particular apreço pelo que alguns chamam de sonho americano. Provavelmente, porque pertenço àquele grupo de pessoas que nunca se lembra do que sonha. Enquanto estou a dormir, entenda-se. Sou, no entanto, casada (há mais de duas décadas, valham-me todos os deuses!) com um grande admirador daquele país, e, talvez por isso, me deixe contagiar um pouco; será uma razão tão válida como outra qualquer.

 

Mas, Donald Trump acabou de dar um pequeno passo e subiu o degrau, o simbólico paralelo 38 que separa a Coreia do Sul da Coreia do Norte. Foi tudo tão rápido, que nem deu para perceber bem a dimensão do gesto, então e se tu me convidasses para dar um saltinho lá à tua terra?; ´bora lá tratar disso, não tenho chás, nem aerossóis, mas, de momento, não prevejo envenenar ninguém; também não gosto muito de cães...; não te preocupes, dei-lhes comida há pouco tempo; great!.

Indiscutivelmente, é melhor para o mundo que Trump seja amigo de Kim Jong-un, em vez de lhe chamar louco e ameaçá-lo com a destruição total e nunca vista. O problema com Trump…é o próprio Trump. Nunca se sabe bem o que vai naquela cabeça laranja-louro, a não ser, a imensa paixão por si próprio, e, tal como Narciso, parece ainda não ter encontrado pátria - no caso; donzela,  já tem a agridoce Melania - à altura do seu amor. O povo americano ainda resiste, apesar de tudo, a esse desejo de grandeza alucinada, e, talvez, só talvez, a admiração de Trump por Kim venha dessa ambição tenebrosa, tentadora, de ter um país inteiro à sua mercê. De momento, contentar-se-á com um 4 de Julho de militar pompa e patriótica circunstância. É possível que o resto venha depois. 2020 está mesmo ao virar da esquina histórica que servirá para mostrar ao mundo se melhor é impossível; ou, se já tudo é possível, como acusar uma mulher da morte do seu próprio feto depois de ter sido baleada. É uma nova versão do pôr-se a jeito, uma vez que, Marshae Jones é acusada de provocar a altercação que provocou o disparo que lhe matou o bebé no ventre de cinco meses e, no Alabama, a lei que confere “personalidade” ao feto manda que se trate a mulher como uma mãe imprudente.

Menos mal que Donald Trump já pediu a Putin para que não se intrometa nas próximas eleições americanas. Um homem com visão, aquele Trump. Sempre à frente do seu tempo. E do meu deplorável entendimento.

 

publicado às 12:40

Madressilva, e outros impropérios.

por naomedeemouvidos, em 25.06.19

Por vezes, também penso “como é que pagam a este tipo para escrever sobre rabanetes?”. Mas, no meu caso, é por pura inveja. Adorava que me pagassem por escrever sobre qualquer coisa, eventualmente, sobre rabanetes. Além disso, foi assim que, entre outras coisas, descobri dois ou três bons restaurantes, perto de onde vivo. O que também é absurdo de dizer, eu sei. Como se ler Miguel Esteves Cardoso fossem rabanetes, que, por acaso, nem foi o que comi.

A desvantagem de não frequentar redes sociais – com excepção deste singelo blogue e alguns apensos igualmente indignos – é que chego mais tarde às apoplexias higiénicas e colectivas da praxe. Li a entrevista no passado Domingo, mas, só ontem ao fim do dia – um delay absolutamente parolo e imperdoável – é que dei conta dos achaques com a indecorosa arrogância do Miguel Esteves Cardoso. O próprio assume-se como alguém “extremamente inteligente”, com “grande sentido de humor” e que escreve “muito bem”, e, toda a gente sabe, esse é o tipo de atrevimento que não se tolera, a não ser, aos imbecis. Às vezes – só às vezes – aos génios e, aparentemente, não é o caso. Imagino que quem cuspiu as entranhas ao ler o título, não se tenha dado ao trabalho de ler o resto.

Só para que conste, não adoro Miguel Esteves Cardoso. Pode ser um louco, pode ser um génio. Não aprecio em demasia. Seja como for, gostei de o ouvir. Mais do que de ler as crónicas do Público. E precisava de escrever qualquer coisa. Miguel Esteves Cardoso escreve sobre política quando lhe faltam temas. A mim - a quem falta a genialidade necessária para distinguir lucidamente os loucos dos outros, partindo do princípio de que se pode - sobram-me temas, quando me falta o tempo. Os últimos dias foram férteis. Em temas. Cumpriram-se dois anos sobre a tragédia de Pedrogão Grande e não aprendemos nada. Um senhor comendador mostrou-se incrédulo com a falta de memória do um senhor Constâncio e, nos entretantos, o primeiro prepara-se para abrir mais um museu, enquanto o segundo ameaça processar quem atenta contra a sua honra (acho que houve desenvolvimentos, mas ainda não pude ler). Trump também ameaçou, no caso, o Irão com um ataque correctivo, antes de se compadecer com a centena e meia de mortos, mais dano colateral, menos dano colateral, mais faz-de-conta, menos faz-de-conta. Rui Tavares acha que Donald Trump se define pela cobardia, eu acho que o homem exorta definições que talvez não caibam neste espaço.

Noutro continente, num momento “E se fosse consigo” da vida real, uma sala cheia de gente elegante assistiu, sem sobressalto, ao selvagem ataque por um dos seus pares (que delícia de expressão) a uma activista da Greenpeace. O Secretário de Estado Mark Field foi suspenso, mas, parece que ainda será necessário proceder a averiguações. Terá reagido instintivamente, com receio de que a mulher estivesse armada. Eu percebo. Uma mulher afoita, reivindicativa, enfiada num provocante vestido vermelho pode ser uma arma perigosíssima. Valham-nos homens impecáveis e com o sangue frio que falta ao resto da humanidade.

Entretanto, Boris Johnson começou a perder popularidade na sequência de uma nada elegante altercação com a namorada. O homem que quase todos garantem que será o próximo primeiro-ministro de um reino que ameaça desunir-se, que muitos garantem ser a versão very british de Donald Trump e que até já ensaiou uma ausência em debates televisivos – por azar, não está ao alcance de todos os modelos – acabou por dar uma entrevista à BBC, onde voltou a assegurar que o Reino Unido deixará a União Europeia a 31 de Outubro. Brexit means Brexit, como dizia a senhora que o dito se prepara para substituir. Se houver problemas com as fronteiras, o mais-ou-menos amigo Trump pode ter uma solução. Se não, Boris e Donald poderão sempre inaugurar uma nova era hair stylists por esse mundo fora. Quem disse que só a Coreia do Norte tem direito a assertivos líderes capilares?

Por falar em entrevistas, por cá, foi Mário Centeno a garantir que, entre outras coisas, o SNS está melhor agora do que 2015. Às vezes, tenho a sensação que há dois portugais. Adiante. O importante é que temos um excedente orçamental de 0,4%. É possível que venhamos a assistir ao colapso dos serviços públicos, mas, talvez continue a não faltar dinheiro para acudir à banca, em sendo caso disso. Nunca se sabe. O que se sabe é que quem supervisiona, supervisiona pouco e que a mais não é obrigado, nem pode, mesmo que quisesse. Também não será o caso.

 

Ramalho Eanes falou da corrupção como "uma epidemia que grassa pela sociedade portuguesa", o que é uma profunda e leviana inverdade, como se sabe. O ex-Presidente da República deve ter andado distraído; não se apercebeu de que chegou, até, a ser necessário ponderar a eliminação do pernicioso vocábulo do tal relatório da OCDE. Isso, e o Álvaro Santos Pereira.

Se não estou em erro, em Outubro próximo teremos eleições legislativas. E o país está tão bem, que, ao que parece, nem faz falta oposição...

publicado às 16:33



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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