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Os Novos Maestros

por naomedeemouvidos, em 06.12.19

“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo”.

 

Há um novo Dante. Brasileiro, maestro, adepto de teorias da conspiração, e acaba de ser escolhido para presidente da Fundação Nacional de Artes. Dante também acredita que a Terra é plana, claro, e tem um canal de youtube onde esclarece os visitantes sobre o que há de melhor na música e não só. Por exemplo. Nem todo o rock é mau: parece que gosta dos Metallica e da banda brasileira Angra (o baixista da banda, entretanto, já veio dizer que não gosta assim tanto deste Dante) e considera que aquele tipo de música é bom quando se está a conduzir e nos dá sono; o que me faz pensar que, ainda assim, o maestro Dante é melhor pessoa do que eu, que não vejo nada de bom nas doutrinas que a criatura prega e alimenta.

 

Na Índia, mais uma mulher foi violada e morta por um grupo de selvagens que se acham homens. Para minorar assim uma espécie de dano colateral, um realizador indiano defende que as mulheres deviam andar com preservativos para o caso de serem violadas e que as violações não violentas, seja lá o que isso for, deviam ser legalizadas. “Ao satisfazer o desejo sexual, os homens não matariam as mulheres.”

Há soluções tão simples que não imagino como demoramos tanto tempo a percebê-las. É um descanso saber que, afinal, sempre há homens capazes de acumular duas funções.

Entretanto, não sabia bem como reagir à voz destas mulheres – veja-se no que transformaram o movimento #MeToo –, mas talvez não haja muita margem para dúvidas. Não, “a culpa não é minha, nem onde estava, nem o que vestia”! É bom não nos esquecermos disto. Homens e Mulheres.

 

Os EUA preparam-se para entregar a América a Donald Trump. Numa bandeja forjada na derrota inevitável e amplamente anunciada do processo de destituição. Não há número suficiente de Democratas para provocar a demissão do presidente, nem Republicanos com vontade de deixar cair o ídolo, ainda que, em surdina, lhes possam restar poucas dúvidas sobre a gravidade dos actos praticados. Richard Nixon está prestes a tornar-se um poço de virtudes, ou, no mínimo, um exemplo de nobreza de carácter.

Já sabemos que Donald Trump pode, se quiser, matar alguém a tiro e não perder votos. Resta saber até onde chegará a piada. É de uma piada que se trata, afinal, embora o meu sentido de humor ande péssimo. Nada destes disparates que viraram mantra na nova política séria, altamente democrática e nada diplomática é para levar a peito. Só ao peito, como um crachá de protesto. Não passam de umas bocas inconsequentes para entreter o público. Para que se foram os Democratas meter nisto, nomeadamente, Nancy Pelosi, sabendo, à partida, que dificilmente o presidente será destituído e que, assim sendo, a sua vitoria servirá, apenas, para aumentar desmesuradamente a sua sensação de impunidade? Imagino que seja porque chega uma altura em que já nada é igual. Donald Trump tem vindo a adulterar todas as regras básicas da democracia, recusa qualquer tipo de escrutínio, insulta todos os que ousam criticá-lo e trata qualquer adversário político como um inimigo pessoal que pode humilhar à vontade, com a cumplicidade dos seus apoiantes e de alguma comunicação social que, ora o veneram, ora são apenas imbecis – como perguntar a Nacy Pelosi se ela odeia o presidente. Agora não se pode discordar, duvidar, questionar, argumentar, rejeitar. Só odiar. Tudo é aceitar ou odiar.

 

De modo que, de momento, continuo a preferir o diabo de John Lennon ao deus dos beatos que prestam culto a trumps e a bolsonaros. Quanto a Dante, escolho o do outro Inferno.

 

E, sim, por cá há problemas maiores, porque são nossos, mas não me apetece. Como estamos em véspera de fim-de-semana, deixo só algumas imagens de que gosto. Algures entre o céu e o inferno.

NatGeo18.PNG

https://www.natgeo.pt/fotografia/2018/09

publicado às 11:35

Apesar de...

...até à derrota final?

por naomedeemouvidos, em 27.11.19

Tenho ouvido os argumentos de quem vota em não-democratas (travestidos de políticos sérios anti-regime) apesar de. Os brasileiros de quem gosto e com quem falo (o meu universo é algo limitado, pelo que, não são muitos e, claro, a amostra não é representativa; mas são “gente boa”, realmente, o que me preocupa ainda mais), votaram e/ou apoiam Bolsonaro apesar do que ele diz, porque estavam – estão – fartos da corrupção do PT, nomeadamente, do PT de Lula, e da violência bruta, gratuita, que manda nas ruas das principais cidades, onde a polícia está, ou a mando do poder dos gangues, ou impotente para impor a ordem necessária. A pergunta mais urgente entre quem tem filhos pequenos é como reagiríamos se os nossos filhos não pudessem andar na rua em segurança, se se fizessem transportar em carros blindados (os que podem) e, ainda assim, não sabermos se vão chegar a casa, ao fim do dia. Parece difícil argumentar contra isto. Recordo, apenas, que, nos EUA, foi esta uma das recentes campanhas de regresso às aulas, realizada por pais das vítimas dos tiroteios de 2012 na escola primária Sandy Hook. Mais um. Sem contar os que já ocorreram depois disso, mais os respectivos mortos. Mas parece que a economia americana tem crescido a bom ritmo. Ao mesmo ritmo a que passamos a tolerar o intolerável, a bem da prosperidade dos impolutos anti-sistema que hão-de salvar o mundo. O seu.

 

Adiante. Na outra ponta da defesa de Bolsonaro apesar das besteiras que ele diz está a sua aparente incapacidade para implementar as tais reformas que o país precisa. Eles não deixam. Eles são os membros do Senado, empenhados em boicotar todas as tentativas do capitão para tornar o Brasil um país livre dos pecados do PT. No limite e em desespero, é, por isso, preciso uma quase ditadura mais ou menos assumida, um chove-e-não-molha de imposições de força e passagens bíblicas, para levar os cidadãos brasileiros ao bom caminho. Reposta a ordem, resgatar-se-á a democracia, com ou sem Messias, dependendo do grau de conversão até lá.

 

Não pretendo saber o que é melhor para o Brasil. Seria igualmente arrogante e absurdo. Às vezes, nem sei bem o que é melhor para Portugal, que percebo eu dos dramas de viver naquele país, que visitei uma única vez, em férias, já lá vão mais de doze anos. E, apesar das discussões acesas, não sou a favor de Lula. Mas, sou contra, absolutamente contra, tudo o que representa gente como Jair Bolsonaro, Donald Trump, Viktor Orbán, e os outros todos da lista onde só não incluo, de momento, o nosso Ventura, porque não sei bem se o homem é tão perigoso como o pintam. Para ser vil, perigoso e constituir uma ameaça séria à Democracia, é preciso parecer isso tudo, e o André está mais próximo de uma espécie de experiência. Uma aventura. Eu sei…não teve graça.

Incluo, porém, nessa lista negra Santiago Abascal, o líder do Vox, para quem, aparentemente, a violência não tem género e, por isso mesmo, pela primeira vez em catorze anos, em Espanha, não houve unanimidade institucional para aprovar declarações de condenação contra a violência sobre as mulheres, por altura do 25 de Novembro. Podia ser só um pormenor – um mais – para não ser levado a sério. Afinal, esta gente só diz besteiras. Não querem fazer mal, só querem afrontar o poder instituído e acabar com as injustiças sociais. No processo, por vezes, excedem-se no verbo, sempre sem intenções infestas.

 

Creio que ninguém ignora que essas injustiças sociais existem. A nossa conivência – por actos ou omissões – com esse estado de coisas também é uma afronta à Democracia, um atentado contra a Liberdade que queremos defender com unhas e dentes, de preferência, sem levantar o rabo do sofá. É, obviamente, desse conluio confortável com os abusos de poder que se aproveitam estes estrategas da “desacreditação”, da negação do óbvio e da verdade dos factos que substituem por todas as alternativas necessárias para que a sua mensagem passe. Resta saber quanto tempo vai a nossa liberdade resistir à usurpação dos nossos ressentimentos em prol de uma guerra que já deixou de ter regras. Acredito que a manutenção da nossa democracia (também) depende disso.

publicado às 11:48

“Tal como já afirmei antes, e quero apenas reiterar, se a Turquia fizer algo que eu, na minha grande e inigualável sabedoria, considerar fora dos limites, irei destruir totalmente e obliterar a economia da Turquia (já o fiz antes!)”, palavra do senhor, possuído que está por um complexo de Deus que encarnou no seio, cabeça, tronco e membros de presidentes megalómanos que subiram à presidência dos seus países por obra e graça de uma democracia útil, mas, que se torna pestilenta e descartável assim que as criaturas, perdão, os deuses, se instalam na cadeira do poder.

 

Parece que a inigualável sabedoria de Trump começa a enervar alguns senadores republicanos. Resta saber até que ponto. Até que ponto se pode continuar - sem vendar a alma ao diabo - a normalizar, aceitar e apoiar essa sua outra qualidade inigualável (agora, sim): a demência narcisista e oportunista, que ameaça varrer tudo à sua passagem.

 

(adenda)

publicado às 13:27

Das condutas democratas. E democráticas.

por naomedeemouvidos, em 03.10.19

Mike Pompeo acusou os Democratas de manobras de intimidação, de bullying, e de tratar de forma imprópria profissionais distintos. Em causa, na causa do senhor secretário de Estado, estarão procedimentos desencadeados pelo Partido Democrata relativamente ao processo em curso da possível(?) destituição de Donald Trump, nomeadamente, a intimação interposta pelos Democratas a cinco funcionários do Departamento de Estado. Mike Pompeo indignou-se com o atrevimento e quis deixar claro que não irá tolerar tais tácticas

Eu percebo. Deve ser assaz perturbador, ultrajante, para alguém habituado a lidar com a elevada classe e a diplomacia irrepreensível do homem que ocupa, actualmente, o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, ver-se envolvido em tais artifícios malévolos, presumivelmente, indecentemente, atentatórios da honra e da dignidade de terceiros; de cinco que sejam.

Por solidariedade com tal demonstração de lealdade e dever de honra, fui rever as últimas intervenções desse estadista soberbo que tanto orgulho merece a Mike Pompeo. Aqui ficam para a posteridade, que é como quem diz, até ao próximo desabafo do senhor presidente (é possível que já tenha tido lugar no sítio habitual e eu nem reparei).

A propósito da denúncia do teor da chamada telefónica com o presidente da Ucrânia:

“Quero saber quem foi; quem foi a pessoa que passou a informação ao denunciante? Porque está bastante próximo de um espião. Sabem o que costumávamos fazer, nos velhos tempos, quando éramos espertos? Certo? Os espiões e a traição, costumávamos tratar disso de forma um pouco diferente do que fazemos agora.”

(“I want to know who’s the person, who’s the person who gave the whistleblower the information? Because that’s close to a spy. You know what we used to do in the old days when we were smart? Right? The spies and treason, we used to handle it a little differently than we do now.”)

Disciplinando um jornalista fake e corrupto, como o são, aliás, todos os que ousam perguntar a Trump o que Trump não quer ouvir, menos ainda, responder. Também há very fine people entre os jornalistas, claro, great reporters, mas, esses, em concreto, são os que dão a Trump o que Trump quer. Não era, decididamente, o caso:

“Está a falar comigo? Não me ouviu? Faça uma pergunta ao presidente da Finlândia! Está aqui o presidente da Finlândia, faça-lhe uma pergunta! Não me ouviu! Faça-lhe uma pergunta, a este senhor! Não seja indelicado!”. Mais ou menos isto, mas, fica aqui o original. Vale sempre a pena.

 

 

Magnífico. Deve ser magnífico trabalhar com alguém, para alguém, com tamanho sentido de Estado.

 

À laia de post scriptum, em honra (já que de honra se fala) dos mais distraídos que, pontualmente, tropeçam com estrondo neste blogue: eu não odeio Donald Trump, que a criatura não me merece tanto. Desprezo, frequentemente com esmerado zelo e algum nojo – mea culpa, vou ali esbofetear-me e já volto –, tudo o que Donald Trump representa. Acredito que a sua eleição, mesmo que democraticamente (eventualmente), abriu um caminho sombrio; um livre-trânsito perverso para que se soltassem, de novo, sem pudor nem receio, várias fúrias andrajosas, até aí adormecidas, ou, pelo menos, estancadas por normas de civilidade e cidadania que muito prezo. Ao contrário, há uma escalada de confronto demente e perigoso que Trump e o seu dedicado séquito atiçam com insaciável gula e calculada cobiça.

Em prol, porém, do presidente dos EUA, importa dizer que a criatura não está sozinha nas minhas preces. Também rezo – às vezes rosno – com ardor idêntico, pelo Messias Bolsonaro, e por outros anjos de bondade gêmea que por aí proliferam. Para que não mais possam voltar a ocupar cargos que não merecem. Nem democraticamente.

publicado às 22:21

Juízos Destituídos.

por naomedeemouvidos, em 26.09.19

EUA_Ucrânia.PNG

 

Ontem, num jornal da noite, um especialista em política norte-americana dizia que, na sua opinião, o que Donald Trump fez não é caso para tanto, leia-se, a mais recente voluntariedade do senhor, o telefonema em que pede ao presidente da Ucrânia para investigar Joe Biden não é motivo para que os Democratas venham pedir a destituição do presidente dos EUA. Na sua análise ao caso, o especialista defendeu que o comportamento de Donald Trump pode ser pouco ético, embaraçoso, mas, não é nada que qualquer um de nós não faça quase todos os dias, que é, procurando um amigo que nos deve um favor, recordar-lho, lançando a pista “vê lá se fazes isto por mim”. Bastante próximo disto. Pasmei.

 

É possível, no entanto, que Donald Trump ainda venha a ganhar com o caso do "telefonema perfeito", na versão do próprio. Afinal, o homem tem o dom de não sair beliscado de nenhum dos actos de arruaça que comete ao serviço de si mesmo, ao serviço de uma nação que usurpou para proveito próprio. O presidente da maior democracia do mundo comporta-se como um autêntico mafioso, um arruaceiro com tiques de novo-rico, de insulto solto e brejeiro, e, aparentemente, há muito quem aprecie o estilo. Admiram-lhe a audácia, a autenticidade que ele forja dia-a-dia, tuite-a-tuite, desdizendo-se a cada instante, alternando factos, bajulando outros líderes prepotentes, enquanto se entretém a adular-se como um narciso, a rasgar acordos entre os aliados, a insultar quem ousa contraria-lo e a promover o ódio a todos os que lhe são estranhos. A indecência passou a ser a norma, e passou a ser ditada directamente da Sala Oval, com a bênção dos Republicanos que se venderam à grandiosidade (pífia), não da América, mas de um marialva cujo sonho maior deve ser substituir a Casa Branca por uma Trump Tower estilizada e a Estátua da Liberdade pelo seu orgulhoso e gorduroso busto.

 

O bom senso diria que Donald Trump deve cair como se ergueu: pelo poder do voto democrático; não fosse o bom senso ter deixado de servir.

Foram muitos os que, a recuperar do espanto da eleição de Donald Trump, ainda acreditaram que haveria uma mudança no seu comportamento, seria uma questão de tempo, a dignidade própria do cargo esmagaria a miséria do homem. Se tal, porém, não viesse a verificar-se, como não veio, Trump esbarraria na sua própria desgraça; e a ideia de impeachment pairou sempre como uma ameaça prestes a devolver a ordem à política americana. Mas, depressa se percebeu que a tentativa de destituição poderia servir para alimentar a besta, em vez de a exterminar, convertendo o presidente dos EUA numa espécie de um justiceiro destemido, um renegado adorado pelo povo e perseguido pelos seus, supostamente, viscerais inimigos. Esperou-se. Desvalorizou-se a bazófia e a incapacidade. Até agora.

É capaz de ser perigoso dar-lhe (mais) palco para se lamentar, evocar uma “caça às bruxas”, queixar-se de “presidencial harassment”. Mas, talvez não seja possível continuar de escândalo em escândalo, de infâmia em infâmia, fingindo que Donald Trump pode ser presidente de um país como os EUA sem, com isso, pagar-se (não só a América) um preço demasiado elevado.

Não, ao presidente de um país democrático não está permitido cobrar favores a presidentes de outro país, democrático ou não, para investigar adversários políticos, por muito incómodos. Mas, isso, talvez fosse noutros tempos.

publicado às 11:32

Mapas e outros empecilhos.

por naomedeemouvidos, em 11.09.19

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Recomecei o trabalho e começa a faltar-me o tempo para seguir a avidez da actualidade desordeira que teima em afrontar-nos, defraudar-nos na razão e no juízo, podem não ser bem a mesma coisa.

Mas, lá li - entre outras meias coisas - que Benjamin Netanyahu anunciou a intenção de "de aplicar, num futuro governo, a soberania de Israel sobre o Vale do Jordão e a parte norte do Mar Morto" e, pelo caminho, “anexar todos os colonatos judeus na Cisjordânia”. Com o aval do presidente Donald Trump para um (diz-que-é)plano de paz entre israelitas e palestinianos, Benjamin Netanyahu apela aos eleitores para que lhe "dêem o poder de definir as fronteiras de Israel".

Netanyahu parece apostado em seguir a linha do presidente dos EUA. Talvez aquela que Trump, ou alguém por ele, acrescentou ao gráfico oficial dos serviços de meteorologia americanos para garantir que o Alabama seria atingido pela fúria devastadora do Dorian, ou não o tivesse ele, Mr. President, prometido no Twitter.

De modo que, se o tal "acordo do século" vier a falhar de vez, o Benjamin de Donald Trump pode usar a mesma estratégia. É fácil. Basta um marcador preto. Compromete. Se alguém resmungar, o presidente, perdão, o primeiro-ministro, ou outro alguém por ambos, envia uma directiva interna ou externa, avisando que, o melhor, é não darem opiniões sobre assuntos que conhecem.

publicado às 09:35

"Fuzilem-nos."

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

Fuzilem-nos.PNG

“ - Quando temos 15 000 pessoas a entrar, e temos centenas e centenas, e temos dois ou três agentes de controlo de fronteira, bravos e magníficos. E, não esquecer que não os deixamos, e não podemos deixá-los, usar armas. Não podemos. Outros países fazem-no, nós não podemos. Eu nunca faria isso. Mas, como paramos esta gente?

- Fuzilem-nos!

- Só em Panhandle se sai impune com uma afirmação dessas.”

 

Parece que, ali, a coisa tem graça e merece aplausos.

Entretanto, não sei se já contabilizaram quantos mexicanos foram abatidos a tiro nos dois últimos massacres nos EUA. Quase 30 mortos em 13 horas, numa carnificina instigada pelo ódio que não é de hoje, é certo, mas que, hoje, volta a ter espaço tolerado e tolerável, assente em slogans promovidos pelo mais alto (ir)responsável da nação americana: “lock her up!”, “build that wall!”, “send her back”. Porque não "shoot them!", são só palavras, certo?

 

É absurdo fingir que não há um problema sério com as migrações em massa. Não sei bem como se resolve, mas, preferia que não fosse à custa de nos tornarmos exterminadores em série, escarnecendo de quem foge da miséria ou da guerra, como se a vida fosse coisa que pudéssemos eliminar como as ervas daninhas que empestam a harmonia bela e tranquila do nosso exuberante jardim.

 

Trump nunca usaria armas para impedir os criminosos e violadores mexicanos de entrar nos EUA. Não precisa. Tem quem o faça por ele. Basta pedir. Ou melhor, basta sugerir.

publicado às 09:36

"Agarrem-me, ou não respondo por mim!"

por naomedeemouvidos, em 23.07.19

Trump e Imran Khan.PNG

“Se quiséssemos travar uma guerra no Afeganistão e ganhá-la, eu poderia ganhar essa guerra numa semana. Simplesmente, não quero matar 10 milhões de pessoas.

Tenho planos para o Afeganistão que, se eu quisesse ganhar essa guerra, o Afeganistão seria varrido da face da Terra. Poderia ser feito. Estaria acabado em – literalmente – dez dias. E eu não quero fazer isso. Eu não quero ir por aí”.

Mais coisa, menos coisa...e mais qualquer coisa.

publicado às 10:57

Mandem-no embora.

por naomedeemouvidos, em 19.07.19

Donald Trump é um energúmeno. Inaugurou a forma mais nojenta de fazer política nos tempos modernos, com a insuportável complacência de uma massa de gente acéfala e igualmente desprezível, a começar pelos republicanos que permanecem, maioritariamente, em silêncio perante a escalada de violência do homem que escolheram para os representar.

Em equipa que ganha não se mexe e, no momento, ganha o homem que normalizou, no ocidental mundo evoluído, o insulto pessoal como forma sobranceira e eficaz de estar na política. Os ditadores mais miseráveis, passados e presentes, estariam, estarão orgulhosos, invejosos, enquanto os futuros vêem o caminho livre para replicar, sem limites ou fingidos pudores, a receita poderosa. Estranha-se, entranha-se, aceita-se, promove-se até já não ser necessário impor: a multidão sedenta, cordeira, fará o resto. "Eu tentei parar, comecei a falar muito depressa, eu condeno, mas o cântico era muito forte, senti-me um bocadinho mal com isso, mas comecei a falar muito depressa, eu não disse isso, eles é que disseram, eu não concordo, não, se se ouvir com atenção não vai achar isso; já agora, por que é que lhe deram o Nobel?, incrível!"

Já não é só ridículo. É abjecto. É perigoso.

publicado às 09:50

Já(?) vimos o mundo depois de Trump.

por naomedeemouvidos, em 16.07.19

“Toda a propaganda deve ser popular e adequar-se ao nível de compreensão do menos inteligente dos seus destinatários.”

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Suponho que apenas a amizade (na falta de melhor, chamo-lhe assim, mas, não estou plenamente convencida) que Donald Trump nutre por Benjamin Netanyahu o impeça de se declarar incondicionalmente arrebatado pela diabólica mente de Adolf Hitler. Se o implacável, tresloucado, ditador se tivesse ficado pela perseguição, tortura e assassínio de outros que não judeus (lamento não ser capaz de escrever isto de forma menos violenta), é possível que o actual presidente dos EUA já se tivesse atrevido a manifestar alguma (doentia) admiração por alguém que também quis tornar a sua nação grande outra vez. Também é possível que a minha teoria seja absurda; excepto que há gente capaz de exaltar os meus piores juízos sobre o próximo. E o que sobrará da América, se Donald Trump voltar a ser eleito?

Ninguém que valorize viver em democracia deixará de se preocupar com a escalada de delírio escarninho do homem que tomou as rédeas daquilo a que ainda chamamos "Estados Unidos da América". Num momento de inspiração que os mais pessimistas consideram premonitória, Margaret Atwood chamou-lhe Gileade, e, palpita-me, Trump adoraria chamar-lhe outra coisa qualquer, desde que à sua sobranceira imagem e imaculada semelhança.

Recordo que, no início, Donald Trump foi (ingenuamente, aprendemos da pior maneira) ridicularizado. Era, ainda, candidato, e servia de alguma diversão, arlequim de cores berrantes e disposição carnavalesca. Claro que, jamais um perfeito imbecil, de vocabulário penosamente limitado até para básicas conversas de balneário, rude, mal-educado, com todas as características do chico-esperto à americana e o nível de etiqueta de um arruaceiro vulgar poderia chegar a presidente de um país como os EUA. Não era? Pois, não foi. E, daí, partiu-se para o melhor é deixar a besta mais ou menos à solta, confiando no sacrossanto redentor sistema de checks and balances, esperando que tudo acabasse menos mal, não obstante correr pessimamente. Nada de impugnações. Afinal, pior era, ainda assim, possível. A não ser, claro, que o pior fosse Donald Trump, himself.

E, assim, o insulto passou a retória banal, tolerável, estratégica. A não ser, evidentemente, quando vem dos seus opositores. A esses está vedada a ousadia de recorrer à linguagem vergonhosa, terrível e desprezível com que Trump se diverte a enxovalhar todos os que se atrevem a tecer críticas ao seu modo de actuação. Ele, e ele apenas!, pode chamar, impunemente e com deleitosa gala, estúpido, maluco, inepto, e mais um pomposo leque de outros e piores impropérios sem que a magnífica corte de adeptos que o apoia e bajula sinta o mais pequeno sobressalto. Quem não estiver bem, que volte para o seu miserável e criminoso país. De preferência, calado, outra ordem que Trump adora distribuir a torto e a eito, como quem repreende criancinhas mal-comportadas no recreio da escola. O dividir para reinar deu lugar à técnica do bullying como estratégia - aparentemente, perigosamente, imbatível e inquestionável - política, interna e externa.

 

Adolf Hitler também disse que, quando se inicia e desencadeia uma guerra, o que importa não é estar certo, mas alcançar a vitória. Resta saber que mundo sobreviverá a outra vitória de Donald Trump.

publicado às 17:43



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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