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(Não sei se) Passei a LGBTI.

por naomedeemouvidos, em 11.11.18

    A Escócia será o primeiro país a incluir aulas de LGBTI em todas as escolas, sendo que, já é considerada um “dos países europeus mais progressivos na igualdade das pessoas LGBTI”.

    A recente notícia fez-me pensar, mais uma vez, na normalidade ou anormalidade, seja lá o que isso for, das relações entre as pessoas e no direito de todos, quer ao respeito, quer à diferença.

    Há cerca de dois ou três anos, não recordo bem, o meu filho perguntou-me se era normal um menino namorar com outro menino. Mandava, manda, o politicamente correcto que lhe tivesse respondido imediatamente que sim, sem hesitações, cheia de certezas e tolerâncias puras, variadas e coloridas. Mas, tolerância é uma palavra que me incomoda, neste contexto, e certezas não tenho assim tantas. E, afinal de contas, o que é ser normal?

    Ensinar a tolerar a diferença incomoda-me, porque, não poucas vezes, a tolerância reveste-se de uma espécie de superioridade, seja moral, social, intelectual e por aí fora. Ensinar a respeitar a diferença é imperativo e devia começar em casa. Porque todos somos pessoas diferentes sob várias formas e todos temos direito a ver a nossa identidade respeitada. Mudei, inclusivamente, de ideia quanto à adopção de crianças por casais homossexuais quando percebi que parte da minha resistência assentava mais no preconceito do que na razão. Mas, algures entre a exigência do respeito associada à luta legítima pelos direitos iguais em circunstâncias iguais e a aparente imposição de um pensamento, de uma linguagem, de uma ideologia, perdi-me um pouco e, temo que, irremediavelmente. Corro, inclusive, o risco de ser chamada de homofóbica, dado o grau de intolerância que os ditos tolerantes – tão pios e diligentes quanto às suas causas – ostentam em relação à diferença de opinião dos outros.

    A violência sobre os homossexuais ou sobre as pessoas transgénero é repugnante e intolerável, como o é a violência sobre qualquer outra pessoa. Não preciso de qualquer esforço ou doutrina régia para explicar ao meu filho que todos temos o direito a não ser discriminados ou humilhados, seja com base na cor, na religião, no género, na orientação sexual, na nacionalidade e em tudo o mais em que a diferença exista. Creio que grande parte dessas “explicações” e dessa “educação” vêm naturalmente. Não temos, em casa e em família, o hábito de apontar o dedo ao outro, de o rotular, “olha que gordo, olha que magro, olha que feio, olha que lindo, olha o cabelo, olha os sapatos”, e penso que, inevitavelmente, o miúdo não vê na diferença, mesmo evidente, uma ameaça. Mas também não vê – e não quero que veja – uma imposição: no modo de ser, de pensar, de estar e de se exprimir.

    A sigla LGBTI designa “lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais”. Seguramente por incompetência, já tenho dificuldade em compreender plenamente a diferença entre transexual e intersexual. Mas, parece que também há LGBTQQIAAP (Lesbian, Gay, Bisexual, Transgendered, Queer, Questioning, Intersex, Asexual, Allies, Pansexual) e acho que foi entre umas e outras que passei definitivamente a gozar do estatuto de homofóbica. A luta mais do que justa pelos direitos dos homossexuais transformou-se, por parte de alguns, num delírio em que, mais do que promover a igualdade, tem contribuído para agitar fantasmas e atiçar ódios que, evidentemente, não se esvaziam por decreto, e não sei bem o que pensar sobre a existência de “aulas de LGBTI” nas escolas. É substancialmente diferente de ensinar regras básicas de cidadania, civismo e igualdade? Talvez seja, porque isso ainda não nos ensinou a abolir a violência sobre as mulheres, por exemplo. Ou a pagar salários iguais por trabalhos iguais. Mas, a educação escolar inclusiva já mostrou que está, como o inferno, cheia de boas intensões que, nem por isso, deixaram de se revelar fiascos absolutos. Se calhar, é mais importante ensinar que ser normal é aceitar que somos diferentes e que, não só, não há mal nenhum nisso, como é tão intolerável vilipendiar o outro por ser diferente como é insuportável deixar que nos imponham uma forma de pensar.

 

publicado às 11:15

A matemática fora dos livros.

por naomedeemouvidos, em 19.09.18

     Não tenho o hábito de falar sobre a minha profissão neste blog, apenas porque não foi a pensar nisso que o criei. Mas, como estamos mesmo a começar um novo ano escolar, estava eu a pensar em novas estratégias e a delinear novas formas de abordagem para ajudar os meus explicandos - adolescentes, muitas vezes, desencantados com a Física, Química e Matemática (que horror!!!!!!) - quando me lembrei que ainda não tinha visto nenhum vídeo da Inês Guimarães. Senti-me algo envergonhada, uma vez que o projecto existe há algum tempo e encaixa na minha área de trabalho. Mas, como vale mais tarde do que nunca...lá fui.

     Para quem ainda não sabe quem é a Inês Guimarães, também não vou explicar muito. Vou, apenas, deixar este link, só para espicaçar a curiosidade e porque toda a gente sabe o que é um trinângulo, certo? Ummm... Ah, e dizer que, há cerca de dois anos, creio, a Inês criou o MathGurl, um canal de youtube onde a matemática ganha uma dimensão fora dos enfadonhos manuais escolares e das paredes de muitas escolas.

      Se tem filhos em idade escolar, nomeadamente, 9º ano para cima, mostre-lhe alguns destes vídeos; não dói nada e é capaz de se surpreender.

     Eu, decididamente, vou mostrar alguns dos vídeos do MathGurl aos meus explicandos, partindo, daí, para a tal análise inevitável dos programas escolares, consciente de que posso fazer mais e melhor com esta ajuda.

     E, já agora, porque não dar mais visibilidade ao projecto desta miúda, na comunicação social? Não rende tanto como a Cristina Ferreira, é um facto, mas, se calhar, valia a pena arriscar. Digo eu, que, como a Inês, também só tenho um neurónio...

 

 

publicado às 11:56

"Qual é o peso da consciência?"

por naomedeemouvidos, em 20.08.17

Mamã, qual é o peso de consciência daquela senhora? A pergunta é, outra vez, do meu filho (a honestidade simples das crianças é algo que nunca pára de me surpreender) e a senhora é mãe do rapaz que manchou, de dor e luto, uma avenida pulsante de vida e, com ela, um país inteiro. A senhora está na televisão apelando ao seu filho para que se entregue à polícia e algo nela faz o meu murmurar “coitada...”.

As crianças fazem perguntas difíceis e eu tenho um medo enorme de não estar, de não estarmos, à altura delas.

Eu não sei qual é o peso de consciência daquela senhora. Sei que o meu seria demasiado denso para que pudesse suportá-lo sem alguma culpa. Acho que, depois do choque, a primeira interrogação seria onde é que falhei? O que fiz, o que deixei de fazer, que me tornou incapaz de transmitir ao meu filho a diferença entre o bem e o mal? Porque é de mal que se trata, naquilo que o mal tem de mais perverso, de mais abjecto, de mais amoral. Será que a culpa é, ainda que em parte, dos pais?

Diz-se que o exemplo não é uma maneira de educar, é a única. Acho que é isso que torna a tarefa assustadora. Porque somos humanos. Porque falhamos. Porque, em algum momento do nosso dia-a-dia mais ou menos rotineiro, mais ou menos fastidioso, tecemos um comentário, fizemos uma observação, tivemos uma atitude que nos pareceu menor, inofensiva, na altura, e ali está aquela criança a observar-nos, ávida de aprender, de crescer, a beber toda a nossa existência e, com ela, o nosso maldito exemplo.

Uma amiga minha costuma dizer (ainda eu não era mãe): se queremos ver o que fazemos de errado, basta prestar-lhes atenção. Eles são os nossos filhos. Porque, afinal, “a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”. Com ela podemos enfrentar o medo ou sucumbir ao medo. Porque o medo tornou-se omnipresente, tomou de assalto as nossas vidas, e o meu filho interroga-me, observa-me, os olhos enormes, imensos de curiosidade. E eu sinto o peso, a obrigação, de não o educar no ódio. Já basta todos os outros erros que hei-de cometer pelo caminho…  

 

 

publicado às 17:21



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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