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E agora, António Costa?

por naomedeemouvidos, em 07.10.19

O Parlamento Português renovou-se. Não sei se é a melhor notícia, mas é uma boa notícia. A pior foi a chegada, finalmente, de André Ventura às cadeiras do Hemiciclo. A uma, de momento; Ventura promete tornar o seu partido no maior de Portugal, em oito anos. Era difícil que Portugal se mantivesse imune ao fenómeno que ameaça toda a Europa, e André Ventura entusiasmou-se. Parece absurdo, mas o absurdo há muito que tomou conta (também) da política.

 

Na próxima legislatura serão 86 as mulheres no Parlamento, entre elas, Joacine Katar Moreira que já prometeu continuar a ser uma voz incómoda.

O aumento da representatividade no feminino é outra boa notícia. Não chega aos 40%, mas talvez chegue para fazer a diferença. Até porque não podemos continuar a perder tempo.

 

O Iniciativa Liberal chegou, viu e venceu. Mais ou menos. Na primeira vez em que se apresentou a eleições legislativas o partido conseguiu eleger um deputado. Prometem resistência, fazer diferente, defender a “liberdade individual e política”. Gosto do Carlos Guimarães Pinto. Veremos como se sai João Cotrim Figueiredo.

 

Assunção Cristas sai de cena. Deixa a liderança do CDS, depois do resultado desastroso do partido. Assumiu sempre, ou quase, o orgulho de ter participado num Governo de que os portugueses têm má – péssima! – memória e assinou o fim do seu ciclo. Resta saber se o partido resiste. Essa coisa a que chamam destino pode ser maquiavelicamente irónico.

 

Rui Rio talvez se aguente como líder do PSD. Quem diria. Até percebo a alegria exaltada de ontem. E há-de haver quem pense como teria sido, afinal, se o próprio partido não tivesse boicotado o seu próprio dirigente. O homem não é isento de pecados vários, mas, continua a fintar as sondagens. Prometeu não ser um empecilho ao desenvolvimento do país, colocar o interesse nacional à frente de interesses próprios e partidários, que é como quem diz – e o já o disse – se António Costa precisar de um parceiro para levar a cabo as tais reformas estruturais que tantos prometem, mas nunca cumprem verdadeiramente, Rio pode ser o tal.

 

Pedro Santana Lopes morreu há algum tempo e ainda não sabe. Se calhar, soube ontem.

 

António Costa quer continuar a geringonçar, desta feita, também com o PAN e com o LIVRE. Vai ser interessante ver Costa em acção, novamente, com o BE igual a si próprio e o PCP a rejeitar, para já, os acordos escritos de que, aparentemente, os eleitores comunistas não gostaram.

Os ventos agitam-se e os tempos mudam-se, às vezes, a contra-gosto, e não sei até quando continuaremos a ser a aldeia de Astérix. O bom-humor não chega e, definitivamente, não estamos sozinhos.

 

publicado às 09:05

Sobre o secretismo do voto, e outras miudezas.

por naomedeemouvidos, em 06.10.19

"- Minha senhora, por favor, eu vejo mal; pode dizer-me onde é que está o partido fulano-de-tal?

- É o quarto…

- Obrigado."

 

Para que conste, isto não é propaganda política. Por vários motivos. O mais relevante de todos, só me lê gente que pensa pela própria cabeça. São poucos, mas bons. Os melhores.

 

Bom Domingo. Votem. Bem ou mal, mas votem.

publicado às 12:18

Neuras dos tempos que correm.

por naomedeemouvidos, em 02.10.19

Ando enfadada, por estes dias. E enfadonha, também. Há dias assim. Estamos à beira de eleições e, desta vez, apetece-me atirar a toalha, que é como quem diz, mandar tudo às urtigas, juntar-me ao coro dos desiludidos conformados, “são todos iguais”, “votar para quê?”.

Obrigado a ouvir e a ver notícias, por força de circunstâncias caseiras, à vista e ouvido de um outro escândalo, eventualmente, um mesmo, restaurado, em tempo de guerra, já se sabe, não se limpam armas, sejam elas obsoletas ou recuperadas, o meu filho pergunta, entre a inocência e o espanto, “mas os políticos são todos corruptos?”, e, então, penso se não será melhor comprar-lhe, finalmente, a televisão para o quarto e apontar-lhe uma espécie de exílio estratégico, higiénico, prudente, de quando em vez, por já me faltar o ânimo para lhe assegurar que não, de maneira nenhuma, ora essa, ainda há gente de valor e de carácter, não só entre o povo, como na política, na justiça, nas forças de segurança, ou no exército. Portugal está bem e recomendam-nos. Estamos é mal-habituados. Sei lá eu o que é um paiol.

 

Entre neuras, vou espreitar as estatísticas deste blogue. Por vezes, há coisas espantosas. Na "Origem das Visitas", encontro uma página de um site espanhol com uma fotografia e uma ligação para o meu “Mercados de alma”. A fotografia exibida, a minha, com que ilustro aquele meu post, direcciona os leitores daquela página para o meu texto; mas, sob a imagem, o que parece ser uma legenda, remete para o Mercado do Livramento, em Setúbal, considerado um dos melhores mercados do mundo, pelo USA Today, segundo esta notícia da Visão. Ora, a minha fotografia é do mercado de Cascais e a notícia da Visão nada tem a ver comigo ou com o meu texto.

 

Para evitar evitar mal-entendidos, o melhor mesmo é não ficar calada; por maioria de razão e necessidade, menos ainda no próximo Domingo. Quanto às neuras, até lá, ainda me passa...

publicado às 10:41

A geringonça é portuguesa, com certeza.

por naomedeemouvidos, em 18.09.19

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Parece já não haver alternativa: Espanha vai novamente a votos em Novembro.

publicado às 09:54

Mapas e outros empecilhos.

por naomedeemouvidos, em 11.09.19

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Recomecei o trabalho e começa a faltar-me o tempo para seguir a avidez da actualidade desordeira que teima em afrontar-nos, defraudar-nos na razão e no juízo, podem não ser bem a mesma coisa.

Mas, lá li - entre outras meias coisas - que Benjamin Netanyahu anunciou a intenção de "de aplicar, num futuro governo, a soberania de Israel sobre o Vale do Jordão e a parte norte do Mar Morto" e, pelo caminho, “anexar todos os colonatos judeus na Cisjordânia”. Com o aval do presidente Donald Trump para um (diz-que-é)plano de paz entre israelitas e palestinianos, Benjamin Netanyahu apela aos eleitores para que lhe "dêem o poder de definir as fronteiras de Israel".

Netanyahu parece apostado em seguir a linha do presidente dos EUA. Talvez aquela que Trump, ou alguém por ele, acrescentou ao gráfico oficial dos serviços de meteorologia americanos para garantir que o Alabama seria atingido pela fúria devastadora do Dorian, ou não o tivesse ele, Mr. President, prometido no Twitter.

De modo que, se o tal "acordo do século" vier a falhar de vez, o Benjamin de Donald Trump pode usar a mesma estratégia. É fácil. Basta um marcador preto. Compromete. Se alguém resmungar, o presidente, perdão, o primeiro-ministro, ou outro alguém por ambos, envia uma directiva interna ou externa, avisando que, o melhor, é não darem opiniões sobre assuntos que conhecem.

publicado às 09:35

Con Rivera no?

por naomedeemouvidos, em 29.04.19

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Espanha foi às urnas em peso: mais de 75% dos espanhóis acudiram à chamada democrática e fizeram-se ouvir. O PSOE de Pedro Sánchez ganhou sem garantir a maioria parlamentar, como previam as sondagens, e os apoiantes socialistas, eufóricos, gritaram-lhe “con Rivera no”. Entre o “ha quedado bastante claro” de Sánchez e o primeiro discurso de Rivera, parece não haver grande margem para o entendimento que garantiria mais do que os 176 assentos da maioria absoluta parlamentar. Para quem percebe pouco ou nada de política, como eu, parecia a fórmula ideal, já que, à partida, seria mais fácil negociar a dois do que a sete (PSOE, Unidas Podemos, Compromís, Partido Nacionalista Vasco, Coalición Canaria-PNC e Partido Regionalista de Cantabria), para não contar com os partidos independentistas – mesmo assim, falta um escaño para os 176. Não parece fácil.

 

Independentemente da solução de Governo que venha a ser apresentada nos (não tão) próximos dias, ontem, houve muito para uma noite só. E, apesar do Vox ter ficado longe das suas expectativas, passa a fazer parte do Congreso de los Diputados: elegeu 24 destes. É capaz de não ser grave. Afinal, Nuno Melo já nos sossegou, afirmando que o Vox não é um partido de extrema-direita; está ali, mais ou menos, como a Aliança para o PSD. Às vezes, não sei se me ria, se chore. Pelo sim, pelo não, deixo aqui, para memórias futuras, as “100 Medidas para la España Viva” do partido que talvez venha a integrar a mesma família política europeia que CDS e PSD

 

 

 

publicado às 08:00

Vou continuar a indignar-me, posso?

por naomedeemouvidos, em 04.11.18

    Se me é permitido, vou continuar a indignar-me. Violentamente e todos os dias, se for preciso. Recuso associar-me à normalização do mal e à banalização do absurdo. Um fascista é um fascista, é um fascista. Quem partilha dos valores do fascismo, não se esconda em subterfúgios. Quem não quer viver a democracia em pleno, não pretenda instigar a sua intermitência, descontinuando-a quando convém. Porque, talvez, nunca convenha a todos concomitantemente.

    Os EUA estão em campanha. Na próxima terça-feira há eleições intercalares. Ao seu estilo, Donald Trump continua a agitar as massas mentindo, mentindo e mentindo e alternando discursos consoante os ventos, naquela linguagem básica e paternalista que continua a colher: vem aí uma caravana cheia de malfeitores, criminosos em série, apostados em tomar a América de assalto. Se nos atirarem pedras, lembremo-nos que os nossos soldados têm espingardas, portanto, que considerem usá-las. Não nos esqueçamos que à frente da caravana vêm homens fortes e maus, muito maus. Não interessa que tragam milhares de quilómetros nos pés e venham esmagados pelo cansaço, porque trazem um ror de más intenções na alma. Querem os nossos empregos, na melhor das hipóteses. Na pior, vêm violar as nossas mulheres e matar os nossos filhos. Matar só está permitido aos bons. E, não nos esqueçamos, “grab them by the pussy” também não está al alcance de qualquer um; só dos que têm dinheiro e poder. Pior do que um criminoso rico, só um criminoso pobre, fedorento e estrangeiro.

    Como habitualmente, Donald Trump já veio desmentir-se a si próprio. Afinal, não vamos disparar sobre os migrantes. Vamos só prendê-los pelo tempo que for preciso. A mentira, num democrata, é inadmissível. Num populista, num nacionalista ou num fascista é um meio válido para atingir um fim. A corrupção, num democrata, é vício nojento que urge exterminar, qualquer que seja o meio. Num populista, é expedito; é competência e desembaraço.

    As migrações em massa e descontroladas são um problema sério, efectivamente. Nenhum país tem capacidade de acolher todos, socorrer todos, atender a todos. Mas, acredito que os mecanismos para fazer face a este e outros problemas devem ser encontrados dentro das normas democráticas. Há quem ache que não. Há quem acredite que, o que importa, é ter a economia a crescer e viver sem incómodos e sem sobressaltos. Se, para isso, for necessário suspender ou, mesmo, eliminar a democracia, seja. Tudo em nome da segurança. Ou será só em nome do conforto pessoal? E, é mau, querermos paz para os justos e justiça para os criminosos? É mau ansiar por bons empregos, bons ordenados e uma vida confortável e próspera, principalmente, quando pagamos os nossos impostos? Claro que não! Como é evidente, essa não é a questão. Mas, o mundo não é perfeito e não é o nosso quintal. A não ser que passemos todos a defensores da justiça por mãos próprias e pela supressão, quem sabe, pelas armas, de todos os que perturbam o nosso sossego como mosquitos, viver em sociedade dá trabalho e, muitas, muitas vezes, traz chatices.

    Voltemos ao Brasil e a Bolsonaro (sim, também há Maduro e outros que tais; infelizmente, o mundo está cheio de gente que só olha para o seu umbigo e que só quer o poder a qualquer preço, subjugando tudo e todos à sua tirania). Fiquemos só pelos bens intencionados; pelos que acreditam que ele não é tão mau como parece e que Sérgio Moro – o mesmo que jurava a pés juntos que jamais entraria para a política – está apenas interessado em ajudar o Brasil a preservar a democracia. O que vai acontecer quando, cada brasileiro de bem se sentir legitimado para matar um ladrão, um violador, um assassino? O que vai acontecer quando um polícia brasileiro se sentir impune, democraticamente, para matar um (mesmo não alegadamente) criminoso? Quanto tempo precisaremos de esperar para assistir à instituição da vingança em vez da aplicação da justiça? E, quanto tempo até passarmos, cada um de nós, a ser o alvo?

publicado às 13:31



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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