Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


De que massa é feita esta Gente? Que tudo perdeu, que do nada renasceu e que ainda consegue sorrir e recomeçar?

"Pareciam foguetes de lágrimas", e ainda não consegui ler até ao fim. Doi-me a alma e nem sequer imagino o inferno que viveram. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando alguém atira uma beata de cigarro pela janela do carro que vai à nossa frente ou quando temos que afastar as beatas da areia para estender as toalhas de praia – mesmo naquelas praias que ostentam o típico símbolo de qualidade ambiental – não poucas vezes o meu marido desabafa um resignado “todos os fumadores são porcos até prova em contrário”. Assim mesmo. Em tom depreciativo. Para os porcos, porque, aparentemente, os animais até são limpos, sensíveis e inteligentes. Não os que atiram as beatas para o chão, os outros.

Adiante. Na política e nas elites sociais será mais assim: todos os suspeitos são culpados até prova em contrário. Se não é assim, parece exactamente assim. De José Sócrates a Manuel Pinho, de Armando Vara a Henrique Granadeiro, de Ricardo Salgado a Zeinal Bava, e tantos, mas tantos, etceteras mais que já ninguém acredita numa palavra desta gente.

Quando algum peixe graúdo surge apontado como suspeito ou arguido de qualquer crime, há três coisas que me fazem sempre suspeitar da suposta vontade que manifestam no cabal esclarecimento da verdade: a evocação do eterna e selectivamente violado segredo de justiça, a reclamação da presunção de inocência e a escolha dos doutos advogados de defesa.

Este fim de semana, ler o jornal Expresso e as revistas Visão e Sábado foi um exercício de levar à náusea qualquer pessoa de bem; impróprio para pessoas decentes que, apesar de tudo, ainda existem neste maravilhoso país. Deviam ter sido vendidos com bolinha vermelha acompanhada da indicação as publicações que se seguem contêm notícias susceptíveis de ferir o sentido de honra e decência dos leitores.

Quando se diz que, em Portugal, as pessoas são invejosas em relação a quem tem dinheiro deve ser porque, quando se vê como é que algum dinheiro é ganho, a margem é pouca para acreditar no mérito próprio. Entre as amnésias selectivas, os desconhecimentos súbitos e altamente oportunos, os procedimentos legais-barra-imorais e outras coisas que tais, sobra pouco para o benefício da dúvida e para a tal presunção de inocência. A promiscuidade entre política, negócios e alta finança é tanta e tão descarada que é impossível não desconfiar de toda a gente. E os esquemas estão tão enraizados na nossa maneira de estar que há quem conviva bem com ter uma “casa” recuperada com dinheiro que portugueses de bem (alguns, sabe-se lá com que sacrifício próprio!) reuniram para acudir às vítimas dos acontecimentos mais dramáticos que se viveram em Portugal, no verão passado. Não é nada de mais, certo? Os deputados também dão moradas de casas onde não vivem para poder engordar os ordenados mais um bocadinho e muitos encarregados de educação fornecem moradas falsas para matricular os seus filhos nas melhores escolas. Dir-se-á que não é comparável, é um facto, mas a questão é aceitação do que é errado como sendo normal. Os que entram no esquema são expeditos e inteligentes; os honestos, basicamente, otários e pouco eruditos.

Ser honesto não devia ser motivo de exultação, mas, pelo menos, não devia embaraçar-nos. Ainda assim, aqui há uns anos, vivi uma situação surreal que me fez ter alguma vergonha de ser séria. Encontrei-me com uma amiga na Fnac do Cascaishopping. Enquanto ela não chegava, sentei-me na parte da cafeteria, com um livro que pretendia comprar e comecei a ler, para ocupar o tempo. Quando a minha amiga chegou, trazia um embrulho que me entregou. Era uma T-shirt para o meu filho, pintada com um desenho do filho dela. Uma oferta de afectos. O caso é que coloquei o embrulho em cima do livro (tinham mais ou menos as mesmas dimensões) e fomos ficando por ali, a conversar. Quando, finalmente, saímos as duas da Fnac, nunca mais me lembrei do livro. O alarme, à porta da loja, não soou e só quando voltei a entrar no meu carro e pousei as coisas no banco ao lado é que reparei que saíra sem pagar o livro! Voltei à Fnac para fazer o pagamento e expliquei a situação, desculpando-me. A senhora que me atendeu chamou-me anjinho. Estive para lhe atirar o livro à cabeça. Nunca tinha tido vergonha de ser uma pessoa honrada, mas, parece que tinha sido mais avisado ter seguido o meu caminho. Parece o retrato perfeito da sociedade em que vivemos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A “ideologia do género” é uma expressão que passou a fazer parte do léxico comum. A “disforia do género” também.

No Canadá, um bebé de oito meses (8 meses!) recebeu um cartão de saúde sem definição de género. A “mãe” é uma “pessoa não-binária transgénero” (confuso?) e, na sua traumática experiência, os médicos, quando a própria nasceu, olharam “para os meus genitais e assumiram aquilo que eu iria ser, e essas presunções perseguiram-me a vida inteira”. O bebé terá, por isso, a liberdade de escolher de que género quer ser… Quando quiser e se quiser.

Não consigo imaginar, nem pretendo, o enorme sofrimento que representará para alguém não se identificar com o sexo, com o género?, com que nasceu. Ser um homem refém de um corpo de fêmea, sentir-se mulher aprisionada num corpo de homem. Terrível, seguramente.

A minha ignorância neste tema é tremenda e absoluta. Assumo-o, com toda a franqueza e humildade. Mas não tenho muitas dúvidas quanto à leviandade com que se pretende tratar de coisas sérias, como esta.

Os sexos masculino e feminino não são construções mentais ou experiências académicas. Os médicos não presumem que uma criança é do sexo masculino ou do sexo feminino. A ambiguidade da identidade sexual não é a regra, é a excepção. E a “excepção” não é o certo nem o errado. É a excepção. Simplesmente. Colocar a Assembleia da República a discutir um projecto-lei que, no limite, permite a um adolescente de 16 anos pedir para mudar de sexo e de nome, e processar os pais caso não lho permitam é perigoso e é leviano. Que conhecimento científico têm os deputados, por mais eruditos, para decidir sobre questões da área da saúde e da medicina? A ciência, em geral, e a medicina, em particular, deixaram de ser instrumentos para obter conhecimento através do estudo e da prática? Observar e experimentar para descrever e explicar fenómenos naturais passou a ser obsoleto? As nossas ideologias, os nossos achismos, as nossas modas, vão passar a substituir o método científico? Vamos alterar, por decreto, uma realidade para abarcar todas as liberdades?

A liberdade de escolha e o direito que todos temos de ser tratados com respeito dentro das nossas opções individuais, naquelas que não representam violações do direito do outro, evidentemente, não pode obrigar-nos a negar o que somos. E, fisiologicamente, anatomicamente, somos meninos e meninas, rapazes e raparigas, somos homens e somos mulheres. Não podemos, simplesmente, ignora-lo ou ter vergonha ou receio de o reclamar. A solução para integrar, respeitar e aceitar a diferença não pode passar por uma reeducação em massa, pretendendo que não seja “normal” um menino sentir-se menino, uma menina querer ser menina, uma mulher achar-se fêmea e um homem presumir-se macho.

Não podendo haver, e não devendo haver, um domínio absoluto da biologia sobre a nossa identidade sexual e, sobretudo, sobre a nossa liberdade sexual, deturpar essa realidade e teorizar sobre experimentalismos socio-culturais a “bem” da “liberdade” de uma criança poder decidir que quer mudar de sexo antes de se lhe reconhecer maturidade para votar ou conduzir é assustador.

“Aos 16 anos, toda a gente sabe o que é e o que quer”, afirmou um médico e sexólogo clínico, ao Observador, acerca desta temática. Sabe? Fazendo minhas as palavras de Henrique Monteiro, há dias, no Expresso, devo ser eu, que sou mais do género estúpido…

Autoria e outros dados (tags, etc)

Acabo de ler um artigo interessante, no Expresso, sob o título “Salazar controlou tudo. Até os ousados fatos de banho das refugiadas”.

Parece que as mulheres estrangeiras que chegavam a Portugal, refugiadas de uma Europa “mais tolerante”, mas em guerra, comportavam-se de uma forma que, no Portugal da época, era, basicamente, indecente. Parece que as senhoras usavam saias curtas, fumavam e, pasme-se!, iam sozinhas para o café! E Salazar, para evitar (mais) atentados ao pudor, regulou sobre algo muito, muito actual: o traje de praia!

Os anos passaram, Portugal mudou e a Europa também. Os costumes já não são o que eram e, agora, somos nós, europeus em geral, os sem-vergonha, pelo que, diferentes líderes europeus se vêem novamente a braços com mais do mesmo: de que forma (principalmente) as mulheres devem expor as suas carnes, no areal e, até, fora dele. De modo que, o tal “politicamente correcto” manda, de momento, que nós tenhamos de respeitar costumes mais decentes do que os nossos, tratando de criar condições para que ninguém se sinta ofendido por ser obrigado a ver mais mamas e coxas do que é suposto e muito temo que, com Salazar ou não, ainda nos vamos ver a todas de burkini. Não foi em Espanha que, recentemente, se sugeriu que as nadadoras-salvadoras vestissem uns calçõezitos, menos consensuais, mas muito mais impolutos?

Autoria e outros dados (tags, etc)


"Nada na vida deve ser temido, apenas compreendido." Marie Curie

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Eu Sou Assim

IDADE_Tem dias. ESTADO CIVIL_Muito bem casada. COR PREFERIDA_Cor de burro quando foge. O MEU MAIOR FEITO_O meu filho. O QUE SOU_Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa. IRMÃOS_ Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo. IMPORTANTE NA VIDA_ Saber vivê-la, junto dos amigos e da família. IMPRESCINDÍVEL NA BAGAGEM de FÉRIAS_Livros. SAÚDE_Um bem precioso. DINHEIRO_Para tratar com respeito.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."