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Estou a criar um feminista.

por naomedeemouvidos, em 19.09.19

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"Mas, porque é que os homens têm que abrir a porta do carro às mulheres? Isso não faz sentido, parece que (elas) são umas coitadinhas, que não conseguem abrir uma porta..."

 

Logo eu, que ainda aprecio um gesto fugaz e elegante de cavalheirismo...

Isto são coisas do pai, de certeza!

publicado às 15:38

O meu feminismo é melhor do que o teu.

por naomedeemouvidos, em 10.10.18

       “Sei porém que este tipo de mulher não me representa em momento algum, nem pode representar nenhuma mulher agredida. Aliás é o tipo de mulher que eu gostaria de nunca me cruzar na vida, jamais por exemplo andarei lado a lado numa manifestação de luta pela igualdade ao lado destas tipas.”

        “Agora ver uma mulher que recebeu mais de 300 mil dólares de um homem para ficar calada e ficou, demonstra o esgoto moral que o Metoo é. Uma acusação de violação entre um casal que se relacionou está na capa de jornais mas uma mulher receber 300 mil dólares de um homem para não falar em público da relação e aceitar não é manchete, é normalíssimo...”

         “Nunca recebi um euro de um homem para não falar sobre as minhas relações porque jamais falaria sobre os homens com quem me relacionei. As minhas familiares, amigas, colegas idem, nunca passei sequer perto de uma mulher ou um acordo deste tipo.”

       Estas frases preciosas – e outras mais, igualmente elegantes e articuladas – foram escritas pela "historiadora, investigadora e professora universitária", Raquel Varela. A mesma "historiadora e especialista em conflitos sociais" que, aqui há uns anos, no programa Prós e Contras, não soube o que responder a um miúdo de 15 ou 16 anos que vendia T-shirts e pagava o salário mínimo às costureiras. As “mulheres deste tipo” não sei bem quem são; o meu leque de amizades e familiares é mais variado e menos impoluto. Mas, no caso, Varela referia-se ao tipo de mulher que ameaça a reputação de Cristiano Ronaldo.

        Há mulheres tão puras e virtuosas que não se misturam com a escória. A violência sexual pode, asseguram-nos, acontecer a qualquer mulher, mas…umas põem-se mais a jeito do que outras. A violação é um crime hediondo, mas há tipas que estão mesmo a pedi-las. E, evidentemente, mulher séria, como elas, jamais venderia a dignidade, porque, se vendesse, perderia automaticamente, o direito a queixar-se. Então, não sabemos todos, como se comporta uma verdadeira vítima de violação? Deve ser formidável ser dotado de tanta sapiência e rectidão! E cansativo, também.

          Do alto das suas cátedras amarelecidas e podres, muitos estudam o povo, mas não lhe pertencem. Limitam-se a debitar sentenças ocas embaladas numa presunção de intelectualidade, mas sem se misturarem muito, porque o Povo é interessante como objecto de estudo, em abstracto; mas o povo, esse que vive, ri e chora, é peganhento, cheira mal e é pouco educado.  Talvez por isso, Raquel Varela tenha também, em tempos, abominado o tipo de “fato de alfaiate de segunda, morador suburbano” de Pedro Passos Coelho.

         O feminismo de Raquel Varela é polido e erudito. O meu é mais do tipo, nem todos os homens são violadores em potência, nem todas as mulheres são santas. Mas, isso não se mede pela profissão, fama ou estatuto social. E, tal como muitos portugueses, espero que Cristiano Ronaldo esteja inocente ou que seja exemplarmente punido, se for culpado, independentemente do tipo da tipa.

publicado às 10:22

Mamã, és feminista?

por naomedeemouvidos, em 13.09.18

     “C’um carago!”, como diria o meu pai. Com tanta coisa para me perguntar, e tinha que vir isto! Não podia ser algo mais pacífico, tipo, porque que é que a Terra é redonda, mais ou menos, ou se os meninos podem usar cor-de-rosa e as meninas, jogar à bola? Se sou feminista? OMG! E já sei que o miúdo não se contenta com respostas assim-assim. Desde tenra idade, dizia-me, “mamã, não fales para trás, fala para a frente”, quando percebia que as minhas respostas às suas perguntas mais estapafúrdias, tendo em conta a idade, estavam a “enrolá-lo”. Como quando nunca desistiu de perguntar para onde vai o Sol à noite, até a resposta fazer sentido, naquela cabecinha curiosa. O “vai dormir” nunca o convenceu, “mas, é preciso uma cama muito grande…para onde vai o Sol?”, insistia. Ainda não tinha ele três anos e vi-me obrigada a pegar em duas bolinhas de brincar e “explicar-lhe” o movimento de rotação da Terra. “Vês esta bolinha? É o Sol. Imagina que é uma lâmpada sempre acesa. E, agora, esta é a Terra, que gira, assim, à roda de si mesma, como uma bailarina. Vês? Aqui há luz, ali não há. Agora, aqui é noite, daquela lado é dia”, “Ah!, e agora nós vamos dormir e os meninos do outro lado da Terra, estão a acordar, não é, mamã?”. Nesse dia, também eu recebi uma lição. Nunca devemos subestimar a inteligência das crianças e, sobretudo, nunca devemos tentar enganá-las!

     Mas, estava eu a falar de feminismo. Ele está a olhar para mim; como um inquisidor, de olhos arregalados (se vissem o tamanho dos olhos do meu filho, saberiam quão assustador pode ser…), armado da sua mais intimidatória e obstinada curiosidade de criança.

     A verdade é que eu não sei se sou feminista. Sofro de uma data de pecados de que, aparentemente, as feministas a sério estão isentas. Maquilho-me todos os dias, nem que saia apenas para despejar o lixo ou comprar pão (ok, ok, um dia ou outro, muuuuuuito excepcionalmente, saio de cara lavada). Uso saltos, no mínimo, de 10 cm, a não ser que vá à praia ou perder-me, voluntariamente e maravilhada, pelas ruas das cidades, aldeias ou vilas que gosto de visitar e conhecer nas férias. Tenho as unhas pintadas e mais compridas do que que qualquer tipo de feminismo permite, suponho. Fico furiosa se um homem pretender dar-me lições de estacionamento, mas não se pretender ceder-me a vez ao entrar no elevador. Não admitiria que o meu marido não partilhasse das tarefas domésticas, mas espero que me “proteja” de toques indesejáveis quando utilizamos transportes públicos atulhados. Já estive para levar na tromba, de um homem!, num parque de estacionamento (porque não consenti que me tirasse o lugar), mas sou absolutamente contra todas as formas de discriminação e, portanto, com base no género também. Nem todos os piropos me provocam repulsa ou sentimentos de humilhação, mas todas as formas de aproximações físicas indesejadas e/ou não consentidas dão-me náuseas. Não gosto de ver ninguém a chorar, mas, se for um homem, incomoda-me mais, como se a dimensão do sofrimento masculino fosse insuportavelmente maior. Abomino todas as formas de abuso e assédio, mas não me sinto assediada por uma “boca de rua”, mesmo a mais foleira ou ordinária, embora, finja sempre que não ouço. Já lido mal, muito mal, quando me julgam pela minha aparência, como se a competência e a inteligência fossem inimigas do bom-ar. Adoro as diferenças entre homens e mulheres, mas sou a favor da igualdade. Por isso, acho que sim, sou feminista.

     “Mamã, eu acho que tu não és feminista…”

     WTF! Mas o que é que te andam a ensinar na escola? Olha que te ponho de castigo até atingires a maioridade, ouviste?!

publicado às 13:22



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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