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"Triste para quem?"

por naomedeemouvidos, em 13.09.19

Na mesa ao lado, uma mulher adulta e uma adolescente, ou quase, almoçam sem trocar uma única palavra; eventualmente, quando a mulher se levanta antes de se dirigir à casa-de-banho e pergunta não sei o quê, que a miúda "responde" num resmungo, sem desviar os olhos do smartphone, que extraordinária ironia. Não sei exactamente porquê - por ser o esperado, talvez, dentro dos juízos que acabamos por fazer - imagino-as mãe e filha.

Alheia a tudo, excepto ao que lhe prende avidamente a existência mesmo ali à frente, no telemóvel apoiado na garrafa de sumo que também se esvazia sem glória, a miúda devora o hamburguer com a mesma sofreguidão com que atenta ao écran. A mãe ainda não voltou e reparo que, entre conversas, o meu filho vai olhando, discretamente, para a mesa das duas. Só quando voltamos para o carro lhe pergunto pela curiosidade. "Nada, estava a ver aquela senhora e a menina...não falavam...". E acabo por deixar escapar um "é verdade, é um pouco triste". "Para quem, para a mãe ou para a filha?" (pensou o mesmo que eu, afinal), pergunta-me, com aquela desfaçatez que, tantas vezes, ainda me apanha desprevenida.

Na verdade, não sei bem...

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publicado às 14:03

Vamos acabar com a praxe?

por naomedeemouvidos, em 02.11.18

    Entrei para a FCUP já lá vão quase 30 anos! Fui praxada e praxei. Nunca me senti humilhada, seguramente, e penso que nunca humilhei ninguém. A praxe, pelo menos o que dela conheci, consistia numa série de brincadeiras parvas e inofensivas, em que participava quem queria (aliás, era, no meu curso, a primeira coisa que se perguntava aos caloiros) e que, invariavelmente, terminava nas caves, em Gaia. E, aqui, os únicos que gozavam do direito de se embebedarem, se quisessem, eram os “doutores”. Por opção. O sofrimento imposto aos caloiros era roubar-lhes os copos de vinho do Porto das provas que nos concediam. Aos desgraçados apenas estava permitido cheirar, sonhar e aguardar pelo ano seguinte, quando chegaria a sua vez. O insulto mais ofensivo era chamar besta a um caloiro. Provavelmente, no castrador e agoniante politicamente correcto de hoje, até essa praxe era selvagem e aviltante. Acredito. E acredito que já nessa altura se cometiam excessos. Pessoalmente, nunca me senti diminuída como caloira e nunca diminuí ninguém, como doutora. Os padrinhos e as madrinhas que aí se arranjavam tornavam-se, não raramente, amigos dos seus protegidos e alguém a quem se recorria em caso de aflições académicas, mesmo das mais inocentes, como pedir apontamentos e outros materiais de estudo. Não eramos santos, mas, em geral, a praxe não servia para alimentar a sede de selvajaria pura e bruta.

    Há 30 anos, fui praxada e praxei. E, hoje, vou instruindo o meu filho para que não se deixe praxar. Em circunstância alguma e, isso, inclui a faculdade se, por sua vontade, lá quiser entrar. As praxes tornaram-se um nojento exercício de poder e sujeição que, não poucas vezes, termina em crime. Às vezes, em morte. Na alucinação dos tempos que correm, onde tudo vale para angariar seguidores, likes, visualizações e um ror de coisas mais, onde a crueldade e a falta de empatia passam incólumes, senão mesmo, celebradas, hoje, a praxe tornou-se abjecta, obscena e criminosa. Serve, pura e simplesmente, para entreter as hordas merdosas e bafientas. Humilhar, porque sim; porque posso e gosto muito.

    Hoje, mudei de ideias. Acho que, simplesmente, devíamos acabar com a praxe.

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publicado às 20:06

Esperança em doses pequeninas.

por naomedeemouvidos, em 29.10.18

     

    “Mamã, ela não tem um olho, mas, não faz mal, pois não? Podemos levá-la na mesma? É tão querida…e era mesmo o que queríamos...”. Assim, sem pausas e em catadupa.

    Ela é um hamster sírio, de pelo fofo, ruivo e brilhante. Está na loja há muito tempo e, segundo a vendedora, será porque tem esse defeito físico indisfarçável. Daí a ansiedade, suponho, do meu filho.

    Quando somos pais, assaltam-nos montes de dúvidas e cometemos uma enormidade de erros. Pelo meio dessa esmagadora aventura e dessa responsabilidade avassaladora esperamos, acho eu, acertar de quando em vez, de modo que os nossos filhos, não sendo uns santos de pau oco, consigam ser solidários, mostrar empatia com os outros, enfim, ter algo daquilo a que chamamos de bom.

    Trouxemos a Pirata, baptizada logo ali. É tímida, mas irrequieta, e, sim, é mesmo querida. É só um ratinho de estimação. Mas, trouxe consigo um bocadinho de esperança…

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publicado às 12:47



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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