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Os Novos Maestros

por naomedeemouvidos, em 06.12.19

“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo”.

 

Há um novo Dante. Brasileiro, maestro, adepto de teorias da conspiração, e acaba de ser escolhido para presidente da Fundação Nacional de Artes. Dante também acredita que a Terra é plana, claro, e tem um canal de youtube onde esclarece os visitantes sobre o que há de melhor na música e não só. Por exemplo. Nem todo o rock é mau: parece que gosta dos Metallica e da banda brasileira Angra (o baixista da banda, entretanto, já veio dizer que não gosta assim tanto deste Dante) e considera que aquele tipo de música é bom quando se está a conduzir e nos dá sono; o que me faz pensar que, ainda assim, o maestro Dante é melhor pessoa do que eu, que não vejo nada de bom nas doutrinas que a criatura prega e alimenta.

 

Na Índia, mais uma mulher foi violada e morta por um grupo de selvagens que se acham homens. Para minorar assim uma espécie de dano colateral, um realizador indiano defende que as mulheres deviam andar com preservativos para o caso de serem violadas e que as violações não violentas, seja lá o que isso for, deviam ser legalizadas. “Ao satisfazer o desejo sexual, os homens não matariam as mulheres.”

Há soluções tão simples que não imagino como demoramos tanto tempo a percebê-las. É um descanso saber que, afinal, sempre há homens capazes de acumular duas funções.

Entretanto, não sabia bem como reagir à voz destas mulheres – veja-se no que transformaram o movimento #MeToo –, mas talvez não haja muita margem para dúvidas. Não, “a culpa não é minha, nem onde estava, nem o que vestia”! É bom não nos esquecermos disto. Homens e Mulheres.

 

Os EUA preparam-se para entregar a América a Donald Trump. Numa bandeja forjada na derrota inevitável e amplamente anunciada do processo de destituição. Não há número suficiente de Democratas para provocar a demissão do presidente, nem Republicanos com vontade de deixar cair o ídolo, ainda que, em surdina, lhes possam restar poucas dúvidas sobre a gravidade dos actos praticados. Richard Nixon está prestes a tornar-se um poço de virtudes, ou, no mínimo, um exemplo de nobreza de carácter.

Já sabemos que Donald Trump pode, se quiser, matar alguém a tiro e não perder votos. Resta saber até onde chegará a piada. É de uma piada que se trata, afinal, embora o meu sentido de humor ande péssimo. Nada destes disparates que viraram mantra na nova política séria, altamente democrática e nada diplomática é para levar a peito. Só ao peito, como um crachá de protesto. Não passam de umas bocas inconsequentes para entreter o público. Para que se foram os Democratas meter nisto, nomeadamente, Nancy Pelosi, sabendo, à partida, que dificilmente o presidente será destituído e que, assim sendo, a sua vitoria servirá, apenas, para aumentar desmesuradamente a sua sensação de impunidade? Imagino que seja porque chega uma altura em que já nada é igual. Donald Trump tem vindo a adulterar todas as regras básicas da democracia, recusa qualquer tipo de escrutínio, insulta todos os que ousam criticá-lo e trata qualquer adversário político como um inimigo pessoal que pode humilhar à vontade, com a cumplicidade dos seus apoiantes e de alguma comunicação social que, ora o veneram, ora são apenas imbecis – como perguntar a Nacy Pelosi se ela odeia o presidente. Agora não se pode discordar, duvidar, questionar, argumentar, rejeitar. Só odiar. Tudo é aceitar ou odiar.

 

De modo que, de momento, continuo a preferir o diabo de John Lennon ao deus dos beatos que prestam culto a trumps e a bolsonaros. Quanto a Dante, escolho o do outro Inferno.

 

E, sim, por cá há problemas maiores, porque são nossos, mas não me apetece. Como estamos em véspera de fim-de-semana, deixo só algumas imagens de que gosto. Algures entre o céu e o inferno.

NatGeo18.PNG

https://www.natgeo.pt/fotografia/2018/09

publicado às 11:35

Juízos Destituídos.

por naomedeemouvidos, em 26.09.19

EUA_Ucrânia.PNG

 

Ontem, num jornal da noite, um especialista em política norte-americana dizia que, na sua opinião, o que Donald Trump fez não é caso para tanto, leia-se, a mais recente voluntariedade do senhor, o telefonema em que pede ao presidente da Ucrânia para investigar Joe Biden não é motivo para que os Democratas venham pedir a destituição do presidente dos EUA. Na sua análise ao caso, o especialista defendeu que o comportamento de Donald Trump pode ser pouco ético, embaraçoso, mas, não é nada que qualquer um de nós não faça quase todos os dias, que é, procurando um amigo que nos deve um favor, recordar-lho, lançando a pista “vê lá se fazes isto por mim”. Bastante próximo disto. Pasmei.

 

É possível, no entanto, que Donald Trump ainda venha a ganhar com o caso do "telefonema perfeito", na versão do próprio. Afinal, o homem tem o dom de não sair beliscado de nenhum dos actos de arruaça que comete ao serviço de si mesmo, ao serviço de uma nação que usurpou para proveito próprio. O presidente da maior democracia do mundo comporta-se como um autêntico mafioso, um arruaceiro com tiques de novo-rico, de insulto solto e brejeiro, e, aparentemente, há muito quem aprecie o estilo. Admiram-lhe a audácia, a autenticidade que ele forja dia-a-dia, tuite-a-tuite, desdizendo-se a cada instante, alternando factos, bajulando outros líderes prepotentes, enquanto se entretém a adular-se como um narciso, a rasgar acordos entre os aliados, a insultar quem ousa contraria-lo e a promover o ódio a todos os que lhe são estranhos. A indecência passou a ser a norma, e passou a ser ditada directamente da Sala Oval, com a bênção dos Republicanos que se venderam à grandiosidade (pífia), não da América, mas de um marialva cujo sonho maior deve ser substituir a Casa Branca por uma Trump Tower estilizada e a Estátua da Liberdade pelo seu orgulhoso e gorduroso busto.

 

O bom senso diria que Donald Trump deve cair como se ergueu: pelo poder do voto democrático; não fosse o bom senso ter deixado de servir.

Foram muitos os que, a recuperar do espanto da eleição de Donald Trump, ainda acreditaram que haveria uma mudança no seu comportamento, seria uma questão de tempo, a dignidade própria do cargo esmagaria a miséria do homem. Se tal, porém, não viesse a verificar-se, como não veio, Trump esbarraria na sua própria desgraça; e a ideia de impeachment pairou sempre como uma ameaça prestes a devolver a ordem à política americana. Mas, depressa se percebeu que a tentativa de destituição poderia servir para alimentar a besta, em vez de a exterminar, convertendo o presidente dos EUA numa espécie de um justiceiro destemido, um renegado adorado pelo povo e perseguido pelos seus, supostamente, viscerais inimigos. Esperou-se. Desvalorizou-se a bazófia e a incapacidade. Até agora.

É capaz de ser perigoso dar-lhe (mais) palco para se lamentar, evocar uma “caça às bruxas”, queixar-se de “presidencial harassment”. Mas, talvez não seja possível continuar de escândalo em escândalo, de infâmia em infâmia, fingindo que Donald Trump pode ser presidente de um país como os EUA sem, com isso, pagar-se (não só a América) um preço demasiado elevado.

Não, ao presidente de um país democrático não está permitido cobrar favores a presidentes de outro país, democrático ou não, para investigar adversários políticos, por muito incómodos. Mas, isso, talvez fosse noutros tempos.

publicado às 11:32



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

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