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O artificial, o eficaz e o humano...

por naomedeemouvidos, em 04.07.19

…entravam num café, e era o início de uma anedota. Péssima. É horrível, quando nos falta aquela primeira frase arrebatadora, capaz de deixar sem fôlego os que arriscam as leituras mais imprudentes. Isso, e não conseguir bons títulos. Aprecio - quase solenemente - um bom título.

Mas, não éramos três. Éramos quatro. Numa conversa inócua sobre as vantagens e desvantagens do universo cada vez mais insolente da inteligência artificial. Os quatro das ciências exactas, todos pré-Bolonha, que já temos idade para isso, e, portanto, nada de sociais ou humanos, no que toca à formação dita académica, bem-entendido. E, os entendidos, no caso, dizem que a inteligência artificial, não só veio para ficar – e, sim, para eliminar de forma prática e implacável algumas das tarefas a que ainda chamamos postos de trabalho –, como, inevitavelmente, acabaremos a prestar às máquinas, se não vassalagem, mais contas do que desejaríamos.

O mote era a Vera. Há, ou não há, inúmeras vantagens em deixar um robôt a cargo das tarefas de seleccionar e entrevistar os diferentes candidatos a um emprego? Afinal, a Vera não olhará a cores, géneros, raças, credos, orientações sexuais, religiosas, políticas, a outras coisas que tais, ou, a coisa nenhuma, a não ser, ao perfil, ao curriculum, à competência crua, pura e dura, sem se importar com afinidades, empatias, simpatias, que não sejam absolutamente, imprescindivelmente relevantes para o cargo em avaliação limpa e esterilizada. Dificilmente haverá lugar a indecisões, ponderações, a empates técnicos ou outros, sequer, porque, no limite, até o humanamente imperceptível tremor de voz deixará de escapar à inabalável perícia da Vera que, aí, se não antes, terá encontrado a clara inaptidão do miserável aspirante a servidor.

"Ponderávamos", por isso, entre nós, se, para desempenhar uma tarefa técnica, por exemplo, de irrepreensível rigor e minúcia, não faria mais sentido extinguir, à partida, qualquer interferência subjectiva e subjacente à afinidade pessoal (ou total ausência desta) entre entrevistador e entrevistado. Do ponto de vista exclusivamente racional, tal argumento parece imbatível. O que é mais importante, empresarialmente-e-tudo-e-mais falando, um absoluto traste impolutamente competente, ou um ser amável e maravilhoso, capaz de todas as pontes humanas e mais algumas, mas igualmente capaz de sucumbir, em caso disso, à mais exigente e árdua das tarefas?

Claro que a questão não se pode colocar assim. Ou pode? E, claro que, daí, partimos para os clássicos mais perversos do domínio, ainda (e sempre?), do absurdo metafísico, social, filosófico, tudo e o seu contrário: um carro autónomo sem travões devia atropelar uma grávida, ou uma criança; o mesmo carro, ainda sem travões, segue em frente e mata cinco criminosos, ou guina à esquerda e mata cinco mulheres adultas; em frente, para matar cinco bebés nos seus carrinhos, ou à esquerda, para matar cinco sem-abrigo? E, assim por diante, em hipóteses sinistras, de humor negro e irrealidades paranóicas, de algoritmo artificial em algoritmo artificial, de idiotice, em idiotice, até percebermos que, das ciências exactas ou não, talvez, seja mais fácil perdoarmo-nos por estrondosos fracassos humanos, do que congratularmo-nos por arrojados triunfos insuportavelmente racionais.

 

publicado às 14:01



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

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