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O riso de Berardo.

por naomedeemouvidos, em 12.05.19

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"- Ah, ah, ah. Quem manda na colecção, na associação, é o Conselho de Administração", informa, zombateiro, Joe Berardo, enquanto bate com as palmas das mãos em cima da mesa, marcando o andamento do gozo.

 

"- Quem é que escolhe o Conselho de Admistração?", pergunta Cecília Meireles, lançando, para o lado, um olhar algo enfastiado, descortinando a resposta óbvia que toda a gente conhece.

 

"- Sou eu!", responde Berardo, num asserto desleixado por se ver obrigado a salientar o óbvio, sem, no entanto, deixar de provocar algumas gargalhadas entre os seus interlocutores, que o assunto é de comédia.

 

"- E se a Caixa e os outros bancos executarem a penhora?", continua Cecília.

 

"- Eles que façam", instiga, seguro, Berardo, "têm todo o direito".

 

"- Mas se o fizerem, deixa de ser o senhor a mandar", insiste Cecília.

 

"- Ah, ah, ah!", devolve Berardo, para, a seguir, lançar um desculpe de mau pagador - como diz o povo, e o comendador confirma - antes de ser repreendido pelo advogado com uma oportuna e, portanto, sábia, palmadinha no braço.

 

Desprevenido, em frente ao televisor - e enquanto nos contemos para não soltar impropérios (já bastam os que lá estão) - o meu filho pergunta, olhando para nós: "A sério, que ele se riu assim?"...

 

 

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publicado às 11:00

Portugal é um encanto.

por naomedeemouvidos, em 10.05.19

Às vezes, seguir a actualidade deste pequeno país é impróprio para manter alguma decência nas opiniões que formamos, ou tentamos formar. 

 

O dia mal tinha começado e já eu tinha ouvido a escabrosa notícia que a Sarin denunciava lá no seu burgo (como ela diz): SIRESP ameaça desligar satélites este verão. Em causa, uma dívida do Estado que dura há "quase um ano". Não consigo traduzir por palavras a indignação, a repulsa, que esta notícia me provoca. Ou melhor. Até conseguiria, mas a equipa da Sapo talvez me bloqueasse a página, por conteúdos obscenos.

 

Entretanto, Joe Berardo, esse senhor que fizeram comendador, a braços com dívidas milionárias à banca que resgatamos continuamente com os nossos impostos, veio dizer que, "pessoalmente", não tem "dívidas nenhumas", pelo contrário, até tentou "ajudar a situação dos bancos". Estamos todos tão gratos! Já o senhor Salgado se queixou, no outro dia, que "aplicam coimas de milhões como se fossem bagatelas". Imagine-se. Esses irresponsáveis... Talvez seja mais isto que impede o senhor de, dormir sim, mas não totalmente descansado. Para compensar, e sossegar os contribuintes, suponho, alguns banqueiros vieram defender que devíamos começar a pagar mais umas comissões, desta feita, pela utilização dos serviços Multibanco...faz-se (mais ou menos) assim no resto da Europa e, como se sabe, estamos sempre prontos a importar tudo de bom, principalmente do bom, que se faz no estrangeiro. Somos tão bons alunos!

 

E, por falar nisso. No Parlamento, diz António Costa que ganhou a "responsabilidade", na sequência do chumbo da proposta da reposição do tempo dos professores. O primeiro-ministro não se demite, o senhor Nogueira, afinal, nem se demite da FENPROF, nem abandona o PCP, mas promete luta até ao fim, de modo que, já se imagina como pode (não) acabar este ano lectivo. Mais um. Enquanto faltar a coragem para pensar a carreira profissional dos professores (eventualmente, outras da função pública), pelo menos, pais, alunos e professores vivem reféns do circo habitual.

 

Não sei em que ponto estão as restantes greves, ou ameaças. De momento, não me apetece ler mais nada.

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publicado às 18:34

Devedor Bom, Devedor Mau.

por naomedeemouvidos, em 11.04.19

O Banco de Portugal está alarmado. Ou alguém por lá. Em princípio, não será o caríssimo Carlos Costa, pois, como é sabido, o senhor regula, mas pouco. Em geral, não conhece, não vê, não sabe, não tem memória e, quórum sim, quórum não, é capaz de assinar de cruz. Talvez. Se for absolutamente necessário. Também pode ser um problema de óculos; parece que os de 2004 não servem para 2013, ou qualquer coisa do género. O caso é que, de repente – que é como quem diz, quando se trata de devedores comuns, sem comendas nem condecorações honrosas, muito, pouco ou nada – soou um alerta: os projectos-lei apresentados pelo PS, PCP e Bloco de Esquerda, para uma Lei de Bases da Habitação parece que levantam reservas e "sérias preocupações" quanto ao seu impacto, nomeadamente, no que diz respeito à possibilidade de “qualquer um” poder entregar a casa ao banco, extinguindo, sem mais agruras ou delongas, o crédito à habitação e passando para o banco todo o risco da desvalorização do imóvel. O suficiente para preocupar o BdP. E a Associação Portuguesa de Bancos.

 

Suponho que a preocupação com a possibilidade de “qualquer um” entregar a casa ao banco seja manifestamente exagerada. Como “qualquer um” sabe, desde que leia jornais. O senhor comendador Joe Berardo, por exemplo, deve mil milhões de euros – mais milhar, menos milhar – a três bancos portugueses e, que se saiba, nem casa tem para entregar, o pobre. A Quinta parece que não é bem sua e, como tal, não serve; e as obras de arte moram cá, sem casa própria, mas a contra-gosto, que o comendador, se pudesse, já as teria despachado para o estrangeiro. O senhor Salgado também parece que deve imenso e, nem por isso, entregou a casa ao banco, pelo contrário, há uma casita à venda por vinte milhões de euros – mais milhar, menos milhar – e nem chega bem a ser dele, é da mulher, ou prima, ou cunhada, ou tia, ou qualquer coisa assim, que, por estes dias, ando bastante confusa com a temática familiar.

Como toda a gente sabe, os empresários, os banqueiros e os gestores, os de topo, de top,  ou pop, sofisticados e bem-relacionados, não possuem bens, de todo, de nenhum tipo, em nenhum lado, e dormem, nem sempre descansados, mas abnegados, mesmo que não saibam a quem pertence a casa em se deitam. A cama, essa creio que a conhecem sempre bastante bem; armam-na com carinhoso empenho e saber aguçado, não vá o diabo aparecer-lhes nos detalhes das coincidências alheias.

 

Aparentemente, os malfadados projectos também suscitam “preocupações quanto ao impacto prudencial na atividade e resultados das instituições de crédito”. Ora, o impacto prudencial na actividade não é, de facto, coisa de somenos. A prudência na actividade bancária tem, aliás, operado maravilhas na contenção de vontades megalómanas de alguns donos de tudo e mais alguns nadas. Sobretudo nadas. Nada de dívidas, nada de culpas, nada de responsabilidades. Há os que vivem acima das suas possibilidades e há os que vivem em cima de todas as promiscuidades. Os devedores são todos iguais, mas alguns serão mais iguais do que outros…

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publicado às 20:19



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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