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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Justiça e (ou?) violência.

   

    “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.”

Jean-Paul Sartre.

 

    Mesmo que, nas mãos do povo, alguém a alcunhe de justiça, a violência não devia ser secundada, muito menos, atendida. E, às vezes, parece não haver outra alternativa.

    Em França, os “gilets jeunes” conseguiram, de momento, que Macron voltasse atrás no aumento do imposto sobre os combustíveis. Ao Governo francês não parecia restar muito mais, a não ser que houvesse demissões. Pode ser que isso seja suficiente para conter a próxima onda de horror que já começa a ganhar forma nas redes sociais; uma ameaça em crescendo, pronta para mais um sábado de anarquia e destruição bárbara. Pode ser suficiente, mas eu duvido. Quem se manifesta vestido como quem vai para a guerra, não estará forçosamente interessado no aumento ou diminuição de taxas, mesmo que as exigências, entretanto, já tenham ultrapassado o vulgar aumento dos combustíveis. Dizem que a violência é mais ou menos comum nos franceses e que nós, não-franceses, estaremos mais chocados do que eles. É possível, mas, não deixa de ser condenável e aterrorizador.

 

coletes amarelos.PNG

imagem aqui

    Entretanto, não percebi bem o que tentaram, por cá, ensaiar os bombeiros que se manifestaram ontem, em Lisboa. Mas não apreciei o “Deixa arder” e dispensava a simbologia das chamas, na concentração. Apenas para que o nojo não se cole à nobreza de alguns homens e dos valores que eles defendem, não vamos, nós também, perder a lucidez. E, sobretudo, para que não nos confundam, que os tempos já são suficientemente insanos.

 

bombeiros.PNG

imagem aqui

 

Eu não minto | Vós todos mentis. Assim se conjuga o verbo.

    Normalizados que parecem estar todos os comportamentos que a civilidade nos habituou a considerar abjectos, haveremos de passar à actualização das gramáticas, com a mesma agilidade moderna e elevada com que já nos mandaram reescrever a História.

    Os novos homens fortes da política, os machos alfa salvadores da pátria, os que falam, curto e grosso, a língua do povo, são, actualmente, os únicos detentores da verdade. Se eles afirmam, é exacto. Se proclamam, é lei. Se exaltam, é culto. Todos os outros mentem. Costumava dizer-se que contra factos não há argumentos, mas, até os factos se tornaram alternativos ou descartáveis. Bolsonaro não tem nada de eticamente reprovável, como as demissões irrevogáveis não têm nada de irremediável. Haja vontade e gente para acreditar. Tal como uma mentira repetida muitas vezes arrisca converter-se em verdade absoluta, inquestionável, qualquer verdade renegada pela voz dos escolhidos esfumar-se-á das memórias dos cordeiros imberbes e adormecidos.

    Propaga-se a verdade e a liberdade – da de expressão à da imprensa – para, logo a seguir, ameaçar e amordaçar quem se atreve a duvidar e a discordar. Faz-se companha sobre os mortos – sumariamente eliminados pelo ódio – sem remorso e sem pudor, porque o espectáculo must go on e alterações de planos são uma maçada desnecessária porque incoerente.

    O povo anseia por sangue e força bruta. Cansou-se de esperar pela justiça, quer tomá-la nas mãos, domá-la e aplicá-la. Implacavelmente, sem hesitações e sem culpa. Apoiada na inocência, asseguram-nos, da retórica primária, inflamada e apaixonada, a turba caminha segura e decidida, mas, pouco formosa, pois não há réstia de graça na barbárie.

    Na cegueira da razão e da verdade de cada um, acabaremos miseravelmente sós, empunhando armas contra os fantasmas que criámos com a ajuda de heróis cobardes, sem capa e sem escrúpulos, mas orgulhosamente prenhos de ódios e escárnios. Infelizmente, não estão sós.

“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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Eu Sou Assim

IDADE_Tem dias. ESTADO CIVIL_Muito bem casada. COR PREFERIDA_Cor de burro quando foge. O MEU MAIOR FEITO_O meu filho. O QUE SOU_Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa. IRMÃOS_ Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo. IMPORTANTE NA VIDA_ Saber vivê-la, junto dos amigos e da família. IMPRESCINDÍVEL NA BAGAGEM de FÉRIAS_Livros. SAÚDE_Um bem precioso. DINHEIRO_Para tratar com respeito.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."