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A arrogância da estupidez.

por naomedeemouvidos, em 10.04.19

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O Mayor de Nova Iorque declarou estado de emergência de saúde pública o surto de sarampo que atingiu um bairro da cidade. O comunicado do presidente da câmara refere – entre outras coisas – que, apesar da comprovada eficácia da vacinação na prevenção da doença, um número elevado de habitantes do bairro Williamsburg não está vacinado contra o sarampo, apesar dos esforços realizados para contrariar essa tendência (consequência dos movimentos anti-vacinação).

Mesmo depois de ter sido desmascarada a farsa promovida por Andrew Wakefield, o mito continua: na mente dos que se libertaram das amarras do conhecimento científico – às vezes, muitas, para aderir a um rebanho muito mais cool e visionário, como o dos gurus das redes sociais – as vacinas provocam coisas más nas pessoas e só servem para dar dinheiro a ganhar à indústria farmacêutica, essa corja de aproveitadores maquiavélicos que engorda o capitalismo peçonhento; os restantes influencers, os modernos, os novos deuses, são todos pobrezinhos, como se sabe, preocupados, apenas, como a verdade e o bem-estar dos outros.

 

Acreditar que a Terra é plana, que o Homem nunca pisou a Lua, que a água tem memória, que as vacinas causam autismo, ou que se calhar é mesmo o Sol que gira à volta da Terra (inevitável), não é ter opinião. É ser absurdamente estúpido. Lamentavelmente (se calhar não…), não sou capaz de classificar de maneira mais branda. A ignorância – menos grave, apesar de tudo, porque sempre pode vir a ser esclarecida – servirá para responder noutros casos; nunca no de quem rejeita (apesar de o ter) o privilégio de poder conhecer, de aceder à informação, de procurar, de questionar, se quiser. É delirante acusar os “defensores” da ciência de “falta de provas”, quando a exigência dos crentes se basta na sua própria opinião, eventualmente fundamentada noutras opiniões igualmente crendateiras. Não sei bem como é possível predispormo-nos a discutir o tamanho do elefante quando, logo à partida, um dos lados não reconhece o bicho (parece que foi mais ou menos o que a Fátima Campos Ferreira tentou fazer num dos seus Prós e Contras, com os resultados que se adivinhavam).

Passámos, então, do direito à liberdade de expressão, ao direito que cada um tem à sua verdade. E a continuar a lutar por essa sua verdade (ah!, o António Costa, o homem é mesmo um génio e não é só da política…).

 

De modo que, ao mesmo tempo que à ciência já não chega dar provas e pôr-se à prova, aos devotos basta-lhes acreditar. Não é “penso, logo existo”, é apetece-me, logo acredito, logo que se lixe tudo o resto. A dúvida deu lugar à imbecilidade janota. São, agora, iluminados todos os que ousam ignorar factos comprovados, porque sim, porque, como se vê (ou como só vêem alguns, os modernaços das balelas chiques anti-sistema ou lá o que é), é muito mais inteligente renegar evidências científicas com base em fezadas e teorias da conspiração, do que questionar razoavelmente a dimensão da fé na eficácia de curas milagrosas.

 

Os verdadeiros democratas, os acérrimos defensores da liberdade que cada um tem “de  opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”, não vêem com bons olhos que se limite a possibilidade de os tolos expressarem sem reservas a sua imbecilidade. Ou de todos os assumidos-istas-e-óbicos promoverem as suas supremacias bafientas em todos os géneros e números, e sobre todos os palcos. Afiançam, esses democratas puros (não, não vou fazer a piada...) que essa é a melhor maneira de combater os brutos e defender a democracia. Pois, eu começo a ter muitas dúvidas…

publicado às 13:54

Há cerca de dois anos, em Espanha!, Manuel Ollero Cordero, Eizpea Etxezarraga e Bryan Eduardo Salinas Luna (sim, os nomes são importantes porque tenho muitas dúvidas que estas almas tivessem tido coragem de dizer cara-a-cara o que disseram twitte-a-twitte) comprouveram-se com a iminente morte de um menino de 8 anos. Motivo? O menino, de seu nome Adrián Hinojosa, queria, pasme-se, ser toureiro e, por isso, foi homenageado na praça de touros de Valença o que indignou muita gente. Morreu meses depois. Manuel Ollero Cordero, Eizpea Etxezarraga e Bryan Eduardo Salinas Luna (nunca é demais), entre outros tuiteiros iluminados, civilizados e ilustres, acharam que morrer era bem merecido para quem queria crescer apenas com o desejo de matar um touro na praça. Agora, um juiz espanhol acusou as três sumidades da Twitteratura de crime de ódio. Mas, na opinião de alguns, twittar algo do tipo “Que morra, que morra já. Uma criança doente que quer curar-se para matar herbívoros inocentes e saudáveis que também querem viver. Por favor! Adrián, vais morrer” enquadra-se no direito à liberdade de expressão e, por isso, pedem que sejam retiradas as acusações. 

Entretanto, o ex-ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson está a ser fervorosamente acusado de islamofobia por dizer considerar absolutamente ridículo alguém andar por aí vestido como caixas de correio, ou como assaltantes de bancos, referindo-se às mulheres que usam burka. Curiosamente, o artigo escrito por Boris Boris Johnson e que inflamou os defensores do tal politicamente correcto tinha como título Denmark has got it wrong. Yes, the burka is oppressive and ridiculous – but that's still no reason to ban it, e vai muito além da ridicularização da dita vestimenta, mas isso não interessa aos espíritos inflamados. Aparentemente, Boris Johnson não tem direito à mesma liberdade de expressão dos que desejam a morte a uma criança que gostaria de vir a ser toureiro e o senhor está a ser pressionado a apresentar as suas mais sinceras desculpas à comunidade islâmica.

Convinha fazermos um esforço para acalmar os delírios. A última vez que estive em Londres com o meu filho, tinha ele pouco mais de 4 anos, ficamos retidos no aeroporto de Heathrow por causa de um balão que o miúdo levava. Contado ninguém acredita. O balão foi levado para averiguações e foi-nos devolvido após uns bons 10 minutos e a confirmação da sua inocência. Mas uma mulher tem o direito de não revelar mais do que uma nesguinha dos olhos, impedindo as forças de segurança, por exemplo, de comprovar a sua identidade. Algo está profundamente errado em tudo isto…

publicado às 15:44

Da liberdade de expressão à liberdade de ser idiota

por naomedeemouvidos, em 31.07.18

      “El año que viene se cumplen 50 años (supuestamente) que el hombre pisó la Luna. Estoy en una cena con amigos... discutiendo sobre ello. Elevo la tertulia a público! Creéis que se pisó? Yo no!”; palavra de Iker Casillas, que não (?) acredita que o Homem tenha chegado a ir à Lua. Nos la colaron…Confesso que, mesmo para futebolista, é imbecil de mais. Mas, deve ser defeito meu, porque parece que há mais de 40% (entre os que respoderam ao "desafio") de outros imbecis a concordar com o Iker e, desconfio, nem todos jogam à bola.

      Donald Trump também não acredita no aquecimento global. Há quem não acredite que a Terra é redonda. E, aparentemente, cresce o número de pais e mães que não acreditam na vacinação dos filhos como forma de os proteger de doenças graves.

      No caso de Iker Casillas – e, apesar dos futebolistas, em geral, não serem reconhecidos pela grande inteligência, de facto – imagino que ele esteja só de broma. Para ocupar o tempo. Uma espécie de deixem lá ver quantos parvos caem nisto. E, assim, chegámos ao direito à liberdade de expressão. Essa “liberdade de expressão” baseada em palpites de gente semi-famosa, ou em artigos pseudocientíficos entretanto provados como sendo autênticas fraudes, mas a quem é que isso interessa?

    Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão, assim diz o artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tal-qual! Não há, ali, nadinha que impeça um indivíduo ignorante de propagar a ignorância. A democracia tem destas coisas…O livre arbítrio ao serviço da boçalidade impingida pelas modas das redes sociais, servido em todas as variantes e para todos os gostos, em bandejas de luxo, perdão, de lixo, dos que estarão sempre à mercê desses admiráveis influencers (principalmente) do mundo virtual.

    Para os adeptos das diferentes teorias da conspiração, ao melhor estilo Matrix, repetir uma mentira muitas vezes, ou nem por isso, é quanto basta para torná-la verdade absoluta. A ciência é uma patranha; um logro sofisticado e maquiavélico com o único objectivo de domar a humanidade e vergá-la aos interesses económicos das diferentes indústrias. Os iluminados há muito tomaram o comprimido vermelho e libertaram-se das garras do conhecimento científico para se entregaram aos hunches do momento. Os outros, os que acreditam em factos e que discutem com base em factos, permanecem, coitados, ligados à máquina e submersos nas mais densas trevas…

publicado às 13:57



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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