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Também somos livros.

por naomedeemouvidos, em 25.07.19

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“Um livro é feito a partir de uma árvore. É um conjunto de partes planas e flexíveis (ainda chamadas “folhas”) impressas de rabiscos tingidos a negro. Um olhar rápido e ouvimos a voz de outra pessoa – talvez de alguém morto há milhares de anos. Através dos milénios, o autor fala, clara e silenciosamente, dentro da nossa cabeça, directamente para nós. A escrita talvez seja a maior das invenções humanas, unindo pessoas, cidadãos de distantes épocas, que nunca se conheceram. Os livros rompem as amarras do tempo, provam que o Homem é capaz de realizar magia.”

Carl Sagan

publicado às 12:42

Leio, logo, existo (e nunca estou sozinha).

por naomedeemouvidos, em 10.01.19

    Há cerca de um mês ou dois, fui buscar o meu filho à escola, numa rotina normal. Vinha de um teste de português e, assim que entrou no carro, disse-me “adivinha lá, se não estivesses sempre a dizer que, com livros, nunca estamos sozinhos, não tinha conseguido completar as cento e (qualquer coisa) palavras do texto de opinião”.

    Acho que já o escrevi por aqui. E também já escrevi que obrigo o miúdo a ler. Dizem que não é assim que se faz. As crianças não devem ser obrigadas a coisa nenhuma, muito menos, a ler. No meu tempo (valha-me Deus…), os meus pais não nos obrigavam a ler, a mim, ou à minha irmã. Enchiam-nos as estantes de livros, na sala e no quarto. Eles liam e nós também líamos. Mas, nesse tal tempo, as distracções não abundavam. Não havia telemóvel (qual telemóvel, até me lembro de não ter telefone, nem televisão…), nem ipad, nem PS-não-sei-quê, nem horas intermináveis de televisão com mais canais do que aqueles que temos paciência para ver. De modo que, líamos. E conversávamos.

    Em geral, o meu filho gosta de ler. Sempre gostou de livros, dos que serviam para ler no banho, em bebé, dos que emitiam sons, dos tridimensionais, dos que contavam histórias sozinhos, enfim, os livros sempre estiveram (e estão) presentes nas suas rotinas, mas, tendem a perder terreno para a concorrência, audaz, feroz e altamente competente; os jogos electrónicos são, quase diabolicamente, atractivos, e não só para os miúdos. Se o deixasse, acho que era capaz de jogar um dia inteiro. Mas, se o deixasse, raramente ajudaria a levantar a mesa ou a fazer a cama. Se o obrigo a lavar os dentes, a arrumar a secretária e a trocar a toalha de banho, que ele ainda julga que se muda sozinha, também o posso obrigar a ler. Faz parte do que se chama educar. Se tem tempo para poder jogar playstation, por maioria de razão e necessidade, há-de poder arranjar tempo para ler. Não há educação sem livros e a educação pelo exemplo já não é, temo, suficiente, num tempo em que os miúdos o passam mais longe de nós do que connosco, mesmo que façamos muito mais do que o possível para que a qualidade supere a quantidade.

    Vem isto a propósito de livros, mas não só. Porque ler, é mais do que nunca estar sozinho. E, mesmo que fosse só isso, acho que seria suficiente.

    Um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência veio, agora, divulgar que “os alunos que escolhem cursos do ensino superior da área da Educação e esperam, portanto, vir a ser professores, estão entre os que têm pior desempenho a Português”. É capaz de não ser preocupante. A não ser, quando nos apercebemos dos erros constantes e cada vez mais comuns entre aqueles que têm, por obrigação, pelo menos, profissional, escrever bem, comunicar bem. Já não é raro ver legendas de filmes com erros ortográficos de palmatória, ou rodapés de noticiários televisivos com hífens a apunhalar terminações verbais elevadas, contra vontade própria, à categoria de pronomes. Escreve-se de ouvido, mas de ouvidos moucos. Por que há-de um professor de matemática, ou de física e química, saber falar e escrever bom português, não é? Afinal, a matemática, por si só, já é complicada que chegue. A não ser que o problema da matemática, ou da física e química, (também) seja o português, aquele maldito diabo que se esconde nos mais inusitados detalhes.

    Se calhar, não nos faz falta ler “Os Maias”, mas, se, ao menos, nos obrigássemos a ler mais do que as mensagens do Whatsapp…

    Por imperativos programáticos, escolares, o meu filho acabou de ler a “A Odisseia de Homero, adaptada para jovens”, de Frederico Lourenço. Tomou-lhe parte do tempo de férias de Natal, tempo esse de que não pôde dispor para experimentar um novo jogo, com que andava a sonhar há vários meses. Achou uma seca. Pois. Como é que se diz? Temos pena…há males maiores. E adoro o meu filho.

publicado às 12:37

"Adivinha lá...

por naomedeemouvidos, em 16.11.18

...se não me estivesses sempre a dizer que, com livros, nunca estamos sozinhos, não tinha conseguido completar as 180 palavras do texto de opinião!"

                                                      O meu filho, à saída do último teste de português. Moral da história: às vezes, ser chata compensa.

publicado às 14:11


“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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