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Os homens não têm filhos?

por naomedeemouvidos, em 28.02.19

Na sequência de uma série de opiniões radicalmente diferentes, emocionais, emocionadas, ou, tão somente, dignas das tais sociedades estimadas por nada respeitáveis juízes e seus (im)prestáveis coadjudantes, sobre qual deverá ser o papel da mulher  - na sociedade e na família - li um comentário admirável: os "homens" (ainda bem que os homens não são todos iguais) têm mais sucesso profissional porque, entre outros enormes atributos (que também se enalteciam na prosa), "não têm filhos"

 

Cri, na altura, ter percebido a ideia, embora, expressa de forma algo retorcida. Os homens não têm a capacidade de carregar um filho no ventre e, a seguir, pari-lo. Supus que era esta a intenção que se pretendia reforçar; não o facto de haver alguns homens que, mesmo sendo pais, não têm, efectivamente filhos, porque deixam esse transtorno a cargo das mulheres, para que estas possam atingir, com zelo e sucesso, o seu potencial maternal, ou lá o que era.

 

Talvez tenha percebido mal, no entanto. Hoje, entre as 14.00 h e 15.00 h recebi cinco chamadas de um mesmo número desconhecido, que só pude atender (tinha o telemóvel em modo silencioso) à sexta tentativa desse contacto. Era de um centro de saúde. Para falar com urgência, com a mãe da bebé fofura-de-tal, de um mês, por causa de uma consulta também ela urgente. Lamentei, não era eu, seria um engano. De modo que, depois de uma hora e qualquer coisa a tentar falar com a mãe da criança - que não eu - , acerca de uma situação da maior urgência, o homem (chega a diabolicamente irónico) ao telefone desculpa-se e refere que, nesse caso, vai ligar para o outro número alternativo: o do pai da menina...

publicado às 17:45

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aqui

 

 

Não quis que me acontecesse o mesmo que me aconteceu quando o nosso Salvador Sobral ganhou o festival Eurovisão da Canção: já toda a gente tinha ouvido o rapaz, em delírio, e eu nem sequer conhecia a música. Nem o artista, que miserável vergonha. Continuo a não ser fã do moço, mas, como gosto de ter opinião – não necessariamente válida, como é notório – sobre tudo e mais alguma coisa, não queria permanecer na ignorância.

 

Dizia eu que, como não queria que me acontecesse o mesmo, lá fui ouvir a música desse tal outro rapaz que, pelos vistos, tem grande probabilidade de vir a representar Portugal no próximo festival da Eurovisão. É assim, não é? E sei que chego tarde outra vez, não tenho emenda. Ou tenho, mas não uso.

 

Conan Osíris, nome artístico de Tiago Miranda, anda nas bocas do mundo. Bom, não será bem (ou sim?), mas, de momento, anda nos jornais, nas revistas, nos blogues, no Facebook, e nas bocas (dessas também) e conversas, incluindo nas de café, de uma data de gente (toda) em Portugal. De modo que, lá fui ouvir a canção.

 

Como, aparentemente, ainda vivemos num país livre, creio poder dizer o que penso, mesmo quando isso não interessa a ninguém, que é capaz de ser o caso.

Gostei da voz do Tiago. Não apreciei o Conan. Tirava-lhe aquela roupinha toda – salvo-seja – e mudava-lhe a letra da música. Que diabo, vou partir o telemóvel, o telele, vou escangalhar o telemóvel e se não atenderes já sabes o que vai acontecer, e mais não sei o quê?

É claro que, muito provavelmente, sem aquela performance – de que a roupa (mas, não só) faz parte – e sem aquela letra, talvez a qualidade do artista não chegasse para agitar multidões. Vivem-se tempos estranhos. Se não se conseguir extremar emoções, atiçar as gentes, desencadear radicalismos – uma espécie de democratização moderna e algo leviana do sangue, suor e lágrimas – morre-se sem chegar a desabrochar, como uma formiga esmagada, inadvertidamente, desprezada na sua azáfama zelosa, porque mundana e vulgar. Não há nada como ser cigarra e seguir a corrente da ultra-modernidade.

 

Ora, não gostar destes telemóveis de Conan Osíris, não me faz odiá-lo, algo que também se tornou moderno e chiquérrimo. Já não chega não gostar, é imperativo odiar, humilhar, visceralmente, para não perder a onda. Não é que eu não seja chique, mas, sou mais do tipo vintage. No meu tempo, valha-me deus se existir, não gostar não chegava para desencadear uma guerra mundial, ou quase. No meu tempo, até se podia discordar, pasme-se!, sem com isso provocar convulsões.

 

Enquanto uns se esforçam por ser radicalmente diferentes, outros intentam exactamente o contrário, a bem, não sei bem de quê; dizem que dessa coisa que chamam de inclusão.

Entre as alucinações dos novos tempos – nessa saga idiota de normalizar, higienizar, unificar e mais um ror de coisas que há-de tornar-nos completamente acéfalos, mas, integrados e felizes, graças a deuses, esses do politicamente imbecil que se presumem correctos –, as escolas francesas ponderam substituir, nos formulários escolares, as designações “mãe” e “pai” por qualquer coisa como “progenitor 1” e “progenitor 2”. É verdade que o termo “parent” (em francês, as novas designações propostas são "parent 1 e parent 2") é menos fastidioso que o inócuo progenitor, sugerido na tradução para português. Mesmo assim, prevejo tumultos na escolha da ordem. Afinal, ser o progenitor 1 talvez se revista de maior importância do que ser o progenitor 2. É capaz de ser melhor encontrar, também, uma numeração alternativa e à altura do acontecimento. Como é que era com a super-inclusiva, nova e mui moderna designação de vagina? Buraco da frente, ou lá o que era. Limpo e sem confusões. Espera…

 

Adiante. O que realmente importa é que havemos de ser todos normais. Ainda que seja à força e contra a nossa vontade…

publicado às 11:39



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

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