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Mercados de Alma.

por naomedeemouvidos, em 12.05.19

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Como habitualmente, o mercado fervilha de gente, de cores, de cheiros. As vozes misturam-se numa azáfama dinâmica e exuberante, fregueses e mercadores em perfeita harmonia, cada um fazendo-se valer de verbo próprio e escorreito, mais pelo prazer do jeito de regateio ensaiado do que por qualquer outra coisa. Ainda assim, às vezes o cliente agrada e convence, uma batota fugaz e consentida que ninguém leva demasiado a sério. Afinal, há, maioritariamente, clientes habituais. Os turistas não vêm, propriamente, comprar. Vêm misturar-se com as gentes, fazer parte da amálgama calorosa que anima o comércio da vila, pasmar com a arte da peixeira que amanha o pescado com esmerada alegria, como quem prepara um filho para a primeira comunhão.

 

Há algo naquele burburinho de vozes que vibram e se agitam como o restolhar das pregas de um longo vestido, naquele emaranhado colorido de odores, que atiça em mim uma memória sempre viva dos mercados de Marrocos, com a sua audaciosa mescla de tons, ora vibrantes, ora suaves, sempre inquietos. Irrequietos.

 

O ar torna-se ligeiramente mais quente, como se previa, antecipando a chegada do Verão. Daí a pouco, hei-de cruzar-me num acaso, por acaso, com um condutor de Casablanca a quem o sistema de navegação pregou uma inusitada partida, e uma onda imensa de saudade tomará conta do resto de mim, enquanto me esforço por conter as lágrimas que soltarei, em silêncio, apenas quando ficar sozinha.

 

publicado às 17:00


“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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