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Belas Artes

por naomedeemouvidos, em 12.12.19

No rescaldo eufórico da vitória portuguesa no Festival Eurovisão da Canção, em 2017, Salvador Sobral - sempre demasiado enfastiado com os elogios e a fama repentina – atirou para a plateia presente num espectáculo solidário para com as vítimas dos incêndios de Pedrogão: “Eu sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido para ver o que é que acontece”.

A provocação era, e é (ou ao contrário, é indiferente), eloquente a vários níveis. Nomeadamente, como uma afronta a esse delírio postiço com que passou a ser moda sentir tudo intensamente, como se o mundo fosse acabar mais depressa ainda do que as previsões de Greta Thunberg. E, para que conste, gosto mais do que desgosto da pirralha e também sou das que acha que as previsões tendem mais para o certo (mais ou menos) do que para o errado.  

 

Deve ter sido uma coisa parecida que Maurizio Cattelan pensou quando resolveu colar à parede, com fita adesiva, uma banana e chamar-lhe arte. Deixa lá ver se isto cola melhor do que ali a fitinha cinzenta. Talvez não tivesse imaginado vender a "obra" por 108 mil euros, mas isso não passa de um detalhe. Caro. Embora eu ainda duvide que alguém tenha realmente comprado o logro, mas, isso sou eu que não percebo nada de arte.

 

Os novos tempos vivem-se assim. Arrebatadamente. Entre desfalecimentos abruptos de compaixão ou idolatria e indignações viscerais. Já não há espaço para correr o risco de não pertencer a lugar nenhum. Tudo deve ser exacerbado ao limite do sentimento. A piedade, a gratidão, a igualdade, a solidariedade, o ódio. O amor. O treinador português do momento disse que, em Portugal, “é uma complicação para dizer amor”, e eu acho que prefiro assim. A felicidade tornou-se um estado fingido que vende. E vende muito. Entre o politicamente (e hipocritamente) correcto imposto como remédio para todos os males da sociedade e a busca inadiável pelo paraíso na Terra enquanto ela dura, deixou de haver tempo para pensar. Para duvidar, para questionar. Para nos sentirmos, em todas as nossas contradições e infelicidades também. Não há nada de errado em não ser feliz a tempo inteiro. A felicidade a qualquer preço é capaz de ser cara demais. Mais cara do que a banana do Maurizio Cattelan.

publicado às 09:31



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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