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Madressilva, e outros impropérios.

por naomedeemouvidos, em 25.06.19

Por vezes, também penso “como é que pagam a este tipo para escrever sobre rabanetes?”. Mas, no meu caso, é por pura inveja. Adorava que me pagassem por escrever sobre qualquer coisa, eventualmente, sobre rabanetes. Além disso, foi assim que, entre outras coisas, descobri dois ou três bons restaurantes, perto de onde vivo. O que também é absurdo de dizer, eu sei. Como se ler Miguel Esteves Cardoso fossem rabanetes, que, por acaso, nem foi o que comi.

A desvantagem de não frequentar redes sociais – com excepção deste singelo blogue e alguns apensos igualmente indignos – é que chego mais tarde às apoplexias higiénicas e colectivas da praxe. Li a entrevista no passado Domingo, mas, só ontem ao fim do dia – um delay absolutamente parolo e imperdoável – é que dei conta dos achaques com a indecorosa arrogância do Miguel Esteves Cardoso. O próprio assume-se como alguém “extremamente inteligente”, com “grande sentido de humor” e que escreve “muito bem”, e, toda a gente sabe, esse é o tipo de atrevimento que não se tolera, a não ser, aos imbecis. Às vezes – só às vezes – aos génios e, aparentemente, não é o caso. Imagino que quem cuspiu as entranhas ao ler o título, não se tenha dado ao trabalho de ler o resto.

Só para que conste, não adoro Miguel Esteves Cardoso. Pode ser um louco, pode ser um génio. Não aprecio em demasia. Seja como for, gostei de o ouvir. Mais do que de ler as crónicas do Público. E precisava de escrever qualquer coisa. Miguel Esteves Cardoso escreve sobre política quando lhe faltam temas. A mim - a quem falta a genialidade necessária para distinguir lucidamente os loucos dos outros, partindo do princípio de que se pode - sobram-me temas, quando me falta o tempo. Os últimos dias foram férteis. Em temas. Cumpriram-se dois anos sobre a tragédia de Pedrogão Grande e não aprendemos nada. Um senhor comendador mostrou-se incrédulo com a falta de memória do um senhor Constâncio e, nos entretantos, o primeiro prepara-se para abrir mais um museu, enquanto o segundo ameaça processar quem atenta contra a sua honra (acho que houve desenvolvimentos, mas ainda não pude ler). Trump também ameaçou, no caso, o Irão com um ataque correctivo, antes de se compadecer com a centena e meia de mortos, mais dano colateral, menos dano colateral, mais faz-de-conta, menos faz-de-conta. Rui Tavares acha que Donald Trump se define pela cobardia, eu acho que o homem exorta definições que talvez não caibam neste espaço.

Noutro continente, num momento “E se fosse consigo” da vida real, uma sala cheia de gente elegante assistiu, sem sobressalto, ao selvagem ataque por um dos seus pares (que delícia de expressão) a uma activista da Greenpeace. O Secretário de Estado Mark Field foi suspenso, mas, parece que ainda será necessário proceder a averiguações. Terá reagido instintivamente, com receio de que a mulher estivesse armada. Eu percebo. Uma mulher afoita, reivindicativa, enfiada num provocante vestido vermelho pode ser uma arma perigosíssima. Valham-nos homens impecáveis e com o sangue frio que falta ao resto da humanidade.

Entretanto, Boris Johnson começou a perder popularidade na sequência de uma nada elegante altercação com a namorada. O homem que quase todos garantem que será o próximo primeiro-ministro de um reino que ameaça desunir-se, que muitos garantem ser a versão very british de Donald Trump e que até já ensaiou uma ausência em debates televisivos – por azar, não está ao alcance de todos os modelos – acabou por dar uma entrevista à BBC, onde voltou a assegurar que o Reino Unido deixará a União Europeia a 31 de Outubro. Brexit means Brexit, como dizia a senhora que o dito se prepara para substituir. Se houver problemas com as fronteiras, o mais-ou-menos amigo Trump pode ter uma solução. Se não, Boris e Donald poderão sempre inaugurar uma nova era hair stylists por esse mundo fora. Quem disse que só a Coreia do Norte tem direito a assertivos líderes capilares?

Por falar em entrevistas, por cá, foi Mário Centeno a garantir que, entre outras coisas, o SNS está melhor agora do que 2015. Às vezes, tenho a sensação que há dois portugais. Adiante. O importante é que temos um excedente orçamental de 0,4%. É possível que venhamos a assistir ao colapso dos serviços públicos, mas, talvez continue a não faltar dinheiro para acudir à banca, em sendo caso disso. Nunca se sabe. O que se sabe é que quem supervisiona, supervisiona pouco e que a mais não é obrigado, nem pode, mesmo que quisesse. Também não será o caso.

 

Ramalho Eanes falou da corrupção como "uma epidemia que grassa pela sociedade portuguesa", o que é uma profunda e leviana inverdade, como se sabe. O ex-Presidente da República deve ter andado distraído; não se apercebeu de que chegou, até, a ser necessário ponderar a eliminação do pernicioso vocábulo do tal relatório da OCDE. Isso, e o Álvaro Santos Pereira.

Se não estou em erro, em Outubro próximo teremos eleições legislativas. E o país está tão bem, que, ao que parece, nem faz falta oposição...

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publicado às 16:33

Supremacia quê? Absurda, estúpidos!

por naomedeemouvidos, em 14.08.17

Ao contrário de Ivanka Trump (a próxima presidente dos EUA?, a seguir ao pai), que veio a público dizer que “não há espaço para racismo, supremacia branca e neonazis” (resta saber se estava a ser totalmente sincera), o pai Donald está de baixo de fogo por não ter condenado, com a veemência que lhe é habitual, a marcha fascista que teve lugar em Charlottesville. Donald Trump, o homem sem papas na língua, que usa o twitter como uma G3 em tempo de guerra, capaz de disparar furiosamente contra tudo e contra todos os que se lhe opõem, o salvador da pátria que distribui insultos como chocolates em tempo de Natal, não foi além de uma ligeira “condenação” ao que chamou “demonstração de ódio, intolerância e violência de muitas partes, de muitas partes”.

Donald Trump não condenou positiva e inequivocamente a marcha destes inqualificáveis, grupos nazis, supremacistas brancos, activistas da alt-right e afins, porque partilha de muitas das suas posições. Como dizia hoje, no Público, Miguel Esteves Cardoso, “é possível que Donald Trump não seja racista, mas é improvável.” É altamente improvável aliás, porque todos sabemos que muitos dos elementos desta turba de fanáticos, prenha de nada mais do que ódio, não só ajudaram a levar Donald Trump à sala oval da Casa Branca, como viram na sua eleição uma espécie de consentimento para voltar a sair à caça. É bom não esquecer, também, que apoiantes da alt-right celebraram, à data, a eleição de Trump com a saudação nazi e só isto devia ser suficiente para fazer corar de vergonha aqueles que consideram Trump a alternativa. Em pleno século XXI, morreu(!) uma pessoa numa manifestação contra grupos racistas.

A eleição de Donald Trump, abriu uma caixa de Pandora, permitindo a muitos passar a dizer em público e com aberto despudor o que apenas se atreviam a murmurar à boca pequena e entre os da mesma laia.

Agora, as imagens de elementos do odioso KKK, envergando as suas tenebrosas túnicas brancas com o típico capuz são mais do que simbólicas, são uma premonição do mal que ainda pode vir e o movimento vai, aos poucos, assumindo-se de forma mais visível, depois de ter declarado em público o seu voto em Trump. É certo que o candidato veio rejeitar o apoio, na altura, mas não fará isso parte do espectáculo?

Citado por uma revista americana, um participante na ignóbil marcha de sábado em Charlottesville falava de uma “vitória fenomenal”, ao mesmo tempo que se congratulava com a necessidade que a polícia tivera de recorrer à violência contra eles para os “calar”: “Isto mostra que nós somos uma ameaça inacreditável para o sistema.”

É a supremacia, sim, mas da vergonha.

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publicado às 15:13



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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