Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Das condutas democratas. E democráticas.

por naomedeemouvidos, em 03.10.19

Mike Pompeo acusou os Democratas de manobras de intimidação, de bullying, e de tratar de forma imprópria profissionais distintos. Em causa, na causa do senhor secretário de Estado, estarão procedimentos desencadeados pelo Partido Democrata relativamente ao processo em curso da possível(?) destituição de Donald Trump, nomeadamente, a intimação interposta pelos Democratas a cinco funcionários do Departamento de Estado. Mike Pompeo indignou-se com o atrevimento e quis deixar claro que não irá tolerar tais tácticas

Eu percebo. Deve ser assaz perturbador, ultrajante, para alguém habituado a lidar com a elevada classe e a diplomacia irrepreensível do homem que ocupa, actualmente, o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, ver-se envolvido em tais artifícios malévolos, presumivelmente, indecentemente, atentatórios da honra e da dignidade de terceiros; de cinco que sejam.

Por solidariedade com tal demonstração de lealdade e dever de honra, fui rever as últimas intervenções desse estadista soberbo que tanto orgulho merece a Mike Pompeo. Aqui ficam para a posteridade, que é como quem diz, até ao próximo desabafo do senhor presidente (é possível que já tenha tido lugar no sítio habitual e eu nem reparei).

A propósito da denúncia do teor da chamada telefónica com o presidente da Ucrânia:

“Quero saber quem foi; quem foi a pessoa que passou a informação ao denunciante? Porque está bastante próximo de um espião. Sabem o que costumávamos fazer, nos velhos tempos, quando éramos espertos? Certo? Os espiões e a traição, costumávamos tratar disso de forma um pouco diferente do que fazemos agora.”

(“I want to know who’s the person, who’s the person who gave the whistleblower the information? Because that’s close to a spy. You know what we used to do in the old days when we were smart? Right? The spies and treason, we used to handle it a little differently than we do now.”)

Disciplinando um jornalista fake e corrupto, como o são, aliás, todos os que ousam perguntar a Trump o que Trump não quer ouvir, menos ainda, responder. Também há very fine people entre os jornalistas, claro, great reporters, mas, esses, em concreto, são os que dão a Trump o que Trump quer. Não era, decididamente, o caso:

“Está a falar comigo? Não me ouviu? Faça uma pergunta ao presidente da Finlândia! Está aqui o presidente da Finlândia, faça-lhe uma pergunta! Não me ouviu! Faça-lhe uma pergunta, a este senhor! Não seja indelicado!”. Mais ou menos isto, mas, fica aqui o original. Vale sempre a pena.

 

 

Magnífico. Deve ser magnífico trabalhar com alguém, para alguém, com tamanho sentido de Estado.

 

À laia de post scriptum, em honra (já que de honra se fala) dos mais distraídos que, pontualmente, tropeçam com estrondo neste blogue: eu não odeio Donald Trump, que a criatura não me merece tanto. Desprezo, frequentemente com esmerado zelo e algum nojo – mea culpa, vou ali esbofetear-me e já volto –, tudo o que Donald Trump representa. Acredito que a sua eleição, mesmo que democraticamente (eventualmente), abriu um caminho sombrio; um livre-trânsito perverso para que se soltassem, de novo, sem pudor nem receio, várias fúrias andrajosas, até aí adormecidas, ou, pelo menos, estancadas por normas de civilidade e cidadania que muito prezo. Ao contrário, há uma escalada de confronto demente e perigoso que Trump e o seu dedicado séquito atiçam com insaciável gula e calculada cobiça.

Em prol, porém, do presidente dos EUA, importa dizer que a criatura não está sozinha nas minhas preces. Também rezo – às vezes rosno – com ardor idêntico, pelo Messias Bolsonaro, e por outros anjos de bondade gêmea que por aí proliferam. Para que não mais possam voltar a ocupar cargos que não merecem. Nem democraticamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:21

Direitos Humanos à la carte.

por naomedeemouvidos, em 26.07.19

Mafalda_Irresponsáveis.PNG

 

Mike Pompeo pretende criar, ou criou já, uma comissão para redefinir o que vem a ser isso, afinal, de “Direitos Humanos Inalienáveis”. Ou, que papel representam esses direitos na política externa americana.

Parece que, entre outras preocupações de Mike Pompeo, estão aquelas relacionadas com a boa ou má utilização da palavra direitos e com o sequestro da retórica alusiva a esses direitos quando aplicados, e aplicáveis, a humanos com malignos ou dúbios propósitos. Suponho que a lista dos que “descendem dos Direitos Universais do Homem decretados pela Grande Revolução Francesa de 1789” vá diminuir mais rapidamente do que nem a historiadora Bonifácio previa. Só não sei bem como passaremos a marcar os escolhidos... até porque é algo que nunca se fez antes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:53

A morte não nos fica bem.

por naomedeemouvidos, em 19.10.18

    As notícias que vão chegando sobre o (praticamente dado como certo) abate e esquartejamento animalesco do jornalista Jamal Khashoggi são mais do que macabras. Drogado, torturado, desmembrado ainda vivo, mergulhado em ácido, eliminado por um esquadrão da morte saudita, tudo parece mais do domínio da ficção policial hardcore; principalmente, do ponto de vista dos países ditos livres e moderados, mesmo que o sejamos cada vez menos. A civilidade em que vivemos está, há muito, ameaçada, é certo, e, ainda assim, tudo me parece demasiado maquiavélico e escabroso.

    Já não parece haver dúvidas de que Khashoggi entrou no consulado da Arábia Saudita, em Istambul, para nunca mais ser visto, a não ser, pelos seus carrascos, implacáveis, mesmo aqueles gostam de ouvir música enquanto trabalham, que a arte serve a todos. A cidade eternizada pela História, romanceada pela lente devota de Ara Güler (falecido há dois dias) e cujo retrato vivo ainda guardo nas minhas memórias de verão, convertida em palco esconso de um assassínio tétrico, anunciado e necessário para calar a crítica contundente e incómoda a um regime opressivo, hipocritamente embalado pelas grandes potencias mundiais, porque imensamente rico (para alguns) e segundo na lista das maiores reservas mundiais de petróleo. Ninguém quer arriscar. Quanto valem, por exemplo, os milhares de milhões de dólares que a Arábia Saudita gasta em armas compradas aos EUA? Seguramente mais do que a vida de um jornalista, que nem sequer era americano. Como a morte (in)útil e a soldo será difícil de justificar e defender abertamente, pode sempre tentar-se, entre outras coisas, atacar o carácter do defunto, não é também o que habitualmente se promove, nestes casos sabujos? O mais provável é que o homem se tenha posto a jeito, esse maravilhoso estatuto que desculpa sempre o recurso à mais vil cobardia e consequente violência.

    Em discursos erráticos e cheios de nada, como sempre, o presidente dos EUA vai dizendo que “não gosta” que se matem jornalistas, ou outros, mesmo que não sejam americanos, é um “terrível precedente”. Mas, também não gosta da “ideia de parar um investimento de 100 mil milhões de dólares, porque “eles” vão pegar nesse dinheiro e vão “gastá-lo na Rússia, na China, ou noutro lugar qualquer”. E, claro, só um louco arriscaria perder um negócio assim, não Donald Trump, seguramente; além disso, ninguém ainda sabe nada sobre o assunto, embora, circulem “por aí histórias bastante más”. Tirando isso, o presidente americano está bastante empenhado “em chegar ao fundo” da questão, tendo, aparentemente, já chegado: Jamal Khashoggi está morto, “isto é mau” e as “consequências devem ser severas”, só ainda não se percebeu que consequências, quão severas e dirigidas a quem. Mas, será que isso interessa substancialmente?

    A política – nacional, internacional – move-se em terrenos cada vez mais obscuros. Cada um – presidentes, ministros, ilustres desconhecidos, eleitores e não eleitores – arroga-se o direito à verdade em causa própria, ao que considera ser os seus factos. E essa verdade, esses factos, facilmente se ajustam, ou à crise, ou à oportunidade do momento. Pode falar-se muito sem dizer absolutamente nada; defender-se, convictamente e sem corar, uma coisa e o seu contrário, no mesmo discuro, até; converter todas as formas de diplomacia em descarada vassalagem; tourear, sem corninhos e com igual mestria, adversários políticos; usar a comunicação social como uma prostituta tão útil quanto descartável. A quem é que importa o rigor da informação? Ditadores e projectos de ditadores inundam as redes sociais de fake news, apenas para que a turba sucumba aos seus propósitos, e depois? Falta pouco ou nada para que já nem mentir seja necessário; bastará cada um servir com mais ou menos requinte aquela que considera (como alguém já disse) a sua verdade; ou, tão somente, a verdade que mais adeptos colher, no calor do momento, para tomar o poder de assalto.

    Mike Pompeo terá aconselhado Trump a esperar mais alguns dias pela versão da Arábia Saudita acerca da morte de Jamal Khashoggi. Aguarda-se, talvez, a conjuntura mais favorável para o mundo acatar a melhor das verdades, de forma mansa e sem comprometer os mais altos interesses das nações.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:29



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe


Arquivo



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.