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Baratas e outras pragas. Pô!

por naomedeemouvidos, em 07.08.19

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Olho com espanto e nojo para a figura do actual presidente dos EUA fingindo sentir compaixão pelas vítimas e familiares das vítimas da mais recente carnificina que atingiu o país. Bobo ridículo conseguiu – como não? – enganar-se no nome de uma das cidades atingidas pela tragédia que o próprio atiça com a leviandade burlesca e própria dos imbecis. Parece que é preciso habituarmo-nos. Os defensores e apoiantes acérrimos de Donald Trump riem, aplaudem, a economia americana cresce e diz-se que o homem tem carisma...pegajoso, mas há quem aprecie. Os outros, afinal, eram, são, um bando de corruptos, hipócritas, malfeitores, abusadores e restantes eteceteras de que Trump também goza, mas, a esse, permite-se.

Entretanto, nesse mesmo Texas atingido a tiro em nome da luta contra a invasão mexicana a que Trump já dedicou 2000 anúncios, dois agentes da polícia a cavalo levaram um prisioneiro negro puxado por uma corda até à esquadra, num “embaraço desnecessário”, mas, “sem qualquer má intenção”. Que alívio.

 

Animado pelo sucesso e glamour do sofisticado andar de cima das américas, o vizinho Bolsonaro, esse Messias desejado, adorado, adulterado, anseia por passar da mímica aos actos de morte encomendada, consentida e perdoada. Os dedinhos em riste – que já deram origem a outro fantoche idêntico, mas devidamente armado – passarão a fazer mira real aos criminosos escolhidos no acaso do momento, pois, como é sabido, todos os polícias são puros, todos os criminosos são abjectos e a gente de bem distingue-se a olho nu, despidos que somos, brancos, santos e bons, de preconceitos de qualquer tipo. Parece que tem que ser assim.

Entre os poucos brasileiros que conheço, não há nenhum que não apoie Bolsonaro. Alguns descaradamente, outros com alguma vergonhada escudada no indiscutível flagelo da criminalidade violenta, no medo de que os filhos morram no caminho que separa a casa e a escola.

Não vou fingir que sou completamente surda a esses argumentos. Na única vez que visitei o Brasil, ouvi - na companhia do meu marido e de uns amigos nossos espanhóis que aí viviam, na altura - um tiroteio a alguns metros do bar em que passávamos um bom serão. Os filhos desses amigos já tinham sido assaltados mais do que uma vez, nesse tal trajecto inocente. Mas, acredito profundamente que há, tem de haver, uma diferença entre o Homem e a Besta, entre a civilização e a barbárie. Não achamos assustadoramente primitivo amputar a mão ao ladrão, condenar o infractor a um castigo igual na forma à do crime cometido, como se pratica em muitos dos países “de cultura inferior”?

 

Por falar em culturas superiores, em Itália, Matteo Salvini agradeceu à Virgem Maria a aprovação do decreto que regulamenta o encerramento dos portos italianos para navios de ONG que socorrem imigrantes no mar e estabelece multas que poderão atingir um milhão de euros no caso de violação desta norma. Salvar vidas é ilegal, graças a deus.

 

Por cá, está tudo muito mais tranquilo. Continuamos reféns das ameaças dos motoristas e do ilustre ex-desconhecido Pardal Henriques, do familygate socialista e do absurdo de interpretar leis literalmente. Toda a gente sabe que as leis devem ser interpretadas alternadamente, consoante quem ocupa os lugares do poder.

publicado às 12:13

Por falar em combustíveis.

por naomedeemouvidos, em 26.07.19

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Por algum acaso, perdi-me na novela da greve dos motoristas. Talvez porque, aquando da outra, não cheguei a sofrer qualquer transtorno, apesar de viver a minha vida normal e das imagens caóticas que passavam na televisão. Tive sorte, que é coisa de que, aparentemente, temos vindo a depender cada vez mais.

Entre acusações de vigarices à segurança social, denúncia de condições de trabalho precárias e falta de regulação da actividade do sector, em Abril, os respectivos sindicatos reclamavam o reconhecimento da categoria profissional e o aumento do salário - de 630 euros para 1200 euros. Ameaçadas as férias da Páscoa, ao terceiro dia, a greve acabou com a mais do que apropriada ressurreição de algum entendimento entre as partes: sindicatos e ANTRAM tinham chegado a um compromisso sério quanto ao horário de trabalho, quanto ao valor da remuneração, que se aproximava dos 1200 euros exigidos inicialmente - cerca de 900 euros, soube-se depois – e quanto a umas questões de saúde. A aleluia durou menos que um namoro do verão que tarda em chegar, com os sindicatos dos motoristas a acusarem a ANTRAM de já ter aceitado um acordo no que diz respeito aos aumentos salariais, e aquela a desmentir, pelos menos, os valores (não)acordados. O que vale é que já nos  habituaram e já nos habituámos a este tipo de (des)entendimentos.

No calor da discussão – quiçá animados pelo já antes exibido poder de parar, literalmente, o país – os sindicatos ameaçam com a possível falta de alimentos e outros bens nos supermercados. Segundo ouvi (não o tempo suficiente para perceber quem era) da parte de um distinto senhor na televisão, no limite, pode, até, estar em causa a vida. É sempre bom ter quem nos previna das desgraças futuras.

Entre pedidos sentidos de perdão e exultantes investidas de ameaças, Pedro Pardal Henriques foi à SicNotícias garantir que os serviços mínimos que o Governo vier a decretar serão integralmente cumpridos, dentro da lei, enquanto explicava como virá, eventualmente, a esquivar-se ao seu cumprimento. Também com base na lei, evidentemente. Lembrei-me de uma reunião de condomínio. Um condómino empenhado em exibir um parecer técnico sobre a ausência de relação causa-efeito que as suas obras ilegais são suspeitas de ter provocado sobre parte da estrutura do prédio, e a advogada sentada ao meu lado a dizer-lhe que, amanhã, arranjava-lhe outro parecer técnico a assegurar o contrário.

 

Por falar em material combustível, o ministro Eduardo Cabrita desentendeu-se com o presidente da Câmara de Mação. Vasco Estrela acusou o Governo de não ter aprendido nada, Eduardo Cabrita acusou Vasco Estrela de se comportar como um comentador político, cada um no seu próprio tempo e espaço, depois de terem estado juntos, no terreno, um atrás do outro, a carpir mágoas idênticas.

 

Dizem que tudo está bem quando acaba bem. É possível que, também eu, acabe por conseguir ir de férias descansada. Até pode ser que me eclipse. Tal como a oposição...

publicado às 00:26



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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