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Venezuela (ainda mais) ferida.

por naomedeemouvidos, em 01.05.19

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A imagem de um blindado militar, em Caracas, investindo sobre os manifestantes como um touro enraivecido, atropelando-os intencionalmente, causa-me uma profunda náusea. Se há tragédias mais dignas do que outras - como alguns apregoam - esta devia encher páginas de jornais, alinhar horas de emissão, o agigantar de uma onda de repulsa que varresse todas as consciências na Venezuela e fora da Venezuela.

 

Juan Guaidó autoproclamou-se Presidente da Venezuela, já lá vão três meses. Foi assim reconhecido por vários Estados democráticos, incluindo Portugal. Desde aí, o impasse cozinha em lume brando, enquanto o povo venezuelano agoniza à espera de uma liberdade que teima em não chegar e Guaidó parece ter cometido um enorme erro estratégico. Quem é que lhe falhou, afinal?

 

Nicolás Maduro é um execrável chefe de Estado. Mais ainda, se permite (ordena?) aos seus militares que avancem com veículos militares sobre o seu próprio povo.

 

 

publicado às 09:44

Venezuela contra Venezuela

por naomedeemouvidos, em 24.02.19

   

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aqui

 

    Ouvir falar Nicolás Maduro causa-me o mesmo asco que escutar Donald Trump ou Jair Bolsonaro. Talvez não sejam os três iguais, mas parecem, embora, neste caso, pareçam não estar exactamente do mesmo lado. Mas, isso, é outra história. E, claro que há mais do mesmo género, mas, ouvir e entender alguém na sua própria língua tem outro impacto.

    O impasse na Venezuela começa a ser surreal e algo vergonhoso. Mais de quarenta, creio, países reconhecem Juan Guaidó como presidente da Venezuela, e depois? Os militares continuam fiéis a Nicolás Maduro, que não tem qualquer pudor em mandar as tropas atirarem sobre os manifestantes, sobre o povo venezuelano.  

    Parece ser já evidente que houve uma espécie de erro estratégico, ou, pelo menos, de intenção, por melhor que fosse. Se alguém pensou – que é como quem diz, essa tal comunidade que dá pelo nome de internacional – que bastava manifestar apoio público a Guaidó para que uma massa significativa de militares atirasse ao chão as armas e se curvasse à bondade e vontade do presidente interino, já se percebeu que o plano falhou estrondosamente. A próxima pergunta é: e agora?

    Nicolás Maduro ainda domina. E goza. Chama palhaço a Guaidó, o presidente da oposição da Wikipédia, bromea, infame, e instiga o seu adversário a marcar as eleições que ele próprio rejeita, obviamente. Entre insultos e discursos, ainda tem tempo e ânimo para dançar salsa com a primeira-dama. Dava vontade de rir, não fosse o caso de a situação ser, como é, demasiado – insuportavelmente – trágica.

    Entre indignações selectivas e relaxadas sobre a inadmissível ingerência de países estranhos sobre a soberania de cada Estado, vamos assistindo à miséria das condições de vida(?) do povo venezuelano, que implora por ajuda que chega, mas não chega. Que tipo de chefe de Estado deixa que o seu povo morra de fome e de abandono, por puro e mesquinho despeito? É mais que evidente que Maduro está menos preocupado com o possível golpe de Estado de que acusa os países apostados em fazer entrar as caravanas de ajuda humanitária na Venezuela, do que em perder o poder que usurpou numas eleições que ficaram marcadas por denúncias de fraude, boicote à oposição e uma elevada abstenção. Não teme nada, nem lhe treme o pulso, fanfarrão, a não ser, claro, que venha a ser obrigado a sujeitar-se a sério escrutínio por parte dos seus pares.

    Enquanto os militares se mantiverem fiéis a Nicolás Maduro, não parece haver solução à vista, a não ser que se intente a intervenção militar externa que ninguém deseja. Resta saber até quando resistirá Juan Guaidó e o seu povo faminto e esgotado. 

publicado às 11:02

Venezuela bi-presidida.

por naomedeemouvidos, em 24.01.19

    Independentemente do que venha a acontecer nos próximos dias na Venezuela, vou fixar este nome: Juan Guaidó. Por completa ignorância minha, só recordo tê-lo ouvido, pela primeira vez, há uns dias, quando foi detido por agentes dos serviços secretos que, segundo li, acabaram destituídos por ordem do Governo da Venezuela.

    Nicolás Maduro era, até ontem, pelo menos, presidente desse Governo. Ora, por motivos profissionais, passo um dia inteiro sem ver, ou ler, notícias e, de repente, uma precipitação de acontecimentos vertiginosos, cujo alcance se perceberá nos próximos dias. Não. Nos próximos dias, não. Nas próximas horas. Minutos, não sei. Segundo a Wikipédia, Juan Guaidó (já) é 58º Presidente da Venezuela, onze países já afirmaram reconhecê-lo como tal, entre eles, os EUA, Canadá e Brasil, e o Instagram e o Facebook deixaram de certificar as contas de Nicolás Maduro naquelas redes sociais. Só por isto, deve ser verdade. Augusto Santos Silva disse que o tempo de Maduro acabou e, parece que por terras da Madeira, o entusiasmo levou a que se hasteasse a bandeira venezuelana na varanda da Câmara do Funchal (olha qu’âfofo…agora que o “nosso menino” caiu lá do pedestal e pode perder as lindas condecorações, é capaz de vir a ser necessário procurar nomes alternativos para o aeroporto…).

    Apesar do corrupio alucinado e alucinante, um ditador é um ditador, é um ditador. Não gosto de ditadores. Muito menos, de ditadores que comem bifes em restaurantes de luxo e fumam prazerosamente charutos, embalados pela performance de gosto duvidoso de um diz-que-é-chef reconhecido, enquanto o seu povo vive miseravelmente e passa fome.

    Assanhado, Maduro diz que o povo da Venezuela é que manda. Com toda a certeza! Entretanto, é capaz de vir a receber calorosas condolências de Jerónimo de Sousa, que a solidariedade com os oprimidos é uma coisa muito bonita.

publicado às 10:17

Venezuela a ferro e fogo

por naomedeemouvidos, em 01.08.17

Nicolás Maduro transformou a Venezuela num palco de guerra civil. As imagens de violência, de destruição, de total caos nas ruas de Caracas são desoladoras.

Embriagado pelo poder a qualquer custo, Nicolás Maduro criou, a ferro e fogo, todas as condições para submeter um país inteiro aos seus caprichos, não olhando a meios para alcançar o poder absoluto, encabeçando uma gigantesca farsa cujo repúdio quase providencial se materializou na ironia simbólica do não reconhecimento do seu “Cartão da Pátria” pelo sistema electrónico: “A pessoa não existe ou o cartão foi anulado”, devolveu seca e implacavelmente a máquina quando Maduro se preparava para dar, em directo, mais uma lição ao mundo. Não surpreenderá, assim, que ele fale numa participação de mais de 40% e a oposição nos meros 12 %...

A sucessão de mortes, nomeadamente, dentro de elementos da oposição mostra a determinação sanguinária do ditador, porque de um ditador se trata, com tudo o que um ditador tem de mais negro. Hugo Chávez não deixava de o ser, também, mas Maduro não tem o carisma do seu antecessor. Chávez tinha a simpatia do povo e a fidelidade do “seu” exército. Quanto tempo durará o apoio do exército a esta espécie de usurpação?

Nicolás Maduro esmaga o seu povo sem dó nem piedade, enquanto fala numa “luta pela paz”. Qual paz? Que paz pode ser alcançada eliminando, como moscas, todos quantos se lhe opõem, oprimindo violentamente quem dele discorda, empurrando para a miséria os seus semelhantes, obrigando crianças a vasculhar no lixo numa procura desesperada de algo com que matar a fome?

Muitos alegam que a oposição nunca reconheceu verdadeiramente a legitimidade de Hugo Chávez para comandar os destinos da Venezuela e, portanto, não querem reconhecer a “legitimidade” de Maduro para continuar a governar o país. Até pode ser verdade. Mas o desfilar de horrores a que temos vindo a assistir deveria ser suficiente para duvidar das verdadeiras intenções por trás da urgência de Maduro na sua “Constituyente”.

Às sansões impostas pelos Estados Unidos, nomeadamente, o congelamento de todos os bens de Nicolás Maduro sob sua jurisdição e a proibição a todos os cidadãos ou entidades norte-americanas de negociar com o presidente venezuelano, Maduro responde que não tem medo de nada. Nem de Deus, tem medo! A Deus, apenas ama. Ama tanto, imagino, como se ama a si mesmo, ébrio que está com o poder absoluto que se prepara para abraçar num delírio selvagem e sangrento que não deixará pedra sobre pedra. 

publicado às 11:30



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

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