Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



anúncio.PNG

aqui

 

 

“A mulher dita feminista – a que integra as “tribos”, a que se deslumbra com as capas de revistas, a que se diz emancipada, a que não precisa de relações estáveis, a que não quer engravidar para não deformar o corpo nem perder oportunidades profissionais, a que frequentemente foge da elegância no vestir e no estar – optou por se objectificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal”.

 

    Assim começa um artigo de opinião escrito por uma mulher, médica, anti-feminista, e publicado no passado dia 24 de Fevereiro, no jornal online Observador. Juro. É só ir lá ler.

    Se fosse dia 1 de Abril, o dito artigo de opinião poderia ser encarado como a mentira da praxe com que os chamados meios de comunicação também gostam de nos entreter nessa apreciada (por muitos) data. Não é. Mas, por outro lado, estamos perto do Carnaval e a época também se presta a piadas, palhaçadas e outro tanto de coisas que temos tendência a desprezar durante o resto do ano.

    A doutora Joana Bento Rodrigues é de opinião que as três características mais belas da mulher são, precisamente, o seu potencial feminino, matrimonial e maternal. Nas suas eruditas palavras, a mulher gosta de se arranjar, de se sentir bonita, de ter a casa arranjada e bem decorada, de bem receber, de assumir com alma as tarefas domésticas, de se sentir útil e ser a retaguarda familiar de que o marido precisa para ser profissionalmente bem sucedido e, por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos do que o marido, pelo contrário!, até porque aprecia – essa mulher que a doutora Joana Bento Rodrigues conhece – a ideia de ter casado bem.

    Por outro lado, a doutora Joana Bento Rodrigues, considera que apenas na maternidade a mulher encontra a verdadeira realização. E, mesmo quando não é mãe, essa tal mulher é a melhor tia do mundo, a melhor madrinha do mundo. Ámen.

    Eu não sei bem com que tipo de mulheres é que a cândida senhora anda a tomar chá. É, contudo, importante referir que a doutora Joana Bento Rodrigues julga que as mulheres são possuidoras de enorme inteligência social e emocional, coisa que, ao lê-la, poderá ficar em dúvida. Não. As mulheres são inteligentíssimas. Tanto que, no nosso País, a representatividade feminina na medicina e na advocacia já ultrapassa a masculina. E isso, na opinião da douta senhora, é preocupante! Eu acrescentaria aviltante! Tanto que defendo que a doutora deveria reconsiderar e dar o seu lugar a um homem, para minimizar essa tremenda preocupação, quiça, essa abominável injustiça. Imagine-se! Anda por aí, quem sabe, uma ou outra rapariga que queira casar bem - coisa que nem as minhas avós (as duas, malvadas) foram capazes de me ensinar o que seria - e o desgraçado do noivo não arranja emprego, porque os postos de trabalho estão apinhados de mulheres preocupadas em esbanjar, sem pudor, todo seu enorme potencial feminino.  

   

    No fim de tudo, ocorre-me que, talvez, a doutora Joana Bento Rodrigues, seja do tempo daquele outro senhor, o Neto de Moura. Devem ter estudado os dois pelo Código Penal de 1886. Eu sei que a senhora é médica, não é advogada, mas, a comunhão de ideias é bastante parecida e não deve ser dada a detalhes de importância menor. Aliás, acho, até, que podiam juntar-se a essa outra sumidade social e intelectual, a psicóloga Maria José Vilaça, e, de uma penada, arrumava-se com uma data de problemas sociais…Isso, ou obrigar as meninas a vestir rosa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:40

Sai um idiota fresquinho, se faz favor!

por naomedeemouvidos, em 20.07.18

Não sei se me ria se chore:pesquisa-idiot-e-aparece-trump

Abomino tudo aquilo e mais alguma coisa que Donald Trump representa, mas isto é assustador. Será que podemos e devemos lutar com as mesmas armas que repudiamos?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:42

Escola, Consciência e Ética: ainda combinam?

por naomedeemouvidos, em 11.09.17

Estamos, de novo, no início de (mais) um ano escolar. Tema que me interessa por motivos pessoais e profissionais. Entre novas escolas, novos programas, novos professores, novos exames nacionais e a mesma ansiedade de sempre, muito há a pensar, a repensar, a definir, a fazer, enfim, muitos desafios a superar.

No que diz respeito, nomeadamente, aos exames nacionais- e não bastando todo o trabalho, stress, questões que avaliam tudo menos o que efectivamente importa, algum factor “sorte” e as eternas (e sempre desvalorizadas) “gaffes” científicas- tivemos, dizia eu, uma “diversão” acrescida nos últimos: a fuga de informação relativamente a alguns conteúdos que viriam a ser avaliados na prova de Português. Se calhar, já ninguém se lembra.

Alexandre Homem Cristo, no Observador, chama hoje à nossa memória esse episódio. Mais exactamente, recorda-nos que, até hoje, nada se sabe em concreto sobre as medidas que foram(?) ou vão(?) ser tomadas para responsabilizar e punir os protagonistas dessa fuga. Ao mesmo tempo, o cronista faz o paralelismo com outra história idêntica, mas ocorrida no Reino Unido e, claro está, com consequências bem diferentes para todos os intervenientes.

Independentemente de concordarmos ou não com todas as decisões, de um ou de outro lado, há várias coisas que chocam na “nossa” história. A primeira de todas, é a de sempre: a “culpa” morre solteira. Outra vez. Sempre que acontece algo verdadeiramente sério, grave, muitas vezes com consequências dramáticas, salvo raríssimas excepções (não que me lembre de alguma, nem mais, nem menos exemplar, é mais por uma questão de justiça e salvaguarda…), ninguém tem responsabilidade alguma. Em nada. Ninguém sabe, ninguém ouviu, ninguém tem competência, ninguém deixou de fazer o que lhe competia. Devíamos instituir essa nova personalidade jurídica.

Voltando à “nossa” história. Parece que a professora responsável pela fuga foi identificada e também parece que aliava às suas competências na elaboração de provas de exame nacional a função de explicadora na mesma área… Quando penso no que já deixei de fazer por ética profissional e no que isso me custa, literal e monetariamente falando, sinto que só me falta a palavra PARVA escrita na testa. Para ver todos os dias ao espelho e meditar.

De modo que, de facto, torna-se difícil educar. Educar para quê. Responsabilizar para quê, quando não há consequências. Para ficarmos bem de consciência? Infelizmente, consciência começa a ser assustadoramente fora de moda, no que o fora de moda tem de pior. E é por isso que quando digo ao meu filho que, felizmente, temos liberdade para fazermos (quase) tudo o que quisermos, desde que conheçamos bem as consequências dos nossos actos e estejamos preparados para viver com elas, ele olha para mim, meio incrédulo, como se eu tivesse acabado de aterrar de Marte…

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:11

A bondade não enche jornais.

por naomedeemouvidos, em 23.08.17

A maior parte das vezes, assistir ao telejornal ou ler a imprensa escrita é um exercício deprimente. Entre incêndios vorazes e, muitas vezes, criminosos que ceifam vida em todas as suas formas, sangrentos ataques terroristas que, além de ceifarem mais vidas, estimulam mais reacções vingativas e perversas, e essa admirável administração Trump que promete salvar a America First (eu diria a America Only) nem que para isso “paralise” o governo federal e seque os cofres dos serviços secretos, ler ou ouvir notícias, dizia eu, não é para qualquer um.

No entanto, no meio do caos e da loucura, a bondade dos homens também faz das suas. Infelizmente, não vende tanto como a violência gratuita e, portanto, a comunicação social não lhe dá o devido destaque nem a mesma atenção.

Vem isto a propósito de duas notícias (ou, mais exactamente, duas breves passagens…) que eu já tinha lido e que a Laurinda Alves destacou na sua crónica de ontem, no Observador.

Fernando Álvarez, nadador espanhol em competição numa prova que se realizava em Budapeste, permaneceu sozinho, em silêncio, durante um minuto, em homenagem às vítimas dos atentados de Barcelona. Cumpriu a homenagem sozinho, mandando a competição às urtigas, depois da recusa da organização do Mundial de Masters de Budapeste em “perder” mais um minuto que fosse e, digo eu, no que quer que fosse!

Harry Athwal, turista britânico de origem indiana, permaneceu (também ele) sozinho, de joelhos no chão de Las Ramblas, velando um menino (da idade do seu próprio filho) que tinha sido colhido pela demanda, cega, demente e assassina, de Younes Abouyaaqoub. Apesar das ordens da polícia para abandonar o local e do medo que sentia, com certeza!, recusou perder a humanidade e recusou-se a abandonar o menino em agonia: "He looked like my son, I didn't want to leave him". O menino acabaria por morrer, mas Harry não consentiu que morresse sozinho!

Por que não se dá o mesmo destaque a este tipo de notícias? O Homem é, na sua essência, mais perverso e mau do que bom e, portanto, há menos casos de bondade para documentar ou, simplesmente, a maldade vende mais, fascina mais, logo, rende mais?

A minha singela homenagem a estes dois homens, porque representam, de facto, senão a única, seguramente a arma mais eficaz de combater o terrorismo, qualquer que seja a sua forma.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:55



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe


Arquivo



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.