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Sai um idiota fresquinho, se faz favor!

por naomedeemouvidos, em 20.07.18

Não sei se me ria se chore:pesquisa-idiot-e-aparece-trump

Abomino tudo aquilo e mais alguma coisa que Donald Trump representa, mas isto é assustador. Será que podemos e devemos lutar com as mesmas armas que repudiamos?

 

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A “ideologia do género” é uma expressão que passou a fazer parte do léxico comum. A “disforia do género” também.

No Canadá, um bebé de oito meses (8 meses!) recebeu um cartão de saúde sem definição de género. A “mãe” é uma “pessoa não-binária transgénero” (confuso?) e, na sua traumática experiência, os médicos, quando a própria nasceu, olharam “para os meus genitais e assumiram aquilo que eu iria ser, e essas presunções perseguiram-me a vida inteira”. O bebé terá, por isso, a liberdade de escolher de que género quer ser… Quando quiser e se quiser.

Não consigo imaginar, nem pretendo, o enorme sofrimento que representará para alguém não se identificar com o sexo, com o género?, com que nasceu. Ser um homem refém de um corpo de fêmea, sentir-se mulher aprisionada num corpo de homem. Terrível, seguramente.

A minha ignorância neste tema é tremenda e absoluta. Assumo-o, com toda a franqueza e humildade. Mas não tenho muitas dúvidas quanto à leviandade com que se pretende tratar de coisas sérias, como esta.

Os sexos masculino e feminino não são construções mentais ou experiências académicas. Os médicos não presumem que uma criança é do sexo masculino ou do sexo feminino. A ambiguidade da identidade sexual não é a regra, é a excepção. E a “excepção” não é o certo nem o errado. É a excepção. Simplesmente. Colocar a Assembleia da República a discutir um projecto-lei que, no limite, permite a um adolescente de 16 anos pedir para mudar de sexo e de nome, e processar os pais caso não lho permitam é perigoso e é leviano. Que conhecimento científico têm os deputados, por mais eruditos, para decidir sobre questões da área da saúde e da medicina? A ciência, em geral, e a medicina, em particular, deixaram de ser instrumentos para obter conhecimento através do estudo e da prática? Observar e experimentar para descrever e explicar fenómenos naturais passou a ser obsoleto? As nossas ideologias, os nossos achismos, as nossas modas, vão passar a substituir o método científico? Vamos alterar, por decreto, uma realidade para abarcar todas as liberdades?

A liberdade de escolha e o direito que todos temos de ser tratados com respeito dentro das nossas opções individuais, naquelas que não representam violações do direito do outro, evidentemente, não pode obrigar-nos a negar o que somos. E, fisiologicamente, anatomicamente, somos meninos e meninas, rapazes e raparigas, somos homens e somos mulheres. Não podemos, simplesmente, ignora-lo ou ter vergonha ou receio de o reclamar. A solução para integrar, respeitar e aceitar a diferença não pode passar por uma reeducação em massa, pretendendo que não seja “normal” um menino sentir-se menino, uma menina querer ser menina, uma mulher achar-se fêmea e um homem presumir-se macho.

Não podendo haver, e não devendo haver, um domínio absoluto da biologia sobre a nossa identidade sexual e, sobretudo, sobre a nossa liberdade sexual, deturpar essa realidade e teorizar sobre experimentalismos socio-culturais a “bem” da “liberdade” de uma criança poder decidir que quer mudar de sexo antes de se lhe reconhecer maturidade para votar ou conduzir é assustador.

“Aos 16 anos, toda a gente sabe o que é e o que quer”, afirmou um médico e sexólogo clínico, ao Observador, acerca desta temática. Sabe? Fazendo minhas as palavras de Henrique Monteiro, há dias, no Expresso, devo ser eu, que sou mais do género estúpido…

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Escola, Consciência e Ética: ainda combinam?

por naomedeemouvidos, em 11.09.17

Estamos, de novo, no início de (mais) um ano escolar. Tema que me interessa por motivos pessoais e profissionais. Entre novas escolas, novos programas, novos professores, novos exames nacionais e a mesma ansiedade de sempre, muito há a pensar, a repensar, a definir, a fazer, enfim, muitos desafios a superar.

No que diz respeito, nomeadamente, aos exames nacionais- e não bastando todo o trabalho, stress, questões que avaliam tudo menos o que efectivamente importa, algum factor “sorte” e as eternas (e sempre desvalorizadas) “gaffes” científicas- tivemos, dizia eu, uma “diversão” acrescida nos últimos: a fuga de informação relativamente a alguns conteúdos que viriam a ser avaliados na prova de Português. Se calhar, já ninguém se lembra.

Alexandre Homem Cristo, no Observador, chama hoje à nossa memória esse episódio. Mais exactamente, recorda-nos que, até hoje, nada se sabe em concreto sobre as medidas que foram(?) ou vão(?) ser tomadas para responsabilizar e punir os protagonistas dessa fuga. Ao mesmo tempo, o cronista faz o paralelismo com outra história idêntica, mas ocorrida no Reino Unido e, claro está, com consequências bem diferentes para todos os intervenientes.

Independentemente de concordarmos ou não com todas as decisões, de um ou de outro lado, há várias coisas que chocam na “nossa” história. A primeira de todas, é a de sempre: a “culpa” morre solteira. Outra vez. Sempre que acontece algo verdadeiramente sério, grave, muitas vezes com consequências dramáticas, salvo raríssimas excepções (não que me lembre de alguma, nem mais, nem menos exemplar, é mais por uma questão de justiça e salvaguarda…), ninguém tem responsabilidade alguma. Em nada. Ninguém sabe, ninguém ouviu, ninguém tem competência, ninguém deixou de fazer o que lhe competia. Devíamos instituir essa nova personalidade jurídica.

Voltando à “nossa” história. Parece que a professora responsável pela fuga foi identificada e também parece que aliava às suas competências na elaboração de provas de exame nacional a função de explicadora na mesma área… Quando penso no que já deixei de fazer por ética profissional e no que isso me custa, literal e monetariamente falando, sinto que só me falta a palavra PARVA escrita na testa. Para ver todos os dias ao espelho e meditar.

De modo que, de facto, torna-se difícil educar. Educar para quê. Responsabilizar para quê, quando não há consequências. Para ficarmos bem de consciência? Infelizmente, consciência começa a ser assustadoramente fora de moda, no que o fora de moda tem de pior. E é por isso que quando digo ao meu filho que, felizmente, temos liberdade para fazermos (quase) tudo o que quisermos, desde que conheçamos bem as consequências dos nossos actos e estejamos preparados para viver com elas, ele olha para mim, meio incrédulo, como se eu tivesse acabado de aterrar de Marte…

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A bondade não enche jornais.

por naomedeemouvidos, em 23.08.17

A maior parte das vezes, assistir ao telejornal ou ler a imprensa escrita é um exercício deprimente. Entre incêndios vorazes e, muitas vezes, criminosos que ceifam vida em todas as suas formas, sangrentos ataques terroristas que, além de ceifarem mais vidas, estimulam mais reacções vingativas e perversas, e essa admirável administração Trump que promete salvar a America First (eu diria a America Only) nem que para isso “paralise” o governo federal e seque os cofres dos serviços secretos, ler ou ouvir notícias, dizia eu, não é para qualquer um.

No entanto, no meio do caos e da loucura, a bondade dos homens também faz das suas. Infelizmente, não vende tanto como a violência gratuita e, portanto, a comunicação social não lhe dá o devido destaque nem a mesma atenção.

Vem isto a propósito de duas notícias (ou, mais exactamente, duas breves passagens…) que eu já tinha lido e que a Laurinda Alves destacou na sua crónica de ontem, no Observador.

Fernando Álvarez, nadador espanhol em competição numa prova que se realizava em Budapeste, permaneceu sozinho, em silêncio, durante um minuto, em homenagem às vítimas dos atentados de Barcelona. Cumpriu a homenagem sozinho, mandando a competição às urtigas, depois da recusa da organização do Mundial de Masters de Budapeste em “perder” mais um minuto que fosse e, digo eu, no que quer que fosse!

Harry Athwal, turista britânico de origem indiana, permaneceu (também ele) sozinho, de joelhos no chão de Las Ramblas, velando um menino (da idade do seu próprio filho) que tinha sido colhido pela demanda, cega, demente e assassina, de Younes Abouyaaqoub. Apesar das ordens da polícia para abandonar o local e do medo que sentia, com certeza!, recusou perder a humanidade e recusou-se a abandonar o menino em agonia: "He looked like my son, I didn't want to leave him". O menino acabaria por morrer, mas Harry não consentiu que morresse sozinho!

Por que não se dá o mesmo destaque a este tipo de notícias? O Homem é, na sua essência, mais perverso e mau do que bom e, portanto, há menos casos de bondade para documentar ou, simplesmente, a maldade vende mais, fascina mais, logo, rende mais?

A minha singela homenagem a estes dois homens, porque representam, de facto, senão a única, seguramente a arma mais eficaz de combater o terrorismo, qualquer que seja a sua forma.

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"Nada na vida dever ser temido, apenas compreendido." Marie Curie

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"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."