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"Fuzilem-nos."

por naomedeemouvidos, em 05.08.19

Fuzilem-nos.PNG

“ - Quando temos 15 000 pessoas a entrar, e temos centenas e centenas, e temos dois ou três agentes de controlo de fronteira, bravos e magníficos. E, não esquecer que não os deixamos, e não podemos deixá-los, usar armas. Não podemos. Outros países fazem-no, nós não podemos. Eu nunca faria isso. Mas, como paramos esta gente?

- Fuzilem-nos!

- Só em Panhandle se sai impune com uma afirmação dessas.”

 

Parece que, ali, a coisa tem graça e merece aplausos.

Entretanto, não sei se já contabilizaram quantos mexicanos foram abatidos a tiro nos dois últimos massacres nos EUA. Quase 30 mortos em 13 horas, numa carnificina instigada pelo ódio que não é de hoje, é certo, mas que, hoje, volta a ter espaço tolerado e tolerável, assente em slogans promovidos pelo mais alto (ir)responsável da nação americana: “lock her up!”, “build that wall!”, “send her back”. Porque não "shoot them!", são só palavras, certo?

 

É absurdo fingir que não há um problema sério com as migrações em massa. Não sei bem como se resolve, mas, preferia que não fosse à custa de nos tornarmos exterminadores em série, escarnecendo de quem foge da miséria ou da guerra, como se a vida fosse coisa que pudéssemos eliminar como as ervas daninhas que empestam a harmonia bela e tranquila do nosso exuberante jardim.

 

Trump nunca usaria armas para impedir os criminosos e violadores mexicanos de entrar nos EUA. Não precisa. Tem quem o faça por ele. Basta pedir. Ou melhor, basta sugerir.

publicado às 09:36

Já(?) vimos o mundo depois de Trump.

por naomedeemouvidos, em 16.07.19

“Toda a propaganda deve ser popular e adequar-se ao nível de compreensão do menos inteligente dos seus destinatários.”

Trump.PNG

Suponho que apenas a amizade (na falta de melhor, chamo-lhe assim, mas, não estou plenamente convencida) que Donald Trump nutre por Benjamin Netanyahu o impeça de se declarar incondicionalmente arrebatado pela diabólica mente de Adolf Hitler. Se o implacável, tresloucado, ditador se tivesse ficado pela perseguição, tortura e assassínio de outros que não judeus (lamento não ser capaz de escrever isto de forma menos violenta), é possível que o actual presidente dos EUA já se tivesse atrevido a manifestar alguma (doentia) admiração por alguém que também quis tornar a sua nação grande outra vez. Também é possível que a minha teoria seja absurda; excepto que há gente capaz de exaltar os meus piores juízos sobre o próximo. E o que sobrará da América, se Donald Trump voltar a ser eleito?

Ninguém que valorize viver em democracia deixará de se preocupar com a escalada de delírio escarninho do homem que tomou as rédeas daquilo a que ainda chamamos "Estados Unidos da América". Num momento de inspiração que os mais pessimistas consideram premonitória, Margaret Atwood chamou-lhe Gileade, e, palpita-me, Trump adoraria chamar-lhe outra coisa qualquer, desde que à sua sobranceira imagem e imaculada semelhança.

Recordo que, no início, Donald Trump foi (ingenuamente, aprendemos da pior maneira) ridicularizado. Era, ainda, candidato, e servia de alguma diversão, arlequim de cores berrantes e disposição carnavalesca. Claro que, jamais um perfeito imbecil, de vocabulário penosamente limitado até para básicas conversas de balneário, rude, mal-educado, com todas as características do chico-esperto à americana e o nível de etiqueta de um arruaceiro vulgar poderia chegar a presidente de um país como os EUA. Não era? Pois, não foi. E, daí, partiu-se para o melhor é deixar a besta mais ou menos à solta, confiando no sacrossanto redentor sistema de checks and balances, esperando que tudo acabasse menos mal, não obstante correr pessimamente. Nada de impugnações. Afinal, pior era, ainda assim, possível. A não ser, claro, que o pior fosse Donald Trump, himself.

E, assim, o insulto passou a retória banal, tolerável, estratégica. A não ser, evidentemente, quando vem dos seus opositores. A esses está vedada a ousadia de recorrer à linguagem vergonhosa, terrível e desprezível com que Trump se diverte a enxovalhar todos os que se atrevem a tecer críticas ao seu modo de actuação. Ele, e ele apenas!, pode chamar, impunemente e com deleitosa gala, estúpido, maluco, inepto, e mais um pomposo leque de outros e piores impropérios sem que a magnífica corte de adeptos que o apoia e bajula sinta o mais pequeno sobressalto. Quem não estiver bem, que volte para o seu miserável e criminoso país. De preferência, calado, outra ordem que Trump adora distribuir a torto e a eito, como quem repreende criancinhas mal-comportadas no recreio da escola. O dividir para reinar deu lugar à técnica do bullying como estratégia - aparentemente, perigosamente, imbatível e inquestionável - política, interna e externa.

 

Adolf Hitler também disse que, quando se inicia e desencadeia uma guerra, o que importa não é estar certo, mas alcançar a vitória. Resta saber que mundo sobreviverá a outra vitória de Donald Trump.

publicado às 17:43

A propósito de Alhos e Bugalhos.

por naomedeemouvidos, em 08.07.19

Por motivos que não interessam nada, estive sem ler ou ouvir notícias quase 48 horas. Sei que, para muita gente, é uma preocupação estranha; mas eu gosto de ler notícias, mais, até, do que as ouvir. Manias. Ontem, já ao fim da tarde, ao abrir o Público online, deparei-me com um texto de Manuel Carvalho intitulado “A propósito do texto de Maria de Fátima Bonifácio”, e pareceu-me logo coisa séria, que é como quem diz, cheirou-me a esturro. De modo que, fui ler a Maria de Fátima, antes de continuar a ler o Manuel Carvalho.

Não sei qual dos dois textos me espanta mais. Não é a primeira vez que leio um artigo de opinião daquela historiadora e, nem sempre comungando das suas palavras, não a tinha por capaz de escrever um texto de teor tão racista, cheio de clichés rasteiros e, mais absurdo ainda, aí plasmar um pobre, deplorável, exemplo pessoal para ratificar o seu douto veredicto.

Mas, não vou falar do texto de Bonifácio. Até porque estou convencida de que muitos dos indignados de serviço e do costume resmungam entre amigos o que ela teve, pelo menos, a coragem (vamos chamar assim) de escrever. Digo, apenas, que lamento que, para debater um tema bastante sério e muito menos consensual acerca da existência ou não de “quotas étnico-raciais”, nos vários sectores que constituem o tal “espaço público” nas suas diferentes vertentes, a reputada historiadora Maria de Fátima Bonifácio, não tenha conseguido ir muito além do "não fazer parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade". Podia, e devia, ter-se ficado pela, a existir, possível corrupção de outros critérios tão sérios como o tema que se propunha discutir. Por exemplo, podem, as quotas, por princípio, criar situações aberrantes, em que a obrigação de diversificar e integrar a qualquer custo venha a sobrepor-se ao mérito? A abertura do acesso ao ensino superior a todos os alunos “independentemente da sua nota final” no 12.º ano (contra o que se insurge Fátima Bonifácio) vai, efectivamente, criar condições para uma maior integração das minorias, ou, pelo contrário – como Bonifácio sugere – vai apenas promover uma diminuição da exigência e um aumento do facilitismo, nas universidades portuguesas? E, todas estas apreensões -legítimas, com toda a certeza! - resultariam exclusivamente de abrir portas aos “analfabetos”? Tudo isto e muito mais pode e deve ser discutido seriamente, com melhores argumentos, sem desabafos miseravelmente sarcásticos.

 

Já o texto de Manuel Carvalho tem bastante mais que se lhe diga. Principalmente, nestes tempos, em que o bom jornalismo agoniza à mercê dos charmosos influenciadores que habitam as redes sociais, num esforço diário, permanente, de gestão entre o não ficar para trás e o não vender o corpo e a alma à mole de censores virtuais famintos de causas e cousas com que se entreter. Os romanos tinham os gladiadores a esventrarem-se nas arenas dos imponentes coliseus, nós temos a turba de justiceiros de moral de barro lamacento a chafurdar nos sites do mundo virtual.

Mas, o texto, senhores, o texto de Manuel Carvalho.

A vantagem de não sermos opinadores, influenciadores, informadores, ou outros predicados da soberba importância que, por vezes, nos atribuímos reside no abençoado poder de pensarmos pela nossa cabeça. Podemos estar totalmente enganados, mas falamos por nós, caímos por nós, levantamo-nos por nós. Sem isso, não creio que nos reste muito. Por isso, ler o texto de Manuel Carvalho é, no mínimo, deprimente. Se já sabiam que o texto em causa “está nos limites do ódio” e, entre outras coisas, “usa linguagem insultuosa para diferentes minorias”, o Público e, no tal limite que fica sempre bem, o seu director decidiram, ainda assim publicá-lo porquê? Não sei se percebi a explicação. O que é que correu mal, afinal? Mudaram de opinião em relação à gravidade do que lá se dizia? Não tiveram a coragem necessária para recusar a publicação do artigo? Ou, simplesmente, cederam à indignação generalizada e, cobardemente, vêm, agora, fingir-se arrependidos de ter mal avaliado as reacções viscerais que tal artigo, inevitavelmente, produziria?

Não sei como se concilia a garantia de que “o PÚBLICO é um espaço plural de opinião onde com muita frequência se publicam textos que estão longe dos valores que defendemos”, com “um cometer um erro de avaliação e análise”, um dia e muita incontida cólera depois. A não ser que dito erro tenha sido cometido na avaliação e análise das reacções que se soltaram a seguir. Seria um pouco assutador, no mínimo.

 

Não é a primeira vez que o director de um jornal sente a obrigação de vir explicar-se quanto à autorização de publicar um texto polémico. Não há muito tempo, José Manuel Fernandes já tinha necessariamente esclarecido a publicação de um texto que versava sobre contos de fadas e bons casamentos. Não será a última. E, quando Manuel Carvalho fala das consequências que tem de merecer para o futuro a opção de publicar o artigo de opinião da Fátima Bonifácio, temo que essas consequências acabem de vez com o tal espaço de opinião plural...

publicado às 13:59

O Direito à Opinião

por naomedeemouvidos, em 18.07.17

"Não concordo com o que dizes mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres". 

Parece que não foi Voltaire...

publicado às 00:53



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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