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Mau ambiente.

por naomedeemouvidos, em 25.09.19

greta thunberg.PNG

 

O reitor da Universidade de Coimbra talvez seja um pouco demagogo (concordo), nem aparece no Google quando se pesquisa reitor+carne+vaca+(nome)+reitor; alguns estudantes de Coimbra são umas "bestas quadradas, sem ofensa" (e é capaz, se foi mesmo isto que ouvi - e estou bastante segura de que foi), porque querem substituir horas de aulas por horas de pesquisas no Google, e Greta Thunberg foi malcriada e é capaz de merecer uns tabefes. Isto, assim para começo de conversa, porque calhei em ouvir as causas de José Miguel Júdice, ontem à noite, e o senhor parecia bastante agastado.

Devo dizer que não partilho da comoção que atacou os mais altos representantes das nações na sequência do discurso de Greta Thunberg, em Nova Iorque. Sem qualquer cinismo, pasmo com a coragem de Greta, rendo-me à sua vivacidade, invejo-lhe a ousadia de levantar a voz a favor de uma causa em que acredita e posso comover-me com a sua capacidade de mover multidões; afinal, é desta massa que se fazem os líderes – bons ou maus, é verdade – e o mundo precisa de gente capaz de dar um murro na mesa e dizer “basta!”, eventualmente, gritando, se os outros teimam em fingir-se surdos. O que me incomoda, como quase sempre, são os extremos que cedem à histeria bruta: de um lado, aqueles que, de repente, tiveram uma epifania, uma visão do anjo anunciando a salvação da Terra e a excomunhão de todos os pecadores; do outro lado, os que se decidiram a apedrejar a mensageira, arremessando-lhe os insultos mais reles e desbragados que a indecência permita. Há, por isso, uma turba de gente medíocre que se entretém, por exemplo, a lembrar-nos, freneticamente, que a miúda tem problemas mentais, concentrando na pirralha manipuladora e manipulável toda a escabrosa fúria erguida contra os que se atrevem a acreditar que também somos nós os responsáveis pela agonia do nosso habitat. Se a miúda está tão errada, seria suficiente atirar-lhe com argumentos científicos que a contrariem, em vez de tentarem humilhá-la, mas, claro que isso dá um ror de trabalho: implicaria compilar estudos científicos credíveis, comparar posições, discutir pontos de vista diferentes, procurar soluções. Demasiado, portanto. E muito menos suculento.

 

Também não chego a partilhar da opinião de que a miúda foi malcriada e merecia os tais tabefes (dois, se não me falha a memória), mas parece-me algo idiota, de facto, ver líderes mundiais embarcarem na onda purgatória, uns, com descaramento, outros, com leviandade. Não todos, é claro. Igual a si próprio, o presidente dos EUA ficou do lado da chacota, e publicou o inevitável tuitezinho de escárnio. Greta converteu a tentativa de gozo do bobo na sua nova marca de perfil no Twitter. E eu continuo a gostar da miúda.

publicado às 15:17

Juízos inflamáveis.

por naomedeemouvidos, em 26.07.19

Depois de escrever isto, primeiro, ouvi e, depois, li isto; ou seja, a Protecção Civil distribuiu golas antifumo produzidas com material inflamável, no âmbito do programa "Aldeia Segura- Pessoas Seguras". A empresa que fabricou as golas pensava que era merchandising e diz que a entidade não referiu que os equipamentos seriam usados em cenário de fogo. A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil diz que os equipamentos são um "estímulo à implementação local dos programas" e "não um equipamento de protecção individual". Já os utilizadores, alguns, dizem que "a gola aquece muito" e "cheira a cola".

Deve ser a isto que chamam brincar com o fogo.

 

publicado às 09:37

A propósito de Alhos e Bugalhos.

por naomedeemouvidos, em 08.07.19

Por motivos que não interessam nada, estive sem ler ou ouvir notícias quase 48 horas. Sei que, para muita gente, é uma preocupação estranha; mas eu gosto de ler notícias, mais, até, do que as ouvir. Manias. Ontem, já ao fim da tarde, ao abrir o Público online, deparei-me com um texto de Manuel Carvalho intitulado “A propósito do texto de Maria de Fátima Bonifácio”, e pareceu-me logo coisa séria, que é como quem diz, cheirou-me a esturro. De modo que, fui ler a Maria de Fátima, antes de continuar a ler o Manuel Carvalho.

Não sei qual dos dois textos me espanta mais. Não é a primeira vez que leio um artigo de opinião daquela historiadora e, nem sempre comungando das suas palavras, não a tinha por capaz de escrever um texto de teor tão racista, cheio de clichés rasteiros e, mais absurdo ainda, aí plasmar um pobre, deplorável, exemplo pessoal para ratificar o seu douto veredicto.

Mas, não vou falar do texto de Bonifácio. Até porque estou convencida de que muitos dos indignados de serviço e do costume resmungam entre amigos o que ela teve, pelo menos, a coragem (vamos chamar assim) de escrever. Digo, apenas, que lamento que, para debater um tema bastante sério e muito menos consensual acerca da existência ou não de “quotas étnico-raciais”, nos vários sectores que constituem o tal “espaço público” nas suas diferentes vertentes, a reputada historiadora Maria de Fátima Bonifácio, não tenha conseguido ir muito além do "não fazer parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade". Podia, e devia, ter-se ficado pela, a existir, possível corrupção de outros critérios tão sérios como o tema que se propunha discutir. Por exemplo, podem, as quotas, por princípio, criar situações aberrantes, em que a obrigação de diversificar e integrar a qualquer custo venha a sobrepor-se ao mérito? A abertura do acesso ao ensino superior a todos os alunos “independentemente da sua nota final” no 12.º ano (contra o que se insurge Fátima Bonifácio) vai, efectivamente, criar condições para uma maior integração das minorias, ou, pelo contrário – como Bonifácio sugere – vai apenas promover uma diminuição da exigência e um aumento do facilitismo, nas universidades portuguesas? E, todas estas apreensões -legítimas, com toda a certeza! - resultariam exclusivamente de abrir portas aos “analfabetos”? Tudo isto e muito mais pode e deve ser discutido seriamente, com melhores argumentos, sem desabafos miseravelmente sarcásticos.

 

Já o texto de Manuel Carvalho tem bastante mais que se lhe diga. Principalmente, nestes tempos, em que o bom jornalismo agoniza à mercê dos charmosos influenciadores que habitam as redes sociais, num esforço diário, permanente, de gestão entre o não ficar para trás e o não vender o corpo e a alma à mole de censores virtuais famintos de causas e cousas com que se entreter. Os romanos tinham os gladiadores a esventrarem-se nas arenas dos imponentes coliseus, nós temos a turba de justiceiros de moral de barro lamacento a chafurdar nos sites do mundo virtual.

Mas, o texto, senhores, o texto de Manuel Carvalho.

A vantagem de não sermos opinadores, influenciadores, informadores, ou outros predicados da soberba importância que, por vezes, nos atribuímos reside no abençoado poder de pensarmos pela nossa cabeça. Podemos estar totalmente enganados, mas falamos por nós, caímos por nós, levantamo-nos por nós. Sem isso, não creio que nos reste muito. Por isso, ler o texto de Manuel Carvalho é, no mínimo, deprimente. Se já sabiam que o texto em causa “está nos limites do ódio” e, entre outras coisas, “usa linguagem insultuosa para diferentes minorias”, o Público e, no tal limite que fica sempre bem, o seu director decidiram, ainda assim publicá-lo porquê? Não sei se percebi a explicação. O que é que correu mal, afinal? Mudaram de opinião em relação à gravidade do que lá se dizia? Não tiveram a coragem necessária para recusar a publicação do artigo? Ou, simplesmente, cederam à indignação generalizada e, cobardemente, vêm, agora, fingir-se arrependidos de ter mal avaliado as reacções viscerais que tal artigo, inevitavelmente, produziria?

Não sei como se concilia a garantia de que “o PÚBLICO é um espaço plural de opinião onde com muita frequência se publicam textos que estão longe dos valores que defendemos”, com “um cometer um erro de avaliação e análise”, um dia e muita incontida cólera depois. A não ser que dito erro tenha sido cometido na avaliação e análise das reacções que se soltaram a seguir. Seria um pouco assutador, no mínimo.

 

Não é a primeira vez que o director de um jornal sente a obrigação de vir explicar-se quanto à autorização de publicar um texto polémico. Não há muito tempo, José Manuel Fernandes já tinha necessariamente esclarecido a publicação de um texto que versava sobre contos de fadas e bons casamentos. Não será a última. E, quando Manuel Carvalho fala das consequências que tem de merecer para o futuro a opção de publicar o artigo de opinião da Fátima Bonifácio, temo que essas consequências acabem de vez com o tal espaço de opinião plural...

publicado às 13:59

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aqui

 

 

Não quis que me acontecesse o mesmo que me aconteceu quando o nosso Salvador Sobral ganhou o festival Eurovisão da Canção: já toda a gente tinha ouvido o rapaz, em delírio, e eu nem sequer conhecia a música. Nem o artista, que miserável vergonha. Continuo a não ser fã do moço, mas, como gosto de ter opinião – não necessariamente válida, como é notório – sobre tudo e mais alguma coisa, não queria permanecer na ignorância.

 

Dizia eu que, como não queria que me acontecesse o mesmo, lá fui ouvir a música desse tal outro rapaz que, pelos vistos, tem grande probabilidade de vir a representar Portugal no próximo festival da Eurovisão. É assim, não é? E sei que chego tarde outra vez, não tenho emenda. Ou tenho, mas não uso.

 

Conan Osíris, nome artístico de Tiago Miranda, anda nas bocas do mundo. Bom, não será bem (ou sim?), mas, de momento, anda nos jornais, nas revistas, nos blogues, no Facebook, e nas bocas (dessas também) e conversas, incluindo nas de café, de uma data de gente (toda) em Portugal. De modo que, lá fui ouvir a canção.

 

Como, aparentemente, ainda vivemos num país livre, creio poder dizer o que penso, mesmo quando isso não interessa a ninguém, que é capaz de ser o caso.

Gostei da voz do Tiago. Não apreciei o Conan. Tirava-lhe aquela roupinha toda – salvo-seja – e mudava-lhe a letra da música. Que diabo, vou partir o telemóvel, o telele, vou escangalhar o telemóvel e se não atenderes já sabes o que vai acontecer, e mais não sei o quê?

É claro que, muito provavelmente, sem aquela performance – de que a roupa (mas, não só) faz parte – e sem aquela letra, talvez a qualidade do artista não chegasse para agitar multidões. Vivem-se tempos estranhos. Se não se conseguir extremar emoções, atiçar as gentes, desencadear radicalismos – uma espécie de democratização moderna e algo leviana do sangue, suor e lágrimas – morre-se sem chegar a desabrochar, como uma formiga esmagada, inadvertidamente, desprezada na sua azáfama zelosa, porque mundana e vulgar. Não há nada como ser cigarra e seguir a corrente da ultra-modernidade.

 

Ora, não gostar destes telemóveis de Conan Osíris, não me faz odiá-lo, algo que também se tornou moderno e chiquérrimo. Já não chega não gostar, é imperativo odiar, humilhar, visceralmente, para não perder a onda. Não é que eu não seja chique, mas, sou mais do tipo vintage. No meu tempo, valha-me deus se existir, não gostar não chegava para desencadear uma guerra mundial, ou quase. No meu tempo, até se podia discordar, pasme-se!, sem com isso provocar convulsões.

 

Enquanto uns se esforçam por ser radicalmente diferentes, outros intentam exactamente o contrário, a bem, não sei bem de quê; dizem que dessa coisa que chamam de inclusão.

Entre as alucinações dos novos tempos – nessa saga idiota de normalizar, higienizar, unificar e mais um ror de coisas que há-de tornar-nos completamente acéfalos, mas, integrados e felizes, graças a deuses, esses do politicamente imbecil que se presumem correctos –, as escolas francesas ponderam substituir, nos formulários escolares, as designações “mãe” e “pai” por qualquer coisa como “progenitor 1” e “progenitor 2”. É verdade que o termo “parent” (em francês, as novas designações propostas são "parent 1 e parent 2") é menos fastidioso que o inócuo progenitor, sugerido na tradução para português. Mesmo assim, prevejo tumultos na escolha da ordem. Afinal, ser o progenitor 1 talvez se revista de maior importância do que ser o progenitor 2. É capaz de ser melhor encontrar, também, uma numeração alternativa e à altura do acontecimento. Como é que era com a super-inclusiva, nova e mui moderna designação de vagina? Buraco da frente, ou lá o que era. Limpo e sem confusões. Espera…

 

Adiante. O que realmente importa é que havemos de ser todos normais. Ainda que seja à força e contra a nossa vontade…

publicado às 11:39

Pela importância das palavras.

por naomedeemouvidos, em 16.11.18

    Já foi escolhida a palavra do ano. É “tóxico”. Discordo, de forma arejada e consciente. Acho que a palavra do ano – deste e, se calhar, dos vindouros – devia ser duvidar, ainda que com moderação. Não só duvidar das notícias pré-fabricas e arremessadas para as redes sociais com o intuito de provocar o maior número de danos colaterais, mas também das estouvadas soluções radicais e milagreiras que tudo tornarão grande outra vez, das nações aos clubes de futebol. Se duvidarmos talvez possamos existir melhor, porque mais conscientes do logro pérfido com que nos confundem, entregando-nos, como rebanhos, nas mãos desses magníficos cavaleiros dos tempos modernos, já sem capa e sem espada, mas empunhando sofisticadas armas, em sentido literal ou tecnológico.

    No arsenal de guerra tecnológico, o WhatsApp matou, recentemente, dois homens inocentes. Inconscientemente, puseram-se a (esse insuportável!) jeito e à mercê dessas massas ultrajustas, supramoralistas, mobilizadoras da vontade do povo e, sobretudo, pró-justiceiras por meios céleres e próprios. O facto de os homens serem inocentes é um pormenor de importância nada maior. Servirá como exemplo e forma de intimidação sobre más-intenções futuras. Afinal, na guerra também morrem inocentes em prol de objectivos muito nobres, como a busca pela ansiada paz que teima em não chegar a todos. O importante é mostrar que acabou o tempo em que a culpa morria solteira. Se é possível casar à primeira vista, por maioria de uma necessidade imperativa há-de ser permitido condenar à morte ao primeiro relance e rumor de suspeita. A bem da ordem, da moral e dos bons costumes não deve dar-se à justiça um tempo que corre lesto e sôfrego na procura de soluções à medida, para todos os gostos e necessidades. Na urgência da luta contra os demónios que nos assaltam não cabe a ponderação nem a justiça das leis que urdimos para construir sociedades mais igualitárias. Essas, falharam-nos estrondosamente. O povo, cansado de todos os males que minam o seu bem-estar, quer dar a voz e a vez aos destemidos com mão de ferro que prometem o paraíso, seja na sua grandiosa terra, ou no seu modesto quintal.

    Já não se enganam os tolos só com papas e bolos. Mas não é pela elegância da mentira e pelo assombro das causas que o engodo deixou de servir o seu propósito. E, por isso, a dúvida deve resistir; se não acima de tudo, para que, pelo menos, não prevaleça a confiança absoluta dos estúpidos.

publicado às 15:08

Cego, cego, não era só o amor?

por naomedeemouvidos, em 21.05.18

Em tempos não muito distantes, palavras levava-as o vento e dos fracos não rezava a história. Mas, entretanto, chegaram as redes sociais, as palavras permaneceram contra todos os ventos e os fracos, deslumbrados, ganharam espaço e tempo de antena. De indignação em indignação, de pirraça em pirraça, de insulto em insulto, tão mais eloquente quanto mais cobardemente anónimo, ergueu-se, ali, um campo fértil para os frustrados, para os arruaceiros, para os populistas. E, evidentemente, para criminosos das mais variadas e arrepiantes dimensões, mas isso seria assunto para um outro tema e um outro texto. Um outro dia.

É evidente que as redes sociais têm coisas fantásticas, apesar de ainda haver gente, como eu, que dispensa a maioria. A evolução tecnológica, também nesta área, é indiscutível e não pode ser ignorada nem menorizada. Pelo contrário. No entanto, o foco do problema não está nas redes socias, como é óbvio. Está nos seus utilizadores. Basta ver as páginas que recebem mais likes, mais visualizações e possuem mais seguidores. Desfiar um rosário de acontecimentos da nossa vida privada- quanto mais picante e/ou atormentada, melhor- rende muito mais do que falar de temas mais sérios e, claro, muito mais entediantes e sem glamour. E, se há utilizadores mais inofensivos, que se preocupam apenas com as fofocas básicas do dia-a-dia, também há os que preferem intrigas, muito sangue, menos suor e mais lágrimas. É neste meio que pupulam os imberbes que usam as redes sociais e as caixas de comentários de algumas publicações online para vomitar ódios e aliviar, violentamente, o desencantamento emergente dos seus fracassos.

Se, nas redes sociais, é inevitável o tempo de antena que se dá aos néscios, venham de onde vierem, não deixa de me espantar a importância que a imprensa e a comunicação social lhes dedicam com quase idêntico fervor. Os ignorantes são outros, o motivo será o mesmo. Em vez dos likes são os shares e os ratings e nem a imprensa dita de referência lhes escapa.

De share em share, subindo o tom e baixando o nível, jornalistas e televisões- por arrasto, o país em peso- vive o fenómeno Bruno de Carvalho com a avidez dos abutres ao redor da carniça. Incluo, infelizmente (porque vejo regularmente), a SIC Notícias e as suas horas recentes e intermináveis de comentários e análises ad nauseam. Não, os jornalistas e as televisões não criaram o Bruno de Carvalho (ou criaram?), esse, outrora, salvador do Sporting contra tudo e todos. E, sim, os jornalistas e as televisões têm a obrigação e o dever de informar e não devem voltar as costas às notícias do dia. Mas, e que tal voltar as costas a quem os insulta e os destrata dando-se, até, ao luxo de os manter mais de uma hora e meia à espera de uma conferência de imprensa que, mais não foi, do que um monólogo enfadonho, entre a vitimização e a ameaça, a “coragem” saloia e o narcisismo imbecil? O show dos jornais debaixo do braço, com especial destaque para a “morte à nascença dos Brunos de Carvalho” é da mais absurda demagogia. Só, de facto, seres muito pouco inteligentes, profundamente demagogos ou perturbadoramente alienados (Bruno de Carvalho que escolha, é capaz de encaixar em todos) é que poderiam ver naquela frase um desejo literal da morte física de alguém. Nem é preciso ler integralmente o texto de Miguel Sousa Tavares. Basta o título da crónica. Para quem se queixa da descontextualização do seu “foi chato”, é de se lhe tirar o chapéu!

Tal como usar a família, principalmente, as filhas menores para o eterno carpir do seu omnipresente processo de vitimização.

Só mais coisa continua a espantar-me. Como é que gente como o reputado psiquiatra Daniel Sampaio, o médico-cirurgião Eduardo Barroso e muitas outras personalidades que a maioria de nós tem por sérias e inteligentes, só agora se aperceberam do calibre deste senhor. É um pouco ao estilo do “caso” Sócrates. Enquanto é útil, ninguém vê. Afinal, cego, não é só o amor.

P.S. Tão ou mais importante do que saber perder, é saber ganhar. Não sei se o Desportivo das Aves foi ou não foi um justo vencedor da Taça de Portugal. Não percebo nada de futebol e sou portista mais por, desconfio, questões genéticas do que por qualquer outra coisa. No entanto, por muita razão que tenha o treinador do Aves (e eu acho que tem alguma) e por enorme que seja o feito do seu clube, José Mota poderia ter tentado ser ainda maior. Mas compreende-se.

publicado às 10:56

I'm sorry, I'm (kind of) stupid...

por naomedeemouvidos, em 12.04.18

Mark Zuckerberg não “sabe” nada nem “ouviu nada” sobre funcionários do Facebook envolvidos no acesso a dados usados pela Cambridge Analytica; acredita que nenhum funcionário seu acede, acederia ou acederá, a dados pessoais alheios, apesar de “teoricamente” o poder fazer; assume falta de “visão” para prevenir um mau uso de algumas (poderosíssimas) ferramentas da sua rede social e, claro, pede desculpa.

Espanta-me sempre a pureza, a ingenuidade, a falta de memória e afins de gente tão iluminada e inteligente, capaz de estar dois ou três ou vinte passos à frente do “seu” tempo- e, com isso, enriquecer (muitas vezes, com mérito, diga-se!) até onde nunca poderiam ter sonhado- sem nunca, mas nunca, imaginarem o que de mais perverso pode brotar do enorme poder que os próprios e as suas empresas detêm. Fantástico, não é?

Já o “nosso” Zeinal Bava tinha perdido a “memória” uma série de vezes, “não sabia, não tinha que saber”, não tinha “responsabilidade” e manifestava certa “dificuldade em dar-lhe esses números” aquando da comissão de inquérito em torno desse fantástico caso-Rioforte, o que lhe valeu o “amadorismo” com que o brindou Mariana Mortágua, na altura, na audição parlamentar. Um pouco à semelhança desse outro brilhante, da finança, Ricardo Salgado. Gestores de topo, excepcionais, premiados, condecorados, reconhecidos, muitas vezes, internacionalmente e, pasme-se!, dotados de uma ingenuidade confrangedora. E constrangedora.

Mark Zuckerberg também “acredita” que o Facebook não recolhe conteúdos de chamadas telefónicas, embora “imagine” que a investigação já iniciada venha a apontar o dedo à Rússia e à China no acesso a dados e perfis dos utilizadores. O Facebook também não vende dados dos utilizadores, mas permite a sua portabilidade, o que é um descanso!

É verdade que, provavelmente, ninguém lê os termos de utilização e de privacidade do Facebook, embora tenham a “oportunidade de o fazer” e, mais provavelmente ainda, muitos dos que utilizam o Facebook são os primeiros a mandar às urtigas a privacidade, porque isso dá poucos likes. De modo que, nas palavras do sábio, mais uma vez, as pessoas são livres de deixar o Facebook. Ou não?

Pelo sim, pelo não, eu pertenço a essa classe de gente esquisita e obsoleta que não tem Facebook…

publicado às 13:09



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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