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naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Negócio da China? Não, é mesmo Português...

   Ah, como é bom fazer negócios com o Estado Português! Qual negócio da China, qual carapuça! Sejamos nacionais ou estrangeiros, o que rende é celebrar (e como!) contratos com as nossas Finanças, a nossa Segurança Social, os nossos Presidentes de Câmara e por aí afora. Do parque automóvel privativo e improvisado da Madona ao prédio de Alfama que Robles adquiriu à Segurança Social a preço de saldo, das chorudas rendas da EDP aos incautos empréstimos concedidos pela CGD a distintos Donos-Disto-Tudo, do BPN ao Novo Banco, somos prodigiosamente beneméritos!

   Se dúvidas houver (ainda) no que toca ao altruísmo do Estado Português na gestão dos seus (nossos!) negócios, basta ler a notícia do Público, desta sexta-feira. Vale a pena. Parece que, além de termos vendido ao desbarato o Novo Banco ao Lone Star, depois de termos injectado milhões de euros a tentar salvar o que outros pilharam despudoradamente como ladrões de galinheiro, ainda resolvemos deixar um bónus, não fossem os senhores americanos duvidar da hospitalidade lusa. São 50 milhões de euros em moedas raras, fotografias contemporâneas, pintura, mapas portulanos e livros quinhentistas, escreve a Cristina Ferreira. A jornalista, não a entertainer. Mas também podia ser hilariante, não fosse quase burlesco. Quem é amigo, quem é?

O crime não compensa?

Esta é uma notícia que vale mesmo a pena ler. Para rir ou para chorar, fica ao critério de cada um. Dizem que o crime não compensa, mas eu acho que é como não acreditar em bruxas... "pero que las hay, las hay"!

https://www.publico.pt/2017/09/27/sociedade/noticia/licenca-parental-salva-funcionario-que-desviou-milhares-de-ser-despedido-1786797?page=/&pos=2&b=latest_news_a

Supremacia quê? Absurda, estúpidos!

Ao contrário de Ivanka Trump (a próxima presidente dos EUA?, a seguir ao pai), que veio a público dizer que “não há espaço para racismo, supremacia branca e neonazis” (resta saber se estava a ser totalmente sincera), o pai Donald está de baixo de fogo por não ter condenado, com a veemência que lhe é habitual, a marcha fascista que teve lugar em Charlottesville. Donald Trump, o homem sem papas na língua, que usa o twitter como uma G3 em tempo de guerra, capaz de disparar furiosamente contra tudo e contra todos os que se lhe opõem, o salvador da pátria que distribui insultos como chocolates em tempo de Natal, não foi além de uma ligeira “condenação” ao que chamou “demonstração de ódio, intolerância e violência de muitas partes, de muitas partes”.

Donald Trump não condenou positiva e inequivocamente a marcha destes inqualificáveis, grupos nazis, supremacistas brancos, activistas da alt-right e afins, porque partilha de muitas das suas posições. Como dizia hoje, no Público, Miguel Esteves Cardoso, “é possível que Donald Trump não seja racista, mas é improvável.” É altamente improvável aliás, porque todos sabemos que muitos dos elementos desta turba de fanáticos, prenha de nada mais do que ódio, não só ajudaram a levar Donald Trump à sala oval da Casa Branca, como viram na sua eleição uma espécie de consentimento para voltar a sair à caça. É bom não esquecer, também, que apoiantes da alt-right celebraram, à data, a eleição de Trump com a saudação nazi e só isto devia ser suficiente para fazer corar de vergonha aqueles que consideram Trump a alternativa. Em pleno século XXI, morreu(!) uma pessoa numa manifestação contra grupos racistas.

A eleição de Donald Trump, abriu uma caixa de Pandora, permitindo a muitos passar a dizer em público e com aberto despudor o que apenas se atreviam a murmurar à boca pequena e entre os da mesma laia.

Agora, as imagens de elementos do odioso KKK, envergando as suas tenebrosas túnicas brancas com o típico capuz são mais do que simbólicas, são uma premonição do mal que ainda pode vir e o movimento vai, aos poucos, assumindo-se de forma mais visível, depois de ter declarado em público o seu voto em Trump. É certo que o candidato veio rejeitar o apoio, na altura, mas não fará isso parte do espectáculo?

Citado por uma revista americana, um participante na ignóbil marcha de sábado em Charlottesville falava de uma “vitória fenomenal”, ao mesmo tempo que se congratulava com a necessidade que a polícia tivera de recorrer à violência contra eles para os “calar”: “Isto mostra que nós somos uma ameaça inacreditável para o sistema.”

É a supremacia, sim, mas da vergonha.

Pena de morte, sim ou não?

As notícias de violência sobre crianças dão-me sempre volta ao estômago. E, quando envolvem condenações por pena de morte, mexem com as minhas crenças, que nada têm de religiosas.

Nos EUA, uma mulher de 29 anos foi condenada à pena de morte por deixar morrer uma criança (uma prima) de dez(!) anos, fechada numa caixa, exposta a temperaturas superiores a 37 ºC. Parece que a menina roubou um gelado e, pasme-se!, esse foi o seu castigo. Sete intermináveis e sufocantes horas, confinada a uma caixa de plástico, sob um calor assassino. Inacreditável, não é, como alguém pode exercer tanta maldade? Também parece que, anteriormente, a menina já tinha sido obrigada, pela mesma prima e outros “adultos” com quem habitaria, a “beber molho picante, a comer excrementos de cão e a pisar latas de alumínio com os pés descalços”, segundo relata o jornal Público. O que não terá sofrido aquela criança!

A demoníaca mulher foi condenada à morte, mas pergunto-me se essa é uma punição adequada. Por outro lado, o que será “adequado” como castigo exemplar para alguém que é capaz de tamanhos actos de barbárie contra uma menina de dez anos? O que move alguém a exercer tamanha violência sobre outro alguém, ainda mais, à sua responsabilidade? Maldade? Inveja? Loucura? Era aqui que eu gostava de ter aquela fé inabalável na justiça divina, onde todos seríamos (seremos?) chamados à presença desse Deus misericordioso e por Ele julgados, encontrando aí, finalmente, a punição à altura do crime e a recompensa dos justos. Será menos insuportável para quem acredita?

Desacordos Ortográficos, the never ending story

Sou assumidamente, e apesar da minha profissão (felizmente, não sou professora de português…) contra este “acordo ortográfico”, que de acordo tem muito pouco, como é gritantemente evidente. Já vi e revi todos os argumentos a favor da “evolução” da língua, porque, antigamente, “farmácia” também se escrevia com “ph”, blá, blá, blá. Até já vi (ou melhor, li) alguém defender que agora temos, finalmente e como consequência do dito acordo, dois vocabulários actualizados que “não nos envergonham” na “comparação com o Brasil”! Confesso que fiquei pasmada com este, mas deve ser ignorância minha, com certeza, já que a minha falta de vergonha, pelos vistos, nunca me fez sentir complexada em relação ao Brasil, muito menos no que se refere à língua portuguesa. Sou mesmo parva!

Nem de propósito, acabo de ler, no jornal Público, um artigo interessantíssimo de Nuno Pacheco. O jornalista reuniu algumas palavras (daqueles conjuntos mais problemáticos, das chamadas consoantes mudas mas, pelos vistos, nem tanto…) e fez o seguinte (e imagino até que penoso) exercício: comparou a escrita daquelas palavras no Brasil e em Portugal, após a aplicação do AO. Resultado? Os brasileiros continuam a ter um serviço de recepção, mas nós passámos a rececionar. Os brasileiros ainda se deleitam a conceptualizar, mas nós optámos por uma insípida conceção, apesar de permanecermos unidos pela conceptibilidade. No Brasil, ainda se fazem estrondosas rupturas, mas em Portugal a mesma ruptilidade, empurrou-nos para uma mais suave e menos(?) conflituosa rutura. Em Portugal e no Brasil, a facticidade do acordo não deixou que os brasileiros dispensassem o fato, mas deixou aos portugueses, ainda assim, a possibilidade de escolher o facto…  

Como se vê, agora que escrevemos todos da mesma maneira, já não precisamos de nos sentir envergonhados...

No seu artigo, Nuno Pacheco incita-nos ainda a procurar mais exemplos, que diz poderem multiplicar-se à exaustão. Ainda não o fiz, com receio de que este tema me deprima ainda mais.

Vergonha, vergonha, tenho eu actualmente pelo que fizemos à nossa língua. Ninguém parece entender-se bem quanto às novas grafias e basta prestar atenção aos rodapés das notícias ou às legendas dos filmes que passam na televisão para sermos acometidos de um ataque de nervos…

PS: link do artigo do Nuno Pacheco

https://www.publico.pt/2017/07/27/culturaipsilon/noticia/danca-com-letras-nas-modas-de-ca-e-la-1780259

“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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Eu Sou Assim

IDADE_Tem dias. ESTADO CIVIL_Muito bem casada. COR PREFERIDA_Cor de burro quando foge. O MEU MAIOR FEITO_O meu filho. O QUE SOU_Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa. IRMÃOS_ Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo. IMPORTANTE NA VIDA_ Saber vivê-la, junto dos amigos e da família. IMPRESCINDÍVEL NA BAGAGEM de FÉRIAS_Livros. SAÚDE_Um bem precioso. DINHEIRO_Para tratar com respeito.

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"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."