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Parvoíces

por naomedeemouvidos, em 16.12.19

E se Ferro Rodrigues proferisse - preferencialmente e com igual fervor indignado - ralhetes do tipo:

“Senhores deputados e senhoras deputadas, os senhores e as senhoras e os partidos a que vossas excelências pertencem, eu inclusive, usam a palavra "prescrição" com demasiada facilidade para, convenientemente, se livrarem de uma séria de maçadas. Coisa a que, convenhamos, os vossos - nossos - restantes compatriotas não poderão, nunca, aspirar com tamanho proveito. Excepto, claro, se forem clientes e/ou advogados de grandes escritórios, desses cujos nomes surgem, invariavelmente associados a todos os processos mais ou menos mediáticos em que o segredo de justiça – para que alguns se estão cagando, bem entendido – serve apenas para levantar poeira e enganar os tolos. E isso, meus senhores e minhas senhoras, ofende-vos, ofende o Parlamento e ofende, principalmente, aqueles para quem nada prescreve. Muito menos, a obrigação de pagar impostos. E taxas. E as sobretaxas, para tapar os buracos orçamentais alargados pelas generosas prescrições.”

Isso é que era…

publicado às 11:13

Política, Amor e Beijos.

por naomedeemouvidos, em 14.11.19

 

"Por mim, preferia que políticos e comunicação social se focassem na discussão sobre os problemas do país e a melhor estratégia para os enfrentar, e deixassem de lado assuntos de tabacaria, carpintaria, alfaiataria, estágios e sobrenomes. Bem sei que a política sem picardia é coisa sem a paixão necessária para o efeito; como aqueles beijos técnicos dos romances de Hollywood: parece que é, mas não é bem. Mas, a Assembleia da República devia servir para avaliar quem tem os melhores projectos ou a melhor retórica?"

 

Este pequenino texto fazia parte de um rabisco que deixei na gaveta por altura do segundo dia de debate no Parlamento aquando da discussão do programa de Governo. Parecia-me ter tanto para dizer sobre o assunto, na altura, quando, de repente, houve uma data de gente que se deu conta de que, afinal, a Joacine gagueja com incontornável e incontrolável zelo, como se tivessem acordado naquela altura (João Miguel Tavares chegou, inclusive, a dizer que, no programa de Ricardo Araújo Pereira, tal facto não teria sido assim tão evidente, e fiquei na dúvida se teríamos visto o mesmo), amuei e deixei as ideias e o texto em suspenso.

Com tanta coisa a acontecer, e eu sem tempo para (me) perder, numa pausa mais curta do que aquilo que mereço, esbarrei no dito rabisco e reparei, com alguma graça (ou não), que, também a mim, a política, por algum motivo, já me tinha levado ao lado (pouco) romântico da coisa...enfim, ainda agora comecei e já estou a precisar de férias.

publicado às 11:45

Ainda sobre liberdades.

por naomedeemouvidos, em 26.04.19

 

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O meu filho olha para mim, entre o espanto e a vontade de fazer o mesmo. Afinal, é, ainda, uma criança e há várias, na sala, a mexer em tudo o que podem, desde os pequenos microfones – cada um com o seu interruptorzinho vermelho ao lado – aos teclados de computador que surgem mais ou menos escondidos nas bancadas. Há algumas piadas, alguma algazarra e alguns adultos idiotas, já que, as crianças estão apenas a ser crianças; dos adultos que as têm à sua responsabilidade, espera-se que os ensinem e eduquem, de preferência, pelo exemplo. Para muitos, o exemplo foi portarem-se como num recreio, pior do que os mais pequenos. Surpreendeu-me que alguns dos, supostamente, responsáveis pelo espaço não tivessem o cuidado de alertar para os possíveis excessos. Provavelmente, estarei errada.

 

A sala é a das "Sessões", a do nosso Parlamento no Palácio de São Bento. E sei bem que os próprios deputados são os primeiros, demasiadas vezes, a não honrar aquele local. Mas, ainda assim, sinto-me incomodada. O meu filho já sabe, antes de eu proibir o que quer que seja, que terá que se conter. Por momentos, sinto-me uma péssima mãe. Todos podem brincar, e ele não. Permito-lhe que, pelo menos, se sente numa das cadeiras, enquanto admiramos o espaço, bem mais pequeno do que nos parece, nos aparece, nos écrans de televisão.

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Nunca tinha entrado no Palácio de São Bento, nem na “Sala das Sessões”. Fisicamente, pelo meu próprio pé, não virtualmente, pelos écrans de televisão, no correr do telejornal, na azáfama dos directos. Fomos lá ontem. Por acaso, porque sim, num ímpeto de vontades, e se fôssemos? E fomos. Mais de uma hora e meia numa caminhada leve e lenta, até passar o detector de metais e entrar, finalmente, no Palácio, com o pequeno a cismar que já não entraríamos, afinal, a visita livre terminava às 18.00 h. Mas entrámos. E valeu a pena. Palavra, também, do meu filho.

 

No interior, visitámos outros espaços da Assembleia da República. Como estava muita gente, não deixo aqui mais registos fotográficos próprios. 

publicado às 14:02

Questiúnculas pequenas e apartidárias...

por naomedeemouvidos, em 06.11.18

    O secretário-geral do PSD, o senhor José Silvano, compareceu, não comparecendo, ao total das 13 reuniões plenárias realizadas no mês de Outubro. Parece que cada reunião rende um subsídio de deslocação de quase 70 euros e, claro, não estamos em época de desperdício. De modo que, algumas das presenças-mas-ausências de Silvano foram validadas, electronicamente, sem que o próprio saiba exactamente como. A sua password secreta, pessoal e intransmissível continua pessoal, mas é capaz de ser pouco secreta e, menos ainda, intransmissível e é capaz de alguém – que não o próprio, entenda-se – ter validado. Uma presença sem presença. Como dizia o outro, coincidências ou não, ele há coisas do Diabo…

   Para Rui Rio, o do banho de ética, trata-se de uma desagradável, mas “pequena questiúncula”. Para os restantes partidos e restantes deputados, ainda não sabemos bem. Aguarda-se. É tempo de ponderações e reflexões, com muitas hesitações, porque, já se sabe, também há os que não vivem em Lisboa e os que são açorianos a tempo inteiro ou parcial, tudo consoante o montante das ajudas de custo.

    Pintar as unhas no Parlamento é capaz de não ser prática muito comum; quanto ao resto, espera-se a chegada do impoluto que há-de vir atirar a primeira pedra…

publicado às 12:05


“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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