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Leio, logo, existo (e nunca estou sozinha).

por naomedeemouvidos, em 10.01.19

    Há cerca de um mês ou dois, fui buscar o meu filho à escola, numa rotina normal. Vinha de um teste de português e, assim que entrou no carro, disse-me “adivinha lá, se não estivesses sempre a dizer que, com livros, nunca estamos sozinhos, não tinha conseguido completar as cento e (qualquer coisa) palavras do texto de opinião”.

    Acho que já o escrevi por aqui. E também já escrevi que obrigo o miúdo a ler. Dizem que não é assim que se faz. As crianças não devem ser obrigadas a coisa nenhuma, muito menos, a ler. No meu tempo (valha-me Deus…), os meus pais não nos obrigavam a ler, a mim, ou à minha irmã. Enchiam-nos as estantes de livros, na sala e no quarto. Eles liam e nós também líamos. Mas, nesse tal tempo, as distracções não abundavam. Não havia telemóvel (qual telemóvel, até me lembro de não ter telefone, nem televisão…), nem ipad, nem PS-não-sei-quê, nem horas intermináveis de televisão com mais canais do que aqueles que temos paciência para ver. De modo que, líamos. E conversávamos.

    Em geral, o meu filho gosta de ler. Sempre gostou de livros, dos que serviam para ler no banho, em bebé, dos que emitiam sons, dos tridimensionais, dos que contavam histórias sozinhos, enfim, os livros sempre estiveram (e estão) presentes nas suas rotinas, mas, tendem a perder terreno para a concorrência, audaz, feroz e altamente competente; os jogos electrónicos são, quase diabolicamente, atractivos, e não só para os miúdos. Se o deixasse, acho que era capaz de jogar um dia inteiro. Mas, se o deixasse, raramente ajudaria a levantar a mesa ou a fazer a cama. Se o obrigo a lavar os dentes, a arrumar a secretária e a trocar a toalha de banho, que ele ainda julga que se muda sozinha, também o posso obrigar a ler. Faz parte do que se chama educar. Se tem tempo para poder jogar playstation, por maioria de razão e necessidade, há-de poder arranjar tempo para ler. Não há educação sem livros e a educação pelo exemplo já não é, temo, suficiente, num tempo em que os miúdos o passam mais longe de nós do que connosco, mesmo que façamos muito mais do que o possível para que a qualidade supere a quantidade.

    Vem isto a propósito de livros, mas não só. Porque ler, é mais do que nunca estar sozinho. E, mesmo que fosse só isso, acho que seria suficiente.

    Um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência veio, agora, divulgar que “os alunos que escolhem cursos do ensino superior da área da Educação e esperam, portanto, vir a ser professores, estão entre os que têm pior desempenho a Português”. É capaz de não ser preocupante. A não ser, quando nos apercebemos dos erros constantes e cada vez mais comuns entre aqueles que têm, por obrigação, pelo menos, profissional, escrever bem, comunicar bem. Já não é raro ver legendas de filmes com erros ortográficos de palmatória, ou rodapés de noticiários televisivos com hífens a apunhalar terminações verbais elevadas, contra vontade própria, à categoria de pronomes. Escreve-se de ouvido, mas de ouvidos moucos. Por que há-de um professor de matemática, ou de física e química, saber falar e escrever bom português, não é? Afinal, a matemática, por si só, já é complicada que chegue. A não ser que o problema da matemática, ou da física e química, (também) seja o português, aquele maldito diabo que se esconde nos mais inusitados detalhes.

    Se calhar, não nos faz falta ler “Os Maias”, mas, se, ao menos, nos obrigássemos a ler mais do que as mensagens do Whatsapp…

    Por imperativos programáticos, escolares, o meu filho acabou de ler a “A Odisseia de Homero, adaptada para jovens”, de Frederico Lourenço. Tomou-lhe parte do tempo de férias de Natal, tempo esse de que não pôde dispor para experimentar um novo jogo, com que andava a sonhar há vários meses. Achou uma seca. Pois. Como é que se diz? Temos pena…há males maiores. E adoro o meu filho.

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publicado às 12:37

Escola, Consciência e Ética: ainda combinam?

por naomedeemouvidos, em 11.09.17

Estamos, de novo, no início de (mais) um ano escolar. Tema que me interessa por motivos pessoais e profissionais. Entre novas escolas, novos programas, novos professores, novos exames nacionais e a mesma ansiedade de sempre, muito há a pensar, a repensar, a definir, a fazer, enfim, muitos desafios a superar.

No que diz respeito, nomeadamente, aos exames nacionais- e não bastando todo o trabalho, stress, questões que avaliam tudo menos o que efectivamente importa, algum factor “sorte” e as eternas (e sempre desvalorizadas) “gaffes” científicas- tivemos, dizia eu, uma “diversão” acrescida nos últimos: a fuga de informação relativamente a alguns conteúdos que viriam a ser avaliados na prova de Português. Se calhar, já ninguém se lembra.

Alexandre Homem Cristo, no Observador, chama hoje à nossa memória esse episódio. Mais exactamente, recorda-nos que, até hoje, nada se sabe em concreto sobre as medidas que foram(?) ou vão(?) ser tomadas para responsabilizar e punir os protagonistas dessa fuga. Ao mesmo tempo, o cronista faz o paralelismo com outra história idêntica, mas ocorrida no Reino Unido e, claro está, com consequências bem diferentes para todos os intervenientes.

Independentemente de concordarmos ou não com todas as decisões, de um ou de outro lado, há várias coisas que chocam na “nossa” história. A primeira de todas, é a de sempre: a “culpa” morre solteira. Outra vez. Sempre que acontece algo verdadeiramente sério, grave, muitas vezes com consequências dramáticas, salvo raríssimas excepções (não que me lembre de alguma, nem mais, nem menos exemplar, é mais por uma questão de justiça e salvaguarda…), ninguém tem responsabilidade alguma. Em nada. Ninguém sabe, ninguém ouviu, ninguém tem competência, ninguém deixou de fazer o que lhe competia. Devíamos instituir essa nova personalidade jurídica.

Voltando à “nossa” história. Parece que a professora responsável pela fuga foi identificada e também parece que aliava às suas competências na elaboração de provas de exame nacional a função de explicadora na mesma área… Quando penso no que já deixei de fazer por ética profissional e no que isso me custa, literal e monetariamente falando, sinto que só me falta a palavra PARVA escrita na testa. Para ver todos os dias ao espelho e meditar.

De modo que, de facto, torna-se difícil educar. Educar para quê. Responsabilizar para quê, quando não há consequências. Para ficarmos bem de consciência? Infelizmente, consciência começa a ser assustadoramente fora de moda, no que o fora de moda tem de pior. E é por isso que quando digo ao meu filho que, felizmente, temos liberdade para fazermos (quase) tudo o que quisermos, desde que conheçamos bem as consequências dos nossos actos e estejamos preparados para viver com elas, ele olha para mim, meio incrédulo, como se eu tivesse acabado de aterrar de Marte…

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publicado às 14:11



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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