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Votar ou Não Votar, eis a questão.

por naomedeemouvidos, em 25.02.19

Passava da meia-noite quando o escrutínio terminou. Os votos válidos não chegavam a vinte e cinco por cento (…). Pouquíssimos os votos nulos, pouquíssimas as abstenções. Todos os outros, mais de setenta por cento da totalidade, estavam em branco.”

Ensaio sobre a Lucidez, José Saramago

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O insólito referido acima nunca aconteceu, a não ser, na imaginação do escritor. Num país imaginário, o povo cansa-se, o Governo pasma, manda repetir a votação e, em vez de setenta por cento, são, agora, oitenta e três por cento os votos “brancosos”. Uma desgraça que há-de deixar a capital, e o país, em estado de sítio.

 

Abster-se, votar em branco ou inutilizar o boletim de voto de modo a anular esse direito que temos a escolher quem nos represente. Qualquer uma das três opções é possível de ser apresentada como uma forma de protesto por quem dela dispõe. Em temos práticos, os votos nulos ou os votos em branco não têm qualquer influência no apuramento de votos e na sua posterior conversão em mandatos. Mesmo que uma onda branca de indignação assolasse a vontade popular, como no livro de Saramago. Será melhor, então, a abstenção? Como forma de protesto, digo? Ficará ao critério de cada um.

Apesar de tudo, há quem defenda que as três atitudes são radicalmente diferentes. Eu tendo a concordar. A abstenção tem sempre um significado um pouco confuso. Como forma de protesto, é bastante cómodo. Um pouco como as greves da função pública à sexta-feira. E, na realidade, pode ter causas bastantes inócuas e alheias ao suposto protesto e à votação em si mesma: uma doença súbita, um caderno eleitoral desactualizado, uma recente alteração de morada. Para não falar dos que há muito se divorciaram da política, dizem, e aproveitam para ir à praia, almoçar fora, passear em família. Já os votos brancos ou nulos, pelo menos, implicam deslocarmo-nos à mesa de voto. Como forma de protesto, talvez tenha a vantagem de nos termos dado ao trabalho. Há, até, quem defenda que os votos em branco deveriam ter assento parlamentar, na forma de cadeiras vazias. Uma cadeira vazia teria sido eleita em 2011, quando o número de votos nulos atingiu um máximo histórico.

Temos o direito de fazer as nossas próprias opções, incluindo decidir que nenhum partido merece a confiança do nosso voto. Seja pela abstenção, pelos votos em branco, ou pelos votos nulos. Não sei é se podemos continuar de costas voltadas à política e aos políticos. E também não sei que impacto teria, na nossa democracia e nos partidos que a sustentam, uma elevada percentagem de votos nulos distribuídos por cadeiras vazias nas filas do Hemiciclo. Seria esse um ponto de partida para a mudança de que tanto se fala e que parece, no entanto, nunca chegar?

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publicado às 08:02

Vota uma, votam todas!

por naomedeemouvidos, em 21.02.19

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Carolina Beatriz Ângelo

 

“Acreditamos que uma grande maioria das mulheres não quer votar. Elas irão evitar ir às mesas de voto nos dias das eleições e irão preferir ficar em casa a cuidar das suas tarefas domésticas".

 

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As mulheres votaram pela primeira vez a 19 de Setembro de 1893, na Nova Zelândia e foi preciso chegar a 2011 para que a Arábia Saudita permitisse o voto às suas mulheres.

 

Em Portugal, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a exercer o seu, mais ou menos, direito de voto: tinham, à época, direito a votar «cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família», assim dizia a primeira lei eleitoral da República Portuguesa. Ninguém se terá lembrado que um chefe de família pudesse ser uma mulher, que disparate, de modo que, para acabar com os abusos, a partir de 1913, o regime republicano lá especificou que apenas “os chefes de família do sexo masculino” podiam votar, ou ser eleitos. As mulheres, algumas, só voltariam a poder exercer esse direito em 1931 – nas eleições para as juntas de freguesia: “mulheres portuguesas, viúvas, divorciadas ou judicialmente separadas de pessoas e bens com família própria e as casadas cujos maridos estejam ausentes nas colónias ou no estrangeiro”. Mais tarde, “os portugueses do sexo feminino, solteiros, maiores ou emancipados, com curso especial, secundário ou superior, comprovado pelo diploma respectivo” também passariam a gozar desse privilégio.

 

Nos dias que correm, não sei se não estaremos a desprezar, de forma grotesca e perigosa, um direito que, não tendo sido sempre de todos, tanto custou a alguns.

Não imagino o que é ser impedida de votar, como não imagino o que é viver amordaçada, privada dos meus direitos e liberdades, privada de mim, como, infelizmente, ainda acontece em tantos cantos obscuros do mundo (se calhar, acontece em cantos obscuros mesmo aqui ao lado, debaixo do nosso nariz, há muitas formas de arrancar alguém de si mesma/o).

 

Os sistemas eleitorais democráticos surgiram, precisamente, para garantir a soberania do poder que reside no povo. O nosso permite converter votos em mandatos pelo método de Hondt, que dá uma ligeira vantagem ao partido mais votado. Não é perfeito (até há quem diga que é antidemocrático...) porque isso é coisa que não existe. E até vimos nascer uma geringonça, mas, no caso, a culpa não foi totalmente do Hondt, coitado.

A escolha desse tipo de sistema é fundamentalmente política, não há uma resposta certa ou única. Aporta efeitos previsíveis, como também, consequências totalmente imprevistas e absolutamente espantosas, veja-se o caso dos EUA. A forma como escolhemos os nossos partidos, os nossos candidatos, os nossos representantes, tem influência directa no nosso modo de vida. Desconsiderar a responsabilidade de cada um na participação dessa escolha, nomeadamente, pelo exercício do direito de votar é um luxo a que não nos podemos permitir. Não acredito na obrigatoriedade do voto, mas, creio ser urgente estabelecer uma ponte entre dois extremos, se quisermos preservar esse pior regime político, com excepção de todos os outros. A mim, pessoalmente, não me apetece ficar em casa a tratar de tarefas domésticas

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publicado às 08:55

Reformar o sistema eleitoral?

por naomedeemouvidos, em 18.02.19

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aqui

O primeiro acto eleitoral livre, em Portugal, ocorreu em 1975. A 25 de Abril de 1975, mais de 90% dos eleitores exerceram o seu direito de escolher, em liberdade e consciência, imagina-se, os 250 deputados da Assembleia Constituinte, com o principal objectivo de escrever uma nova Constituição, que viria a ser aprovada a 2 de Abril de 1976. A 25 de Abril desse mesmo ano realizavam-se as primeiras eleições legislativas. E depois?

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publicado às 08:30

Estados, Sentidos e Segredos.

por naomedeemouvidos, em 15.02.19

Ainda o Estado. Sem sentido e com segredos. É no sítio do costume 

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publicado às 11:34

O estado do Orçamento.

por naomedeemouvidos, em 11.02.19

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Fui espreitar o Orçamento para 2019 e ver se percebia o estado em que se encontra a desditosa fera. Se quiser fazer o mesmo, é já aqui:

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publicado às 09:00

Orçamento de(t)Estado.

por naomedeemouvidos, em 07.02.19

 

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aqui

 

  O que é um Orçamento de Estado? Como se faz? E qual é o Orçamento de Estado ideal? Não sei responder a tudo isto (bom, a parte do ideal é fácil…não existe, como qualquer ideal digno desse nome). Mas, imagino que um bom ponto de partida seria uma espécie de verdade de La Palisse, esse pobre coitado que não se livra do equívoco, se não estivesse morto faria inveja e claro que estaria vivo, ainda hoje, abençoados os erros de tradução, faltava-me qualquer coisa de útil para dar seguimento a este texto. Adiante.

É já aqui...

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publicado às 09:30

Estado impostor.

por naomedeemouvidos, em 04.02.19

“(…) depois, na altura da produção, dareis um quinto ao faraó; as outras quatro partes servir-vos-ão para semear os campos e para vos sustentardes, assim como à vossa gente e às vossas famílias.”

Bíblia, Génesis, capítulo 47, versículo 24

 

E, assim, Deus criou os impostos.

Acha que não? Vá lá ver...

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publicado às 08:30

Sou "cidadão", e depois?

por naomedeemouvidos, em 31.01.19

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aqui

 

 

“A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.”

 

    Na Constituição da República Portuguesa, a cidadania surge como um direito. Raramente encaramos a cidadania como um dever. Talvez por isso, não a vivamos de forma plena. A nossa cidadania. Não nos metemos em política, nem na vida dos outros. A maior parte das vezes, só queremos que não nos macem. Pagamos os nossos impostos, cumprimos um conjunto seguro de regras, das sociais e às da legalidade, e, alguns, exercemos o direito de voto, mesmo que já não sejamos capazes de reconhecer alguém a quem confiar a nossa esperança. Resignados, vamos dando de ombros, como se não tivéssemos qualquer outra palavra a dizer. Talvez, um resmungo, numa conversa de café. Inconsequente. Um desabafo que não se leva demasiado a sério, ou, pelo menos, não durante o tempo suficiente para fazer a diferença.

    É verdade, não teremos todos a mesma apetência, paciência, o engenho ou a arte, para participar na construção de um país melhor, para contribuir mais e exigir mais de quem tem o poder de decidir por nós. Mas, é possível que a maior ameaça à nossa democracia seja essa manifesta indiferença, o crescente divórcio entre o cidadão e o seu Estado, com responsabilidades de ambas as partes. O menosprezo com que encaramos o exercício da cidadania representa um perigo à espreita, oportunista, de que nem sempre estaremos conscientes. Seja por ignorância ou por comodismo. Será que não podemos, não deveremos, como cidadãos, fazer mais? Conhecer, de forma profunda, a dimensão e o alcance dos nossos direitos, é capaz de ser um bom ponto de partida. Na verdade, o que sabemos, exactamente, sobre a forma como podemos exercer, plenamente, o direito à nossa cidadania?

A discussão acontece no sítio do costume:

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publicado às 08:30

Rasurando, à nossa (e à vossa) vontade.

por naomedeemouvidos, em 24.01.19

    Hoje nasce um novo projecto. Aqui, na blogosfera. Num acesso de semi-loucura, imagino, a Sarin lançou um desafio a alguns sapos que por aqui saltitam e estrebucham em torno de opiniões, desabafos, desaforos e outras coisas que tal.

    Na verdade, a cidadania exerce-se de muitas formas, como por lá se irá ler. Já lá iremos. O Rasurando vai ousar propor-se ser mais uma delas. Porque, os tempos e os hábitos tornaram-se apenas um instante, demasiadas vezes inconstante, e tudo o que temos dado mais ou menos como certo e adquirido escapa-se-nos por entre os dedos, entre cacos, estilhaçado, em constante sobressalto. De modo que, se nos sobressaltarmos em conjunto, cada um a seu modo e a seu mando, talvez se unam distâncias, talvez o mundo pule e avance, borboletas batam asas, energicamente, e um turbilhão de ideias e vontades crie o mais perfeito dos caos. Se não for nada disso, continuaremos a divertir-nos, a esgrimir devaneios, a concordar e a discordar. Sobretudo, continuaremos a pensar em nome próprio e com direito. Será bem feito.

    O projecto Rasurando – e os seus participantes (de momento), Eduardo LouroGaffeJúlio FarinhaMami, naomedeemouvidosSarinPedro Vorph – propõe-se “Discutir o Estado e a Cidadania” e “Convidar à Reflexão Conjunta”. Parece demasiado; mas fazêmo-lo tantas vezes, quase sem darmos por isso. Porque não em conjunto? Sem propaganda, sem julgamentos, sem partidos, sem políticos, sem intenções para além das que possam conduzir a uma contribuição, pequena ou grande, para um debate saudável e construtivo. Perca-se um pouco por lá. Participe, opine, discuta, proponha, discorde, contribua. Vai ver que não dói nada. Ou assim se deseja. Se precisar de um motivo de forma maior, fique a saber que o projecto Rasurando foi magnificamente vestido por esta endiabrada menina, exímia na arte de transformar palavras em imagens de marca.

    Amanhã será um outro dia. Encontramo-nos (também) por lá. Por enquanto, dê uma espreitadela. Está mesmo aqui 

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publicado às 14:05

O Estado, somos nós?

por naomedeemouvidos, em 22.01.19

    Eu gosto de citações. Concordando-se, ou não, com os autores, pelo menos, dão-nos a oportunidade de pensar e de discutir. De duvidar. Começo por uma tão conhecida que que se tornou uma espécie de clássico: “a democracia é a pior forma de regime, com excepção de todos os outros”. Não carece de assinatura, até porque, eventualmente, terá sido outro o autor original…na verdade, it has been said…”. Mas, isso é de somenos.

    Nos últimos tempos, temos assistido a uma certa degeneração, vou chamar-lhe assim, das virtudes desta forma de governo. Assusta-me que possa estar, como outrora, em declínio, de algum modo novamente ameaçada, porque parece-me haver, realmente, maior justiça num regime em que o povo tem o enorme poder de designar o governo e o poder legislativo por sufrágio livre e igual. Mas, o poder de que gozamos, enquanto povo, reveste-se de tremenda exigência e de minucioso labor. Distribui direitos, porém, também demanda incontáveis e incontornáveis deveres que, se levados a sério, vão além de praguejar – com imensa vontade e maior razão, tantas vezes – contra todos os que se aproveitam das vantagens da democracia, declinando as suas imperfeições sempre e quando convenha. E não convém sempre o mesmo a toda a gente, muito menos, no mesmo instante. A democracia, agora, faz-se de instantes. De repente(?), abriu-se um vazio abismal entre os valores que a democracia defende e a indiferença com que esses mesmos valores são estropiados, todos os dias, uma miserável catadupa de atropelos, onde a liberdade e a igualdade vão sendo moldadas, deturpadas, ao sabor de cada momento. Outros valores mais altos se levantam, prontamente e em contra-mão.

    Talvez a democracia nos falhe porque não somos exigentes o suficiente. Com ela; e, por arrasto, connosco. Como se, compactuando com a fraude do próximo, ganhássemos, nós próprios, o direito à complacência para com a nossa própria fraude. Uma espécie de troca-por-troca viciada e bolorenta. Resignamo-nos por ignorância ou por comodismo? Insurgimo-nos contra o abuso por princípio ou por despeito, se dele não podermos usufruir? Ou, talvez, apenas nos tenhamos habituado a olhar a política como algo peçonhento. Como se nada pudesse ter de belo. Enjeitamo-la pelo nojo com que a vemos esventrada e submissa a vontades viciadas e indigentes. Não sendo possível suspender a democracia quando convém, aceitá-la implica regras, e há regras que custam a cumprir. Exigem algum grau de sacrifício e, por vezes, umas gotas de hipocrisia a que, elegantemente, chamamos diplomacia. Terá, aquele, deixado de ser o melhor de todos os regimes? O que conta mais, no momento de decidir? E o que estaremos dispostos a sacrificar, nessa procura de um melhor Estado, de coisas, de causas, de governo?

    A imposição de um desastrado, e adulterado, politicamento correcto, que nos tornou refém das palavras e minou os debates políticos e sociais, esvaziou-nos, ao mesmo tempo, da capacidade de pensar e de duvidar. Pior. Ameaça deixar-nos tomados pelo medo, encolhidos, entregando, porventura, com alívio, o nosso poder de decisão a outros, que ousem assumir as rédeas das nossas fragilidades, como sociedade, guiando-nos como cordeiros em dia de procissão...

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publicado às 08:01



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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