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Sobre tecnologias.

Uma espécie de continuação do post anterior.

por naomedeemouvidos, em 21.11.19

“Agora há uns assim, livres-pensadores educados abruptamente no espírito da descrença, do negativismo e do materialismo. Antigamente (…), o livre-pensador era por vezes uma pessoa educada a princípio nos conceitos da religião, da lei, da moral, só depois chegando sozinha ao livre-pensamento, pela luta e pelo trabalho; mas agora surgiu um novo tipo de livres-pensadores ingénitos que crescem sem ouvirem sequer que existem leis da moral, da religião, que havia autoridades. Crescem espontaneamente com os conceitos da negação universal impregnados neles, ou seja, selvagens”.

 

Costumo usar as férias grandes para satisfazer vícios de leitora compulsiva. Leio ou releio com avidez, com a plena entrega que não alcanço tão frequentemente fora dessa época, porque sou incapaz de ler de qualquer maneira. Não leio na cama, não leio para descontrair – pelo contrário, preciso de estar no pleno uso dos meus sentidos, alerta como um vigilante – e sou incapaz de ler naqueles dez ou quinze minutos perdidos numa pausa entre labores; eventualmente, uma ou outra notícia de jornal, mas só. Caprichos. Como não beber vinho num copo sem pé, nem tomar café num copo de plástico. Mas isto não interessa nada. Interessa é que, contrariamente ao costume, estamos a caminho do final de Novembro e ainda me sobrou um livro de férias. Em minha defesa, este Verão, abusei de feiras do livro, de promoções e descontos, e decidi não deixar para outro ano o que andava há muito para ler e não li. Cumpro, por isso, a minha penitência antes dos livros de Outono-Inverno.

 

O excerto que transcrevi lá em cima é, claro, do livro de Lev Tolstói, Anna Karénina, escrito entre 1872 e 1877. “Todas as famílias felizes são parecidas” e, aparentemente, não só elas. Há resmungos, não só parecidos, como intemporais. Com as devidas adaptações, vamos ouvindo discursos quase idênticos ao longo dos tempos, uma espécie de ode ao pessimismo da gente mais conservadora e avessa ao progresso. Nos nossos dias, podemos transpô-lo para as críticas mais ferozes em relação à vertiginosa e omnipresente evolução tecnológica; em particular, na relação entre a verdade e a mentira, entre a liberdade de expressão e a faculdade de construir e espalhar boatos, falsidades aburdas, com intencional dolo, faculdade essa ao alcance de qualquer sonso, sem qualquer escrutínio, minando qualquer tentativa de debate, porque a pressa já não é só inimiga da perfeição: tornou-se, paradoxalmente, num empecilho útil à proliferação de todas as demagogias, dos chiliques instantâneos com as misérias alheias, ao ataque cerrado e cirúrgico às regras do jogo democrático.

 

A liberdade de expressão tem servido de respaldo a todos os perseguidos por livre-pensarem a sociedade que lhes apetece, a gente que lhes apetece, o mundo que lhes apetece, independentemente de qualquer razão, excepto a sua própria, inquestionável, inviolável, à prova de qualquer discussão, porque, obviamente, não é esse o objectivo. Mas, quando o chorrilho de vontades alternativas por medida ou encomenda atinge o despudor criminoso de incitar à morte, à violação, à perseguição de outro ser humano, sobra pouca tolerância para a liberdade dessa expressão.

 

De entre os que se insurgem contra tais revolucionários de pacotilha -  nem por isso menos perigosos - erguidos sobre os escombros de todos os nossos descontentamentos e ressentimentos, há que os que consideram que, ainda assim, a solução não passa pela censura dos conteúdos partilhados como pólvora. Associam a censura, de qualquer tipo, a um calamitoso acto de condicionamento da nossa expressão máxima de liberdade, receando que, a reboque e a coberto desses limitações apocalípticas, acabemos, afinal, quase todos amordaçados. Não digo que seja infundado receio. Não tenho uma opinião definitiva sobre o assunto. Sabemos o resultado de tentar calar vozes incómodas. Mas, já não é bem disso que se trata, pois não? 

 

publicado às 16:14

A influência do absurdo.

por naomedeemouvidos, em 17.10.19

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Já não bastava o telefonema à Cristina, ao Casillhas, à Fátima, e por aí fora. Não sei se a República aguenta tanto afecto, mesmo acompanhado de sandes e pastéis de Belém...

Marcelo Rebelo de Sousa está como aqueles pais que, de tanto quererem parecer modernos e amigos dos filhos, às tantas, confundem-se nos papéis. Não havia necessidade.

 

publicado às 14:49

Verdade (s)em rede.

por naomedeemouvidos, em 20.09.19

Tenho este artigo guardado há vários dias. Uma espécie de (mais um) ponto de partida para outra reflexão, já não tanto sobre o que é ou não verdade, mas sobre a verdade que importa, ou, talvez mais urgente e aterrador, se realmente importa que não seja verdade.

No artigo, fala-se sobre a possibilidade de a linguagem constituir um meio válido, confiável, de identificar notícias falsas, e pensei imediatamente nos títulos medonhos de alguns sites de informação manipulada que o polígrafo costuma recolher para, professoralmente, classificar de verdadeiro; verdadeiro, mas…; impreciso; falso; pimenta na língua. Só faltam as percentagens, mas salvaguarda-se o enquadramento; porque, a “verdade não é branca ou negra”. Só pela megalomania dos títulos, raramente me engano no “isto não pode ser verdade!”, embora possa não ser capaz de chegar ao rigoroso “pimenta na língua”. A questão é que, por vezes, como é também e tão bem sabido, a realidade atropela a ficção, esmaga-a sem apelo nem agravo, e nem sempre o meu radar acerta, é um facto.

Trata, dizia eu, aquele artigo, de dar conta de trabalhos de pesquisa realizados nos últimos anos com o objectivo de tentar, primeiro, encontrar um padrão de linguagem passível de ser mais frequentemente associado a fontes de informação (em bom rigor, desinformação) intencionalmente enganosa, segundo, recorrer à tecnologia de inteligência artificial para caçar esse padrão numa informação manipulada, de modo a alertar-nos para o logro.

Entre outros exemplos, refere-se, na informação viciada, a linguagem tende a ser excessivamente emocional, abundam termos relacionados com morte, sexo e ansiedade, o recurso aos superlativos (o mais; o pior), adjectivos sonantes (terrível; brilhante) e o uso frequente da segunda pessoa do singular. Nada disto é, no entanto, vinculativo, evidentemente, e, em particular, no que diz respeito ao pronome “you” (“tu”, ou, talvez traduzindo melhor, neste contexto, por “você”), tentou chegar-se um pouco mais longe no estudo, comparando artigos retratados e não retratados do jornalista Jayson Blair. Ainda assim, não é possível precipitarmo-nos em conclusões, mas, talvez possamos estar mais atentos. Sempre e cada vez mais atentos.

 

Entretanto, acabei por ler um outro artigo ligado, mais ou menos, à mesma temática. A nova ameaça não é tanto uma questão de sermos capazes de identificar ou não a verdade, é termos consciência de que, afinal, somos cada vez menos capazes de concordar com aquilo que classificamos, ou encaramos, como verdade. Claro que não é bem, nada!, uma novidade;  mas, não se trata tanto do já esgotado e esgotante pensamento insalubre acerca da planura da Terra, da negação plácida das causas antropológicas para o aquecimento global, do autismo das vacinas-free ou dos milagres da homeopatia. É mais do que isso, mais perigoso e mais assustador, porque tem a ver, também, com o facto de grande parte da verdade subjacente à indignação que inunda os meios de comunicação social, vertendo, posteriormente, para as colunas de opinião, programas de entrevistas televisivas, grandes ou pequenas reportagens estar cada vez mais condicionado, não pelos acontecimentos em si mesmos (ou, pela sua gravidade) mas, pela forma como esses acontecimentos são relatados e enquadrados e, pior, manietados pelo poder das redes sociais.

O exemplo mais próximo de nós, aqui neste recanto que continua a encantar estrangeiros e a transtornar nacionais, é, talvez, o recente caso do assassinato e violação de Maria Antónia Guerra de Pinho (a ordem macabra dos acontecimentos parece ser exactamente esta), a irmã Tona, a que o Eduardo Louro fez pertinente referência neste texto, e cuja notícia passou despercebida porque parece que "não entrou nas redes"

 

Os especialistas não se cansam de nos dizer que nada disto é tão novo como parece e que já corremos os mesmos riscos no passado. É possível. Mas, como também parecemos empenhados em apagar esse passado e, não podendo, em embelezá-lo e corrigi-lo de todas as imperfeições que possam atrapalhar a escalada de sucesso viral das melhores instastories, é possível que não estejamos preparados para tamanho sucesso. 

publicado às 11:45

Retratos Sociais.

por naomedeemouvidos, em 31.05.19

Uma viagem tão trivial quanto necessária. Por exemplo, de avião. De regresso a casa, com muitas horas de sono perdidas a troco de trabalho ou lazer, entre escalas apertadas, algo atordoados entre diferentes fusos horários e o cansaço acumulado de vários dias fora da rotina normal. Que bom, sentarmo-nos, por fim, numa cadeira, mesmo de um lugar de avião, e relaxar um pouco. Quem sabe, dormitar, para quem tem a sorte de se deixar sossegar, ainda que viajando em classe turística.

Subitamente, entre um abrir e fechar de olhos mal amestrado, enquanto nos ajustamos na cadeira com impaciente esforço, procurando a dignidade escusada da posição menos desconfortável, esbarramos, atabalhoadamente, com a nossa imagem sequestrada no pequeno écran do telemóvel do miúdo de 11 ou 12 anos sentado no lugar ao lado do nosso.

 

Foi mais ou menos isto que aconteceu, recentemente, a uma amiga minha. No regresso a casa, durante uma viagem de avião reparou, por acaso, que o menino que viajava no lugar ao lado a fotografara – sem o seu consentimento, evidentemente – enquanto ela dormitava um pouco. Pediu-lhe que apagasse a imagem. Depois, foi falar com a mãe da criança, que, naquele dia, num vôo lotado, não viajava perto do filho.

 

Num mundo cada vez mais dominado pela imagem – e pela exploração dessa imagem nas redes sociais para fins vários, nem sempre, inocentes – é difícil encontrar o equilíbrio entre o direito a captar momentos únicos, eventualmente, irrepetíveis, que queremos preservar para além da nossa memória, e o direito que temos a não nos vermos expostos numa qualquer conta de Instagram, de alguém que não conhecemos, sabe-se lá com que intenção. O recíproco também se aplica. E, na verdade, é difícil fazermos fotografias sem captar, ainda que acidentalmente, a imagem de um qualquer desconhecido que não nos autorizou a fazê-lo. Os mais conscientes dessa pequena(?) violação de privacidade limitam, com algum decoro, a exibição desses retratos pessoais. Outros, acabam por promover a partilha mais ou menos exaustiva desses adorados (não necessariamente adoráveis) instantes, sem pensar demasiado nas consequências – por descuido, por piada mal ou bem-intencionada, por desconhecimento – ou, pelo contrário, com base num objectivo bem definido, por vezes, escandalosamente pérfido e com resultados tenebrosos. Foi assim, por (desgraçado) exemplo, que, em Novembro do ano passado, dois homens inocentes foram linchados por populares, no México. Alguém decidiu que eram eles os responsáveis pelo desaparecimento (que nem chegou a ser confirmado) de várias crianças e a notícia da sua “captura” rapidamente se espalhou pelas redes sociais, com apelos à justiça célere e por vontades próprias. Nem os comunicados da polícia isentando os homens, tio e sobrinho, da suspeita de que eram alvo foi suficiente para serenar a fúria justiceira da matilha de influencers. Foram queimados vivos por uma turba ululante e paranóica, entre aplausos, likes e emojis.

 

No último sábado, uma mulher espanhola suicidou-se. Aparentemente, não foi capaz de suportar ver-se exibida, entre os seus colegas de trabalho, num vídeo de teor sexual gravado há cerca de cinco anos (anterior ao casamento actual) e de que o marido também acabou por tomar conhecimento. Não é claro se foi a própria quem divulgou o vídeo, ou alguém por ela; nomeadamente, um ex-companheiro. Não será relevante, para o que veio a seguir-se.

O dramático é a facilidade com que a nossa intimidade se nos escapa, com ou sem culpa, com ou sem pesar de consciências e consequências, a troco não se sabe bem de quê. Imagina-se. E, no entanto, cada caso é um caso. Ser insipidamente normal, deixou de ser suficiente. A anormalidade trapaceira de Anna Sorokin valer-lhe-á uma séria da Netflix e outra da HBO. Talvez venha a ser, enfim, a milionária que encarnou durante os meses que viveu de crédulos e créditos alheios que atraiu e alimentou com a aura de glamour derramada pelas redes sociais. Ninguém gosta de ser defraudado por um – uma, no caso – pelintra andrajoso e pestilento, tresandando a miséria à distância. Mas, um (uma) vigarista é um vigarista apenas se não souber vestir-se com irrepreensível estampa, de Saint Laurent para cima; ou por qualquer lado, incluindo, lá pelos do tribunal, por onde Anna não gosta de aparecer com qualquer trapo. Há uma reputação fingida que é preciso manter a qualquer custo, que alguém não se importará de suportar pela própria.

 

Os exemplos multiplicam-se. Banalizam-se.

A mãe do menino pediu desculpa. E o menino, provavelmente, nem percebeu bem porquê. Afinal, era só uma fotografia. Pelo menos, que se tenha dado conta...

 

Quando mando o meu filho desligar os "entreténs tecnológicos" - porque está na hora, ou porque não é a hora -, às vezes, ele resmunga um "mamã, se tivesses nascido neste tempo, ias perceber...". Imagino que seja o equivalente  moderno ao "no meu tempo..." e perdoo-lhe a impertinência. E, então, peço-lhe que me explique. Ouço o que me diz; ouço o que não me diz, atenta ao mais pequeno sinal de alarme, enquanto me esforço por tentar perceber se a mensagem passa em ambos os sentidos. Mas, esforço-me, sobretudo, por lhe mostrar o lado bom e o lado mau das redes sociais e por deixar claro que, online, um pequeno erro, uma brincadeira parva, pode assumir proporções inimagináveis e engolir-nos com implacável indiferença. Espero que ele me dê ouvidos.

 

 

publicado às 11:00

Sorria - ou não - mas está a ser filmado.

por naomedeemouvidos, em 26.03.19

big brother.PNG

aqui

 

No passado Domingo, no programa “60 minutos” que passa na Sic Notícias, falava-se no esplendor da vida no Principado do Mónaco, esse romântico – eventualmente trôpego (lá para o fim do dia) – pequeno Estado debruçado sobre o azul celeste (tem dias) do Mar Mediterrâneo, no sul de França, fundado pela excelsa Casa de Grimaldi. Entre todas as extravagantes excentricidades (parece redundante, mas, já se sabe, o Mónaco é especial) e abastadas ilusões que por lá se podem experienciar – haja dinheiro, que é como quem diz, aos montinhos… – a  reportagem chamava a atenção para o fortíssimo, permanente e (quase) omnipresente sistema de vigilância electrónica sobre todos os cantos, recantos, ruinhas, ruelas, avenidas e demais recônditos públicos do elegante principado. E, assim, à mais leve tentativa de perturbação da ordem pública – como uma ligeiríssima infracção de trânsito – a polícia entra em acção. Há, por isso, uma enorme sensação de segurança, como testemunhava um dos chiquérrimos entrevistados. A criminalidade no Mónaco é residual e o apertado controlo policial é apontado como um dos motivos.

 

Não que o Mónaco sirva muitos exemplos, mas ocorreu-me a nada nova discussão sobre o que devemos valorizar mais: a segurança ou o direito à nossa privacidade pessoal-barra-social? Não imagino possível ambicionar a ambos. Provavelmente, já nem teremos a opção de escolha. Se não somos nós mesmos – tantas vezes, de forma absolutamente consciente – a entregarmos a chave da nossa vida a todos os conhecidos e desconhecidos com quem, eventualmente, nos cruzamos nas incontornáveis redes sociais, são outros tantos, de igual estatuto, a postar todos os instantes em que, com ou sem acaso, nos cruzamos diariamente, das refeições às férias, da roupa aos filhos, dos livros aos filmes, das paixões tórridas às discussões mais caseiras, de uma simples gripe ao drama das mais impressionantes e dolorosas histórias de doença e morte. Há dias, uma inconsequente notícia côr-de-rosa dava conta do enfado de uma celebridade por não poder visitar tranquilamente, com os filhos, um local público, tal era a perseguição de que se sentira alvo; é a mesma celebridade, no entanto, que – como tantas outras – se dedica a expor, regularmente, fotografias da sua vida pessoal, incluindo, as crianças, para gaudio dos milhões de fiéis que adoram (per)segui-la (e à respectiva família), clique-a-clique, um like de cada vez.

Seguramente parece, mas, chega bem (nem pretendo) a ser crítica. Pelo menos no sentido de julgar, era o que faltava. Tal como eu, cada um - celebridade ou não - publica o que muito bem lhe apetece, seja pessoal ou impessoal. É apenas a constatação de que vivemos cada vez mais publicamente, e que não é possível – nunca foi – ficar com o melhor de dois mundos. Resta saber de qual deles preferiremos abdicar.

publicado às 08:00

Redes Sociais: use com moderação...

por naomedeemouvidos, em 16.07.18

Um dos mergulhadores ingleses que participou nas operações de resgate dos doze meninos tailandeses e do seu treinador sugeriu que Elon Musk podia “stick his submarine where it hurts”, que é como quem diz, ele que enfie o submarino onde lhe doer. Fantástico, não é? A brilhante tirada vinha na sequência – em declarações à imprensa – de uma pergunta sobre qual teria sido exactamente a intenção do CEO da SpaceX ao enviar o “mini-submarino” para Mae Sai. Na opinião do mergulhador, o mini-submarino não tinha qualquer hipótese de funcionar como opção de recurso ao salvamento e Musk, por sua vez, não teria qualquer noção das características da gruta no que toca aos percursos a realizar. Não estando em causa a perícia dos mergulhadores – e daquele, em particular – para criticar a fiabilidade das soluções apresentadas por outros, mandava o bom senso que não se caísse na brejeirice. Digo eu, que estou bastante desactualizada nestas coisas.

Se um foi pouco elegante, a resposta do outro não ficou atrás e, recorrendo ao Twitter, Elon Musk acusou de pedofilia, nem mais nem menos!, o mergulhador inglês, de seu nome, Vernon Unsworth. E, claro está, sem fundamentar a acusação pois para isso é que a malta quer as redes sociais. Lógica? Da mais simples: Unsworth vive na Tailândia, a Tailândia tem um dramático problema de prostituição infantil, logo, Unsworth é pedófilo! Assim, uma espécie de tabela de verdade que só é “verdade” na ligeireza do bullying virtual que permite amigar e desamigar, bajular e insultar, dizer e desdizer de forma, aparentemente, tão apaixonada quanto inconsequente.

Eu acho que as redes sociais deveriam apresentar um alerta, assim ao estilo dos maços de tabaco: “a utilização de forma estúpida prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam”, ou, “descarregar baboseiras-barra-insultos nas redes sociais pode provocar a morte lenta e dolorosa da sua inteligência”.

É inacreditável como pessoas adultas e, supostamente, dotadas de algum discernimento, com provas dadas de competência em diferentes áreas, podem chegar a ser tão básicas.

Quando o meu filho era mais pequenino, perguntava-me muitas vezes “mamã, os adultos também fazem disparates?”. A inocência das crianças é algo delicioso; mas, olhando para o lado positivo da coisa, sempre podemos usar o seu valor pedagógico…

publicado às 22:14

Cego, cego, não era só o amor?

por naomedeemouvidos, em 21.05.18

Em tempos não muito distantes, palavras levava-as o vento e dos fracos não rezava a história. Mas, entretanto, chegaram as redes sociais, as palavras permaneceram contra todos os ventos e os fracos, deslumbrados, ganharam espaço e tempo de antena. De indignação em indignação, de pirraça em pirraça, de insulto em insulto, tão mais eloquente quanto mais cobardemente anónimo, ergueu-se, ali, um campo fértil para os frustrados, para os arruaceiros, para os populistas. E, evidentemente, para criminosos das mais variadas e arrepiantes dimensões, mas isso seria assunto para um outro tema e um outro texto. Um outro dia.

É evidente que as redes sociais têm coisas fantásticas, apesar de ainda haver gente, como eu, que dispensa a maioria. A evolução tecnológica, também nesta área, é indiscutível e não pode ser ignorada nem menorizada. Pelo contrário. No entanto, o foco do problema não está nas redes socias, como é óbvio. Está nos seus utilizadores. Basta ver as páginas que recebem mais likes, mais visualizações e possuem mais seguidores. Desfiar um rosário de acontecimentos da nossa vida privada- quanto mais picante e/ou atormentada, melhor- rende muito mais do que falar de temas mais sérios e, claro, muito mais entediantes e sem glamour. E, se há utilizadores mais inofensivos, que se preocupam apenas com as fofocas básicas do dia-a-dia, também há os que preferem intrigas, muito sangue, menos suor e mais lágrimas. É neste meio que pupulam os imberbes que usam as redes sociais e as caixas de comentários de algumas publicações online para vomitar ódios e aliviar, violentamente, o desencantamento emergente dos seus fracassos.

Se, nas redes sociais, é inevitável o tempo de antena que se dá aos néscios, venham de onde vierem, não deixa de me espantar a importância que a imprensa e a comunicação social lhes dedicam com quase idêntico fervor. Os ignorantes são outros, o motivo será o mesmo. Em vez dos likes são os shares e os ratings e nem a imprensa dita de referência lhes escapa.

De share em share, subindo o tom e baixando o nível, jornalistas e televisões- por arrasto, o país em peso- vive o fenómeno Bruno de Carvalho com a avidez dos abutres ao redor da carniça. Incluo, infelizmente (porque vejo regularmente), a SIC Notícias e as suas horas recentes e intermináveis de comentários e análises ad nauseam. Não, os jornalistas e as televisões não criaram o Bruno de Carvalho (ou criaram?), esse, outrora, salvador do Sporting contra tudo e todos. E, sim, os jornalistas e as televisões têm a obrigação e o dever de informar e não devem voltar as costas às notícias do dia. Mas, e que tal voltar as costas a quem os insulta e os destrata dando-se, até, ao luxo de os manter mais de uma hora e meia à espera de uma conferência de imprensa que, mais não foi, do que um monólogo enfadonho, entre a vitimização e a ameaça, a “coragem” saloia e o narcisismo imbecil? O show dos jornais debaixo do braço, com especial destaque para a “morte à nascença dos Brunos de Carvalho” é da mais absurda demagogia. Só, de facto, seres muito pouco inteligentes, profundamente demagogos ou perturbadoramente alienados (Bruno de Carvalho que escolha, é capaz de encaixar em todos) é que poderiam ver naquela frase um desejo literal da morte física de alguém. Nem é preciso ler integralmente o texto de Miguel Sousa Tavares. Basta o título da crónica. Para quem se queixa da descontextualização do seu “foi chato”, é de se lhe tirar o chapéu!

Tal como usar a família, principalmente, as filhas menores para o eterno carpir do seu omnipresente processo de vitimização.

Só mais coisa continua a espantar-me. Como é que gente como o reputado psiquiatra Daniel Sampaio, o médico-cirurgião Eduardo Barroso e muitas outras personalidades que a maioria de nós tem por sérias e inteligentes, só agora se aperceberam do calibre deste senhor. É um pouco ao estilo do “caso” Sócrates. Enquanto é útil, ninguém vê. Afinal, cego, não é só o amor.

P.S. Tão ou mais importante do que saber perder, é saber ganhar. Não sei se o Desportivo das Aves foi ou não foi um justo vencedor da Taça de Portugal. Não percebo nada de futebol e sou portista mais por, desconfio, questões genéticas do que por qualquer outra coisa. No entanto, por muita razão que tenha o treinador do Aves (e eu acho que tem alguma) e por enorme que seja o feito do seu clube, José Mota poderia ter tentado ser ainda maior. Mas compreende-se.

publicado às 10:56



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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