Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Um mundo ingovernável.

por naomedeemouvidos, em 06.01.20

Steve Bannon deu uma entrevista fraquinha (ou era eu que estava demasiado entusiasmada; é mais provável) ao jornal “Expresso”. Mas avisou que isto é uma revolução, que não leva a sério o que Trump tuíta (menos mal…), que os senadores republicanos não ousarão votar contra o presidente no processo de impeachment (embora, segundo a peça jornalística, num almoço que juntou 45 dos 53 senadores republicanos e no qual houve um voto secreto sobre tal processo, 35 tenham votado a favor do afastamento), que o telefonema entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky foi perfeito e o resto são fake news e teses democratas. Haverá um novo frente-a-frente entre Hillary Clinton e Trump que resultará, inevitavelmente, na vitória do último. Em 2024 é provável que alguém como Oprah ou Kanye West se apresente como candidato presidencial e, sobretudo, presidenciável. A política já não é o que era.

De momento, Bannon dedica parte do seu tempo a um programa de rádio, “War Room: Impeachment”, para dar assistência ao seu presidente a partir de um movimento de bases. E se quiserem chamar-lhe “uma das pessoas mais perigosas à face da Terra”, usará esse título “como uma medalha”.

 

Tudo bem encaminhado, portanto. A megalomania aventureira e tresloucada do todo-poderoso Donald Trump escalou novo degrau com o assassinato daquele que era tido como o “segundo homem mais poderoso do Irão”. Os superlativos andam ao rubro, por estes dias.

Parece que não é nada de tão infame. Afinal, Qassem Soleimani não era um dos “bons”. Boris Johnson – que estaria de férias e ainda não se tinha pronunciado sobre o ataque encomendado pelo presidente norte-americano – veio, entretanto, também dizer qualquer coisa do género; o reino cada vez menos unido não irá lamentar a morte do general iraniano. O importante agora é manter a calma e não incentivar retaliações. Evidentemente.

 

No funeral de Qassem Soleimani gritou-se “Morte à América”, o Iraque aprovou uma ordem de expulsão do país das tropas norte-americanas e outras forças militares estrangeiras, o Irão rasgou o acordo nuclear assinado em 2015 com os EUA e Trump ameçou, via tuiter (que descanso!), com sansões “muito fortes” e o ataque a 52 alvos estratégicos, alguns de grande importância para a cultura iraniana. Serão atingidos "VERY FAST AND VERY HARD", que o homem não brinca. Ou brinca, mas cada vez menos gente quer saber. “Olho por olho, dente por dente, vida por vida”, até não sobrar pedra sobre pedra e Trump subir aos céus embalado pelos anjos, depois de ter cumprido a missão em que o deus de alguns o enviou.

TrumpEv.PNG

E fica aqui um bom artigo da Teresa de Sousa, para mantermos alguma sanidade.

 

Entretanto, a Austrália continua a arder. Os bombeiros estão exaustos, há um coro de críticas à actuação (ou falta dela) do primeiro-ministro Scott Morrison e o fogo parece dar poucas ou nenhumas tréguas. A época de incêndios prolongar-se-á até ao fim de Março e o cenário é desolador.

 

Menos mal que, por cá, sempre temos futebol. O FCP e o Sporting jogaram ontem e os principais canais nacionais dedicaram-se esmeradamente a essa orgia desportiva. Horas e horas de opinião, antecipação, prognósticos antes e depois do jogo, um corrupio de análises, debates, palpitações e êxtase. Até pensei que estávamos no final da época e me tinha escapado qualquer coisa. Imperdoável.

O resto não interessa muito. O Orçamento de Estado será aprovado apesar das supostas ameaças, o país está bem e recomenda-se. Pelo menos, enquanto o Vox não conseguir mais uns quantos escaños no parlamento da Espanha que para o partido de Santiago Abascal existe para lá da raia que os separa de Portugal. Há quem diga que é apenas uma “estilização” mal conseguida do mapa do país vizinho. É capaz. Ultrajante seria ficarem-nos com o Cristiano Ronaldo. Ou com o comendador Jorge Jesus.

 

Vox.PNG

 

 

publicado às 10:43

Resmungos.

por naomedeemouvidos, em 24.04.19

Donald e Benjamin.PNG

 

Benjamin Netanyahu vai nomear uma nova cidade nos Montes Golã after Trump. Os dois devem estar radiantes. O primeiro, porque ninguém, talvez, tenha feito tanto – na História recente – por minar, mais ou menos intencionalmente, qualquer tentativa ou desejo de estabelecer os tais dois Estados que teimam em não lograr uma coexistência pacífica. O segundo, porque, sendo um narcisista incorrigível e peçonhento, vai poder, enfim, pavonear-se por algo um pouco mais palpável (e se o homem gosta…) que o crescimento da economia americana. Talvez não ganhe um muro, mas ganha um monte, uma cidade, pelo menos; poderá visitá-la, em deliciado e delicioso êxtase, rebolar de júbilo e adorar-se. Só lhe falta a derradeira união pacífica q.b. com o talentoso Kim, outrora visceral inimigo, mas, isso não interessa nada, que o tempo é de paz. E, a propósito, sem esquecer o Nobel, que o Donald quer muito. Ah, que relação fantásticamelhor que um filme de ficção científica. Podem arrumar-se os foguetes e, ainda assim, o tempo continuar de festa. Escrevem-se novos capítulos da História que os mais incautos – incrédulos copiosos, pavorosos – não viram chegar. Quem disse que a democracia não pode ser suspensa por seis meses, ou mais, a bem de reformas necessárias, ou de uma ordem qualquer que importe repor? Impor. Eles andavam aí, e a Manuela, calhando, nem desconfiava…

 

A vizinha Espanha vai a votos no próximo Domingo. “Não minta”, “a política espanhola a trumpificar-se”, “você é um fake”, e outros mimos, uns mais normais que outros em debates políticos televisivos. Talvez não importe tanto quem ganhou ou perdeu cada um dos debates, mas, sim, que solução governativa se apresentará depois de Domingo, se o PSOE de Pedro Sánchez ganhar sem maioria, como indicam as sondagens. Depois de Andaluzia, chegou a hora de ter Vox no Parlamento Espanhol? Apesar do que eles dizem, ou, pelo contrário, em favor do que defendem? E o que defendem, exactamente? Entre a América Great Again, o Brasil acima de tudo e a Espanha Viva, haverá lugar a comparações legítimas e úteis?

 

Já que os programas não são para cumprir, chegou a vez da política feita exclusivamente de slogans. Dizem que Steve Bannon lançou a semente e Trump inaugurou a moda no mundo dito civilizado. Talvez Matteo Salvini venha a seguir o conselho e faça do Papa Francisco um inimigo a combater, a bem da Itália. Não sei se já escolheram o slogan.

 

Entretanto, Sérgio Moro pegou-se com o nosso ex-primeiro ministro. Diz que não debate com criminosos. Pela televisão, pelo menos. Um pulinho da magistratura para funções governativas, há pouco mais que quatro meses, e Moro já esqueceu o princípio da presunção de inocência. Há quem diga que não é de agora. Como há quem, há muito, não veja em José Sócrates nada de inocente; nem na forma presumida. Eu, por acaso, pertenço a este último e infame grupo...

publicado às 12:45

Teorias da conspiração, ou, talvez não...sei.

por naomedeemouvidos, em 22.11.18

    “Há uma conspiração de extrema-direita a nível internacional, muitíssimo bem pensada, bem planeada e que vem sendo executada passo a passo”, assim começava no início deste mês, Miguel Sousa Tavares, uma das suas crónicas semanais no Expresso. E, a seguir, referia que Steve Bannon era, não o único, mas o rosto mais visível dessa insidiosa construção.

    Na altura, perguntei-me se Miguel Sousa Tavares não estaria a exagerar, um pouco ao seu estilo mais ou menos cáustico e, nem sempre, tão isento e impoluto quanto se gostaria, mas, todos temos os nossos pecados e quem não gosta, já sabe o que há-de fazer, que proliferam alternativas, inclusive às alternativas. Adiante. Seguramente, não sou só eu que reparo, mas, alguns cronistas da nossa prolífera e dotada praça mediática entretêm-se, muitas vezes, a mandar recados aos “inimigos” de profissão e de ideologia. Pode ser uma outra crónica, um desabafo num programa de televisão, uma piada radiofónica, enfim, na forma e no meio que estiver mais à mão, ou à boca, e, nisso, não há mal algum. Nem todos gostamos de falar sozinhos, como os malucos, e há dinâmicas bem interessantes. O caso é que, a teoria da conspiração de Miguel Sousa Tavares mereceu uma outra crónica, desta vez, no Observador de um outro autor que, na maioria das vezes, não leio, por nenhuma razão em especial. Acabei por ler por me sentir identificada com a dúvida: Miguel Sousa Tavares tem razão em levantar a suspeita da existência de uma gigantesca e perigosa conspiração, meticulosamente, ardilosamente pensada para usurpar a liberdade e a democracia, ou o senhor é apenas uma vítima da intensidade das suas próprias crenças políticas de proporções cósmicas?

    As duas crónicas vão muito para além desta discussão, eu continuo cheia de dúvidas, mas, lembrei-me de ambas ao ler este artigo e de cujo teor o DN dá conta aqui.

    Não sei se existe ou não uma tentativa concertada para elevar a extrema-direita ao poder, mas, há dias, também li que um em cada quatro europeus admite votar em partidos populistas, cujo número (também li) mais do que triplicou nos últimos 20 anos, e que, "Portugal, Estónia e Letónia são os únicos países da Europa que não elegeram nenhum populista", ainda.

    Também há dias, num jantar com amigos, falávamos dos motivos (alguns deles) que levaram muitos a escolher um presidente como Jair Bolsonaro. Entre outras coisas, surgiu, inevitavelmente, a questão da segurança. “Sabes o que é estares permanentemente atenta à hora de chegada do teu filho da escola? Esperar que ele te ligue a dizer que está tudo bem?”, perguntava-se. Não, não sabemos. Mas, nos EUA, onde o acesso às armas é o que é, também podemos ter o azar, eufemisticamente falando para não endoidecer, de os nossos filhos estarem no lugar errado à hora errada. “Mas, nos EUA, não grassa a impunidade dos criminosos, como no Brasil”, é verdade. “Precisamos de alguém como ele”, para pôr ordem na casa; “se não cumprir o que diz, corremos com ele também!”, o que parece uma estratégia inteligente e, tão ou mais importante, infalível. Não fosse o caso de a História já ter demonstrado que correr com eles pode não ser tão fácil e limpo, como parecia e se esperava. É possível que Donald Trump volte a ganhar as eleições presidenciais em 2020. E se não ganhar?

publicado às 10:36



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


Layout

Gaffe




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.