Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

naomedeemouvidos

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos..

Cobaias, paparicos e provérbios.

    Augusto Santos Silva fez saber, aos socialistas europeus, e não só, que “não podemos ser ambíguos para com regimes autoritários, venham da direita ou esquerda, sejam da Europa, América Latina, África ou asiáticos”. Isto, depois de quase termos prestado vassalagem a Xi Jinping, incluindo na nova e útil modalidade de cobaias entusiasticamente oferecidas numa espécie de dote.

    Fiquei um pouco confusa. Ou o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros não sabe bem onde fica a China, ou desconhece os meandros do tipo de regime que por lá se pratica. Possivelmente, andou à conversa com Bernardino Soares, que percebe imenso de regimes políticos, principalmente, asiáticos. Parece que, por lá, as democracias possuem algumas peculiaridades que escapam aos mais incautos.

 

    Donald Trump voltou a exibir o seu delicado encanto e apelidou de “dumb as a rock”, em português erudito, burro como um calhau, o seu ex-secretário de Estado. Parece que o senhor, que não Trump, claro, afirmou, numa entrevista, que o Presidente lhe terá pedido para fazer umas coisas que violavam a lei. Ninguém diria. Trump não gostou e, como é hábito quando algo não lhe corre de feição, partiu para o insulto pessoal. Via tuites, que, tal como no futebol, em equipa que ganha não se mexe. Além de burro,  Rex Tillerson também seria um preguiçoso dos diabos, pelo que, Trump deixou claro que Mike Pompeo está a fazer um great job e, além disso, é bastante mais prestável e inteligente que o seu predecessor. Será, pelo menos, pelo tempo que Pompeo se mantiver útil e obediente no cargo; se vier a incompatibilizar-se com o endiabrado Donald, terá direito aos mesmíssimos nada alternativos mimos com que o Presidente agracia todos os seus ex-colaboradores, salvo aqueles que mantêm, mesmo à posteriori, o ritual do beija-mão. Quem não está com Trump, está contra Trump. E Trump não perdoa, não esquece e não conhece misericórdia.

           

    Depois das linguagens inclusivas nas suas variantes mais bizarras, de que, por cá, o “camaradas e camarados” de um desastrado Pedro Filipe Soares foi o último golpe, eis que pretendem agora corromper-nos os sábios provérbios dos nossos antepassados. Já não vamos poder matar dois coelhos de uma cajadada, nem pegar o touro pelos cornos, porque, para um punhado de iluminados, há um risco pronunciado e não absurdo de podermos vir a confundir a linguagem metafórica com malévolas acções reais, levadas à prática num acto de demência anunciada e colectiva. Sair pela calada da noite, atirando paus aos  indefesos gatos, embalados pela melodia que teima em não sair do ouvido; esmagar, sadicamente, um pássaro na mão, livrando-nos da tentação de arrojados actos. Se não por isso, por respeito aos bichos...e os loucos somos nós.

    Por higiénica e escorreita prudência, nem beijinhos aos avós, nem princesas a arfar diante de sapos, não vão virar príncipes, nem géneros atirados biologicamente, nem músicas infantis mal-intencionadas, nem ditos populares animalescos. Tudo a bem da harmonia dos povos que brilha em amarelo vivo nas imagens que, há quatro semanas, nos enchem os écrans de televisão, enquanto as gentes, fartas de desgovernos, se agitam contra estorvos um tudo ou nada mais comezinhos.

“The world is a very dangerous place!”

    Deve ser difícil manter uma conversa séria com Donald Trump. Pelo menos, no que diz respeito a garantir uma presidência funcional de um país que se quer grande. Excepto no que toca a conversas de balneário ou negócios mais ou menos obscuros (aí, o homem agarra quem quer que seja, por onde quer que seja, ao estilo do que por cá chamaríamos um pato-bravo), o vocabulário do presidente dos EUA está ao nível de uma criança que ainda não completou o primeiro ciclo escolar. Tem uma mão cheia de adjectivos que oscilam entre o bom, óptimo, mau, de vez em quando, um erudito perverso, eventualmente, apimentados com um eloquente muito e que servem para tudo, do clima às pessoas, dos ataques terroristas aos dantescos incêndios na Califórnia. As pessoas são boas, às vezes são mesmo great, ou, quando más, podem chegar a bad, bad people, a repetição elevando e enfatizando o grau de maldade do indivíduo.

    O senhor presidente tem uma opinião forte acerca das alterações climáticas. Graças a um tio que, no caso, era mais do que great, era mesmo um brilliant genius – que a família tem bons genes, basta olhar para a Ivanka – e com quem também discutia questões nucleares all the time. Pela força, da opinião, o presidente quer e terá um evidentemente great clima para os EUA. Enquanto o bom clima não chega, os americanos vão aprender a prevenir incêndios com os finlandeses, que sabem o que fazem e têm bons solos. Também se requer bons solos. E ancinhos. Mas Trump está habituado a ter o que quer e, além disso, já falou com o presidente da Finlândia, alternativamente sobre este ou outros temas, é indiferente; o que conta é a intenção.

    Noutro (perigoso) desvario caseiro, o presidente norte-americano recusou ouvir a gravação áudio do assassinato de Jamal Khashoggi. Já classificou o acto como perverso e como muito más as pessoas que o cometeram. Não quer ouvi-la e acha que não há razão nenhuma para que a ouça. Eu acho que é capaz de haver para cima de 100 mil milhões de razões para não alarmar o excelentíssimo príncipe da Arábia Saudita e Trump, ao contrário de uns quantos hipócritas, não tem pudor em lembrá-lo repetidamente. Afinal, a venda de armas é um excelente negócio, gera muitos, muitos empregos; a lot. Além disso, as pessoas têm direito a defender-se de ameaças, como se vê, semana sim, semana não, nos EUA. Esta semana foi em Chicago. Quando os professores americanos andarem armados, acabam-se os massacres. Como é que ninguém se tinha lembrado disso antes? E quando for o Jair a mandar, pode ser que todos os problemas da humanidade desapareçam por artes bélicas, pois teremos conseguido exterminar todos os maus da face da Terra; jamais os franceses voltarão a correr o risco de aprender alemão.

    Entretanto, há milhares de refugiados às portas do EUA na fronteira com o México. Uma caravana, várias caravanas, amálgamas de sonhos desesperados, de esperanças indomáveis, voluntariosas, fazendo das fraquezas individuais uma força resistente que renasce, como uma fénix, das cinzas que tentam e teimam em deixar para trás. Trump não os quer há muito, o México não tem como continuar a querê-los e nós vamos suspirando com envergonhado e cobarde alívio, porque não chegou à nossa porta. Ainda. Como será, quando chegar? O que fazer entre a obrigação moral de ajudar quem precisa e a frustrante incapacidade de chegar a todos? E se, por um acaso do destino, a caravana nos transportasse a nós?

A inevitabilidade do ódio?

    Em tronco nu, numa (outra) manhã qualquer, Amon Leopold Göth assoma à varanda da sua casa, com vista privilegiada para o campo de concentração nazi de Plaszow. Agarra na espingarda, observa a azáfama dos condenados, ajusta a mira da arma e escolhe a primeira vítima. Pousa o cigarro e aponta certeiro à mulher agachada no chão. Assim que ela se ergue, dispara a matar. Recolhe, indolente, o cigarro pousado no muro e, entre duas passas, escolhe uma segunda vítima. Aleatoriamente, sem qualquer critério especial. Apenas porque pode e porque isso lhe dá gozo.

    A violenta cena que retrata a barbárie sangrenta e insana da época nazi é imortalizada por Ralph Fiennes em A Lista de Schindler, e dispensará mais apresentações. Quem a viu, gravou-a para sempre na memória; cada um pelas suas razões, porque há filmes, ou partes deles, que teimosamente se materializam nos nossos pesadelos e nas nossas consciências quando menos esperamos. Lembrei-me dela pela alienação dos dias que correm. Já não fazem falta varandas com vista nem espingardas em riste. Substituímos as primeiras pelas páginas virtuais e as segundas pelos insultos gratuitos e carregados de ódio. Cada um escolhe o seu palanque, a sua arma, a sua vítima. Os métodos serão diferentes; os ódios serão diferentes; talvez, até os objectivos sejam diferentes. Mas deixam o mesmo rasto de aniquilação, de devastação nojenta na eliminação de adversários, políticos e não só. Só porque sim, só porque se pode. Como uns podem mais do que outros, os ódios destilam-se em diferentes graus, com diferentes requintes de malvadez e de eficácia e atingem mais ou menos alvos, de acordo com a circunstância de cada um. Das caixas de comentários aos assassínios por encomenda, da propagação de mentiras à distribuição de bombas como quem distribui rebuçados, dos comícios políticos convertidos em arenas de imberbes sedentos de vinganças, urgentes de sangue, como nos tempos dos enforcamentos sumários nas praças públicas, à apologia dos regimes ditatoriais e fascistas como solução para todos os males.

    Cada vez é mais difícil manter uma discussão séria sobre os diferentes problemas que se abatem sobre as sociedades democráticas. As pessoas não ouvem. Confundem, como diz o povo, alhos com bugalhos. Um homem insulta pública e violentamente uma mulher negra, chama-lhe feia, vaca, preta, bastarda e ouvimos dizer, e “se fosse ao contrário, também era notícia”; “porque é que não deixam o homem defender-se, primeiro”? Mas, são surdos? Os americanos tinham um nome para este tipo de gente, mas não me lembro agora. Os que, numa discussão, recorrem sistematicamente à evocação de argumentos que, só na aparência, se relacionam. Uma espécie de desconversadores selectivos cujo objectivo nunca é discutir com seriedade nem, muito menos, encontrar soluções, mas baralhar, partir e dar, como num jogo de pocker.

    Nos dias de hoje, voltamos a desdenhar dos pobres, a rir dos aleijados, a humilhar os ofendidos e a insultar os inimigos. A turba pede sangue como quem pede água sob o sol abrasador do deserto. Sucumbimos ao medo, e o ódio, afoito e arguto, tomou-nos nos braços.

    Nos EUA, Donald Trump condena, para as câmaras, a mesma violência que exacerba, horas depois, no Twitter. Apela a uma América unida e tudo faz para rasgar as feridas. Hostiliza a imprensa livre porque são fakes todas as notícias que não se dediquem à promoção acérrima e acrítica da sua fantástica presidência. A melhor de todos os tempos. Apela ao respeito que não tem pelos adversários, nomeadamente, políticos. O mesmo homem que exaltou o Lock her up! de Hillary Clinton e afirmou que Obama – que nem americano era! – fundou o estado islâmico, chama, hipocritamente, à união os americanos para repudiar actos de ameaças e violência política. Já sabemos da sua coerência discursiva e não só; depende da ocasião e do interlocutor.

    No Brasil, parece que Bolsonaro tem vindo a perder pontos para Haddad, nos últimos dias. O Messias (haja ironia!) já veio dizer que só perde se houver uma fraude eleitoral, como já antes tinha dito que só aceitaria os resultados das eleições se ganhasse. Gritar ameaças, espalhar a confusão, semear a discórdia e instigar à agitação social. Sempre de forma cobarde, sem sair do conforto do sofá, porque, como se sabe, o homem convalesce de uma facada, que deve agradecer todos os dias, pela facilidade divina com que conseguiu escapar de qualquer debate político sério, mostrando tudo o que não tem para apresentar aos brasileiros.

    É o mesmo princípio. Se me convém, está tudo bem. Se não, é uma fraude. A Folha de São Paulo sucks too. Como fede tudo o que se meter no caminho destes tresloucados salvadores da pátria. Se for possível tirar alguma coisa boa desta indecente demência que atormenta os nossos dias, que seja não deixarmos Portugal refém do medo nem cair nas garras do ódio.

 

P.S. Já depois de ter publicado este post, li isto.

A ilegalidade de ser humano.

       Na Hungria de Vickor Orbán, ser sem-abrigo é ilegal (não é só, eu sei). Assim, e no “interesse da sociedade”, a polícia húngara está, desde esta segunda-feira, autorizada a retirar dos espaços públicos quem não tem onde dormir. Teoricamente, estes seres ilegais devem ser encaminhados para abrigos. Se se recusarem a fazê-lo, três vezes em 90 dias, a polícia pode detê-los e destruir os seus pertences. Os cidadãos, os legais, obviamente, devem ter o direito de usufruir dos espaços públicos sem constrangimentos.

      Na América de Trump, (pelo menos) uma menina, hondurenha, de dois anos testemunhou sozinha, no “Tribunal Federal de Imigração nº 14” dos EUA. Na fronteira, foi separada da avó que tentava entrar ilegalmente nesse país tão grande outra vez. Na esclarecidíssima e iluminada opinião de Trump e de muitos dos seus apoiantes, se as famílias tiverem medo de serem separadas das suas crianças, não se atreverão, sequer, a tentar entrar. De resto, na América, por exemplo, está tudo a correr muito bem. A economia está a crescer a um bom ritmo e a administração Trump fez mais pelo país, nos últimos dois anos, do que praticamente todas as outras administrações anteriores, pese embora o facto de Melania ainda ser a maior vítima de bullying do mundo, e não sei qual das duas “constatações” tem mais piada, porque, convenhamos, o humor também faz falta, embora, parece que em alguns países é tão ilegal como algumas pessoas, mas adiante.

        Os brasileiros vão eleger Bolsonaro porque já não suportam o PT e a sua corrupção. Afinal, sempre é melhor um F-A-S-C-I-S-T-A para arrumar a casa e eliminar os corruptos, do que outro democrata possivelmente viciado. Nem sequer faz falta vir o diabo escolher. Até porque os moderados e democratabilíssimos checs-and-balances que o Brasil não tem irão acabar por refrear os piores instintos do capitão Jair, tal como os que, sim, existem (ou existiam) nos EUA (não!) serão suficientes para impedir nova eleição de Trump, em 2020; não esquecer que, com jeitinho, o homem ainda acaba prémio Nobel da Paz.

          Enfim, os problemas são o que são e, pelos vistos, a democracia deixou de servir como solução. Churchill estaria certo se não tivesse (ab)usado da chalaça: na actualidade, parece não haver pior forma de governo.

        Eu, como cidadã do mais impoluto e legal que há, penso até se não seria melhor voltarmos todos ao olho-por-olho-dente-por-dente: cortar a mão ao ladrão, apedrejar os adúlteros, castrar os violadores, enfim, garantir o descanso imaculado e sem sobressaltos das sociedades limpas e pagadoras de impostos…isso é que era!

Verdade sem consequência.

            “Torne a mentira grande, simplifique-a, continue a repeti-la e, eventualmente, todos acreditarão nela.”

          Assim construiu Adolf Hitler uma demente ideologia para tornar a Alemanha grande outra vez; assim se começa, hoje, a fazer política para ser levada a sério, quase oitenta anos depois do sanguinário e tresloucado genocídio de (maioritariamente) judeus sob o regime nazi.

          Podia ser exagero, estabelecer comparações radicais entre a Alemanha de Hitler e a América de Trump, ou o Brasil que há-de ser de Bolsonaro; ou a Hungria de Viktor Orbán; ou a Venezuela de Maduro; ou os apelos nacionalistas de Le Pen e Salvini, o Brexit do Reino Unido, a subida da extrema direita na Suécia e na Europa, em geral. Podia ser exagero, não fosse dar-se o caso de – cada vez mais – a verdade ser descartável. Já ninguém se interessa pela verdade, até porque a verdade muda ao sabor do momento e o momento tornou-se instantâneo, fugaz como a chama de um fósforo, exuberante e fogosa, a princípio, para depressa definhar, enegrecida e em agonia. A verdade passou a medir-se pela ousadia do insulto fácil e popular; pela capacidade de vitimização dos tiranos, pela dimensão da fama e poder dos abusadores, pela falta de recato das vítimas, pelo oportunismo de ambos, pela assertividade e elegância da retórica cheia de nada, mas que enche almas desesperadas e exalta multidões cegas e esvaziadas de qualquer capacidade de pensar e reflectir.

            Nos dias de hoje, a política do pão e circo já não precisa da imponência do Coliseu, do desassombro e da perícia dos gladiadores ou do confronto violento entre animais selvagens. Basta um “estadista” imberbe com o despudor suficiente para ridicularizar o outro, seja uma pessoa com deficiência, um militar morto em combate, um apresentador de televisão ou uma mulher abusada. O povo aplaude, goza e rejubila. Já não faz falta debater ideias. Chamar um opositor político de “marmita de corrupto preso” faz mais pelo divertimento das massas do que discutir problemas reais, discordar e tentar encontrar soluções. A urgência dos tempos e das modas choca de frente e violentamente com a lentidão do apuramento da verdade, porque, essa, demora, não é efémera. E a negação da verdade mutila a justiça, que, se já não era completamente cega, foi impiedosamente esmagada pelas circunstâncias do acusado e do acusador, independentemente do crime. As provas deixaram de ser necessárias, foram substituídas por autos de fé. Há quem minta descaradamente no conforto da não existência de qualquer “prova”, mesmo que a história que conta seja absurda e há quem esteja absolutamente certo, quer da inocência, quer da culpabilidade de alguém apenas pela conjuntura do momento, pelo que fez ou deixou de fazer, pelos méritos ou deméritos alcançados até à data. Amar ou odiar, sem apelo nem agravo ou espaço para indagar.

A bondade não enche jornais.

A maior parte das vezes, assistir ao telejornal ou ler a imprensa escrita é um exercício deprimente. Entre incêndios vorazes e, muitas vezes, criminosos que ceifam vida em todas as suas formas, sangrentos ataques terroristas que, além de ceifarem mais vidas, estimulam mais reacções vingativas e perversas, e essa admirável administração Trump que promete salvar a America First (eu diria a America Only) nem que para isso “paralise” o governo federal e seque os cofres dos serviços secretos, ler ou ouvir notícias, dizia eu, não é para qualquer um.

No entanto, no meio do caos e da loucura, a bondade dos homens também faz das suas. Infelizmente, não vende tanto como a violência gratuita e, portanto, a comunicação social não lhe dá o devido destaque nem a mesma atenção.

Vem isto a propósito de duas notícias (ou, mais exactamente, duas breves passagens…) que eu já tinha lido e que a Laurinda Alves destacou na sua crónica de ontem, no Observador.

Fernando Álvarez, nadador espanhol em competição numa prova que se realizava em Budapeste, permaneceu sozinho, em silêncio, durante um minuto, em homenagem às vítimas dos atentados de Barcelona. Cumpriu a homenagem sozinho, mandando a competição às urtigas, depois da recusa da organização do Mundial de Masters de Budapeste em “perder” mais um minuto que fosse e, digo eu, no que quer que fosse!

Harry Athwal, turista britânico de origem indiana, permaneceu (também ele) sozinho, de joelhos no chão de Las Ramblas, velando um menino (da idade do seu próprio filho) que tinha sido colhido pela demanda, cega, demente e assassina, de Younes Abouyaaqoub. Apesar das ordens da polícia para abandonar o local e do medo que sentia, com certeza!, recusou perder a humanidade e recusou-se a abandonar o menino em agonia: "He looked like my son, I didn't want to leave him". O menino acabaria por morrer, mas Harry não consentiu que morresse sozinho!

Por que não se dá o mesmo destaque a este tipo de notícias? O Homem é, na sua essência, mais perverso e mau do que bom e, portanto, há menos casos de bondade para documentar ou, simplesmente, a maldade vende mais, fascina mais, logo, rende mais?

A minha singela homenagem a estes dois homens, porque representam, de facto, senão a única, seguramente a arma mais eficaz de combater o terrorismo, qualquer que seja a sua forma.

“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Eu Sou Assim

IDADE_Tem dias. ESTADO CIVIL_Muito bem casada. COR PREFERIDA_Cor de burro quando foge. O MEU MAIOR FEITO_O meu filho. O QUE SOU_Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa. IRMÃOS_ Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo. IMPORTANTE NA VIDA_ Saber vivê-la, junto dos amigos e da família. IMPRESCINDÍVEL NA BAGAGEM de FÉRIAS_Livros. SAÚDE_Um bem precioso. DINHEIRO_Para tratar com respeito.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."