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Teremos sempre o turismo?

por naomedeemouvidos, em 05.12.19

Portugal é, pela terceira vez consecutiva, o melhor destino do mundo. Na última cerimónia dos World Travel Awards, marcámos vários pontos no que toca a prémios de turismo. Ao Melhor Destino Turístico do Mundo, somámos o melhor destino City Break do mundo (Lisboa), a melhor companhia aérea (TAP, que tem, também, a melhor revista de voo do mundo) a voar para África e para a América do Sul, o melhor hotel clássico do mundo (O Olissippo Lapa Palace Hotel, em Lisboa), o melhor Golf&Villa Resort do mundo (Dunas Douradas Beach Club, em Almancil), o melhor Operador de Hotel Boutique do mundo (Amazing Evolution Management), a Melhor Atracção Turística do Mundo (Passadiços do Paiva, em Arouca), a Melhor Empresa Líder em Conservação do Mundo (Parques de Sintra – Monte da Lua) e o Melhor Organismo Oficial de Turismo do Mundo (Turismo de Portugal).

 

Ninguém – nenhum português, entenda-se – no seu perfeito juízo pode deixar de ficar satisfeito, no mínimo, pelo reconhecimento da qualidade dos nossos serviços nesta área. Portugal é, efectivamente, um país com uma riqueza histórica, cultural, paisagística, gastronómica, de que, muitas vezes, só nos damos conta quando daqui saímos. Ou quando somos reconhecidos no estrangeiro – e talvez isso justifique a necessidade de definir em inglês quase todos os nomes possíveis de gerar prémios. Como se a Língua Portuguesa não encerrasse em si mesma toda a riqueza de que precisamos para nos mostrarmos na nossa melhor pele a esse Mundo que, aparentemente, volta a render-se a nós. Antes do Acordo Ortográfico, é certo, que vai tendo cada vez menos de cada uma das coisas. Dizem que se não for assim, em inglês, não nos fazemos entender bem lá fora. É possível, mas duvidoso. E não sei se o que perdemos merece a pena de nos inglesarmos à força de prémios turísticos.

 

Há uns anos, eu e o meu marido fomos almoçar a um restaurante na marina de Cascais. Não era sequer um restaurante da moda. A empregada de mesa só falava inglês. Há uns dias, no Porto, a minha irmã entrou numa loja e o empregado só falava inglês.

Não tolero bem a ideia de não me bastar, na minha língua, para poder ser atendida no meu próprio país. Os nomes para inglês ver com que baptizamos as atracções chiques já me enervam o suficiente. Chamem-me nomes. Sou do Porto, conheço-os (quase) todos.

 

Resta, por isso, perguntar o que ainda falta sacrificar em nome do turismo. Onde pára a gente da terra que enxotamos para longe a troco de mais uns metros quadrados do frenético alojamento local a preços estratosféricos; dos quartos para estudantes alugados sem contrato a valores obscenos, às vezes, na proporção inversa das condições que oferecem? Quando perdermos a alma, as pronúncias que nos fazem únicos, talvez seja tarde de mais para o deve e haver do turismo que queremos promover. Ou é inevitável essa perda? E não tem nada de glamoroso ver a mesma catástrofe servir, no mesmo tempo e no mesmo espaço, o êxtase turístico e a aflição dos que não têm vôo programado para afastar o fastio à hora mais conveniente. Aguçar, a qualquer preço, a cobiça da especulação imobiliária mais feroz, onde não se olha a meios para garantir a recuperação dos investimentos de rapina que vão delapidando o pouco que ainda resta aos mais desfavorecidos não pode resultar numa boa estratégia a longo prazo. Se precisamos mesmo do turismo - e eu acho que precisamos - pelo menos, tenhamos a inteligência necessária para manter viva a galinha dos ovos de ouro.

 

publicado às 10:52



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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