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O pôr-se a jeito.

por naomedeemouvidos, em 07.02.19

   

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aqui

 

 

    É um clássico. Mulher que é mulher nunca se põe a jeito porque, como muitos dizem saber, homem que é homem está sempre à altura de lhe agarrar o jeito. E, assim, sempre se vão desvalorizando os hediondos crimes que alguns – alguns!, é preciso que fique bem claro – homens cometem sobre as mulheres, com a complacência de todos.

    No caso concreto da violência doméstica, sempre que alguma mulher morre às mãos de um desses assassinos, enchem-se páginas e páginas de jornais, sempre com as mesmas queixas, as mesmas incompetências, os mesmos lamentos, as mesmas lágrimas. Apenas durante um breve período de tempo. Menos do que aquele que se gasta a discutir um fora-de-jogo, tema que dá aí para, no mínimo, duas semanas de programas, comentários, debates, análises e mais um ror de coisas úteis. A notícia, a que à violência doméstica diz respeito, volta na próxima morte, com cenas dos capítulos anteriores, que serão, também, as dos próximos. Lamentável e vergonhosamente. Já são duas mãos cheias - e mais uma pequenina e insuportável -, ainda o ano está a começar. Mas, não aprendemos nada?

    O último crime odioso de que se fala (também) levou a pequena Lara, de apenas dois anos. Na versão mais absurda que ouvi acerca desse infame estatuto que é o pôr-se a jeito, alguém dizia qualquer coisa do género, pobre menina, mas quem mandou à mãe ter um filho com um tipo daqueles. As palavras não eram exactamente estas, mas o sentido era este. Inacreditável, não é?

    O tipo, tal como o pôr-se a jeito, serve para tudo catalogar. É a tipa que não é séria, ou o tipo que a ama muito, é tipo de roupa, o tipo de rendas, o tipo de tanga. O tipo de hora, o tipo de quarto, o tipo de amor. Esse amor tão grande que não aguenta ver o outro feliz e completo; não, tem que humilhar, maltratar, agredir e, quando nada mais sobrar, tem que matar.

 

    Há dois dias, o senhor juiz desembargador Neto Moura recebeu, do Conselho Superior da Magistratura, uma advertência escrita, na sequência daquele acórdão de Outubro de 2017 que se tornou famoso pelas piores razões. O senhor vai recorrer. Muitos se indignaram. Muitos dos colegas do senhor doutor juiz. Afinal, é um atentado ao princípio da independência dos tribunais e à indispensável liberdade de julgamento, segundo li algures. Transcrevo parte do texto que constitui, por sua vez, parte do exercício dessa liberdade e independência de que devem gozar os juízes:

 

    “Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372º ) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse. Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”.

 

    Eu sei que que deve haver pouca gente que ainda não tenha lido, mas, há coisas que nunca é demais lembrar. Aqui fica.

    Só é pena que o senhor juiz possa ter razão num pequeno, grande, imenso, pormenor: “e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras.”

 

    Há mulheres que não aprendem…

publicado às 16:12

E o que é que vestia?

por naomedeemouvidos, em 15.11.18

    Há mulheres que não aprendem. Ou se põem a jeito ou põem cuecas de renda. Ou usam fio dental ou não apertam as pernas com firmeza. Ou dançam de forma sensual ou saem sozinhas à noite. Ignoram que os homens são predadores implacáveis, cheios do recato que lhes falta a elas, lobos com peles de cordeiro, sempre à espreita, à espera do convite fortuito, mas eloquente e irrecusável. O que elas querem, sabem eles. E sabem todos, sem excepção. Os que não sabem, não são bem homens. A ocasião faz o ladrão e as mulheres impudicas fazem os violadores.

    “Têm de olhar para a maneira como ela estava vestida. Usava um fio dental com a frente em renda”, advertiu a competente advogada, no tribunal, numa tanga sem renda. Que tamanho ultraje! Como é possível, tanta pouca vergonha? Há mulheres que são umas galdérias, de facto. Galdérias e ignorantes, pois, desconhecem que há homens, parece que todos, que não resistem a uma provocadora cueca de renda e fio dental. Que extraordinário descanso saber que há outras mulheres que nos alertam para o perigo que o nosso traje, o interior também, representa para os incautos. Só as mulheres recatadas – e parece que também as feias – nunca são assediadas ou violadas. Mas, as feias não contam, porque não merecem. Basta ler jornais. Ou perguntem aos homens, esses seres acéfalos, que não podem ver uma mulher de saias ou de rendas, porque a irracionalidade primária nunca os abandonou, coitados, apesar de séculos de evolução. As mulheres sérias e compostas não provocam sensações pecaminosas. Já as do tipo leviano e atiradiço são verdadeiros shots de excitação e adrenalina; um perigo para o fraco homem comum. As desse tipo deviam ficar em casa, trancadas nas torres mais altas e inacessíveis, com um espelho mágico a quem, por descanso, perguntar, espelho meu espelho meu, já estou em modo camafeu?, e, então, gozar da segurança e condições necessárias para preservar a honra.

    Vítima que é vítima não provoca, não instiga, não socializa indecentemente. Vítima que é vítima chora e grita, arranha e defende-se. Vítima que é vítima comporta-se da forma correcta e, sobretudo, não vai em tangas – e, logo, de renda – a lado nenhum.

publicado às 08:32



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

Saúde - Um bem precioso.

Dinheiro - Para tratar com respeito.


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