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Justiça e (ou?) violência.

por naomedeemouvidos, em 04.12.18

   

    “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.”

Jean-Paul Sartre.

 

    Mesmo que, nas mãos do povo, alguém a alcunhe de justiça, a violência não devia ser secundada, muito menos, atendida. E, às vezes, parece não haver outra alternativa.

    Em França, os “gilets jeunes” conseguiram, de momento, que Macron voltasse atrás no aumento do imposto sobre os combustíveis. Ao Governo francês não parecia restar muito mais, a não ser que houvesse demissões. Pode ser que isso seja suficiente para conter a próxima onda de horror que já começa a ganhar forma nas redes sociais; uma ameaça em crescendo, pronta para mais um sábado de anarquia e destruição bárbara. Pode ser suficiente, mas eu duvido. Quem se manifesta vestido como quem vai para a guerra, não estará forçosamente interessado no aumento ou diminuição de taxas, mesmo que as exigências, entretanto, já tenham ultrapassado o vulgar aumento dos combustíveis. Dizem que a violência é mais ou menos comum nos franceses e que nós, não-franceses, estaremos mais chocados do que eles. É possível, mas, não deixa de ser condenável e aterrorizador.

 

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imagem aqui

    Entretanto, não percebi bem o que tentaram, por cá, ensaiar os bombeiros que se manifestaram ontem, em Lisboa. Mas não apreciei o “Deixa arder” e dispensava a simbologia das chamas, na concentração. Apenas para que o nojo não se cole à nobreza de alguns homens e dos valores que eles defendem, não vamos, nós também, perder a lucidez. E, sobretudo, para que não nos confundam, que os tempos já são suficientemente insanos.

 

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imagem aqui

 

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publicado às 12:39

Basta ler as variadas denúncias ou comentários acerca das políticas de selecção de entradas à porta da discoteca Urban Beach, para perceber que ali não entra quem quer. Entra quem pode ou quem os “seguranças” autorizam. Eles é que mandam. Porque sim. Pode ser pela cor, pela roupa, pela etnia, pelos olhos, pelo cabelo, pelo humor, enfim, por qualquer coisa que caia bem ou mal, naquele momento preciso.

Logo à partida, a pergunta que se impõe é: eu sou obrigada a deixar entrar no meu estabelecimento quem quiser? Não posso selecionar quem pode ou não pode entrar? A que é que se chama “reservado o direito de admissão”?

Quantos de nós nunca se sentiram incomodados por alguém que, no mesmo espaço, insiste em tornar insuportável a coexistência pacífica? A quem é que nunca apeteceu pedir ao do lado para falar baixo, para desligar a música do telemóvel, para moderar a linguagem, para esperar pela sua vez, para controlar as suas crianças, para desaparecer, pura e simplesmente? Os que ficam tremendamente chocados por ver impedida a entrada a um negro, uma brasileira, um cigano, um “mal-vestido”, um “porque-não”, numa discoteca elitista de Lisboa, também se chocam com o impedimento da entrada de crianças em alguns hotéis da moda actual, por exemplo?

Portanto, em teoria, creio que qualquer estabelecimento comercial estará no seu pleno direito de permitir ou não o acesso a potenciais clientes. O problema é como fazer a dita “selecção”. Como desenhar a fronteira entre o direito de admitir e o direito de repudiar, ainda mais com recurso à violência extrema, severa e gratuita, os “inadequados”? E, como definir esses “inadequados”?

De tudo o que fui lendo na comunicação social acerca destes casos na discoteca Urban Beach (não apenas de agora) é claro e evidente que o ambiente é seleccionado. Italianas são melhores que brasileiras, brancos são melhores que pretos, ricos são melhores que pobres. Sub-repticiamente, em declarações publicadas e anteriores ao último episódio de violência isto está presente no “direito de admissão” naquele espaço. A indignação ensaiada e forjada dos responsáveis, quer da discoteca, quer da empresa de segurança só foi vertida para os mídia, neste momento, porque a (mais uma) agressão bárbara foi filmada por um telemóvel que, em vez de ir parar ao Tejo (como, aparentemente, tantos outros antes), caiu nas mãos da PSP e nas malhas das redes sociais, benditas sejam às vezes. Caso contrário, a polícia continuaria a fingir que não se passava nada ou que não valia a pena, os “seguranças” continuariam a treinar nos seus sacos de boxe animados e os senhores administradores e afins continuariam a garantir que os clientes eram problemáticos e os distúrbios acontecem é na via pública. Lavando todos as mãos como Pilatos.

A impunidade foi dando, assim, espaço a uma cultura de “quero, posso e mando”, inquestionada e inquestionável. A passividade com que alguns presenciam as cenas de violência gratuita são a prova viva e repugnante da banalidade. Veja-se, também, o caso de Coimbra. A indiferença e o à-vontade dos agressores é de uma brutalidade sinistra. As imagens passadas repetidamente nos écrans de televisão, mais do que nas redes sociais, parece-me, tornou insuportável continuar a virar a cara. Os julgamentos passaram a fazer-se, efectivamente, na praça pública. A questão é: porquê?

Nada me move a favor da condenação pública de causas que deviam ser julgadas e condenadas, ou não, em tribunais. Mas, muito duvido da “indignação” de alguns que sempre conheceram e, muito provavelmente, compactuaram com a situação e que vêm, agora, lamuriar-se de danos de imagem, reputação pela lama e perda de clientes. Lá diz o ditado, quem semeia ventos colhe tempestades. Mais tarde ou mais cedo.

 

P.S. Quando decidi iniciar este blog, fi-lo apenas com o intuito de dar asas a uma enorme paixão: escrever. Durante algum tempo, há mais de 10 anos, mantive o hábito de escrever para jornais naqueles espaços intitulados “cartas ao director”. Como os miúdos, recortei as páginas de jornal e coleccionei todas as minhas cartas publicadas. Entretanto, fui mãe e o meu tempo deixou de ser tão meu. Agora, quis retomar esse hábito, mas na forma deste blog. Mas, percebi que não sei lidar bem com a exposição aos comentários, mesmo que bons, inteligentes e construtivos, como são praticamente todos os que tive. Gosto de "discussões" cara-a-cara, sou pouco virtual. E, sobretudo, sinto-me algo culpada quando não consigo encontrar tempo para visitar e comentar todos os outros blogs de que gosto e gosto de muitos.

Assim, decidi retirar o espaço de comentários. Continuarei a visitar os vossos, a comentar sempre que quiser e puder e agradeço a todos os que me quiserem ler, mesmo que de forma anónima e sem exposição.

Obrigada e muito sucesso para todos!

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publicado às 14:34



“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

É só o que eu acho...

"A idade não traz só rugas e cabelos brancos." E, como digo ao meu filho, "Nem sempre, nem nunca."

Sou mulher, pelo que, metade(?) do mundo não me compreende. Tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa, pelo que, na maioria das vezes estou errada. E escrevo de acordo com a antiga ortografia, pelo que, não me dêem ouvidos...

Eu Sou Assim

Idade - Tem dias.

Estado Civil - Muito bem casada.

Cor preferida - Cor de burro quando foge.

O meu maior feito - O meu filho.

O que sou - Devo-o aos meus pais, que me ensinaram o que realmente importa.

Irmãos - Uma, que vale por muitas, e um sobrinho lindo.

Importante na vida - Saber vivê-la, junto dos amigos e da família.

Imprescindível na bagagem de férias - Livros.

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