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"Triste para quem?"

por naomedeemouvidos, em 13.09.19

Na mesa ao lado, uma mulher adulta e uma adolescente, ou quase, almoçam sem trocar uma única palavra; eventualmente, quando a mulher se levanta antes de se dirigir à casa-de-banho e pergunta não sei o quê, que a miúda "responde" num resmungo, sem desviar os olhos do smartphone, que extraordinária ironia. Não sei exactamente porquê - por ser o esperado, talvez, dentro dos juízos que acabamos por fazer - imagino-as mãe e filha.

Alheia a tudo, excepto ao que lhe prende avidamente a existência mesmo ali à frente, no telemóvel apoiado na garrafa de sumo que também se esvazia sem glória, a miúda devora o hamburguer com a mesma sofreguidão com que atenta ao écran. A mãe ainda não voltou e reparo que, entre conversas, o meu filho vai olhando, discretamente, para a mesa das duas. Só quando voltamos para o carro lhe pergunto pela curiosidade. "Nada, estava a ver aquela senhora e a menina...não falavam...". E acabo por deixar escapar um "é verdade, é um pouco triste". "Para quem, para a mãe ou para a filha?" (pensou o mesmo que eu, afinal), pergunta-me, com aquela desfaçatez que, tantas vezes, ainda me apanha desprevenida.

Na verdade, não sei bem...

publicado às 14:03


14 comentários

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De Luísa de Sousa a 13.09.2019 às 14:41

Verdade, para quem?????
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De naomedeemouvidos a 13.09.2019 às 14:53

Pois...se calhar, no imediato e só na aparência, para a miúda não será tão triste...o que também é triste :(
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De Maria a 13.09.2019 às 14:47

Triste para ambas! O dominio das tecnologias acabou com o convívio. Uma pena!

Já não se partilham histórias não há boas gargalhadas. Anda tudo a olhar para um écran.

Em minha casa não há telms à hora das refeições.
Um bom fim de semana!

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De naomedeemouvidos a 13.09.2019 às 14:58

Cá em casa também não. Quando fui mãe, fiz uma espécie de cábulas com aquelas coisas que sabia serem importantes, mas, tinha medo de me vir a esquecer. Essa, foi uma delas. Entretanto, as minhas cábulas têm vindo a crescer e, às vezes, engano-me estrondosamente, mas, não desisto :))
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De Maria a 13.09.2019 às 15:11

O importante é não desistir. Nunca me arrependi de certas regras. Hoje vejo que os meus filhos as interiorizaram e praticam-nas:).

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De naomedeemouvidos a 13.09.2019 às 15:28

Acho que deve ser assim :) Espero :(
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De cheia a 13.09.2019 às 21:45

Em breve, a fala perder-se-á.
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De naomedeemouvidos a 14.09.2019 às 12:27

Assim de repente, parece que já faltou mais...
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De Sarin a 14.09.2019 às 00:13

Voltando à conversa de ontem, ou anteontem, pelas avenidas...

... está a ser muito bem preparado para o caminho que escolher :)

Já a miúda... :(
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De naomedeemouvidos a 14.09.2019 às 12:34

Acredito mesmo nisso, porque acho que não é possível fazer mais do que tentar. Mas, sim, há cedências que temos, cá em casa, por proibidas. Ponto. Outras em que seremos casmurros, antiquados, o diabo a quatro, para o caso de o dito chegar. Depois, não rezamos, mas sonhamos, desejamos e confiamos.

Beijos. Bom fim-de-semana.
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De Sarin a 14.09.2019 às 12:40

Só podemos tentar. Todos os dias :)
Bom fim-de-semana, com muita calma e inspiração.
Beijos
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De Rui Pereira a 14.09.2019 às 22:44

Triste para ambas. Triste para todos.
A tecnologia é boa, nós é que não sabemos lidar com ela...
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De naomedeemouvidos a 14.09.2019 às 23:29

Também acredito nisso. Em tudo, do seu comentário, Rui.

Bom fim-de-semana.
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De Maria Araújo a 15.09.2019 às 01:04

Uma família, mãe e filha, austista.

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“Nada na vida deve ser temido; apenas compreendido.” Marie Curie.

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